NEUROPLASTICIDADE E APRENDIZAGEM ESCOLAR DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA

15 de Março de 2019 at 8:56 Deixe um comentário

Fernanda A. V. Passarelli

Psicopedagoga. Pós-graduanda em Neurociências pela UEL

A Constituição Federal de 1988 enfatizou a democratização do ensino público como direito de todos e assegurou atendimento educacional especializado a todos estudantes com deficiência  preferencialmente no ensino regular. A partir dessa data houve várias discussões sobre os direitos à educação da criança com deficiência e as adequações das escolas tanto no âmbito estrutural como na formação acadêmica da equipe pedagógica.

A Lei 12796 de abril de 2013 altera a Lei de 9394/96 dando ênfase aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, garantindo atendimento educacional especializado preferencialmente na rede regular de ensino onde também é acrescido a formação do professor para atender as demandas deste público. (BRASIL, 2013)

Constata-se o aumento do número de matrículas de estudantes com deficiência no ensino regularde acordo com Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2017 foram mais de 800 mil estudantes com deficiência matriculados no ensino básico (educação infantil, ensino fundamental I e II, ensino médio e educação de jovens e adultos).

O Brasil,no campo da educação e educação inclusiva,avançou em legislação legitimando  o acesso aos estudantes com Necessidades Educacionais Especiaisàs salas de recurso multifuncional, a adaptação curricular, a professor de apoio (em alguns casos), porém ainda há estudantes concluindo o ensino básico com baixo rendimento acadêmico.

Trabalhar com alunos público-alvo da Educação Especial ainda é um grande desafio para a equipe escolar. Para Nozi e Vitalino (2017), os professores sentem-se inseguros, despreparados e apontam para a necessidade de formação/capacitação. Estes profissionais desempenham papel essencial na formação dos estudantes, sendo os verdadeiros agentes de mudança.

http://www.sipnl.com.br/a-importancia-da-neuroplasticidade-para-nosso-cerebro-e-maneiras-para-aumenta-la/

Na área da educação, os estudos em neurociências ganham cada vez mais espaço,revelando as grandes potencialidades do cérebro humano. Estes estudos também corroboram sobre as possibilidades de aprendizagem em todos os sujeitos.

De acordo com Filho, Bridi e Rotta (2018), a capacidade de aprendizagem de cada indivíduo é deliberada por questões genéticas e ambientais, ou seja, mesmo que as características genéticas não sejam favoráveis, um ambiente com estímulos adequados, aliados ao esforço intelectual do indivíduo, refletem na plasticidade do cérebro e nas capacidades cognitivas do sujeito.

A definição de plasticidade cerebral ou neuroplasticidade está fundamentada na capacidade que o cérebro tem de se modificar ao longo do desenvolvimento humano a partir de aprendizagem de novos conceitos e na recuperação do cérebro após alguma lesão (BITENCOURT; ROTTA, 2018).

Toda criança já nasce com conjunto de neurônios que ao longo de suas experiências formam circuitos que amadurecem e fazem conexões com novos circuitos, ampliando a aprendizagem (COSENZA;GUERRA, 2011).

https://www.jrmcoaching.com.br/blog/aprendizagem-neuroplasticidade/

Um meio importante que favorece o amadurecimento do conjunto de circuitos é o ambiente, pois os estímulos beneficiam a formação de novas conexões, oportunizando a aprendizagem ou o surgimento de novas condutas. A neuroplasticidade acontece durante toda vida, “…e que está claramente relacionada com o grau de desenvolvimento de cada pessoa, sendo tão maior quanto mais jovem for o indivíduo” (BITENCOURT; ROTTA, 2018, p. 167).Para estes autores, o que caracteriza a plasticidade é a capacidade que o sistema nervoso tem de fazer e desfazer conexões entre os neurônios, desencadeada pelas interações contínuas entre o externo e o interno do sujeito.

De acordo com Cosenza e Guerra (2011):

O treino e a aprendizagem podem levar à criação de novas sinapses e a facilitação do fluxo da informação dentro de um circuito nervoso. A aprendizagem pode levar não só ao aumento da complexidade das ligações em um circuito neural, mas também à associação de circuitos até então independentes. É o que acontece quando aprendemos novos conceitos a partir de conhecimentos já existentes. (p. 36)

Refletindo sobre a neuroplasticidade no contexto escolar em estudantes com deficiência, entende-se que existe a real possibilidade do professor ensinar e o estudante aprender, porém os recursos e metodologias devem ser diferenciados. De acordo com Guerra (2011), diferentes estratégias pedagógicas, preferencialmente multissensoriais e que sejam de acordo com a realidade dos estudantes, devem ser inseridas no contexto escolar, favorecendo a aprendizagem significativa.

REFERÊNCIAS

BITENCOURT, D. C; ROTTA, N. T. Pediasuit e a plasticidade cerebral nas disfunções neuromotoras. IN: ROTTA, N. T.; FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. DE S. Plasticidade cerebral e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2018 p. 167 -181.

BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases. Lei nº 12796, de 4 de abril de 2013.

BRASIL. MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO. Aumento da matrícula de estudantes com Deficiência no ensino regular.2015. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf&gt;. Acesso em: 12 dez. 2018.

BRASIL. Ministério da Educação. Nacional. Educação Especial (Alunos de Escolas Especiais, Classes Especiais e Incluídos): Instituto Anisio Teixeira. 2017. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/inep-mec-divulga-censo-escolar-2017/21206&gt;. Acesso em: 12 dez. 2018.

COSENZA, R. M.; GUERRA, L. B.  Um universo em mutações. In: COSENZA, R.M.; GUERRA, L.B. Neurociências e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011 p. 27-40.

FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. DE S.; ROTTA, N. T. Intervenções terapêuticas que promovem o desenvolvimento sináptico. IN: ROTTA, N. T.; FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. DE S. Plasticidade cerebral e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2018 p. 167 -181.

GUERRA, L. B.. O diálogo entre neurociências e educação: da euforia aos desafios e possibilidades. Revista interlocução. V.4, n.4,  p.3-12, 2011.

MANZINI, E. J.; SANT’ANA, M. M. Relato de experiência adaptações curriculares no Ensino Fundamental II: A inclusão do adolescente com Deficiência Intelectual . Práticas e perspectivas da terapia ocupacional na inclusão escolar. Rev. Ter. Ocup., 23(1), 7-15.

Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rto/article/view/46905.

Acesso em: 10 dez. 2018.

NOZI, G., VITALINO, C. R. Saberes de professores propícios à inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais: condições para sua construção. Ver. Ed. Esp., Santa Maria, V. 30, n. 59, p. 589-602, Sep-dez., 2017.

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