A CIÊNCIA NOS DESENHOS ANIMADOS

24 de Maio de 2014 at 19:13 Deixe um comentário

Ms. Edilson Almeida de Oliveira

Farmacêutico

Doutorando em Biociências e Fisiopatologia – UEM

11

Apesar de sua aparente inocência e serem tidos como desprovidos de objetivos ou interesses, os desenhos animados contribuem para o processo da popularização do conhecimento científico e, levando-se em consideração a maneira como a ciência e o cientista são representados neles, podemos dividi-los em dois grandes grupos: os que possuem a intenção de serem educativos (ex.: Sid, O Cientista) e os que não têm essa ambição (ex.: O Laboratório de Dexter). Em sua maioria, reforçam a imagem que a maioria das pessoas tem sobre a identidade de um cientista, caracterizando-o classicamente como uma pessoa maluca, dotada de super poderes, sempre vestindo jaleco branco, possuidor de um cabelo peculiar e, em alguns casos, usando óculos. São apresentados como pessoas “dedicadas” à ciência as que: trabalham sozinhas em suas experiências, destacam-se por sua inteligência, sentem-se diferentes do resto da sociedade e, geralmente, recusam-se a fazer tarefas do cotidiano ou as depreciam. Nos desenhos, a maioria esmagadora dos cientistas são homens, representando a figura do poder e masculinidade, temos aqui uma questão de gênero explícita, colocando esta atividade como destinada a uma seleta minoria masculina e superdotada e, quando a mulher é retratada como cientista, ocupa um papel menor em todos os sentidos. Os cientistas, nos desenhos animados, são representados como detentores do conhecimento e tecnologia necessária para resolver qualquer problema, fortalecendo a imagem de cientista e ciência que circula na sociedade, mostrada como algo para poucas mentes brilhantes.

Sid, O Cientista

Sid, O Cientista

 

O Laboratório de Dexter

O Laboratório de Dexter

Cientistas são, na visão que nos é apresentada pela maioria dos desenhos animados, pessoas detentores do conhecimento, da resolução dos problemas, da verdade e, até mesmo, da salvação do mundo. Seus personagens demonstram que a ciência não é de alcance de todos, configurando uma visão individualista da ciência, como obras de gênios isolados que constroem suas engenhocas fabulosas e apontando para a valorização de certas áreas do saber (ex.: física e química) em detrimento de outras (ex.: filosofia, artes, história, geografia). A ciência nos desenhos animados se desenvolve a partir de problemas e está associada à atividade experimental. Outro ponto importante, é a representação da tecnologia como algo imprescindível ao progresso científico e intimamente ligada à ciência, isto, porém, sem a necessária abordagem de potenciais riscos que podem causar.

 14

A opinião que as pessoas possuem sobre os fatos científicos depende, em muito, da ação de intermediários como o a televisão, revistas e jornais que “traduzem” a linguagem científica para uma linguagem mais simples, como a que usamos em nosso cotidiano. Porém, este processo de “tradução” pode conter distorções do real sentido da notícia ou fato científico, o que muitas vezes é realizado de forma intencional visando manipular o pensamento da população, podendo ainda conter risco potencial à sociedade. Na consolidação desta visão de ciência, temos os desenhos animados, onde não há espaço para reflexão crítica e os cientistas, com seus interesses particulares, passam por cima de tudo e de todos para conseguirem o que querem. Não há nestes desenhos, um ensino de comportamentos pró-sociais (ex.: respeito ao próximo e a si mesmo) e contato com o que é aceitável nas relações humanas. Os desenhos transmitem às crianças, que não é um adulto que impõe o dever de agir diferente e sim o herói do desenho e a ciência é retratada como inquestionavelmente boa. Infelizmente, os desenhos justificam ações antiéticas como usar o irmão caçula como cobaia, falsificar a idade ou construir um tênis especial que o ajudará a vencer uma corrida que o cientista pratica.

15

Contudo, desenhos que possuem a intencionalidade de serem educativos, podem ser uma forma de estimular as crianças a se interessar por temas variados, inclusive a ciência, de forma provocativa, interessante e criativa, podendo ajudar a apontar caminhos para a compreensão de como se desenvolveu e tem se desenvolvido o pensamento científico na sociedade.

Para saber mais, consulte:

MUELLER, S. P. M. DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação – v.3 n.2 abr/02.

NUNES, C. Ciência e TV: a união possível e desejável. Cienc. Cult. [online]. 2006, vol.58, n.4, pp. 10-11. ISSN 2317-6660.

http://conexaociencia.wordpress.com/2011/11/20/curso-mostra-como-desenhos-animados-podem-prevenir-a-violencia-infantil/

https://paralelas.wordpress.com/2014/02/13/a-ciencia-nos-desenhos-animados/

http://fisicacomsabor.blogspot.com.br/2012/08/a-fisica-nos-desenhos-animados.html

http://www.museudavida.fiocruz.br/media/ciencia_e_crianca.pdf

http://www.caranguejo.com/homepage/index.php#almanaque

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=156260

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=114724

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=153758

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=182384

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=110083co_obra=182384

 

Entry filed under: Sem categoria. Tags: , .

FALTA DE VITAMINA D: UMA PANDEMIA Candidíase oral e vulvovaginal

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Site do MUDI

Arquivo


%d bloggers like this: