Neurociência e Educação – Como a meditação auxilia e baixa a ansiedade

6 de Fevereiro de 2019 at 9:23 Deixe um comentário

Monica Menequelli

Pós-graduanda em Neurociência – UEL

Desde minha infância ouço a minha mãe me dizer assim: “Estuda menina porque se não, você vai ficar igual a mim”. Entendi aquela frase como uma motivação para tentar sair daquela vida miserável em que muitas vezes passávamos até necessidades alimentares. O estudo para mim então, virou uma porta de entrada para uma vida melhor. E minha mãe tinha outra técnica de motivação escolar, eu poderia deixar a louça e a casa suja desde que eu estudasse, para uma criança e adolescente essa troca foi uma grande motivação.

Desde então todas as vezes que eu ia fazer provas na escola era um grande estresse e ansiedade, tinha um medo imenso de fracassar, afinal de contas o resultado das provas era a porta de entrada para o meu futuro. Até que no 3º ano do ensino fundamental me deparei com uma professora, no qual o nome não esqueço, Sonia, chamávamos carinhosamente de “Soninha”, sua voz era doce, mas sua didática era firme. Todas as vezes que tinha prova chegava à escola em um nível de estresse altíssimo, tremia, suava e claro a Soninha percebia isso nos alunos, eu não era a única, e então ela sempre tinha uma atitude e, dedicava um tempinho para um relaxamento, lembro-me que ela colocava uma música suave e com sua voz doce orientava o que tínhamos que fazer; fechar os olhos, respirar fundo por algumas vezes, sentir determinada parte do corpo e assim por diante, isso relaxava muito, então quando ela percebia que estávamos melhores, ela aplicava a prova.

 

As técnicas de relaxamento vêm sendo estuda desde 1946 com praticantes de ioga na Índia. As primeiras descobertas segundo Greenberg (1999), que os praticantes podiam controlar os batimentos cardíacos, em outro estudo descobriu-se que eles podiam tornar a respiração mais lenta, diminuir assim cerca de 70% da capacidade de condução elétrica, emitir ondas cerebrais predominantemente alfa.

Foi comprovado também a diminuição da resposta cutânea galvânica (capacidade da pele em conduzir uma corrente elétrica), quanto mais baixo menor o nível de estresse. Segundo Greenberg (1999), isso difere entre meditadores e não-meditadores, e os meditadores tem uma melhor capacidade em lidar com o estresse e tem o sistema nervoso autônomo mais estável.

Robert Keith Wallace foi um dos primeiros pesquisadores que estou o efeito da meditação, em um dos estudos ele demonstrou que a meditação resultava em um menor consumo de oxigênio, diminuição de dos batimentos cardíacos e emissões de ondas alfas, a meditação também demonstrou o aumento a resistência cutânea, diminui o lactato sanguíneo e a produção de dióxido de carbono e aumentava o fluxo sanguíneo periférico para braços e pernas. Segundo Greenberg (1999), existem muitas evidências de benefícios fisiológicos.

Nos efeitos psicológicos existem muitas evidências na diminuição do estresse e da ansiedade. Greenberg (1999), diz que a meditação está ligado a um lócus do controle interno, maior auto-realização, sentimentos mais positivos, melhor qualidade do sono, alivio nas dores de cabeça. Existem estudos até de Shapiro e Giber que a meditação diminui o abuso de drogas e medos.

Goleman e Davidson (2017) narra os efeitos laboratoriais, desenvolvido por Richie em 2002, 2010 e 2016 por escaneamentos de mapeamentos cerebrais. Esses três escaneamentos foram percebidos declínios relacionados à idade na densidade de massa cinzenta. O fato é que todos nós à medida que envelhecemos demonstramos um decréscimo na densidade da massa cinzenta.

Goleman e Davidson (2017) esses estudos mais recentes de ressonância magnética vem demonstrando a mudança da idade cronológica no cérebro, ou seja, o cérebro que envelhece mais rápido é mais propenso a ter problemas relacionados à idade, como por exemplo, a demência. Já o cérebro praticante de meditação que Richie estudou observou que a idade cronológica recai 99% no percentil comparado com a idade cronológica normal.

Conclusão

Aquela garotinha de 8 anos preocupada em fracassar nas provas, encontrou uma querida professora que soube baixar seu estresse e ansidade, o que foi determinante em sua vida. Já hoje com 33 anos acabou optando para o estudo com o propósito de conseguir mudar de vida. Além da meditação trazer beneficios em baixar o estresse e a ansiedade, ele auxilia a saúde mental.

 

REFERÊNCIAS

 

GREENBERG, J. S. Adiministração do estresse: 6º Ed. São Paulo: Manole, .1999.

GOLEMAN, D. & DAVIDSON, R. J. A ciência da meditação: Como transformar o cérebro, a mente e o corpo: São Paulo. 2017.

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