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NEUROPLASTICIDADE E APRENDIZAGEM ESCOLAR DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA

Fernanda A. V. Passarelli

Psicopedagoga. Pós-graduanda em Neurociências pela UEL

A Constituição Federal de 1988 enfatizou a democratização do ensino público como direito de todos e assegurou atendimento educacional especializado a todos estudantes com deficiência  preferencialmente no ensino regular. A partir dessa data houve várias discussões sobre os direitos à educação da criança com deficiência e as adequações das escolas tanto no âmbito estrutural como na formação acadêmica da equipe pedagógica.

A Lei 12796 de abril de 2013 altera a Lei de 9394/96 dando ênfase aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, garantindo atendimento educacional especializado preferencialmente na rede regular de ensino onde também é acrescido a formação do professor para atender as demandas deste público. (BRASIL, 2013)

Constata-se o aumento do número de matrículas de estudantes com deficiência no ensino regularde acordo com Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2017 foram mais de 800 mil estudantes com deficiência matriculados no ensino básico (educação infantil, ensino fundamental I e II, ensino médio e educação de jovens e adultos).

O Brasil,no campo da educação e educação inclusiva,avançou em legislação legitimando  o acesso aos estudantes com Necessidades Educacionais Especiaisàs salas de recurso multifuncional, a adaptação curricular, a professor de apoio (em alguns casos), porém ainda há estudantes concluindo o ensino básico com baixo rendimento acadêmico.

Trabalhar com alunos público-alvo da Educação Especial ainda é um grande desafio para a equipe escolar. Para Nozi e Vitalino (2017), os professores sentem-se inseguros, despreparados e apontam para a necessidade de formação/capacitação. Estes profissionais desempenham papel essencial na formação dos estudantes, sendo os verdadeiros agentes de mudança.

http://www.sipnl.com.br/a-importancia-da-neuroplasticidade-para-nosso-cerebro-e-maneiras-para-aumenta-la/

Na área da educação, os estudos em neurociências ganham cada vez mais espaço,revelando as grandes potencialidades do cérebro humano. Estes estudos também corroboram sobre as possibilidades de aprendizagem em todos os sujeitos.

De acordo com Filho, Bridi e Rotta (2018), a capacidade de aprendizagem de cada indivíduo é deliberada por questões genéticas e ambientais, ou seja, mesmo que as características genéticas não sejam favoráveis, um ambiente com estímulos adequados, aliados ao esforço intelectual do indivíduo, refletem na plasticidade do cérebro e nas capacidades cognitivas do sujeito.

A definição de plasticidade cerebral ou neuroplasticidade está fundamentada na capacidade que o cérebro tem de se modificar ao longo do desenvolvimento humano a partir de aprendizagem de novos conceitos e na recuperação do cérebro após alguma lesão (BITENCOURT; ROTTA, 2018).

Toda criança já nasce com conjunto de neurônios que ao longo de suas experiências formam circuitos que amadurecem e fazem conexões com novos circuitos, ampliando a aprendizagem (COSENZA;GUERRA, 2011).

https://www.jrmcoaching.com.br/blog/aprendizagem-neuroplasticidade/

Um meio importante que favorece o amadurecimento do conjunto de circuitos é o ambiente, pois os estímulos beneficiam a formação de novas conexões, oportunizando a aprendizagem ou o surgimento de novas condutas. A neuroplasticidade acontece durante toda vida, “…e que está claramente relacionada com o grau de desenvolvimento de cada pessoa, sendo tão maior quanto mais jovem for o indivíduo” (BITENCOURT; ROTTA, 2018, p. 167).Para estes autores, o que caracteriza a plasticidade é a capacidade que o sistema nervoso tem de fazer e desfazer conexões entre os neurônios, desencadeada pelas interações contínuas entre o externo e o interno do sujeito.

De acordo com Cosenza e Guerra (2011):

O treino e a aprendizagem podem levar à criação de novas sinapses e a facilitação do fluxo da informação dentro de um circuito nervoso. A aprendizagem pode levar não só ao aumento da complexidade das ligações em um circuito neural, mas também à associação de circuitos até então independentes. É o que acontece quando aprendemos novos conceitos a partir de conhecimentos já existentes. (p. 36)

Refletindo sobre a neuroplasticidade no contexto escolar em estudantes com deficiência, entende-se que existe a real possibilidade do professor ensinar e o estudante aprender, porém os recursos e metodologias devem ser diferenciados. De acordo com Guerra (2011), diferentes estratégias pedagógicas, preferencialmente multissensoriais e que sejam de acordo com a realidade dos estudantes, devem ser inseridas no contexto escolar, favorecendo a aprendizagem significativa.

REFERÊNCIAS

BITENCOURT, D. C; ROTTA, N. T. Pediasuit e a plasticidade cerebral nas disfunções neuromotoras. IN: ROTTA, N. T.; FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. DE S. Plasticidade cerebral e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2018 p. 167 -181.

BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases. Lei nº 12796, de 4 de abril de 2013.

BRASIL. MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO. Aumento da matrícula de estudantes com Deficiência no ensino regular.2015. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf&gt;. Acesso em: 12 dez. 2018.

BRASIL. Ministério da Educação. Nacional. Educação Especial (Alunos de Escolas Especiais, Classes Especiais e Incluídos): Instituto Anisio Teixeira. 2017. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/inep-mec-divulga-censo-escolar-2017/21206&gt;. Acesso em: 12 dez. 2018.

COSENZA, R. M.; GUERRA, L. B.  Um universo em mutações. In: COSENZA, R.M.; GUERRA, L.B. Neurociências e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011 p. 27-40.

FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. DE S.; ROTTA, N. T. Intervenções terapêuticas que promovem o desenvolvimento sináptico. IN: ROTTA, N. T.; FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. DE S. Plasticidade cerebral e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2018 p. 167 -181.

GUERRA, L. B.. O diálogo entre neurociências e educação: da euforia aos desafios e possibilidades. Revista interlocução. V.4, n.4,  p.3-12, 2011.

MANZINI, E. J.; SANT’ANA, M. M. Relato de experiência adaptações curriculares no Ensino Fundamental II: A inclusão do adolescente com Deficiência Intelectual . Práticas e perspectivas da terapia ocupacional na inclusão escolar. Rev. Ter. Ocup., 23(1), 7-15.

Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rto/article/view/46905.

Acesso em: 10 dez. 2018.

NOZI, G., VITALINO, C. R. Saberes de professores propícios à inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais: condições para sua construção. Ver. Ed. Esp., Santa Maria, V. 30, n. 59, p. 589-602, Sep-dez., 2017.

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15 de Março de 2019 at 8:56 Deixe um comentário

TDAH E IMPLICAÇÕES NO AMBIENTE ESCOLAR: PAPEL DA ESCOLA E DOS PROFESSORES

Renato Mikio Moriya

Médico. Pediatra. Professor do Curso de Medicina da UEL. Pós-Graduando em Neurociências, UEL.

Dentre os assuntos mais discutidos na Educação, destaca-se a diversidade do comportamento de estudantes, bem como suas dificuldades de aprendizagem. Nesse contexto,  o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade  (TDAH), vem aumentando seu espaço nos ambientes escolares. .

TDAH está associado a uma grande variedade de prejuízos nas diferentes faixas etárias, incluindo crianças e adolescentes, em que a prevalência do transtorno pode atingir índices de 5,29% em diferentes países do mundo.  TDAH pode incluir comprometimento acadêmico – reprovações, abandono, suspensões, expulsões. Podem, ainda, apresentar dificuldades sociais, entre elas uma menor frequência de comportamentos pró-sociais, como compartilhamento da atenção e alternância de turnos, o que pode gerar hostilidade na relação com os pares. Há evidências de que as crianças e adolescentes com TDAH podem ter menos amigos íntimos, apresentando maior rejeição pelos pares, além de poderem se envolver em mais comportamentos de risco, terem menos relações estáveis e maiores índices de divórcio na vida adulta.

O presente relatório constitui um trabalho acadêmico e originou da necessidade de gerar subsídios para os profissionais da Educação trabalharem com crianças e jovens com distúrbios de atenção/hiperatividade, buscando indicar caminhos para o enfrentamento da patologia em vista de uma efetiva aprendizagem.

A hiperatividade é um problema de saúde mental que tem três características básicas: distração, agitação e impulsividade. Esse transtorno pode levar a dificuldades emocionais, de relacionamento familiar e desempenho escolar, as quais prejudicam seu desempenho e aprendizagem da forma significativa.

Para o profissional de saúde, é necessária a persistência do comportamento de pelo menos seis meses; início precoce (antes dos 7 anos); os sintomas têm que ter repercussão na vida pessoal, social ou acadêmica; têm que estar presente em, pelo menos, dois ambientes; frequência e gravidade maiores em relação a outras crianças da mesma idade; idade de 5 anos para diagnóstico.

Diante da complexidade do tema, é importante apontar parâmetros para a identificação do distúrbio, visto que há uma grande dificuldade em distinguir hiperatividade de outros problemas que geram agitação emocional do indivíduo, auxiliando no entendimento de que a capacidade de concentração depende, em boa parte, da integridade do sistema nervoso central (SNC). Esta varia, também, na dependência do grau de maturidade do cérebro e da personalidade. Constata-se que a criança e o pré-adolescente são menos capazes de se concentrar em uma determinada atividade por um período longo de tempo do que o são os adultos.

TDAH deriva de um funcionamento alterado no SNC, quando  as substâncias químicas produzidas pelo cérebro, os neurotransmissores, apresentam alterações  responsáveis pelas funções da atenção, impulsividade e atividade física e mental no comportamento humano. As crianças são agitadas, movendo-se sem parar na sala de aula, em casa ou qualquer outro lugar. Ainda existem os fatores biológicos, que não são genéticos, com destaque para o uso de álcool, drogas e determinados medicamentos, durante a gestação, por parte da mãe; nascimentos prematuros, hemorragia intracranianas e falta de oxigênio durante o parto. E, ainda, os fatores ambientais que interferem no desenvolvimento psicológico e emocional, bem como conflitos familiares, transtorno mental nos pais, baixa condição socioeconômica, criminalidade por parte dos pais, entre outros.

Existem crianças que são prejudicadas pela falta de conhecimento de educadores e/ou pais que acabam diagnosticando-as como hiperativas. Muitas crianças que pais e professores normalmente rotulam de “hiperativas” são apenas mais ativas que seus pais e professores foram ou desejariam que fossem. Aí o perigo da medicalização. A hiperatividade somente se manifesta quando existem comprometimentos na manutenção da atenção para diferentes atividades. A criança, por exemplo, que não presta atenção à aula, mas presta muita atenção em outros contextos, não revela distúrbio de atenção, típico da hiperatividade.

A avaliação clínica é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de TDAH, isto é,  diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, visto que não existem marcadores: exames laboratoriais ou de imagem que consigam definir a doença. A investigação envolve detalhado estudo clínico por meio de avaliação com os pais, com a criança e com a escola. Escalas de avaliação padronizadas para pais e professores podem ser utilizadas. A avaliação com os pais deve abranger uma história detalhada de todo o desenvolvimento da criança ou do adolescente.

O diagnóstico final deve ser elaborado por um profissional de saúde que tenha conhecimento para descartar outras doenças ou transtornos, além de afastar as  comorbidades:  ocorrência, em conjunto, de dois ou mais problemas de saúde mental. Por exemplo, cerca de 50% das crianças e adolescentes com TDAH apresentam problemas de comportamento como agressividade, mentiras, roubo, comportamento de oposição ou de desafio às regras e aos pedidos dos adultos. Além disso, o profissional deverá validar as informações dos demais colegas que acompanham o caso – psicólogo, terapeuta, educadores, psicopedagogos.

Apesar da necessidade do diagnóstico ser formulado por um profissional da saúde habilitado, isso não exime o professor de buscar conhecimento a respeito do assunto. O professor, na maioria das vezes, é o primeiro a identificar se o aluno tem os sintomas do TDAH. Essa identificação não pode ser superficial e baseada, apenas em atitudes e atos agitados. É preciso conhecer quais as definições, os sintomas e os meios de enfrentamento do distúrbio.

Dessa forma, entende-se a necessidade de debater esse tema na Educação, por se fazer tão presente na vida de muitos estudantes. É importante identificar os sintomas para ajudá-los a ter uma maior compreensão e aprendizado. Somente uma proposta didático-pedagógica que leve em conta as diferenças que estudantes com TDAH detêm ajudará na inclusão e na antecipação de problemas sociais, emocionais e psicológicos que, com certeza, afetam o processo ensino-aprendizagem.

Muitas vezes, os educadores se deparam com estudantes que possuem hiperatividade e não sabem lidar com eles em sala de aula, fazendo um pré-julgamento e confundindo o TDAH com mau comportamento, o que acaba prejudicando, de forma significativa, o processo de ensino-aprendizagem dos alunos. Por não serem identificados com esse transtorno e, por consequência, não terem identificadas suas dificuldades, esses estudantes não  conseguem se concentrar, questionar, refletir sobre um problema apresentado em sala de aula, o que os deixa “atrasados” em seus conteúdos em relação a seus colegas. Nessa situação, aumentam os índices de repetência, baixo rendimento escolar, evasão e dificuldades emocionais e sociais. Este é considerado um fator preocupante, pois é no ambiente escolar que a maioria dos jovens tem contato com a leitura e a escrita, o que exige atenção e concentração.

Uma vez diagnosticado, o aluno deve ser considerado uma criança com necessidades educacionais especiais, pois para que tenha garantidas as mesmas oportunidades de aprender como os demais colegas, serão necessárias algumas adaptações visando diminuir a ocorrência dos comportamentos indesejáveis que possam prejudicar seu progresso pedagógico.  O estudante com TDAH, assim como todos os outros, possuem seu próprio tempo de aprendizagem; porém, em sua maioria, os estudantes com TDAH precisam de um tempo maior para internalizar o que foi  ensinado. Nesse sentido, torna-se indispensável a intervenção do professor para que esse estudante não venha a se sentir inferior em relação aos outros integrantes da turma, bem como a turma não o caracterize como uma pessoa lenta e exótica.

Conhecer o estudante não beneficia, apenas, o jovem com TDAH, mas também o professor e os demais colegas, pois proporciona maior dedicação e disponibilidade do professor, o que reflete em atividades mais elaboradas e concretas. Todos são beneficiados, e o estudante com TDAH consegue adquirir um aprendizado significativo e estabelecer relações com seus colegas.

O professor tem papel fundamental  no desenvolvimento das habilidades e controle do comportamento da criança com TDAH. Desse modo, ele deve ser instruído, tanto na formação inicial como na continuada, como também deve ser auxiliado em sua prática pedagógica e deve ter conhecimento sobre o transtorno e as estratégias adequadas em sala de aula para que esses alunos sejam efetivamente inclusos na escola.

Quando a escola e a família trabalham juntas em função da superação dos distúrbios causados pelo TDAH, o tratamento será eficaz, e os resultados serão satisfatórios nas relações familiares, no convívio  escolar e nas contribuições sociais.

Dicas aos professores

– Criar agenda escola-casa (comunicação entre pais e professores)

– faça o aluno se sentar na frente na sala de aula, longe de janelas e próximo ao professor

– agende disciplinas mais difíceis no início das aulas (enquanto os alunos estão mais descansados e atentos)

– estipule pequenas pausas regulares a cada 40 minutos de aula

– ordens devem ser dadas de maneira objetiva e breve para facilitar o entendimento do aluno

– ensine técnicas de organização e estudo

– permita tempo extra para que esse aluno possa responder com atenção às perguntas

– estimule e reforce positivamente atitudes assertivas através de elogios

– questione o aluno sobre dúvidas em sala de aula

– convide o aluno a apagar o quadro-negro, para reduzir a inquietação.

Manual dos transtornos escolares. Teixeira G. 2014

 

Bibliografia

Maia MIR, Confortin H. TDAH e aprendizagem: um desafio para a educação. Perspectiva. Erechim. V.39,n.148. dezembro/2015

 

Mattos P. Neuropsicologia do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. In Neuropsicologia hoje / Org: Santos FH, Andrade VM, Bueno OFA. – 2.ed.  Porto Alegre: Artmed, 2015.

 

Reis GV. Alunos Diagnosticados com TDAH: reflexões sobre a prática pedagógica utilizada no processo educacional. Parnaíba, 2011.

 

Teixeira  G. Manual dos transtornos escolares. Entendendo os problemas de crianças e adolescentes na escola. 5.ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2014.

26 de Fevereiro de 2019 at 7:58 Deixe um comentário

A compreensão da neurobiologia do Transtorno do Espectro Autista e a aplicação das neurociências na educação

MYENNE TSUTSUMI

Psicóloga. Professora do Departamento de Psicologia UEL. Pós-graduanda em Neurociência – UEL

Talvez o principal desafio na Educação seja a inclusão daquilo que é diferente. O ensino parece ter sido pensado para abranger a todos, mas nem sempre obtém sucesso. A velocidade de aprendizagem vai ser o resultado de muitas variáveis, as quais nem sempre o professor terá acesso. No entanto, ao conhecer algumas especificidades, o professor poderá compreender melhor seus alunos e ajudá-los da maneira que puder a alcançar o sucesso.

Os transtornos do neurodesenvolvimento são vários e talvez o menos compreendido de todos seja o Transtorno do Espectro Autista, o qual recebe o nome de espectro por conta da diversidade de sintomas que os indivíduos podem assumir (APA, 2014; BORBA e BARROS, 2018). Irá ocorrer na população pessoas extremamente aptas as funções da vida diária, com habilidades excepcionais, como o caso de Temple Grandin (GRANDIN e PANEK, 2013), ou com severas dificuldades para aprender ou mesmo de autocuidados. O Transtorno do Espectro Autista é marcado por dificuldades de linguagem e de socialização com sintomas persistentes e pervasivos (AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION, 2012). Tais comportamentos podem prejudicar a inclusão dessas crianças no ensino regular e o professor em sala de aula pode auxiliar essas crianças de forma a adaptar o ensino.

Para tanto, esse professor pode lançar mão de conhecimentos neurocientíficos afim de compreender quais estratégias de ensino podem ser mais ou menos eficazes. É o caso da sugestão que Zwart e colaboradores (2018) fazem ao estudar sobre os tipos de aprendizagem e como elas ocorrem no cérebro autista. Eles sugerem que, apesar de algumas crianças autista apresentarem falas extremamente literais, apresentarem dificuldades de compreensão de linguagem figurada e mostrarem preferências por dicas concretas no tempo-espaço, o ensino poderia ser não somente focado na aprendizagem explícita, mas também no ensino de estratégias de aprendizagem implícita, como por exemplo, retiradas graduais de dicas ambientais.

O conhecimento neurocientífico a respeito de como o cérebro autista aprende, como a linguagem é afetada pela atipicidade do desenvolvimento e como os sintomas de comportamentos pervasivos podem afetar na aprendizagem dão ao professor ferramentas não só para a inclusão, mas também para o investimento na aprendizagem das crianças dentro do espectro. A interface cérebro-ambiente e a capacidade plástica do cérebro humano principalmente nos primeiro três nãos de vida, não são facilmente compreendidas por aqueles que, no seu dia a dia, lidam com tantas outras dificuldades. O investimento na capacitação dos professores – e aqui inclusa a educação em neurociências- poderá permitir que erros sejam evitados, como por exemplo, permitir que a criança com dificuldade de socialização permaneça sozinha, “por que ele tem um desejo de ficar sozinha”; ou por exemplo, que aquelas que não conseguem desenvolver a fala, nunca terão habilidades linguísticas. O diagnóstico das crianças deveria ser um gatilho para a imersão dela em um mundo melhor adaptado as suas necessidades e o quanto antes, e não ser um atestado de incapacidade. Ao conhecer sobre como funciona o cérbero autista, o professor terá pistas de quais possíveis dificuldades essas crianças apresentam e como contornar, algo que pode ir desde um processamento auditivo atípico (ver BERMAN e colab., 2016)até a maturação do córtex pré-frontal tardia (ver KAWAKUBO e colab., 2009).

Além disso, não somente compreender sobre o cérebro autista, o professor também pode auxiliar os pais sobre os tratamentos disponíveis com maior eficácia além de ser co-terapeuta dentro de sala de aula. Atualmente, o principal tratamento para os comportamentos inadequados característicos do autismo é a terapia analítico-comportamental (BORBA e BARROS, 2018; ROANE e colab., 2016) e há esforços científicos para a compreensão das mudanças neurais relacionadas a implementação das intervenções baseadas nessa ciência do comportamento (ver STAVROPOULOS, 2017).Essa abordagem lança mão de intervenções ambientais para a promoção de mudanças comportamentais. É nesse momento que o professor pode ser ativos no auxílio a esses alunos. Poderá aplicar procedimentos durante suas aulas, promover inclusão da criança autista com as demais crianças e incentivar o desenvolvimento da linguagem.

 

REFERÊNCIAS

 

AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Manual de publicação da APA. Porto Alegre: Artmed, 2012.

APA, Associação Americana de Psiquiatria. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais V. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

 

BERMAN, Jeffrey I. e colab. Multimodal Diffusion-MRI and MEG Assessment of Auditory and Language System Development in Autism Spectrum Disorder. Frontiers in Neuroanatomy, v. 10, n. March, 2016. Disponível em: <http://journal.frontiersin.org/Article/10.3389/fnana.2016.00030/abstract&gt;.

 

BORBA, M. M. C e BARROS, R. S. Ele é Autista: Como Posso Ajudar Na Intervenção? Um guia para profissionais e pais com crianças sob intervenção analítico-comportamental ao autismo. São Paulo: Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC), 2018. Disponível em: <http://abpmc.org.br/arquivos/publicacoes/1521132529400bef4bf.pdf&gt;.

 

GRANDIN, Temple e PANEK, Richard. O cérebro autista: Pensando através do espectro. Rio de Janeiro: Record Ltda, 2013.

 

KAWAKUBO, Yuki e colab. Impaired prefrontal hemodynamic maturationin autism and unaffected siblings. PLoS ONE, v. 4, n. 9, p. 6–13, 2009.

 

ROANE, Henry S. e FISHER, Wayne W. e CARR, James E. Applied Behavior Analysis as Treatment for Autism Spectrum Disorder. Journal of Pediatrics, conseguir todas as referências desse artigo. Fazer sumário com todas as terapias alternativas dentro da aba que eles analisam. Usar esse artigo como modelo que artigo sintético., v. 175, p. 27–32, 2016. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1016/j.jpeds.2016.04.023&gt;.

 

STAVROPOULOS, Katherine Kuhl Meltzoff. Using neuroscience as an outcome measure for behavioral interventions in Autism spectrum disorders (ASD): A review. Research in Autism Spectrum Disorders, v. 35, p. 62–73, 2017. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1016/j.rasd.2017.01.001&gt;.

 

ZWART, Fenny S. e colab. Implicit learning seems to come naturally for children with autism, but not for children with specific language impairment: Evidence from behavioral and ERP data. Autism Research, Lido, v. 11, n. 7, p. 1050–1061, 2018.

13 de Fevereiro de 2019 at 8:40 Deixe um comentário

Neurociência e Educação – Como a meditação auxilia e baixa a ansiedade

Monica Menequelli

Pós-graduanda em Neurociência – UEL

Desde minha infância ouço a minha mãe me dizer assim: “Estuda menina porque se não, você vai ficar igual a mim”. Entendi aquela frase como uma motivação para tentar sair daquela vida miserável em que muitas vezes passávamos até necessidades alimentares. O estudo para mim então, virou uma porta de entrada para uma vida melhor. E minha mãe tinha outra técnica de motivação escolar, eu poderia deixar a louça e a casa suja desde que eu estudasse, para uma criança e adolescente essa troca foi uma grande motivação.

Desde então todas as vezes que eu ia fazer provas na escola era um grande estresse e ansiedade, tinha um medo imenso de fracassar, afinal de contas o resultado das provas era a porta de entrada para o meu futuro. Até que no 3º ano do ensino fundamental me deparei com uma professora, no qual o nome não esqueço, Sonia, chamávamos carinhosamente de “Soninha”, sua voz era doce, mas sua didática era firme. Todas as vezes que tinha prova chegava à escola em um nível de estresse altíssimo, tremia, suava e claro a Soninha percebia isso nos alunos, eu não era a única, e então ela sempre tinha uma atitude e, dedicava um tempinho para um relaxamento, lembro-me que ela colocava uma música suave e com sua voz doce orientava o que tínhamos que fazer; fechar os olhos, respirar fundo por algumas vezes, sentir determinada parte do corpo e assim por diante, isso relaxava muito, então quando ela percebia que estávamos melhores, ela aplicava a prova.

 

As técnicas de relaxamento vêm sendo estuda desde 1946 com praticantes de ioga na Índia. As primeiras descobertas segundo Greenberg (1999), que os praticantes podiam controlar os batimentos cardíacos, em outro estudo descobriu-se que eles podiam tornar a respiração mais lenta, diminuir assim cerca de 70% da capacidade de condução elétrica, emitir ondas cerebrais predominantemente alfa.

Foi comprovado também a diminuição da resposta cutânea galvânica (capacidade da pele em conduzir uma corrente elétrica), quanto mais baixo menor o nível de estresse. Segundo Greenberg (1999), isso difere entre meditadores e não-meditadores, e os meditadores tem uma melhor capacidade em lidar com o estresse e tem o sistema nervoso autônomo mais estável.

Robert Keith Wallace foi um dos primeiros pesquisadores que estou o efeito da meditação, em um dos estudos ele demonstrou que a meditação resultava em um menor consumo de oxigênio, diminuição de dos batimentos cardíacos e emissões de ondas alfas, a meditação também demonstrou o aumento a resistência cutânea, diminui o lactato sanguíneo e a produção de dióxido de carbono e aumentava o fluxo sanguíneo periférico para braços e pernas. Segundo Greenberg (1999), existem muitas evidências de benefícios fisiológicos.

Nos efeitos psicológicos existem muitas evidências na diminuição do estresse e da ansiedade. Greenberg (1999), diz que a meditação está ligado a um lócus do controle interno, maior auto-realização, sentimentos mais positivos, melhor qualidade do sono, alivio nas dores de cabeça. Existem estudos até de Shapiro e Giber que a meditação diminui o abuso de drogas e medos.

Goleman e Davidson (2017) narra os efeitos laboratoriais, desenvolvido por Richie em 2002, 2010 e 2016 por escaneamentos de mapeamentos cerebrais. Esses três escaneamentos foram percebidos declínios relacionados à idade na densidade de massa cinzenta. O fato é que todos nós à medida que envelhecemos demonstramos um decréscimo na densidade da massa cinzenta.

Goleman e Davidson (2017) esses estudos mais recentes de ressonância magnética vem demonstrando a mudança da idade cronológica no cérebro, ou seja, o cérebro que envelhece mais rápido é mais propenso a ter problemas relacionados à idade, como por exemplo, a demência. Já o cérebro praticante de meditação que Richie estudou observou que a idade cronológica recai 99% no percentil comparado com a idade cronológica normal.

Conclusão

Aquela garotinha de 8 anos preocupada em fracassar nas provas, encontrou uma querida professora que soube baixar seu estresse e ansidade, o que foi determinante em sua vida. Já hoje com 33 anos acabou optando para o estudo com o propósito de conseguir mudar de vida. Além da meditação trazer beneficios em baixar o estresse e a ansiedade, ele auxilia a saúde mental.

 

REFERÊNCIAS

 

GREENBERG, J. S. Adiministração do estresse: 6º Ed. São Paulo: Manole, .1999.

GOLEMAN, D. & DAVIDSON, R. J. A ciência da meditação: Como transformar o cérebro, a mente e o corpo: São Paulo. 2017.

6 de Fevereiro de 2019 at 9:23 Deixe um comentário

A CRONOBIOLOGIA COMO UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO: UM ELO ENTRE CIÊNCIAS HUMANAS E BIOLÓGICAS.

STÉFANI BELLO MUNHOZ

Aluna da Especialização em Neurociências – UEL

Imagem retirada da internet.

A cronobiologia, do grego estudo do tempo de vida, é a ciência que estuda o ritmo biológico dos seres vivos, dentro das variáveis fisiológicas e comportamentais. Essa ciência propicia o estudo de diversas variabilidades biológicas ao longo das 24 horas de um dia. É esse estudo que proporciona a ligação da interferência de fatores externos como a luz, a temperatura e a pressão, com atividades biológicas internas como a função endócrina, a biologia molecular e a atividade do sistema imune. (ALVIM e COLTRO, 2015)

Diversas estruturas do Sistema Nervoso Central participam de desse controle de captação do ambiente externo para regulação do funcionamento interno, entre elas a retina com os fotorreceptores, o núcleo supraquiasmático localizado no hipotálamo e a glândula pineal. Dessa maneira, há uma produção natural de hormônios dentro dos processos fisiológicos do corpo humano, como a produção da melatonina e cortisol – hormônios importantíssimos para o funcionamento do corpo, sendo respectivamente responsáveis pelo ciclo de sono de um indivíduo e pela sensação de prazer e equilíbrio do sistema imune. (SQUARCINI e ESTEVES, 2013)

Apesar da complexidade do estudo da cronobiologia, ela possui uma aplicação simples que pode ser compreendida por qualquer um. É comum ouvirmos o termo relógio biológico sendo usado no senso comum, para determinar reações corporais ou fisiológicas, aspectos comportamentais e até mesmo para descrever rotinas de sono. E por mais que essa expressão possa ser utilizada em consenso por leigos, ela possui sim a sua fundamentação de forma cientifica, pois essa ciência está inteiramente ligada com o ciclo circadiano – que designa cerca de 24 horas do dia, influenciado principalmente pela variação de luz, para que aconteça o ciclo biológico de cada indivíduo. (ALVIM e COLTRO, 2015)

Mas onde está a clara ligação entre a cronobiologia ser uma ciência facilitadora no processo de educação?Qual é o fato que pode unir uma ciência biológica a uma ciência humana, como a neurociência e a pedagogia, por exemplo?

Acronobiologia, é a ciência biológica que estuda a forma dos seres vivos se expressarem de forma comportamental e fisiológica de maneira periódica. Já a educação é uma ciência humana que garante ao homem a assimilação de ideias, conceitos, símbolos, valores e habilidades. Isso faz com que a educação seja algo fundamental, para que o homem possa interagir com a linguagem, com a cultura e com a sociedade. Elas se ligam, quando passamos a compreender que o estado biológico de um indivíduo pode alterar a sua assimilação de conteúdo. (SQUARCINI e ESTEVES, 2013)

Imagem retirada da internet.

Levando isso em consideração, nota-se que na maioria das vezes o público geral está totalmente desinformado sobre as novas atualizações da ciência que podem facilitar o aprendizado e melhorar a qualidade de vida de uma pessoa. Isso pode ser mostrado com o exemplo de alunos das redes básicas de ensino, que em sua maioria são levados pela comodidade e conveniência familiar e são matriculados em períodos de estudos não favoráveis com o seu relógio biológico para a realização de tal atividade. (ANTICO e ROYER, 2010)

Esse fato elucida a explicação de problemas muito comentado entre professores como a falta de atenção, sonolência, distúrbios psicológicos e muitos outras características de um aluno que não apresenta um rendimento adequando dentro da sala de aula. Uma pequena solução para esse e outros inúmeros fatores, poderia ser a conscientização da cronobiologia para a população geral em um linguajar simples, onde todos fossem capazes de compreender sua importância no rendimento de um aluno ou de um ser humano em suas atividades durante o dia-a-dia. Esse pequeno fato, já propiciaria a melhora no rendimento educacional e na qualidade de vida de muitas pessoas. (ANTICO e ROYER, 2010)

Mesmo a cronobiologia sendo uma descoberta considerada recente nas pesquisas, a fácil aplicação do seu conhecimento, pode trazer melhoras incontáveis relacionadas principalmente a qualidade de vida da grande maioria da população. Sabe-se que ofato de compreensão da neurociência é algo bastante complexo para leigos por se tratar de uma ciência biológica profunda, porém, é fácil concluir que de nada adianta para um estudioso realizar inúmeras descobertas se não conseguir aplicá-las para gerar, que seja, um mínimo impacto na população geral.

 

REFERÊNCIAS

 

SQUARCINI, Camila Fabiana Rossi; ESTEVES, Andrea Maculano. CRONOBIOLOGIA E INCLUSÃO EDUCACIONAL DE PESSOAS CEGAS: DO BIOLÓGICO AO SOCIAL. Disponível em: <http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/26555/1/S1413-65382013000400004.pdf>.

 

ANTICO, Marli Aparecida Godoy; ROYER, Marcia Regina.EFEITO DA ALIMENTAÇÃO E CRONOBIOLOGIA NO PROCESSO DA APRENDIZAGEM. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2010/2010_fafipa_cien_artigo_marli_aparecida_godoy.pdf>.

ALVIM, Marcia Cristina de Souza; COLTRO, Raquel Evelin Gonçalves. B-SOCIETY. UM OLHAR DA CRONOBIOLOGIA EM PROL DE UM DIREITO FUNDAMENTAL. UMA PROPOSTA EDUCACIONAL.Disponivel em: <http://indexlaw.org/index.php/rdb/article/view/2821/2670>.

 

Fontes das imagens:
Imagem 1: https://www.news-medical.net/health/Circadian-rhythm-length-variations-early-birds-and-night-owls-(Spanish).aspx
Imagem 2: http://www.rodrigooller.com/autocontrole/aprenda-a-melhorar-a-qualidade-do-seu-sono/
Imagem 3: https://twitter.com/bbcbrasil/status/957454928481603584

28 de Janeiro de 2019 at 7:13 Deixe um comentário

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR SOBRE A CONSULTA DE ENFERMAGEM GERONTOGERIÁTRICA?

Isabela Vanessa Tavares Cordeiro Silva

Nayana Flor Ulbinski

Graduandas do Departamento de Enfermagem da

Universidade Estadual de Maringá – UEM.

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial e estima-se que no ano de 2025 existirá cerca de 1,2 bilhões de pessoas com a faixa etária acima de 60 anos de idade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o aumento da população idosa, faz-se necessário que programas de atenção ao idoso sejam criados pelos governantes e que os profissionais de saúde estejam sempre atentos às demandas do processo saúde, doença e reabilitação social destes idosos.

Para avaliar a saúde das pessoas e indicar tratamentos e cuidados, os profissionais de saúde realizam consultas, como o (a) enfermeiro (a).

A consulta de enfermagem é uma grande ferramenta para investigar como anda a saúde das pessoas. Quando realizada com idosos ela se chama consulta de enfermagem gerontogeriátrica e busca avaliar o envelhecimento normal e também aquele que é acompanhado de doenças e desgastes.

A consulta de enfermagem foi instituída pela Lei nº 7.498/1986 que regulamenta o Exercício da Enfermagem e é uma atividade privativa do enfermeiro que  realiza – por meio de uma conversa, da avaliação física, psíquica e social – o levantamento do estado de saúde, faz diagnóstico de situações que requerem cuidados especiais e prescreve cuidados.

 

Para desempenhar uma consulta gerontogeriatrica com qualidade e precisão, o enfermeiro utiliza alguns instrumentos que são recomendados internacionalmente e também no Brasil para avaliar sua condição geral de saúde (Física, Mental, Social). São eles:

MINI EXAME DO ESTADO MENTAL (MEEM): Trata-se de um teste breve de rastreio cognitivo para a identificação de demência, o seu escore é de 30 pontos indicando o maior desempenho cognitivo. A pontuação pode ser influenciada pela escolaridade do individuo.

ESCALA DE LAWTON E BRODY DE ATIVIDADES INSTRUMENTAIS DE VIDA DIÁRIA (AIVD): É uma escala que identifica se o idoso é capaz de realizar atividades do cotidiano como, por exemplo, limpar a casa. Desta forma este instrumento avalia o grau de dependência/ independência com escore final podendo-se ser os seguintes: independentes, capazes com auxilio e dependentes.

ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA (GDS): Esta escala é utilizada para o rastreamento de sintomas depressivos nos idosos, as perguntas que são realizadas na escala devem ter as respostas as respostas referentes a partir dos últimos 30 dias. O resultados podem ser menor de 5 pontos (idoso não apresenta sinais depressivos), se for 5 pontos( depressão) e maior que 11( depressão grave).

PROTOCOLO DE IDENTIFICAÇÃO DO IDOSO VULNERÁVEL VULNERABLE ELDERS SURVEY (VES-13): O VES-13 foi desenvolvido com o objetivo de identificar os idosos vulneráveis residentes da comunidade os critérios estabelecidos são: idade, auto-percepção da saúde, limitação física, incapacidades. Os idosos podem ser classificados como idoso robusto, risco de fragilização médio risco e frágil alto risco.

ÍNDICE DE KATZ: O índice de Katz avalia a capacidade funcional dos idosos pelo seu desempenho e dependência na atividade de vida diária, como: banhar-se vestir-se, ir ao banheiro, transferência, continência e alimentação. O escore final podendo-se ser os seguintes: independência, dependência moderada e muito dependente.

Depois de levantar essas informações, o enfermeiro faz o diagnóstico para definir quais situações específicas precisam de intervenção. Em seguida, é  organizado o plano de cuidados, que inclui intervenções para resolução dos problemas levantados.  Os diagnósticos e intervenções que a enfermagem estabelece são baseados em termos próprios, como a Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva (CIPESC)

Pode-se dizer seguramente que a consulta de enfermagem  gerontogeriátrica contribui para a saúde física, autonomia, integração social e independência do idoso e se faz imprescindível à necessidade de assistência de saúde voltada a população idosa em sua total dimensão auxiliando na prevenção de fragilidades e incapacidades, promoção, recuperação, reabilitação e/ou manutenção da saúde.

PARA SABER MAIS:

SAAD, Paulo M. Envelhecimento populacional: demandas e possibilidades na área de saúde. Séries Demográficas, v. 3, p. 153-166, 2016.

UNA-SUS. Universidade Federal do Maranhão. Cuidados de Enfermagem em Gerontologia. Ivone Renor da Silva Conceição (Org.). São Luís: UNA-SUS, 2014.

ROCHA, Maria José Gomes et al. Instrumento de coleta de dados para consulta de enfermagem em gerontogeriatria. 2016.

ALBUQUERQUE, Lêda Maria; CUBAS, Marcia Regina. Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva. São Paulo: Prefeitura da Cidade de São Paulo, s/a.

13 de Novembro de 2018 at 10:07 1 comentário

Agrotóxicos: uma ameaça à saúde do agricultor

Renata Sano Lini- Farmacêutica, Acadêmica de Pós-Graduação (Mestrado), Programa de Biociências e Fisiopatologia.

Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR

Muito se discute na mídia sobre o mal que o agrotóxico pode causar à população que consome o alimento produzido com sua utilização. Mas, poucos se lembram do trabalhador que está em contato direto com estas substâncias, muitas vezes, diariamente. Você já parou para pensar que os agrotóxicos podem afetar a saúde do agricultor?

Estes trabalhadores manipulam essas substâncias praticamente todos os dias. É claro que a exposição varia de uma cultura para outra, mas quase todas dependem de aplicação frequente de diferentes agrotóxicos para que a produção seja boa e rentável. E para esta população, são poucas regras que existem para a garantia segurança no trabalho.

Viticultor Contemplando o fruto de seu trabalho. Marialva, 2017.
Fonte: Arquivos pessoais

Viticultor aplicando agrotóxicos em sua plantação. Marialva, 2017.
Fonte: Arquivos pessoais.

 

 

 

 

 

 

 

Um meio de cuidar da saúde do agricultor é a “monitorização biológica”, que consiste em dosar em seu sangue ou urina, substâncias específicas (biomarcadores), que, geralmente, aumentam quando a pessoa é exposta aos agrotóxicos.

Agora você deve estar pensando, se é tão simples por que isto não é feito? O fato é que não é tão simples assim. Existem muitas fórmulas de agrotóxicos e teríamos que encontrar um modo de localizar cada uma delas no corpo do trabalhador. Este é o desafio que impulsiona muitos projetos desenvolvidos em vários estados do Brasil por muitos cientistas envolvidos na busca de novos biomarcadores.

Para entender melhor, vamos pensar na viticultura (cultura de uva). A uva é uma fruta originalmente de clima frio e não cresce naturalmente em ambientes com clima tropical. Portanto, para produzi-la em certas regiões do país, como em Marialva, no Paraná, se faz necessário o uso de fungicidas. Estes agrotóxicos tornam-se necessários já que o clima desta região é quente e úmido, sendo este um fator que favorece a proliferação de fungos.

Esta classe de agrotóxicos, os fungicidas, utilizada por um longo período sem a proteção adequada, pode levar ao desenvolvimento de alergias respiratórias, doenças de pele, de Parkinson, diversos tipos de cânceres e até má formação fetal.

O projeto “Impactos da cultura da uva na saúde do trabalhador e na qualidade da água em propriedades de Marialva-Pr”, desenvolvido pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), tem como um de seus objetivos utilizar como biomarcador alguns metais pesados que são encontrados em formulações de fungicidas. É um projeto de pesquisa que também pretende atuar na conscientização dos produtores para o uso de forma segura dos agrotóxicos em geral, e analisar a qualidade da água consumida por esta população, já que os praguicidas podem contaminá-la fazendo com que se torne outra fonte de contaminação. Nos últimos anos este projeto demonstrou que parte da população rural da região de Marialva se expõe a inseticidas e fungicidas cronicamente, e esta exposição pode estar relacionada a alguns sintomas relatados pelos participantes durante as entrevistas realizadas pelo projeto.

Para saber mais sobre intoxicação crônica por agrotóxicos acesse: http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/CEST/Protocolo_AvaliacaoIntoxicacaoAgrotoxicos.pdf

O consumo de alimentos produzidos com agrotóxicos também é um assunto de grande importância, e é por isso que existe um programa nacional dedicado a este assunto. Se quiser saber mais é só acessar o site: http://portal.anvisa.gov.br/programa-de-analise-de-registro-de-agrotoxicos-para.

 

5 de Outubro de 2018 at 10:25 Deixe um comentário

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