As Estranhas Formas de um Parasito Muito Comum

11 de Julho de 2013 at 1:43 1 comentário

Marcelo Biondaro Góis

Doutorando em Biologia Comparada – UEM

Os seres vivos desenvolvem formas corporais bastante interessantes. Basta observarmos os primeiros organismos vivos, ou ainda as diferentes formas de classificá-los em grupos (Reinos) distintos como no reino animal e reino vegetal, considerando entre outros aspectos sua morfologia. Da mesma maneira que as espécies vivas ‘evoluem’ elas adquirem formas, muitas vezes muito interessantes. A natureza que guia esse processo não objetiva o progresso; os indivíduos e as populações de qualquer espécie buscam, antes de tudo e de alguma forma, sobreviver e reproduzir.

Neste contexto, o parasitismo não é um fenômeno raro. Em geral, ocorre quando um dos organismos, chamado parasito, vive à custa de outro organismo, chamado hospedeiro. Parasitos que vivem na superfície ou exterior do hospedeiro são chamados ectoparasitas e os que vivem no interior, endoparasitas. Há alguns que além de viver dentro do outro, vive dentro de suas células; sendo chamados intracelulares, como é o caso do Toxoplasma gondii (T. gondii).

01Durante um ciclo de vida completo, o T. gondii pode assumir estranhas formas de vida. Na forma de Taquizoíto (takhys = rápido; zoíto = diminuto), seu corpo assemelha-se ao formato de um arco (Figura 1 A, B). Todo o seu corpo resume a uma única célula, portanto, perceba o quão minúsculo este ser vivo é. Tudo que ele precisa para viver está em uma única célula. Para muitos, significa um organismo primitivo ou basal. Para outros o verdadeiro progresso da natureza. Esta forma de vida é encontrada durante a primeira etapa da infecção, a fase aguda. Multiplica-se rapidamente dentro das células do seu hospedeiro (Figura 1 A), causando em seres humanos a toxoplasmose.

Na maioria das vezes, o sistema de defesa próprio do nosso corpo atua no combate à infecção causada pelo parasito. Diante do enfrentamento, faz-se necessário que o T. gondii busque uma nova estratégia de ataque.

02Surge o Bradizoíto (bradys = lento) que é a forma de manutenção, de multiplicação lenta do T. gondii. Nesta forma, eles são encontrados, formando cistos nos tecidos do hospedeiro, veja a fig. 2. C, D e E. Dentro de um único cisto podem ser encontrados centenas de Bradizoítos. Há sem dúvida preferência por locais como cérebro e músculos, sugerindo uma manipulação provocada pelo invasor no sentido de maior disseminação do parasito. Pois nestas partes, podem ser transferidos para outros animais (inclusive humanos), na forma de consumo de carne crua ou mal cozida com maior facilidade.

03E por fim, o Esporozoíto, forma de vida que permitiu ampla distribuição geográfica mundial ao parasito. É encontrado dentro de um esporocisto revestido por uma cápsula – o oocisto, veja o esquema representado pela fig. 3. Os oocistos, são muito resistentes, permanecem no ambiente contaminando água e alimentos por vários anos. Esta ‘prospera’ forma de vida do parasito, para ser concebida, obrigatoriamente necessita de um animal da família dos felídeos (tigres, leões, gatos entre outros). Neste momento não posso deixar de mencionar

04

o papel do gato doméstico como principal, mas Não o único animal deste grupo, cujo suas células intestinais têm algo de especial que faz com que o T. gondii se reproduza de forma sexuada apenas em felídeos, produzindo,05
portanto, esporozoítos. Na figura 4 ao lado pode ser observado quatro etapas necessárias para tornarem-se infectantes. Observe na fig. 4 F (no intestino de um felídeo); G, H e I (no ambiente) notem as mudanças que ocorrem na forma estrutural. Nos demais hospedeiros, ocorre somente a reprodução assexuada, gerando apenas Taquizoítos ou Bradizoítos.

Contudo, o Toxoplasma gondii é um excelente exemplo de como a evolução da sua forma estrutural permitiu estabelecer uma relação parasito, hospedeiro e ambiente com sucesso reprodutivo indiscutível.

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1 Comentário Add your own

  • 1. Teresinha Casavechia  |  12 de Julho de 2013 às 9:49

    Muito bom o texto Marcelo!
    Dada a complexidade do T. gondii vc consegui com objetividade passar informações importantes de maneira clara e bem didática!
    Parabéns!

    Responder

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