Superbactérias desafiam os médicos

27 de Setembro de 2018 at 8:11 Deixe um comentário

Cintia Werner Motter

Farmacêutica-Bioquímica, Mestranda do Programa de Biociências e Fisiopatologia da Universidade Estadual de Maringá

O Laboratório de Microbiologia Médica, da Universidade Estadual de Maringátem desenvolvido projetos na área de resistência bacterianatanto no hospital quanto na comunidade. Um desses trabalhos realizados foi a investigação de bactérias multirresistentes também conhecidas como “superbactérias”, num período de três anos, no Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). A detecção precoce destes microrganismos é importante para direcionar o uso de medicamentos, de forma a garantir o tratamento adequado ao paciente e colaborar com o controle de infecções.

Nas últimas décadas, a proliferação das “superbactérias”tem ganhado destaque. Esses microrganismosapresentam resistência a múltiplos antibióticos. A rápida evolução desses microrganismos acaba levando à falta de opções terapêuticas para o tratamento das infecções causadas por esses agentes.

 

O uso indiscriminado de antibióticos está entre os principais fatores que favorecem o aumento destes microrganismos, uma vez que esses medicamentos matam as bactériasmais sensíveis e as mais resistentes conseguem sobreviver e se multiplicar. Assim, os antimicrobianos não criam “superbactérias”, eles selecionam as mais resistentes. Quando o paciente toma um antibiótico de amplo espectro (que atinge diferentes tipos de microrganismos), apenas as bactérias mais adaptadas sobrevivem gerando um grande número de descendentes, transmitindo essa informação para gerações futuras.

A questão é que, com o tempo, não haverá “quem segure” estas bactérias. Se você for infectado por alguma delas, a chance dos antibióticos conseguirem tratá-las será muito baixa. Este quadro é ainda mais preocupante com a escassez de novos antibióticos pois àqueles utilizados atualmente não terão mais efeito e simples infecções poderão tornar-se fatais,como no caso das pneumonias.

Por isso, a vigilância debactérias multirresistentes, realizadapelo Laboratório de Microbiologia Médica da UEM, em parceria com o laboratório de Análises Clínicas do Hospital Universitário éde grande importância. Dados publicados recentemente mostraram que após a implantação do programa de vigilância multidisciplinar no hospital, houve uma redução significativa na propagação destes microrganismos no HUM. Então, para evitar o aumento destas bactérias, a prevenção é o caminho mais simples, com um programa implementado no estabelecimento envolvendo a higiene adequada das mãos por meio do uso de álcool em gel, a detecção de pacientes colonizados e com o uso racional de antibióticos, poderemos reduzir a multirresistência e a disseminação destas “superbactérias”.

Para saber mais:

Zarpellon MN, Viana GF, Mitsugui CS, Costa BB, Tamura NK, Aoki EE, et al. Epidemiologic surveillance of multidrug-resistant bacteria in a teaching hospital: A 3-year experience. Am J Infect Control. 2018;46(4):387-392.

https://www.afro.who.int/sites/default/files/2017-06/OMS_IER_PSP_2012.2_por.pdf

https://www.cdc.gov/hai/pdfs/cre/CRE-guidance-508.pdf

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