Leishmaniose Visceral: Você conhece essa doença?

21 de Julho de 2015 at 14:07 1 comentário

Autora: Karine Delgado Souza
Biomédica, mestranda em Biociências e Fisiopatologia – UEM

Leishmaniose é um termo utilizado para identificar doenças causadas por parasitos do gênero Leishmania pertencentes à família Trypanosomatidae, que engloba a leishmaniose tegumentar americana e a visceral. Sua transmissão se da por várias espécies de insetos vetores conhecidos como flebotomíneos, popularmente chamados de mosquito palha.

aFigura 1: Flebotomíneo – “Mosquito palha”
http://www.claudio.mg.gov.br/Materia_especifica/26754/Saude-lanca-Programa-de-Controle-da-Leishmaniose-Visceral

A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma doença que atinge humanos e diversas espécies de animais silvestres e domésticos, podendo se manifestar através de diferentes formas clínicas. A forma cutânea atinge a derme e a epiderme, formando uma lesão ulcerosa; na cutâneo-mucosa ocorre infecção na derme, podendo ocorrer invasão de mucosa e destruição de cartilagem; a forma cutânea difusa, que se dissemina pelo corpo na derme, formando nódulos não ulcerados. Atualmente são conhecidas várias espécies de Leishmania que causam a LTA, sendo algumas delas: L. (Viannia) braziliensis, L. (Viannia) guyanensis, L. (Viannia)  lainsoni, L. (Viannia)  shawi, L. (Viannia)  naiffi e L. (Viannia)  amazonensis.

Já a leishmaniose visceral (LV), tornou-se uma das doenças mais importantes da atualidade dada a sua incidência e alta letalidade, principalmente em indivíduos não tratados e crianças desnutridas, além de ser considerada emergente em indivíduos portadores da infecção pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV). A LV é causada, em todo o mundo, por parasitos do complexo L. donovani que reúne duas espécies de Leishmania: Leishmania (Leishmania) donovani e Leishmania (Leishmania) infantum infantum, e a subespécie Leishmania (Leishmania) infantum chagasi, considerada o principal agente etiológico da leishmaniose visceral, e por isso será o foco deste texto.

Os protozoários da L. i. chagasi, apresentam duas formas evolutivas: as amastigotas são encontradas parasitando células de defesa do hospedeiro vertebrado (mamíferos), principalmente os macrófagos, e em humanos, localizam-se principalmente na medula óssea, baço e linfonodos. As promastigotas ficam no tubo digestivo do inseto transmissor, que é a fêmea do Lutzomia longipalpis.

O ciclo de vida do parasito envolve mamíferos que servem como reservatórios dessa zoonose (doença que afeta animais e o ser humano). Assim, os insetos tornam-se infectados após se alimentarem do  sangue destes animais e posteriormente poderão infectar os homens.

bFigura 2: Ciclo da leishmaniose visceral
http://www.usp.br/aun/exibir.php?id=2833

Os cães assumem grande importância como reservatório dos parasitos que causam leishmaniose visceral. Estes animais são seriamente afetados pela doença, pois o parasito se distribui por quase todo o organismo, principalmente pela medula óssea, baço, linfonodos e fígado, e normalmente indica-se que o animal seja sacrificado, pois ainda não foram encontrados medicamentos eficazes.

A LV é uma doença infecciosa sistêmica, de evolução crônica, caracterizada por febre irregular de intensidade média e de longa duração, esplenomegalia (aumento do baço), hepatomegalia (aumento do fígado), acompanhado de sinais de anemia. A linfoadenopatia (inchaço dos linfonodos) é comum em alguns focos da doença. O emagrecimento, edema (inchaço) e o estado de debilidade progressiva contribuem para a caquexia e o óbito, se o paciente não for submetido ao tratamento específico.

Na rotina, o diagnóstico é baseado nos sinais e sintomas clínicos, e a confirmação é realizada pelo encontro de formas parasitárias em amostras biológicas do paciente. Temos também os métodos imunológicos, que detectam anticorpos produzidos contra o parasito, e no caso da LV os pacientes têm altos níveis de produção desses anticorpos, tornando esse método mais eficaz, e por isso devem ser a escolha imediata para os casos de suspeita clínica da doença.

O tratamento da doença é difícil, pois é de longa duração e inclui medicamentos que nem sempre são completamente eficazes, e algumas com vários efeitos adversos. O acompanhamento é feito pelo sistema único de saúde (SUS), e todos os casos suspeitos devem ser notificados à vigilância sanitária pela unidade básica de saúde, para que sejam investigados. O Programa Nacional de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral implementado pelo Ministério da Saúde tem por objetivo a redução dos casos da LV por meio das seguintes estratégias de ação: diagnóstico e tratamento precoce dos casos humanos, atividades de educação em saúde, controle do inseto vetor por meio da utilização de inseticidas, controle dos reservatórios animais, diagnóstico e eliminação de cães infectados e medidas para evitar a contaminação de cães sadios.

Vale destacar que as ações voltadas para o diagnóstico e tratamento precoce dos casos e atividades educativas, devem ser priorizadas, lembrando que as demais medidas de controle devem estar sempre integradas para que possam ser efetivas.

Para mais informações acesse o Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_controle_leishmaniose_visceral_1edicao.pdf

PARA SABER MAIS:

http://www.zoonoses.org.br/absoluto/midia/imagens/zoonoses/arquivos_1258562831/6365_crmv-pr_manual-zoonoses_leishmanioses.pdf

http://www.agencia.fiocruz.br/leishmaniose

ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/zoo/lva06_manual.pdf

NOLI, C.; AUXILIA, S. T. Treatment of canine Old World visceral leishmaniasis: a systematic review. Veterinary Dermatology [S.I.], v. 16, n. 4, p. 213-32, Aug 2005.

cFigura 3: Cão com leishmaniose visceral
http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term=leishmaniose+visceral&lang=3

dFigura 4: Formas amastigota e promastigota do protozoário
http://www.infoescola.com/doencas/calazar/

Sem títuloFigura 5: Paciente com leishmaniose visceral – área palpável do fígado e baço marcados por caneta, mostrando grande aumento desses dois órgãos.
http://medfoco.com.br/leishmaniose-visceral-calazar/

BOX EXPLICATIVO: 
Reservatório de doenças: Qualquer ser humano, animal, artrópodo, planta, solo, matéria ou uma combinação deles (no caso da Leishmaniose são os animais) no qual normalmente vive e se multiplica um agente causador de doença, dependendo desses para sua sobrevivência, reproduzindo-se de maneira para transmitir a doença à um hospedeiro.

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