LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO

13 de Outubro de 2014 at 22:29 Deixe um comentário

Camila Pezine

Farmacêutica

O tecido nervoso, por ser muito delicado, exige mecanismos que atuem como proteção contra danos mecânicos e agentes agressores. Para isso, existe um elaborado sistema de proteção que consiste em quatro estruturas: crânio (parte óssea), meninges (membranas conjuntivas), líquido cerebroespinal (líquor) e a barreira hematoencefálica.

O líquido cefalorraquidiano ou líquor é um fluido biológico que está intimamente relacionado com o sistema nervoso central e seus envoltórios (as meninges) e é encontrado nos ventrículos cerebrais e no espaço subaracnóide. O líquor é um ultrafiltrado do sangue produzido por estruturas denominadas de plexos corióides localizados nos ventrículos encefálicos.

Os ventrículos encefálicos são quatro cavidades que existem no interior do encéfalo, sendo elas denominadas de ventrículos laterais (tendo um em cada hemisfério cerebral I e II), III ventrículo (localizado em uma região mais interna e central do encéfalo denominada de diencéfalo) e IV ventrículo (cavidade localizada entre uma estrutura chamada tronco encefálico e cerebelo).

A circulação do líquor tem sentido único, inicia-se nos ventrículos laterais que contribuem com maior contingente liquórico, produzido a partir do plexo corióde existente nessa cavidade, passa para o III ventrículo através de orifícios denominados forames interventriculares, posteriormente vai para o IV ventrículo através de um canal chamado aqueduto cerebral. Na sequência, sai para o espaço subaracnóide, por onde circula até alcançar as granulações aracnóides, que se projetam para o interior da dura-máter, reabsorvendo (devolvendo) o líquor para o sangue para um leito venoso (semelhante a uma veia) denominado seio sagital.

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Em condições normais, o líquor é constituído por pequenas concentrações de proteína, glicose, lactato, enzimas, potássio, magnésio e concentrações relativamente elevados de cloreto de sódio. Possui aspecto límpido e incolor.

A principal função do líquor é a proteção mecânica, servindo como um amortecedor para o encéfalo e a medula espinal contra choques e pressão. O líquor também tem a capacidade de defesa do sistema nervoso contra agentes infecciosos, além de remover resíduos e promover nutrição.

O liquido cefalorraquidiano vem sendo utilizado como arma diagnóstica desde o final do século XIX, contribuindo significativamente para o diagnóstico de patologias neurológicas. Além do diagnóstico, a análise do líquor permite o estadiamento, ou seja, em qual fase se encontram os processos infecciosos, inflamatórios ou neoplásicos que venham acometer direta ou indiretamente o sistema nervoso central. Outra função muito importante atribuída ao líquor se dá por meio da punção (coleta) liquórica que favorece o acesso para a administração intra-tecal (no espaço subaracnóideo) de quimioterápicos, tanto para tratamento de tumores primários ou metastáticos do sistema nervoso central, e como para profilaxia do envolvimento neurológico de tumores sistêmicos.

O estudo do líquor é especialmente valioso para o diagnóstico dos diversos tipos de meningites e não há preparo específico para a realização do exame do líquido cefalorraquidiano, o paciente pode alimentar-se normalmente e não deve estar fazendo terapia com anticoagulantes.

A coleta é feita em ambiente hospitalar por meio de uma punção, que pode ser sub-occipital (logo abaixo do crânio) ou lombar (entre a terceira, a quarta e a quinta vértebra lombar). É imprescindível que a coleta seja realizada em ambiente hospitalar e estéril por profissionais capacitados para tal função. Após a coleta, o paciente deve permanecer em repouso por 12 horas com hidratação forçada para restabelecer o equilíbrio químico e físico do liquor.

Dessa forma, o exame de LCR tem grande importância no auxílio ao diagnóstico das principais enfermidades neurológicas, e para sua coleta é de suma importância o conhecimento anatômico para que estruturas do sistema nervoso central não sejam lesadas.

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