Rita Levi-Montalcini: a dama da pesquisa italiana

3 de Março de 2014 at 19:53 Deixe um comentário

Por: Aline Rosa Trevisan – Mestranda em Biociências e Fisiopatologia da UEM

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/a_molecula_da_sobrevivencia.html

O que falar de uma mulher de tanto prestígio e que tão bem fez para a comunidade científica e para a população em geral? Rita Levi-Montalcini nasceu em 1909 em Turim na Itália, filha de pais judeus, ingressou na faculdade de medicina e em seguida especializou-se em neurologia, mas a pesquisa tornou-se sua paixão desde cedo. Após se formar, ingressou na pesquisa na Universidade de Turim, mas por ser de família judia, foi proibida de atuar nessa área por causa das leis raciais postuladas pelo ditador Mussolini. Mesmo diante da impossibilidade, seu amor pela ciência falou mais alto, Rita mesmo refugiada criou um laboratório dentro de seu próprio quarto, onde começou seus estudos e teve como assistente o histologista Giuseppe Levi. Quando seu refúgio tornou-se perigoso demais, a ponto de correr risco de ser deportada para os campos de morte, Rita foi para Florença e passou a trabalhar como médica nas forças anglo-americanas, mas resolveu abandonar a clínica, pois sofria com o afastamento de seus pacientes. Após a guerra, foi convidada pelo embriologista Viktor Hamburger para trabalhar na Universidade de Washington, onde passou mais de trinta anos na pesquisa do controle do número de neurônios.

Na Universidade de Washington e em compania de Hamburger, pesquisador que inspirou suas primeiras pesquisas em Turim, iniciou experimentos que contribuíram para a compreensão de um fator trófico capaz de estimular o crescimento e a sobrevivência dos neurônios e seus prolongamentos. Em seus incansáveis estudos, Montalcini juntamente com Hertha Meyer demonstraram a primeira imagem de um gânglio nervoso irradiando seus axônios (prolongamentos)1 tendo como meio de cultura um tumor (sarcoma) e intrigando cada vez mais para a existência de algo nas células tumorais que facilitassem a expansão desses axônios a partir dos gânglios. Através de ensaios biológicos, suas investigações demonstraram fontes prováveis desse fator de estimulação dos neurônios, e provaram que a presença desses fatores aumentam a inervação e sobrevida de neurônios. A esse fator foi dado o nome de Fator de Crescimento Neuronal, sendo este na verdade o primeiro de muitos fatores a serem descritos.

Rita na parceria de Stanley Cohen continuou os estudos sobre esse fator de crescimento, culminando na clonagem do gene em camundongos e posteriormente no homem e na publicação de sua sequência completa, mapeando e descrevendo assim o Fator de Crescimento Neuronal. Essa descoberta rendeu a ela e a Cohen o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia em 1986, sendo ela a primeira mulher italiana ganhadora do Nobel e a primeira ganhadora deste prêmio a completar um século de vida.Rita Levi-Montalcini Em toda sua carreira ela fez parte de várias academias científicas e recebeu inúmeros prêmios internacionais por suas pesquisas terem sido de tamanha importância na sociedade. Além disso, foi designada senadora vitalícia da República Italiana, recebeu o título de doutora honoris causa em diversas universidades do mundo e foi a primeira mulher italiana a fazer parte da Academia Pontifícia de Ciências da Itália.

Mesmo depois de aposentada, Rita voltou para Itália e continuou contribuindo para a pesquisa do Fator de Crescimento Neuronal, comprovando que sua função no sistema imune e em vários outros tecidos do corpo humano. E como se não bastasse seu desempenho no campo da ciência, Rita ainda exerceu uma importante atuação social, aos 100 anos apoiava uma fundação que oferece bolsas de estudos a mulheres africanas que demonstrassem aptidão para as neurociências. Essa grande mulher morreu em 2012 aos 103 anos, mantendo até esse momento uma vida altamente ativa e uma mente grandemente entusiasmada com as descobertas da neurociência. Rita Levi-Montalcini, a dama da ciência italiana, que muito tem a nos ensinar com seu trabalho e vida, nunca deixou as adversidades passarem por cima de seu sonho. Numa época em que sofria preconceito por ser mulher e era perseguida por ser judia fez a diferença em seu campo de atuação e brilhou como pesquisadora em tempos tão difíceis. Suas pesquisas iniciaram muitas outras que tentam entender doenças neurodegenerativas e buscam o bem-estar da população. É sempre importante refletir sobre mulheres como Rita, que incessantemente lutaram por um ideal e independente da época que viveram conseguiram quebrar tabus, ir além, batalharam por um ideal e demonstraram que a pesquisa é a busca interminável pelo desconhecido que pode levar ao bem comum da sociedade.

Entry filed under: Sem categoria. Tags: , , , .

Fármacos Anorexígenos: Mocinhos Ou Vilões? Uma MULHER que fez a diferença

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Site do MUDI

Arquivo


%d bloggers like this: