Zika no país das maravilhas

11 de Dezembro de 2017 at 7:58 Deixe um comentário

Vanessa Augusto

Pós Graduanda do Programa de Biociências e Fisiopatologia (PBF) – UEM

Você certamente já ouviu falar sobre o Zika vírus certo? Esse vírus pertence a família Flaviviridae que é a mesma família do vírus da dengue e da febre amarela podendo ser transmitido por mosquitos do gênero Aedes como o Aedes aegypti por exemplo. Seu nome tem origem da floresta Zika na Uganda (África) que foi o local onde esse vírus foi isolado pela primeira vez em 1947. Os principais sintomas são muito semelhantes ao causado por outros vírus como o vírus da dengue, no entanto, pode causar complicações mais sérias como a microcefalia e síndrome de Guillain-Barré.   Mas como esse vírus pode ser diagnosticado?

Para responder essa pergunta vamos pensar primeiro sobre os anticorpos. Como eles podem nos ajudar a diagnosticar quando temos uma infecção por Zika vírus? Essas pequenas moléculas também chamadas de imunoglobulinas (Ig) são sintetizadas pelos linfócitos B, estão   presentes no nosso sangue e tem como função basicamente reconhecer e neutralizar os antígenos ou microorganismos estranhos. Eles funcionam como se fossem uma “fechadura inteligente”: quando as bactérias e vírus estranhos entram no nosso corpo eles funcionam como as“chaves” que se ligam de forma específica a essas “fechaduras inteligentes”.  E por que elas são “inteligentes”? Por que essas moléculas reconhecem estruturas específicas presentes no antígeno. Dessa forma, se o Zika vírus encontrar uma dessas “fechaduras” várias reações são desencadeadas permitindo a ligação do anticorpo e consequentemente a detecção do vírus. Esse tipo de diagnóstico é conhecido como diagnóstico sorológico.

Atualmente , existem vários kits de diagnóstico sorológico para o Zika vírus aprovado pela ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária) que detectam anticorpos ou antígenos (proteínas específicas do vírus). As principais classes de anticorpos detectadas são IgG e IgM principalmente. A Imunoglobulina M é a que causa a resposta inicial ao vírus e por isso pode ser detectada logo após a infecção, no entanto, seus níveis caem muito rápido. Já a imunoglobulina G demora mais para reconhecer o vírus, portanto somente alguns dias após a infecção é possível detectar sua presença. Nesses casos, esses testes se baseiam no princípio que um nível mínimo de anticorpo reage com o antígeno e forma os imunocomplexos possíveis de serem detectados. Dos antígenos, a principal proteína do vírus utilizada para os testes é a proteína NS1 (não estrutural).Agoravocê já sabe como os anticorpos ou imunoglobulinas podem nos ajudar no diagnóstico do Zika vírus. Não é incrível o quanto a ciência e os cientistas podem evoluir e ajudar a todos nós?

Saiba mais:

1- https://consultas.anvisa.gov.br/#/saude/q/?nomeTecnico=Zika

2- http://www.who.int/mediacentre/factsheets/zika/pt/

3- Calvet GA, Santos FBd, Sequeira PC. Zika virus infection: epidemiology, clinical manifestations and diagnosis. Curr Opin Infect Dis; 2016:459–66

 

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