Uma questão de vida ou morte

Isabele Pierin Carneiro. Bióloga Licenciada – UEM

Lyvia Eloiza de Freitas Meirelles. Biomédica – UEM. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em

Biociências e Fisiopatologia – UEM

Lucas Henrique Xavier. Biólogo – UENP. Mestre em Biologia das Interações Orgânicas e Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia Comparada – UEM

Drama romântico dirigido por Thea Sharrock, o filme Me before you  (Como eu era antes de você) conta a história de Louisa Clark, uma jovem que trabalha como garçonete em uma cafeteria, para ajudar nas despesas de casa. Ao ser despedida, vai em busca de um novo emprego, porém não possui muitas qualificações e então consegue um novo trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Seu nome é Will Traynor, um jovem inteligente e rico, mas depois de ter sido atropelado por uma moto, desconta toda a sua amargura em quem estiver ao seu redor. No entanto, Will sabe como parar com seu sofrimento. A família de Will acredita que Louisa pode ajudá-lo a retomar seu ânimo de viver e desistir da ideia de solicitar eutanásia na Suíça, por ser uma mulher positiva e extrovertida.

O termo eutanásia foi proposto por Francis Bacon, em 1623, em sua obra “Historia vitae et mortis”, como “tratamento adequado para doenças incuráveis”. Este termo caracteriza-se pela escolha do indivíduo em morrer de uma forma considerada digna e sem sofrimento. Desta forma, a eutanásia seria justificada como uma forma de evitar um sofrimento acarretado por uma doença terminal ou processo irreversível que cause um padecimento insuportável sem perspectivas de melhora no indivíduo.

Apenas seis países no mundo consideram essa prática legal, sendo a Suíça o mais conhecido e que aceita receber pessoas do mundo todo para a prática da eutanásia. No Brasil, a eutanásia é considerada homicídio, prática ilegal, segundo o previsto pela legislação nacional, no art. 121 do Código Penal.

Argumentos contra e a favor a eutanásia nos remetem a inúmeras questões em torno do significado da vida. Uns dizem que é uma forma do enfermo interromper um sofrimento, já que a própria medicina não oferece alternativas para o alívio do mesmo. As pessoas que se opõem à eutanásia, principalmente por questões religiosas, alegam que não se pode adiantar a morte de uma pessoa, visto que vai contra a vontade de uma divindade, por exemplo. Mas o que é vida para você? Vale a pena continuar vivendo com sofrimento, sem meios de melhora nem alívio, até que a morte natural chegue? Para Will, a condição que ele estava vivendo não significava mais vida. Cabe a quem julgar isso? Viver ou morrer, eis a questão.

 

Ficou curioso sobre o assunto? Saiba mais em: http://revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica/article/viewFile/292/431

 

 

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16 de Outubro de 2017 at 14:25 Deixe um comentário

O ELO RAZÃO E EMOÇÃO

Waylla Albuquerque de Jesus

 

Biomédica

Especialista em Docência no Ensino Superior 

Mestranda PBF- UEM, Micologia Médica

A ciência dedica-se a emoção em suas muitas dimensões e satisfaz-se definitivamente com essa crescente curiosidade com o tema. Freud fez da emoção sua peça principal de estudo. Temos também Charles Sherington que se aprofundou no estudo neurológico dos circuitos cerebrais, entre elas as conexões envolvidas na emoção.

Já no século XX a ciência da mente se agrupou em temas e especialidades que chamamos de Neurociência. Depois da publicação do livro o Erro de Descartes do autor Antônio R. Damásio, em 1994 os neurocientistas começaram a estudar as emoções em ratos, e publicar em seus livros, alguns laboratórios dos EUA e Europa voltaram seus olhos para pesquisas relacionadas a emoção, sendo um dos pontos principais a abordagem no livro, da relação entre razão e emoção.

Descartes trata emoção e razão ao contrário, onde que o raciocínio deve ser feito de uma forma pura dissociada das emoções, na verdade são as emoções que permitem o equilíbrio das nossas decisões.

Os mecanismos da razão eram separados da mente, e as emoções tomam decisões por nós ou que não somos seres racionais. Mas os aspectos da emoção e sentimento são indispensáveis para racionalidade. E a emoção busca entender a maquinaria neurológica subjacente a razão e a tomada de decisão.

A história que aborda a razão e emoção é a de Phineas P Gage,  25 anos de idade, um capataz da construção civil, que sofreu um terrível acidente de trabalho enquanto trabalhava na estrada de Ferro Rutland & Burlington na Inglaterra.  Gage manuseava a pólvora na barra de ferro, e no momento eis que surge uma faísca na rocha e a carga explosiva arrebenta-lhe o rosto, o ferro que pesava 6 quilos entra pela face esquerda dele, trespassa a base do crânio. O incrível foi a sobrevivência de Gage, que ganhou a capa de jornais de Vermont.

Figura 1. Phienas Gage, com a barra de ferro, que tornou seu comportamento explosivo. https://www.tes.com/lessons/CudugoeTIsg4-A/phineas-gage

A partir daquele momento Gage foi mostrando que casos de lesões neurológicas o cérebro é o alicerce da linguagem, da percepção, das funções motoras, em certo sentido faz com que o cérebro humano seja mais dedicado ao raciocínio.

No caso de Gage, houve uma lesão neurológica afetando propriedades humanas únicas.  Sendo então o fator de sua estrutura da personalidade normal antes do acidente, e o surgimento então de sua personalidade perversa.  Passando a ter escolhas erradas, e as quais fazia não eram neutras.  Phineas Gage, mostrou as diferenças em seu caráter degenerado e a integridade de elementos como atenção, linguagem, memória e inteligência.

Compreender a alteração de comportamento de Gage significaria acreditar que a conduta social normal requeria uma região cerebral correspondente particular. O caso de Gage foi, de fato, utilizado por aqueles que não acreditavam que as funções mentais pudessem estar associadas a áreas cerebrais específicas. Os dados médicos foram superficialmente analisados e defendeu-se que, se uma ferida como a de Gage podia não produzir paralisia ou limitações na fala, então era óbvio que nem o controle motor nem a linguagem podiam estar localizados nas relativamente pequenas regiões cerebrais que os neurologistas tinham identificado como o centro motor e o centro da linguagem.

Não restam dúvidas de que a alteração da personalidade de Gage foi provocada por uma lesão cerebral a um local específico. A explicação só se tornaria evidente duas décadas depois do acidente e só veio a tornar-se vagamente aceitável neste século. Tudo o que sabíamos acerca da lesão cerebral de Gage era que ela provavelmente se localizava no lobo frontal (parte da frente do cérebro, testa).

A partir desta observação o autor sugere o déficit no comportamento emocional como causa da dificuldade em tomar decisões racionais. Segundo ele, a razão, por si só, não sabe quando começar ou parar de avaliar custos e benefícios para uma tomada de decisão. Podemos deduzir que Gage, não sentia vergonha dado ao uso que fazia de linguagem obscena e da exposição pública de sua própria desgraça, dada a falta de emoções e sentimentos.

Uma explicação para o caso de Gage. A escolha da tomada de decisão quanto a um problema pessoal típico colocado no ambiente social, que é complexo e o resultado final e incerto. O conhecimento geral inclui fatos, objetos, pessoas, situações do mundo externo. Sendo assim os processos da emoção e dos sentimentos fazem parte integrante da maquinaria neural para regulação biológica sendo constituído por controles homeostáticos, impulsos e instintos.

E um dado importante seria o design do cérebro que não e único, mais cheio de regiões cerebrais relativamente separadas, mesmo com a alusão que tudo se encontra em um único teatro anatômico.  Damásio enfatiza a mente, como a construção de imagens para cada diferente modalidade que tem a probabilidade de ocorrer, mas em lugar algum iremos encontrar uma única área a qual esses produtos separados seriam projetados com exatidão e registro.

Referencias:

  1. 1 O Erro de Descartes: Emoção, Razão e o Cérebro Humano, de António R. Damásio (São Paulo: Companhia das Letras, 1996, SBN 85-7164-530-2, 336 páginas
  2. Carlos Tomaz é professor do Instituto de Biologia, Departamento de Ciências Fisiológicas e Centro de Primatologia da Universidade de Brasília, Laboratório de Neurobiologia. Endereço para correspondência: Laboratório de Neurobiologia, UNB, C. Postal 04631, 70910-900, Brasília, DF. E-mail: ctomaz@unb.br. Lilian G. Giugliano é estudante do Curso de Biologia da Universidade de Brasília e bolsista do programa PETBiologia/CAPES/UnB.
  3. Mais informações você encontra em. http://www.appp.com.br/blog/a-relacao-emocao-razao-o-que-voce-pensa-sobre-essa-questao/3576/

 

12 de Outubro de 2017 at 9:19 1 comentário

Candida krusei: Que fungo é esse?

 

 


Daniella Renata Faria (Biomédica)

Mestranda em biociências e fisiopatologia PBF/UEM

Candida é um gênero de leveduras (um tipo de fungo) que abrange um grande número de espécies. A maioria é essencialmente inofensiva e habita na microbiota normal do nosso corpo, principalmente boca, vagina, intestino e pele. Entretanto, o fungo denominado Candida são microrganismos oportunistas e se aproveitam do enfraquecimento do sistema imunológico/imunossupressão para invadir o tecido e causar infecção. Indivíduos com câncer, diabéticos, subnutridos, que passaram por procedimentos cirúrgicos (ex. transplantes), portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV) ou que realizaram tratamento com medicamentos (ex. antibióticos, anticoncepcionais, quimioterápicos e corticoides) são exemplos de imunossupressão.

Candida krusei é um exemplo das espécies de Candida que costumam causar infecção nesses pacientes com sistema imunológico enfraquecido. Essa espécie pode levar a uma doença sistêmica, que afeta uma série de órgãos, tecidos ou que afeta o corpo humano como um todo. Apesar de pouco conhecida, essa espécie merece destaque, pois, as taxas de mortalidade dos pacientes que desenvolvem infecção sistêmica por Candida krusei ficam em torno de 70%*.

Poucos medicamentos estão disponíveis para o tratamento das infecções causadas por Candida. Entre esses medicamentos, o fluconazol é comumente utilizado, entretanto, Candida krusei é naturalmente resistente a esse e outros medicamentos, o que torna o tratamento dessa espécie difícil. Nos últimos anos, houve um aumento no número de fungos resistentes aos medicamentos. Boa parte desse cenário se deve ao uso indiscriminado dos antifúngicos. Diferentemente das bactérias, as células fúngicas são muito semelhantes às células humanas e dessa forma, o desenvolvimento de novos medicamentos que sejam específicos apenas contra as células fúngicas torna-se difícil.

Apesar de não ser uma espécie tão comum, a alta taxa de mortalidade e a resistência aos medicamentos fazem da Candida krusei uma das espécies mais importante do gênero Candida.

Glossário
Microbiota normal Chama-se microbiota normal o conjunto dos microrganismos que se encontram dentro ou sobre o nosso corpo sem produzir doenças. Esses microrganismos auxiliam na digestão; Contribuem para o estimulo do sistema imunológico; Dificultam a colonização por microrganismos patogênicos etc.
Imunossupressão Chama-se de imunossupressão o ato de reduzir a atividade ou eficiência do sistema imunológico. Pode ser causada por uma doença imune ou ser intencional em um tratamento de uma doença ou usada para evitar rejeição de um transplante. Pacientes imunossuprimidos possuem o sistema imunológico enfraquecido e por isso são mais susceptiveis a infecções.
Quimioterápicos Quimioterápicos são substâncias químicas que afetam o funcionamento celular e são comumente utilizados na quimioterapia para o tratamento de doenças como o câncer.
Corticoides Corticoides são um grupo de hormônios esteroides produzidos pelas glândulas suprarrenais. Quando, por alguma razão, não são naturalmente providos pelo nosso corpo nas quantidades necessárias, devem ser supridos artificialmente.

Fonte: *Doi AM, Pignatari AC, Edmond MB, Marra AR, Camargo LF, Siqueira RA et al. Epidemiology and Microbiologic Characterization of Nosocomial Candidemia from a Brazilian National Surveillance Program. PLoS One. 2016 25;11(1):e0146909.

3 de Outubro de 2017 at 9:15 Deixe um comentário

MULHERES COM TOXOPLASMOSE PODEM AMAMENTAR?

Aline Rosa Trevizan

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Biociências e Fisiopatologia da Universidade Estadual de Maringá – UEM.

A amamentação éum ato complexo de amor e carinho, em que a mãe demonstra a sua capacidade de nutrir e ajudar no crescimento e desenvolvimento do seu filho.O aleitamento materno é indicado de forma exclusiva até os seis meses de vida dos bebês, e até os dois anos juntamente com outros alimentos. O leite materno é considerado o alimento mais completo para os bebês,pois possui nutrientes nas quantidades adequadas para o crescimento ideal da criança. Além disso, o leite materno possui anticorpos e células de defesa que garantem imunidade e protegem de diversas infecções comuns durante a infância. Para a mulher a amamentação facilita a criação de um vínculo afetivo, e diminuia incidência de algumas doenças, como câncer de mama e osteoporose, além de ajudar no retorno do peso pré-gestacional.

Algumas dificuldades podem ocorrer durante o processo de amamentação, como por exemplo, a demora na descida do leite;as rachaduras, a mastite e o empedramento, que causam grande desconforto na prática desse ato; ou ainda os problemas relacionados à falta de conhecimento das mães, como a crença de que o leite é fraco para suprir as necessidades do seu bebê. Tosas essas dificuldades podem ser sanadas com paciência e com o auxílio de um profissional capacitado.

A amamentação só pode sercontra indicadapelo médico quando o bebê apresenta alguma condição clínica em que não consegue digerir o leite materno ou quando a mãe apresenta doenças que podem ser transmitidas ao bebê como o vírus HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) ou quando utilizam medicações ou drogas que podem ser prejudiciais à criança.

Sabe-se da importância de se realizar a sorologia para toxoplasmose durante a gravidez, para evitar possíveis complicações ao feto decorrentes dessa infecção. A toxoplasmose é a famosa “doença do gato”,assim chamada porque os felinos são os hospedeiros definitivos do agente causador da doença que é o parasitoToxoplasma gondii, ou seja, é no intestino do gato que ocorre a reprodução sexuada desse parasito, proporcionando a manutenção do seu ciclo biológico. Essa doença pode ser transmitida por meio da ingestão de água e alimentos mal lavados contendo oocistos ou carne crua ou mal cozida contendo cistos teciduais desse parasito.

Os exames realizados durante o pré-natal podem demonstrar sea gestante já foi infectada por esse parasito anteriormente, o que significa que ela já está resistente e que não haverá riscos de adquirir a infecção aguda durante a gestação. Já a mulher que não apresentar esses anticorpos na sorologia deverá tomar alguns cuidados, como comer carne bem cozida e alimentos bem lavados, para prevenir que ocorra a infecção durante a gravidez. Esses cuidados são necessários, pois essa doença pode acarretar complicações graves no desenvolvimento do feto e pode até levarao aborto, dependendo do período gestacional em que a mãe adquire a doença.

Diante disso, um questionamento surge: se é tão importante saber seas mulheres tem toxoplasmose durante a gestação, será que as mulheres que possuem essa doença podem amamentar? Quando a infecção está clinicamente aguda, ou seja, quando a infecção foi adquirida recentemente, a forma infectante do parasito chamado de taquizoíto, pode ser encontrada no sangue e no leite materno, e por isso existe o risco de ocorrer a transmissão do parasito por meio da amamentação, mesmo que essa transmissão seja descrita como rara. Por isso, os bancos de leite devem fazer exames do leite e do sangue das mães que pretendem ser doadoras, e se for detectada a doença na fase ativa é feita a inviabilização do leite, para que o lactente não seja submetido a nenhum de risco de infecção. Por outro lado, mulheres que possuem a infecção cronificadasão encorajadas a amamentar normalmente, pois não são relatadas transmissões para bebês nessa fase da infecção.

Dessa forma, não existem justificativas palpáveis para não recomendar o aleitamento materno em mães com toxoplasmose, uma vez que a transmissão da doença via leite materno não foi demonstrada na prática. De forma geral, as mulheres precisam ser preparadas integralmente para esse momento único de troca entre a mãe e o bebê, e isso deve ocorrer por meio do apoio de profissionais capacitados que podem tornar mais prático e esclarecido o belo ato de amamentar.

Para mais informações: http://aps.bvs.br/aps/a-amamentacao-e-contraindicada-caso-a-mae-esteja-com-toxoplasmose-ou-contraia-a-doenca-no-puerperio/

26 de Setembro de 2017 at 9:50 Deixe um comentário

DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO PÚBLICA DA CIÊNCIA

Texto de autoria coletiva – Turma de Metodologia da Popularização do Conhecimento Científico, 2017.

Mestrado e Doutorado em Biociências e Fisiopatologia (PBF/ UEM) e Biologia Comparada  (PGB/UEM).

Alunos de mestrado e doutorado.

Cientistas são profissionais de diferentes áreas que em sua maioria se dedicam ao estudo aprofundado sobre um tema que resulte na solução de problemas. No Brasil, desempenham múltiplas funções pois não existe uma profissão de “cientista” e por isso normalmente dividem seu tempo entre diferentes atividades da vida acadêmica. Ou seja, além de pesquisador atuam como professor, orientador, gestor entre outros. Desta forma, seu tempo precisa ser distribuído entre muitas tarefas, o que pode explicar a falta de dedicação a atividades da comunicação pública da ciência.

No meio universitário é bastante valorizada a escrita e publicação de artigos científicos, aqueles normalmente escritos em outros idiomas, publicado em importantes revistas científicas internacionais e lidos por especialistas da área. Estas publicações são reconhecidas para a progressão da carreira, concursos e podem até aumentar a possibilidade de ganhos de   financiamentos ou bolsas. Entretanto, ações de comunicação da ciência para o público em geral não são encorajadas com os mesmos estímulos, fazendo com que poucos pesquisadores se dediquem a esta função.

Pouco se investe na capacitação de pesquisadores para a atuação como “divulgadores da ciência” possivelmente por múltiplos fatores que envolvem a falta de conhecimento e prática dos próprios orientadores e professores que direcionam o período de formação a práticas laboratoriais e resolução de problemas complexos. Assim, formamos excelentes mestres e doutores preparados para a pesquisa básica e aplicada porém não aptos a exercerem a importante função de comunicadores da ciência, traduzindo o conhecimento produzido para que todos compreendam.

Assim como no Brasil não há a profissão de cientista também não existe a de divulgador da ciência e mesmo os profissionais habilitados para comunicação como jornalistas nem sempre possuem formação e prática na área de jornalismo científico.  A relação entre os pesquisadores e jornalistas nem sempre é simples. De um lado quem gera as informações inovadoras tem receio da simplificação exagerada, distorção ou abordagem sensacionalista de seus resultados, por outro, o jornalista sem conhecimento da área e muitas vezes com pouco tempo tem dificuldade em transformar o conteúdo científico em algo atrativo.

Neste contexto temos universidades isoladas das comunidades, especialmente no que diz respeito ao conhecimento do que se faz em pesquisa, cenário que deve ser revertido com o empenho de todos os envolvidos se queremos que a ciência brasileira prospere. O conhecimento e o envolvimento da população em geral serão a garantia de apoio público, político e consequentemente financeiro para a continuidade do avanço científico mesmo em momentos de crise.

Conclui-se que isso só será possível se o conhecimento para a atuação como divulgadores da ciência seja inserido na formação de todos os cientistas, de maneiras diversificadas e atrativas, para que incorporem em suas práticas profissionais a comunicação pública da ciência por toda sua carreira.

18 de Setembro de 2017 at 10:34 Deixe um comentário

A Viagem pela Ciência em Centros e Museus

Glaucia Sayuri Arita

Biomédica

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Biociências e Fisiopatologia (PBF)

Os museus e centros de ciência são locais propícios para a divulgação científica, ou seja, servem como uma ponte entre a universidade e a comunidade. Além disso, oferecem laboratórios vivos interativos,estimulando a participação ativa das pessoas, contribuindo assim,para o interesse pelo conhecimento científico e para a formação de mentes criativas e críticas.

A divulgação por meio de museus e centros de ciência é realizada por diversas atividades como exposições, mostras temporárias e permanentes, oficinas, debates, palestras, seminários, minicursos, peças teatrais, sessões de filmes, jogos interativos. Isso tudo com o acompanhamento de monitores capacitados e treinados. Esses locais aindafornecem material para feiras de ciência nas escolas e possuem um acervo de fotos, vídeos, livros, desenhos técnicos, imagens digitais entre outros, que podem ser disponibilizados às pessoas. Também, podem oferecer cursos de formação continuada a professores, principalmente os de ensino fundamental e médio para que sejam estimulados a levarem seus alunos aos museus e centros de ciência.

No Brasil, há centenas de centros e museus de ciência, como por exemplo o Espaço Ciência em Recife, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) no Rio de Janeiro, o Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI) em Maringá, o Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS. Além disso, existe um projeto chamado de ERA VIRTUAL onde é possível visitar os museus, exposições temporárias e patrimônios culturais virtualmente, acessando o website: http://www.eravirtual.org. É possível navegar pelo universo dos museus sem precisar sair de casa, apenas com a ajuda da internet, ampliando assim, a divulgação e o conhecimento científico.

Deste modo, os museus e centros de ciência promovem o conhecimento científico de forma interativa, criativa e desafiadora para não somente estimular as pessoas, mas também fazê-las pensar criticamente e assim aprender ciência.

Leve sua família nos museus ou centros de ciência da sua cidade. E venha navegar nesse novo mundo de possibilidades e curiosidades.

Para saber mais:

Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência: UFRJ. FCC. Casa da Ciência; Fiocruz. Museu da Vida. Centros e museus de ciência do Brasil 2015. Rio de Janeiro, 2015.

Crestana, S.; Castro, M.G.; Pereira, G.R.de M. Centros e Museus de Ciência: visões e experiências: subsídios para um programa nacional de popularização da ciência. São Paulo: Saraiva: Estação Ciência, 1998.

http://www.eravirtual.org/

http://www.mudi.uem.br/

11 de Setembro de 2017 at 9:52 Deixe um comentário

A CIÊNCIA DO SEXO FRÁGIL

Beatriz Cardoso de Freitas – Biomédica, especialista em anatomia e histologia DCM/UEM.

Mestranda em biociêmcias e fisiopatologia PBF/UEM

Existe no imaginário popular uma percepção de que cientistas são homens velhos, de óculos e meio malucos. Geralmente, são pouco sociáveis e passam maior parte de suas vidas emsótãos, quando não estão em seus laboratórios explodindo reações.

Desde a infância, somos apresentados ao estereótipo cientista insano. Desde o Professor Grossenfibbe (Pica-Pau, 1940) ao Dexter (O laboratório de Dexter, 1996), pouco se mudou durante essas sete décadas. Quando se fala em ciência, logo pensamos em clássicos como, Galileu Galilei, Charles Darwin, Isaac Newton, Albert Einstein…Poucos são os nomes femininos que acrescentam a lista. E não são poucas as mulheres cientistas que contribuíram para o avanço humano e tecnológico. Conheça abaixo, um pouco das centenas de delas:

CIENTISTA ÁREA PESQUISA
Rosalind Franklin (1920-1958) Biofísica Descoberta da estrutura de dupla hélice da molécula de DNA através de imagens pelo método de cristalografia
DorothyCrowfoot Hodgkin (1910- 1994) Biofísica Importantes descobertas em relação as estruturas da penicilina e insulina, além de descobrir a estrutura da vitamina B12.

 

Marie Curie (1867 – 1934) Química e Física Dedicou suas pesquisas na área da radioatividade, a qual rendeu duas premiações ao Nobel
Vera Rubin (1928-atual) Astronomia Primeira cientista norte-americana a argumentar que as galáxias giram ao redor de um centro desconhecido e que se aglomeram em grupos.
Rita Levi-Montalcini (1909 – 2012) Neurociência Descoberta do fator de crescimento nervoso (NGF). A descoberta influenciou pesquisas relacionadas ao mal de Alzheimer rendendo-lhe o prêmio Nobel de Medicina em 1986.
Nise da Silveira (1905-1999) Psiquiatria A humanização do tratamento psiquiátrico no Brasil contrária às formas agressivas.Nise recebeu diversos prêmios e foi membro fundadora da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica.

 

 

As cientistas são profissionais das mais diversas áreas. São mães, filhas, mulheres comuns. Eleita Miss Eua 2017, aos 25 anos, Kára McCullough, tem licenciatura em química e trabalha na Comissão Reguladora Nuclear dos EUA. A jovem cientista é um exemplo que não existe estereótipo para a ciência. A versão óculos e jaleco sujo no sótão pode ser substituído por uma faixa e coroa nas principais passarelas do mundo. A miss pretende, através da mídia, divulgar ciência e incentivar os jovens o interesse pela pesquisa e tecnologia.

As mulheres já produzem metade (49%) (FOLHA DE S.PAULO, 2017) da ciência do Brasil. Não é mais a ciência do sexo frágil, mas há muito o que avançar. O que se produz tem que, de alguma maneira, chegar à comunidade. E uma das principais formas disso acontecer é o reconhecimentoanti-Dexter da carreira cientifica.

SAIBA MAIS EM: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/03/10-grandes-mulheres-da-ciencia.html

4 de Setembro de 2017 at 14:04 Deixe um comentário

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