A “úlcera de Bauru” já não é mais só de Bauru!

22 de Junho de 2015 at 15:38 Deixe um comentário

Kamilla Debiasi de Oliveira Valério
Aluna do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Fisiopatologia da UEM

A leishmaniose tegumentar americana (LTA), conhecida popularmente como úlcera de Bauru, é uma doença que acomete animais e seres humanos. É transmitida pela fêmea do inseto da família dos flebotomíneos no momento da picada. O inseto inocula por meio de sua saliva os protozoários, que são os parasitos responsáveis por desenvolver a doença, podendo ser de várias espécies: Leishmania (Viannia) braziliensis, L. (V.) guyanensis, L. (V.) lainsoni, L. (V.) shawi, L. (V.) naiffi, L. (Leishmania) amazonenses, entre outras.

Ciclo biológico da LTA

Ciclo biológico da LTA

Fêmea do flebotomíneo, também conhecido como mosquito-palha. (Foto: Manual de Vigilância Da Leishmaniose Tegumentar Americana)

Fêmea do flebotomíneo, também conhecido como mosquito-palha. (Foto: Manual de Vigilância Da Leishmaniose Tegumentar Americana)

O parasito é englobado por células do sistema imune, e no local da picada ocorre uma inflamação em formato de nódulo. Esse nódulo pode regredir e curar-se em poucos dias, ou evoluir (de forma rápida ou não) para úlceras. O período de incubação (sem aparição de sintomas) é de aproximadamente 3 meses, podendo chegar, em alguns casos, a até 2 anos. Tudo isso depende da espécie do parasito e das condições de saúde do hospedeiro.

A úlcera formada pode ampliar seu tamanho, e com sua evolução, causar deformações graves em seu portador como perda parcial ou total do nariz, lábios e pálpebras. Dependendo da localização da lesão, a doença é chamada de forma cutânea (na pele exposta) ou forma mucosa (quando atinge mucosas). Em alguns casos tem-se a forma disseminada da LTA caracterizada pelo aparecimento de múltiplas lesões, em várias partes do corpo, principalmente no tronco e face. A forma difusa acontece geralmente em pessoas com seu sistema de defesa (ou sistema imune) deficiente, como por exemplo, pacientes HIV positivos; começa com uma lesão única e evolui formando placas e vários nódulos. A doença também pode atingir roedores, gambás, cães silvestres e domésticos, entre outros mamíferos.

Lesão ulcerada única, com bordas elevadas e fundo granuloso. (Foto: Manual de Vigilância Da Leishmaniose Tegumentar Americana)

Lesão ulcerada única, com bordas elevadas e fundo granuloso. (Foto: Manual de Vigilância Da Leishmaniose Tegumentar Americana)

Lesão com borda crostosa. (Foto: Manual de Vigilância Da Leishmaniose Tegumentar Americana)

Lesão com borda crostosa. (Foto: Manual de Vigilância Da Leishmaniose Tegumentar Americana)

Forma disseminada; lesões com aspecto de nódulos e descamação. (Foto: Manual de Vigilância Da Leishmaniose Tegumentar Americana)

Forma disseminada; lesões com aspecto de nódulos e descamação. (Foto: Manual de Vigilância Da Leishmaniose Tegumentar Americana)

A LTA é problema de saúde pública nas Américas, Europa, África e Ásia, com 1,0 a 1,5 milhões de casos registrados anualmente. No Brasil a média de casos novos é de 21.000 por ano. Em 2007, mais de 30% dos municípios brasileiros apresentaram casos. De 2001 a 2010 foram contabilizados 248.834 casos, sendo que 6.878 casos foram na região sul do país onde o Paraná contém quase 80% dos casos. O Paraná possui uma média de 700 casos/ano com foco nas regiões norte, noroeste e oeste do estado e Vale do Ribeira.

Casos de leishmaniose tegumentar americana por município, Brasil, 2007

Casos de leishmaniose tegumentar americana por município, Brasil, 2007

É possível observar que a distribuição da doença é muito ampla, sendo poucos os estados que não apresentam.

É muito importante lembrar que a doença tem cura, devendo ser diagnosticada o mais rápido possível a fim de evitar maiores danos e que o SUS oferece tratamento específico e gratuito. A terapia é feita com antimoniais pentavalentes (antimoniato de N-metil glucamina); caso este não possa ser usado ou o tratamento com o ele tenha falhado, a Anfotericina B e o Isotionato de Pentamidina passam a ser a segunda escolha de tratamento. Todos os medicamentos são injetáveis e causam dor no local da aplicação e desconforto. Por isso o paciente deve repousar após cada dose.

Para evitar a infecção, recomenda-se usar repelentes em locais onde o inseto transmissor possa ser encontrado, providenciar limpeza de quintais e terrenos acabando com condições de umidade que favorecem a multiplicação do inseto, destinar adequadamente o lixo para impedir a aproximação de animais roedores possíveis fontes de infecção e cuidar dos animais domésticos, como os cães, que também podem ser reservatórios da doença.

Referências e saiba mais:

FIOCRUZ: http://www4.ensp.fiocruz.br/Leishmaniose/lt

Folder Leishmaniose Tegumentar Americana: Prevenção. http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/marco/16/folder-leishmaniose-tegumentar-preven–ao-mar15.pdf

Guia de Bolso de Doenças Infecciosas e Parasitárias – Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_infecciosas_parasitaria_guia_bolso.pdf

Guia de Vigilância Epidemiológica, 7ª edição, caderno 11, Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epidemiologica_7ed.pdf

Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar Americana, do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_leishmaniose_2ed.pdf

NEGRÃO, G. N.; FERREIRA, M. E. M. C. Considerações sobre a Leishmaniose Tegumentar Americana e sua expansão no território brasileiro. Revista Percurso – NEMO. Maringá, v. 6, n. 1 , p. 147- 168, 2014: http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/Percurso/article/view/21375/13163

Plano Estadual de Saúde Paraná 2012-2015: http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/plano_estadual_de_saude_versao_final.pdf

Portal da Saúde SUS: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/726-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/leishmaniose-visceral-lv/11330-descricao-da-doenca

Portal do IBGE: Brasil em síntese: www.brasilemsintese.ibge.gov.br

 

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