VOCÊ SABE O QUE ESTÁ PRESENTE NO LEITE QUE VOCÊ TOMA?

15 de Setembro de 2015 at 15:08 Deixe um comentário

Gabrielle Marconi Zago Ferreira Damke, farmacêutica, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Fisiopatologia.

 

O leite é nosso primeiro alimento. O leite materno é de extrema importância ao recém-nascido, sendo tão completo que até os seis meses de idade é o alimento suficiente para que o bebê cresça saudável.

Conforme o recém-nascido cresce, o leite materno é substituído na alimentação pelo leite de vaca, sendo consumido por todas as faixas etárias. Ele é composto principalmente por água, gordura, proteínas (caseína e albumina), açúcar (lactose), sais minerais e vitaminas. Porém, não foram somente esses ingredientes que os pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) encontraram ao analisar amostras de leite pasteurizado de diferentes marcas, recolhidas no comércio do estado do Paraná.

De acordo com o trabalho realizado por pesquisadores do laboratório de Toxicologia da UEM e publicado em 2009, várias amostras continham resíduos, ou seja, pequenas quantidades de antimicrobianos, entre eles, cloranfenicol, estreptomicina, neomicina, tetraciclina e os β-lactâmicos.

Esses resíduos aparecem porque os produtores de leite fazem uso inadequado de antimicrobianos em seu rebanho, não respeitam o intervalo de segurança para que o antimicrobiano seja eliminado do organismo da vaca e ela então passe a produzir leite sem esses resíduos. Os animais podem ingerir acidentalmente alimentos contaminados com esses medicamentos ou ainda pode ocorrer a adição fraudulenta de antimicrobianos a comida das vacas para impedir o crescimento de possíveis bactérias que poderão causar doenças ao rebanho.

A ingestão de leite contaminado por antimicrobianos pode causar reações alérgicas, reações cutâneas, náuseas, vômitos, choque anafilático e até um tipo de anemia. Alterações na microbiota intestinal também já foram observadas.

O maior problema dessa contaminação, é a seleção de bactérias resistentes, que podem colonizar os animais e atingir também o homem. As bactérias, ao entrarem em contato com essas pequenas quantidades de antimicrobianos, acabam se “acostumando” com eles, tornando-se resistentes a sua ação e essa resistência vai se disseminando junto com elas. Assim, cada vez poderemos ter bactérias mais fortes e mais difíceis de matar com os medicamentos que dispomos na atualidade, por isso, devemos utilizá-los com cautela.

 

Bando, E. et. al. Occurrence of antimicrobial residues in pasteurized milk commercialized in the state of Paraná, Brazil. Journal of Food Protection. vol. 72, n°4, 911 – 914, 2009.

 

http://www.ingentaconnect.com/content/iafp/jfp/2009/00000072/00000004/art00037?token=004b11383275c277b42573a67567d3f344445507b6d592f653b2a2d3a7c4e724770b5820e43

Figura 1: Criança tomando leite.

Fonte: http://blog.nutrical.com.br/2015/07/24/o-consumo-de-leite-na-infancia/

Figura 2: Leite pasteurizado.

Fonte: http://www.clmais.com.br/informacao/64335/mesmo-com-menor-tempo-de-validade-tipo-c-%C3%A9-mais-saud%C3%A1vel

 

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