Leishmaniose Visceral: uma doença letal

11 de Agosto de 2016 at 8:38 Deixe um comentário

Autora: Karine Delgado Souza

Biomédica – Mestranda do programa de Biociências e Fisiopatologia

Com mortalidade global em 59.000 óbitos por ano, as leishmanioses constituem um grupo de doenças que permanecem como problema de saúde pública em pelo menos 88 países. A leishmaniose visceral (LV) tornou-se uma das doenças mais importantes da atualidade dada a sua incidência e alta letalidade, principalmente em indivíduos não tratados e crianças desnutridas, além de ser considerada emergente em indivíduos portadores da infecção pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV). Sabendo da grande importância dessa doença, um grupo de pesquisadores liderados pelo patologista Dr. Daniel Gomes de Alvarenga, da Universidade do Vale do Rio Doce, liderou um estudo em Campo Grande no Mato Grosso do Sul (MS), sobre os fatores associados a sua letalidade. Para o estudo, foram utilizados prontuários dos pacientes com diagnóstico clínico, epidemiológico e laboratorial de leishmaniose visceral, registrados entre 2002 a 2005 no  Serviço de Infectologia do Núcleo de Hospital Universitário (NHU) da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).

Clinicamente, a LV apresenta-se como uma doença generalizada, crônica, caracterizada por febre irregular e de longa duração, hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e do baço), linfadenopatia (dilatação dos linfonodos), anemia, emagrecimento, inchaço e estado de debilidade progressivo, levando à caquexia e, até mesmo, ao óbito. A evolução das formas clínicas é diversa, podendo o indivíduo apresentar desde cura espontânea, formas assintomáticas (não apresenta sintomas), até manifestações graves, podendo alcançar letalidade entre 10% em casos tratados de forma errada e 98% em casos não tratados. Para o tratamento, utiliza-se no Brasil o Glucantime® como medicamento de 1ª escolha, e a anfotericina B como droga de segunda escolha, de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde.  Todavia, apesar do tratamento, os últimos anos, a letalidade da LV vem aumentando gradativamente, passando de 3,6% em 1994 para 8,4% em 2004.

             Existem desvantagens ao uso do Glucantime® como a resistência ao medicamento, administração intramuscular, e efeitos colaterais transitórios e algumas vezes letais em pacientes portadores de pancreatite, pneumonia e de doenças renais, hepáticas e cardíacas. Entretanto, o baixo custo é um fator importante para que esta droga seja a primeira escolha em regiões endêmicas mundiais, inclusive no Brasil. No estudo, oito pacientes fizeram o uso de Glucantime® (mesmo sabendo das contraindicações) e tiveram uma letalidade de 85%. Também foi mostrado que o prognóstico da doença se torna ruim quando ela é associada à presença de outras doenças (cardiopatias, hepáticas e renais), e piora ainda mais quando o Glucantime® é administrado.

Foi concluído que a alta letalidade nos casos de leishmaniose visceral no Brasil, principalmente na região de Campo Grande (MS), demonstra a falta de estudos e conhecimento acerca dos medicamentos utilizados no tratamento. Os pesquisadores também sugerem que o prognóstico da doença torna-se ruim quando a mesma é associada à presença de outras enfermidades, e torna-se pior ainda quando o Glucantime® é administrado nestes pacientes. Com a releitura do uso e indicações das drogas, a partir de 2004 pelo Ministério da Saúde, em que pacientes com co-morbidade estão contraindicados para fazer uso de Glucantime® espera-se um decréscimo da letalidade ao longo dos anos.

Para saber mais acesse:

ALVARENGA, D. G. et al. Leishmaniose visceral: estudo retrospectivo de fatores associados à letalidade. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 43(2):194-197, abri, 2010.

https://museudinamicointerdisciplinar.wordpress.com/2015/07/21/leishmaniose-visceral-voce-conhece-essa-doenca/

http://www.facene.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Leishmaniose-visceral-humana_com-corre-%E2%94%9C%C2%BA%E2%94%9C%C3%81es-dos-autores_25.10.12-PRONTO.pdf

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