As alterações cerebelares relacionadas ao equilíbrio em idosos

24 de Setembro de 2014 at 19:38 Deixe um comentário

Karen Valezio de Oliveira

Graduada em Fisioterapia

O aumento acelerado da população de idosos é um fenômeno mundial. Projeções estatísticas apontam que no ano de 2025 o Brasil terá a 6ª maior população de idosos do mundo. O envelhecimento provoca diversas alterações fisiológicas nos órgãos e sistemas. Modificações podem gerar déficits de equilíbrio e alterações da marcha predispondo o idoso a quedas e limitações funcionais. Estimativas mostram uma prevalência de 85% de déficit de equilíbrio na população acima de 65 anos. Assim sendo, cada vez mais torna-se de fundamental importância estudar as questões cerebelares relacionadas ao equilíbrio e os tratamentos que melhorarem os déficits de equilíbrio.

As degenerações cerebelares são as mais frequentes no que se diz respeito ao déficit de equilíbrio. As lesões cerebelares possuem sintomas clássicos, como a ataxia, hipotonia muscular, nistagmo, disartria, e tremor ao movimento.

O cerebelo faz parte do sistema nervoso central e coordena as atividades dos músculos esqueléticos através de informações sensitivas a ele levadas pelos receptores para propriocepção e equilíbrio. Anatomicamente, o cerebelo é composto por dois hemisférios cerebelares conectados na linha mediana por uma estrutura denominada verme cerebelar. A superfície do cerebelo consiste de uma casca de substância cinzenta, denominada córtex, que mergulha profundamente abaixo da superfície, dando a aparência de folhas pregueadas que envolvem o cerebelo separado por sulcos transversais denominados de fissuras. Cada prega, também denominada folha cerebelar, apresenta na porção central substância branca (constituída de axônios de neurônios) revestida por substância cinzenta (corpos de neurônios).

O cerebelo está unido a três regiões do tronco encefálico, primeiro ao mesencéfalo por um par de colunas de substância branca (tractos) denominados pedúnculos cerebelares rostrais; na seqüência à ponte por um par de pedúnculos cerebelares médios; e por fim ao bulbo por um par de pedúnculos cerebelares caudais.

Fisiologicamente uma das principais funções do cerebelo é a de avaliar se os movimentos iniciados estão sendo realizados perfeitamente. Se o movimento não está sendo executado corretamente, o cerebelo detecta a discrepância e envia sinais de retorno (feedback) para correção e modificação dos movimentos, sendo ainda a principal região do encéfalo reguladora da postura e do equilíbrio.

Ataxia-http://myweb.tiscali.co.uk/ataxia.pages/index.2.jpg

E o que é o equilíbrio? É a habilidade do sistema nervoso em detectar antecipada e momentaneamente a instabilidade e gerar respostas coordenadas que tragam o indivíduo de volta para a base de suporte, evitando a queda. A deficiência desta função é a mais recorrente em pacientes com disfunções cerebelares.

Como pode ser feito o tratamento nestes indivíduos? Como alternativa de tratamento, há medicação e exercícios específicos. O tratamento terapêutico, com remédios tem como objetivo a promoção da melhora do equilíbrio global e a restauração da orientação espacial para o mais próximo do fisiológico, enquanto que o tratamento por meio de exercícios busca estimular os fenômenos de adaptação, envolvendo a habituação e a compensação, promover orientação espacial adequada e reduzir desconforto durante a movimentação da cabeça, bem como propiciar maior estabilidade da postura corporal, no repouso e na movimentação, principalmente nas situações que podem desencadear maior conflito sensorial.

O treinamento físico, de uma forma geral, aumenta o equilíbrio de idosos; sendo que a hidroterapia, os exercícios específicos para o sistema vestibular (estrutura localizada no interior da orelha responsável pela percepção do equilíbrio), a cinesioterapia (método que utiliza todas as técnicas de movimento para aliviar sintomas e/ou melhorar funções do corpo) e a caminhada, por exemplo, contribuem para o aprendizado motor, para a melhora do equilíbrio e para a diminuição na possibilidade de queda em idosos. Tanto o hábito de caminhar fora de casa quanto a prática regular da caminhada, da musculação e da hidroterapia por mais de seis meses, aumentam o equilíbrio funcional e diminuem o risco de quedas em idosos.

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