Paracoccidioidomicose: como surgiu esse nome?

10 de Junho de 2013 at 10:22 Deixe um comentário

Isis Regina  Grenier  Capoci e Patricia Haddad  – Farmacêuticas, Mestrandas no Programa de Biociências Aplicadas à Farmácia

Agora que você já conhece um pouco sobre a Paracoccidioidomicose (PCM), por meio do texto publicado neste blog recentemente  , vamos descobrir como surgiu a doença e o porquê ganhou este nome.

01Um dos aspectos interessantes é que este micro-organismo tem uma história vinculada ao Brasil, ou seja, foi descoberto, descrito e caracterizado aqui, em nosso país. A história se inicia lá em 1908, quando o diretor do Instituto Bacteriológico de São Paulo (hoje Instituo Adolfo Lutz), médico e cientista Adolpho Lutz relatou um caso clínico de dois pacientes hospitalizados na Santa Casa de São Paulo, que tinham lesões na boca. Lutz identificou o parasita no material retirado das lesões dos pacientes e efetuou o primeiro isolamento deste agente em cultura, identificando-o como fungo. Ele acabou não dando nome ao micro-organismo, porém chamou de “micose pseudococcídica”, diferenciando da coccidioidomicose, descrita alguns anos antes na Argentina.

Alfonso Splendore, biólogo italiano então trabalhando no Brasil, relatou em 1912 outros quatro casos também em São-Paulo-SP, com lesões bucais semelhantes às observadas por Lutz. Ele realizou detalhados estudos micológicos (estudos dos fungos), histológicos (estudos de tecidos), clínicos e experimentais da sua descoberta, divulgando internacionalmente os estudos e dando o nome de Zimonema brasiliense ao fungo.

02Mas foi só lá em 1930 que o médico e micologista Floriano Paulo de Almeida, depois de vários outros estudos com o fungo, propôs o nome atual do fungo, Paracoccidioides brasiliensis. O nome da doença, paracoccidioidomicose, derivou do gênero criado por Almeida, porém tornou-se conhecido e amplamente aceito somente a partir de 1971.

Muitos outras pessoas devem ser citadas na história da PCM, pois várias contribuições ao longo desses anos foram feitas, por exemplo como os pesquisadores: Pablo Negroni, Almeida e Lacaz, Lacaz e Sampaio, Naif e Colaboradores, Puccia e Colaboradores, Franco e Colaboradores, Del Negro e Colaboradores, Defaveri e Colaboradores.

Mas se você pensa que a história termina por ai, ela não termina!

Recentemente em 2009, foi publicado um artigo de autoria de Marcus M. Teixeira e Colaboradores, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília, onde se descobriu uma nova espécie do fungo causador da PCM, denominado então de Paracoccidioides lutzii, em homenagem a Adolpho Lutz, o primeiro a investigar essa doença. Portanto sabemos agora que duas espécies diferentes de fungos podem causar esta doença. Mas, com certeza as pesquisas com essa doença não param aqui, afinal, o mundo é movido por novas descobertas.

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