Agrotóxicos: uma ameaça à saúde do agricultor

5 de Outubro de 2018 at 10:25 Deixe um comentário

Renata Sano Lini- Farmacêutica, Acadêmica de Pós-Graduação (Mestrado), Programa de Biociências e Fisiopatologia.

Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR

Muito se discute na mídia sobre o mal que o agrotóxico pode causar à população que consome o alimento produzido com sua utilização. Mas, poucos se lembram do trabalhador que está em contato direto com estas substâncias, muitas vezes, diariamente. Você já parou para pensar que os agrotóxicos podem afetar a saúde do agricultor?

Estes trabalhadores manipulam essas substâncias praticamente todos os dias. É claro que a exposição varia de uma cultura para outra, mas quase todas dependem de aplicação frequente de diferentes agrotóxicos para que a produção seja boa e rentável. E para esta população, são poucas regras que existem para a garantia segurança no trabalho.

Viticultor Contemplando o fruto de seu trabalho. Marialva, 2017.
Fonte: Arquivos pessoais

Viticultor aplicando agrotóxicos em sua plantação. Marialva, 2017.
Fonte: Arquivos pessoais.

 

 

 

 

 

 

 

Um meio de cuidar da saúde do agricultor é a “monitorização biológica”, que consiste em dosar em seu sangue ou urina, substâncias específicas (biomarcadores), que, geralmente, aumentam quando a pessoa é exposta aos agrotóxicos.

Agora você deve estar pensando, se é tão simples por que isto não é feito? O fato é que não é tão simples assim. Existem muitas fórmulas de agrotóxicos e teríamos que encontrar um modo de localizar cada uma delas no corpo do trabalhador. Este é o desafio que impulsiona muitos projetos desenvolvidos em vários estados do Brasil por muitos cientistas envolvidos na busca de novos biomarcadores.

Para entender melhor, vamos pensar na viticultura (cultura de uva). A uva é uma fruta originalmente de clima frio e não cresce naturalmente em ambientes com clima tropical. Portanto, para produzi-la em certas regiões do país, como em Marialva, no Paraná, se faz necessário o uso de fungicidas. Estes agrotóxicos tornam-se necessários já que o clima desta região é quente e úmido, sendo este um fator que favorece a proliferação de fungos.

Esta classe de agrotóxicos, os fungicidas, utilizada por um longo período sem a proteção adequada, pode levar ao desenvolvimento de alergias respiratórias, doenças de pele, de Parkinson, diversos tipos de cânceres e até má formação fetal.

O projeto “Impactos da cultura da uva na saúde do trabalhador e na qualidade da água em propriedades de Marialva-Pr”, desenvolvido pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), tem como um de seus objetivos utilizar como biomarcador alguns metais pesados que são encontrados em formulações de fungicidas. É um projeto de pesquisa que também pretende atuar na conscientização dos produtores para o uso de forma segura dos agrotóxicos em geral, e analisar a qualidade da água consumida por esta população, já que os praguicidas podem contaminá-la fazendo com que se torne outra fonte de contaminação. Nos últimos anos este projeto demonstrou que parte da população rural da região de Marialva se expõe a inseticidas e fungicidas cronicamente, e esta exposição pode estar relacionada a alguns sintomas relatados pelos participantes durante as entrevistas realizadas pelo projeto.

Para saber mais sobre intoxicação crônica por agrotóxicos acesse: http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/CEST/Protocolo_AvaliacaoIntoxicacaoAgrotoxicos.pdf

O consumo de alimentos produzidos com agrotóxicos também é um assunto de grande importância, e é por isso que existe um programa nacional dedicado a este assunto. Se quiser saber mais é só acessar o site: http://portal.anvisa.gov.br/programa-de-analise-de-registro-de-agrotoxicos-para.

 

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