Carta atemporal. Uma provável carta de Eisten (1879 – 1955) a Newton (1643 – 1727)

23 de Março de 2015 at 21:32 Deixe um comentário

Felipe Algazal Morelli

Apaixonado pela educação criativa!

Venho por meio desta, tornar a público minha indignação com relação a sua teoria sobre a gravidade. Você afirmou que havia uma força que arrastava todos os corpos para o centro da terra, mas não ousou explicá-la fisicamente. Provou, por meio de cálculos, que essa mesma força mantém a lua em órbita com a Terra. Entendemos a fórmula para calcular a força entre dois corpos: diretamente proporcional à massa de ambos e inversamente proporcional à distância entre eles. Entretanto, não haver explicação física foi uma vergonha. Seus pensamentos também levam a crer que a força da gravidade age instantaneamente, ou seja, se em algum momento o Sol desaparecer, imediatamente a Terra sairia de órbita, o que pra hoje é uma aberração.

A seu ver, o tempo sempre existiu, existe e sempre existirá, como uma linha constante e infinita, sem nenhuma relação com o espaço. Portanto, nada impede que o homem alcance um dia velocidade maior que a da luz. O caminho que segui para refutar sua teoria, ou a ausência dela, está com relação ao tempo. Para você, o tempo é absoluto, o meu e o seu tempo são iguais independente das circunstâncias. Entretanto, se relacionarmos o espaço com o tempo, criando o espaço-tempo, o tempo será completamente relativo, um tempo pessoal, onde cada um tem o seu. Para expor minha ideia vou, primeiramente, lembrá-lo sobre velocidade relativa. A ideia mais simples sobre isso é pensar na velocidade que uma pessoa fora do ônibus percebe a outra que está dentro do automóvel se movendo. Se a que está dentro está em repouso em relação ao ônibus, este em velocidade constante, ela tem a sensação de estar completamente em repouso. Já o observador de fora o percebe com a mesma velocidade do ônibus.

A ideia de tempo relativo, entretanto, é bem mais perturbadora, amigo. Partindo do pressuposto que o tempo teve um início, e não que sempre existiu, a partir de uma explosão, que Hawking explicará a nós daqui alguns anos, o mundo está se expandindo na velocidade da luz e, então, podemos afirmar que viajar nessa velocidade significaria parar no tempo, e, portanto, ultrapassá-la significaria voltar no tempo. Além disso podemos formular o Paradoxo dos Gêmeos. Se um dos gêmeos fizer uma viajem espacial com velocidade próxima à velocidade da luz, o seu tempo passa mais devagar que seu irmão que continuou em repouso. Na volta da viagem, portanto, o irmão que viajou voltaria mais novo, o que contraria totalmente o senso comum. Portanto, a meu ver, sabichão, não dá pra ultrapassarmos a velocidade da luz de forma alguma. Outra consequência disso é que se o Sol desaparecer nesse exato momento pode ficar tranquilo, você terá ainda 8 minutos em órbita (tempo que a luz demora em chegar à Terra), tempo suficiente para terminar de ler essa carta.

Olha Newton, você pode estar pensando que então quanto mais nos movemos durante a vida, menos o tempo passa para nós e, portanto, podemos ganhar alguns dias de diferença a um sedentário. De forma alguma, pois infelizmente a velocidade da luz é muito grande, cerca de 300 mil quilômetros por segundo, e isso faz com que andar com qualquer jato que exista nos dias de hoje faz você ganhar alguns milésimos de segundo em relação a alguém em repouso. E essa teoria foi confirmada por vários experimentos. Um destes inclui dois relógios de alta precisão viajando em aviões em direções opostas ao redor do mundo e retornaram mostrando horas ligeiramente diferentes. O tempo para os passageiros do avião viajando para o leste é menor ao daqueles do avião viajando para o oeste, pois a velocidade do avião para o leste estava na mesma direção da rotação da Terra, diminuindo, portanto, a passagem do tempo, que nesse caso pode ser chamado de tempo relativo.

Pensando nessas quatro dimensões do espaço-tempo eu ainda consegui prever o que era a gravidade, meu caro. Todo o corpo que possuir massa distorce o espaço tempo, o que cria condições para os objetos irem em direção ao centro do corpo, ou se tiverem uma velocidade inicial, entrarem em órbita. Da uma olhada nessa imagem, que didática. Não resisti em homenagear-me. Nela podemos ver que essa distorção no espaço-tempo pode fazer corpos ficarem circundando a Terra.

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 Figura 1 – Corpo de grande massa distorce o espaço-tempo.

Penso que o máximo que eu consiga explanar seja isso, amigo. Talvez seja interessante informá-lo que Heisenberg estudou a mecânica quântica para lidarmos com pequenos corpos, onde a relatividade não mais era capaz de descrever. Sua teoria é cheia
de incertezas; parece mais um romântico apaixonado a um teórico sério, mas a comunidade acadêmica acatou. Carismático. Logo após surgiu a teoria das cordas, supercordas, 11 dimensões, e não mais as quatros, e agora uma rapaz, que lançaram um ótimo filme sobre sua vida, esta tentando formular a Teoria – M. Seria uma Teoria de Tudo, nome do filme por sinal, a fim de englobar uma mesma teoria para todos os corpos. Seu nome é Stephen Hawking. Olha Newton, penso que já expliquei muitas coisas, mas se quer entender bem todas essas teorias leia então “O Universo numa Casca de Noz” do Stephen, você vai adorar!
Saudações.

 

 

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