Gertrude Belle Elion: os grandes feitos de uma cientista

25 de Março de 2014 at 20:09 Deixe um comentário

Por: Leticia Sarturi Pereira Severi

Doutoranda em Biociências e Fisiopatologia – PBF – UEM

“Não tenha medo de trabalho difícil. Nada vale a pena se vem fácil. Não deixe que os outros o desanimem ou digam-lhe que você não pode fazê-lo. Na minha época, disseram-me que as mulheres não entram na Química. Eu não vi nenhuma razão para que eu não pudesse entrar.” Gertrude B. Elion

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  Quando se lê esta citação de Gertrude Elion, já se imagina o quanto foi difícil, em determinada época, a inserção da mulher na Ciência. Hoje, há um grande número de mulheres inseridas nas atividades científicas, mas no início do século XX, a Ciência ainda era uma atividade masculina. Mesmo assim, a farmacologista Gertrude Belle Elion traçou uma incrível carreira na área de pesquisa de medicamentos, mostrando que as barreiras machistas de uma época não foram suficientes para barrar seu papel na Ciência.

  Gertrude Belle Elion nasceu em Nova Iorque, no dia 23 de Janeiro de 1918. Foi uma criança com muita vontade de aprender e quando teve que decidir a área de estudo, aos 15 anos, lembrou-se do avô que morrera de câncer e, por isso, ingressou em 1933, no curso de Química no Hunter College, uma universidade pública norte-americana com a meta de buscar a cura para esta doença.

  Após o término de seu curso de Química, os empregos em sua área eram escassos e ainda as poucas vagas para laboratórios, não estavam disponíveis para mulheres. Gertrude Elion lecionou Bioquímica para enfermeiros no New York Hospital School of Nursing, por um trimestre. Mas só iniciou sua carreira em pesquisa após, quando surgiu uma oportunidade de assistente de laboratório disponibilizada por um Químico. Embora, não fosse ganhar nenhum salário por um período, ela decidiu que valeria a pena. E valeu a pena, pois essa experiência reafirmou sua vontade de ser uma cientista e então ela ingressou na New York University, em 1939, no curso de pós-graduação em Química. Ela era a única mulher em sua classe. Terminou seu mestrado em 1941, mas inicialmente, não conseguiu um emprego na área de Ciência, e dessa forma, entrou em outra área, trabalhando em Controle de Qualidade em indústria alimentícia.

Gertrude Ellion trabalhando na década de 1960

Gertrude Elion trabalhando na década de 1960

  Após algum tempo, finalmente, ingressou em um laboratório de pesquisa como assistente do Dr. George Hitchings na companhia farmacêutica Burroughs Wellcome e, apesar do trabalho, iniciou seu doutorado no Brooklyn Polytechnic Institute, em regime parcial para manter seu emprego. No entanto, durante o término de seu doutorado a dedicação exclusiva foi necessária, e ela decidiu largar seu doutorado para permanecer em seu trabalho. Anos depois, Gertrude Elion recebeu três doutorados honorários das universidades George Washington University, Brown University e University of Michigan.

  Com o passar do tempo, o seu trabalho ia ficando cada vez mais fascinante e Gertrude Elion e George Hitchings desenvolviam pesquisas cada vez mais promissoras. Além dos medicamentos desenvolvidos, suas pesquisas foram a base para descobertas de tratamentos para leucemia, herpes, AIDS, malária e rejeição de transplantes. Estas pesquisas renderam a Gertrude Elion, em 1988, o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.

  Além da dedicação à Ciência, Gertrude cultivava uma admiração por artes, viagens e fotografia. Conheceu várias partes do mundo, adorava assistir a concertos musicais, teatros e balés.

Gertrude Elion e Dr. George Hitchings.

Gertrude Elion e Dr. George Hitchings.

  Com o tempo, Gertrude se tornou chefe do Departamento de Terapia Experimental na Burroughs Wellcome, de 1967 a 1983. Durante sua carreira, foi membro de diversos Comitês e Sociedades Científicas e após a sua aposentadoria, atuou como docente de pesquisa em Medicina e Farmacologia na Duke University. Apesar do afastamento oficial da Burroughs Wellcome, ela permaneceu como Cientista e Consultora Emérita participando de discussões e seminários relacionados à Ciência.

  Gertrude Belle Elion faleceu em 21 de fevereiro de 1999 na Carolina do Norte. Ela traçou essa carreira brilhante na Ciência, deixando a mensagem de que grandes feitos não são realizados somente por grandes homens, mas também por grandes mulheres.

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