Neuroanatomia do sistema de recompensa cerebral e dependência química

21 de Setembro de 2014 at 16:44 Deixe um comentário

Antônio Carlos Schwiderski

Enfermagem- UEM

Fonte: https://museudinamicointerdisciplinar.files.wordpress.com/2014/09/ed973-brain_thumb25255b225255d.png

Um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e no mundo é o crescente aumento da utilização de substâncias psicoativas, o que motivou o desenvolvimento de pesquisas a cerca dos mecanismos de ação no cérebro e o entendimento das bases neurobiológicas no processo de dependência química. Este conhecimento contribui na criação de novos medicamentos, ajudando no tratamento da desintoxicação e na prevenção de recaídas, que somado às abordagens sociais, culturais, educacionais e comportamentais representará num tratamento efetivo na dependência ao álcool e outras drogas.

A dependência química é complexa, pois sendo um transtorno de natureza multifatorial e crônica com características recidivantes, o seu uso continuado provoca mudanças na anatomia e fisiologia cerebral, que traduz na mudança de comportamentos observada no usuário, como compulsão pelo uso, falta de controle e diminuição da capacidade de parar apesar das consequências para a sua própria saúde.

Existe um sistema de recompensa cerebral que tem como função promover e estimular comportamentos que contribuem na manutenção da vida e da espécie, como a alimentação, proteção, sexo, entre outros, que quando ativado, proporcionará sensações de prazer e satisfação. As substâncias psicoativas são capazes de ampliar em centenas de vezes a atividade deste sistema de recompensa, alterando o funcionamento cerebral. O sistema de recompensa do cérebro, também conhecido como sistema mesolímbico-mesocortical reúne a área tegmental ventral (ATV), o núcleo accumbens, a amígdala, o hipocampo, o córtex pré-frontal, giro do cíngulo e o córtex orbitofrontal.

Fonte: http://i.imgur.com/fu8gx78.jpg

A área tegmentar ventral está localizada na parte ventral do tegmento do mesencéfalo (parte superior do tronco encefálico), medialmente à substância negra, contendo neurônios ricos em dopamina, sendo o sistema dopaminérgico o principal alvo na investigação acerca de alterações. O núcleo accumbens está na zona de união entre o putâmen e a cabeça do núcleo caudado em área que alguns autores também chamam de corpo estriado ventral, e é responsável pelo aprendizado e pela motivação, bem como pela valorização de cada estímulo.

A amígdala ou corpo amigdaloide é uma massa esferoide de substância cinzenta de cerca de 2 cm de diâmetro situada no polo temporal do hemisfério cerebral, fazendo parte do sistema límbico e responsável pela resposta emocional diante de um evento. O hipocampo é uma elevação curva e muito pronunciada que se dispõe acima do giro para-hipocampal, constituído de um tipo de córtex muito antigo, tendo importantes funções psíquicas relacionadas com o comportamento e a memória.

O córtex pré-frontal é responsável pelas funções psíquicas superiores, como o controle e planejamento, enquanto o giro do cíngulo, localizado acima do corpo caloso, tem conexões com diversas estruturas do sistema límbico, e funções como a regulação da atividade cognitiva e emocional. Finalmente, a região do córtex orbitofrontal, que tem participação no controle do impulso e da tomada de decisão.

Sendo assim, a liberação da dopamina a partir da ATV é liberada na presença de um estímulo capaz de proporcionar bem-estar, iniciando a ativação do sistema, passando ao núcleo accumbens, que recebe as projeções dopaminérgicas da ATV, que ativada, torna-se responsável pela detecção dos estímulos ambientais de reforço positivo. A amígdala na sequência estabelece associações entre o evento motivacional e estímulos ambientais, e o córtex pré-frontal e o giro do cíngulo são ativados por eventos motivacionais relevantes, definindo quando a resposta motivacional será emitida e a sua intensidade.

Concluindo, o conhecimento das estruturas e o funcionamento do sistema de recompensa contribuirão no entendimento dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos na síndrome da dependência, ajudando no desenvolvimento de alternativas mais eficazes de tratamento.

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