Neurociência e Educação – Como a meditação auxilia e baixa a ansiedade

Monica Menequelli

Pós-graduanda em Neurociência – UEL

Desde minha infância ouço a minha mãe me dizer assim: “Estuda menina porque se não, você vai ficar igual a mim”. Entendi aquela frase como uma motivação para tentar sair daquela vida miserável em que muitas vezes passávamos até necessidades alimentares. O estudo para mim então, virou uma porta de entrada para uma vida melhor. E minha mãe tinha outra técnica de motivação escolar, eu poderia deixar a louça e a casa suja desde que eu estudasse, para uma criança e adolescente essa troca foi uma grande motivação.

Desde então todas as vezes que eu ia fazer provas na escola era um grande estresse e ansiedade, tinha um medo imenso de fracassar, afinal de contas o resultado das provas era a porta de entrada para o meu futuro. Até que no 3º ano do ensino fundamental me deparei com uma professora, no qual o nome não esqueço, Sonia, chamávamos carinhosamente de “Soninha”, sua voz era doce, mas sua didática era firme. Todas as vezes que tinha prova chegava à escola em um nível de estresse altíssimo, tremia, suava e claro a Soninha percebia isso nos alunos, eu não era a única, e então ela sempre tinha uma atitude e, dedicava um tempinho para um relaxamento, lembro-me que ela colocava uma música suave e com sua voz doce orientava o que tínhamos que fazer; fechar os olhos, respirar fundo por algumas vezes, sentir determinada parte do corpo e assim por diante, isso relaxava muito, então quando ela percebia que estávamos melhores, ela aplicava a prova.

 

As técnicas de relaxamento vêm sendo estuda desde 1946 com praticantes de ioga na Índia. As primeiras descobertas segundo Greenberg (1999), que os praticantes podiam controlar os batimentos cardíacos, em outro estudo descobriu-se que eles podiam tornar a respiração mais lenta, diminuir assim cerca de 70% da capacidade de condução elétrica, emitir ondas cerebrais predominantemente alfa.

Foi comprovado também a diminuição da resposta cutânea galvânica (capacidade da pele em conduzir uma corrente elétrica), quanto mais baixo menor o nível de estresse. Segundo Greenberg (1999), isso difere entre meditadores e não-meditadores, e os meditadores tem uma melhor capacidade em lidar com o estresse e tem o sistema nervoso autônomo mais estável.

Robert Keith Wallace foi um dos primeiros pesquisadores que estou o efeito da meditação, em um dos estudos ele demonstrou que a meditação resultava em um menor consumo de oxigênio, diminuição de dos batimentos cardíacos e emissões de ondas alfas, a meditação também demonstrou o aumento a resistência cutânea, diminui o lactato sanguíneo e a produção de dióxido de carbono e aumentava o fluxo sanguíneo periférico para braços e pernas. Segundo Greenberg (1999), existem muitas evidências de benefícios fisiológicos.

Nos efeitos psicológicos existem muitas evidências na diminuição do estresse e da ansiedade. Greenberg (1999), diz que a meditação está ligado a um lócus do controle interno, maior auto-realização, sentimentos mais positivos, melhor qualidade do sono, alivio nas dores de cabeça. Existem estudos até de Shapiro e Giber que a meditação diminui o abuso de drogas e medos.

Goleman e Davidson (2017) narra os efeitos laboratoriais, desenvolvido por Richie em 2002, 2010 e 2016 por escaneamentos de mapeamentos cerebrais. Esses três escaneamentos foram percebidos declínios relacionados à idade na densidade de massa cinzenta. O fato é que todos nós à medida que envelhecemos demonstramos um decréscimo na densidade da massa cinzenta.

Goleman e Davidson (2017) esses estudos mais recentes de ressonância magnética vem demonstrando a mudança da idade cronológica no cérebro, ou seja, o cérebro que envelhece mais rápido é mais propenso a ter problemas relacionados à idade, como por exemplo, a demência. Já o cérebro praticante de meditação que Richie estudou observou que a idade cronológica recai 99% no percentil comparado com a idade cronológica normal.

Conclusão

Aquela garotinha de 8 anos preocupada em fracassar nas provas, encontrou uma querida professora que soube baixar seu estresse e ansidade, o que foi determinante em sua vida. Já hoje com 33 anos acabou optando para o estudo com o propósito de conseguir mudar de vida. Além da meditação trazer beneficios em baixar o estresse e a ansiedade, ele auxilia a saúde mental.

 

REFERÊNCIAS

 

GREENBERG, J. S. Adiministração do estresse: 6º Ed. São Paulo: Manole, .1999.

GOLEMAN, D. & DAVIDSON, R. J. A ciência da meditação: Como transformar o cérebro, a mente e o corpo: São Paulo. 2017.

6 de Fevereiro de 2019 at 9:23 Deixe um comentário

A CRONOBIOLOGIA COMO UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO: UM ELO ENTRE CIÊNCIAS HUMANAS E BIOLÓGICAS.

STÉFANI BELLO MUNHOZ

Aluna da Especialização em Neurociências – UEL

Imagem retirada da internet.

A cronobiologia, do grego estudo do tempo de vida, é a ciência que estuda o ritmo biológico dos seres vivos, dentro das variáveis fisiológicas e comportamentais. Essa ciência propicia o estudo de diversas variabilidades biológicas ao longo das 24 horas de um dia. É esse estudo que proporciona a ligação da interferência de fatores externos como a luz, a temperatura e a pressão, com atividades biológicas internas como a função endócrina, a biologia molecular e a atividade do sistema imune. (ALVIM e COLTRO, 2015)

Diversas estruturas do Sistema Nervoso Central participam de desse controle de captação do ambiente externo para regulação do funcionamento interno, entre elas a retina com os fotorreceptores, o núcleo supraquiasmático localizado no hipotálamo e a glândula pineal. Dessa maneira, há uma produção natural de hormônios dentro dos processos fisiológicos do corpo humano, como a produção da melatonina e cortisol – hormônios importantíssimos para o funcionamento do corpo, sendo respectivamente responsáveis pelo ciclo de sono de um indivíduo e pela sensação de prazer e equilíbrio do sistema imune. (SQUARCINI e ESTEVES, 2013)

Apesar da complexidade do estudo da cronobiologia, ela possui uma aplicação simples que pode ser compreendida por qualquer um. É comum ouvirmos o termo relógio biológico sendo usado no senso comum, para determinar reações corporais ou fisiológicas, aspectos comportamentais e até mesmo para descrever rotinas de sono. E por mais que essa expressão possa ser utilizada em consenso por leigos, ela possui sim a sua fundamentação de forma cientifica, pois essa ciência está inteiramente ligada com o ciclo circadiano – que designa cerca de 24 horas do dia, influenciado principalmente pela variação de luz, para que aconteça o ciclo biológico de cada indivíduo. (ALVIM e COLTRO, 2015)

Mas onde está a clara ligação entre a cronobiologia ser uma ciência facilitadora no processo de educação?Qual é o fato que pode unir uma ciência biológica a uma ciência humana, como a neurociência e a pedagogia, por exemplo?

Acronobiologia, é a ciência biológica que estuda a forma dos seres vivos se expressarem de forma comportamental e fisiológica de maneira periódica. Já a educação é uma ciência humana que garante ao homem a assimilação de ideias, conceitos, símbolos, valores e habilidades. Isso faz com que a educação seja algo fundamental, para que o homem possa interagir com a linguagem, com a cultura e com a sociedade. Elas se ligam, quando passamos a compreender que o estado biológico de um indivíduo pode alterar a sua assimilação de conteúdo. (SQUARCINI e ESTEVES, 2013)

Imagem retirada da internet.

Levando isso em consideração, nota-se que na maioria das vezes o público geral está totalmente desinformado sobre as novas atualizações da ciência que podem facilitar o aprendizado e melhorar a qualidade de vida de uma pessoa. Isso pode ser mostrado com o exemplo de alunos das redes básicas de ensino, que em sua maioria são levados pela comodidade e conveniência familiar e são matriculados em períodos de estudos não favoráveis com o seu relógio biológico para a realização de tal atividade. (ANTICO e ROYER, 2010)

Esse fato elucida a explicação de problemas muito comentado entre professores como a falta de atenção, sonolência, distúrbios psicológicos e muitos outras características de um aluno que não apresenta um rendimento adequando dentro da sala de aula. Uma pequena solução para esse e outros inúmeros fatores, poderia ser a conscientização da cronobiologia para a população geral em um linguajar simples, onde todos fossem capazes de compreender sua importância no rendimento de um aluno ou de um ser humano em suas atividades durante o dia-a-dia. Esse pequeno fato, já propiciaria a melhora no rendimento educacional e na qualidade de vida de muitas pessoas. (ANTICO e ROYER, 2010)

Mesmo a cronobiologia sendo uma descoberta considerada recente nas pesquisas, a fácil aplicação do seu conhecimento, pode trazer melhoras incontáveis relacionadas principalmente a qualidade de vida da grande maioria da população. Sabe-se que ofato de compreensão da neurociência é algo bastante complexo para leigos por se tratar de uma ciência biológica profunda, porém, é fácil concluir que de nada adianta para um estudioso realizar inúmeras descobertas se não conseguir aplicá-las para gerar, que seja, um mínimo impacto na população geral.

 

REFERÊNCIAS

 

SQUARCINI, Camila Fabiana Rossi; ESTEVES, Andrea Maculano. CRONOBIOLOGIA E INCLUSÃO EDUCACIONAL DE PESSOAS CEGAS: DO BIOLÓGICO AO SOCIAL. Disponível em: <http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/26555/1/S1413-65382013000400004.pdf>.

 

ANTICO, Marli Aparecida Godoy; ROYER, Marcia Regina.EFEITO DA ALIMENTAÇÃO E CRONOBIOLOGIA NO PROCESSO DA APRENDIZAGEM. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2010/2010_fafipa_cien_artigo_marli_aparecida_godoy.pdf>.

ALVIM, Marcia Cristina de Souza; COLTRO, Raquel Evelin Gonçalves. B-SOCIETY. UM OLHAR DA CRONOBIOLOGIA EM PROL DE UM DIREITO FUNDAMENTAL. UMA PROPOSTA EDUCACIONAL.Disponivel em: <http://indexlaw.org/index.php/rdb/article/view/2821/2670>.

 

Fontes das imagens:
Imagem 1: https://www.news-medical.net/health/Circadian-rhythm-length-variations-early-birds-and-night-owls-(Spanish).aspx
Imagem 2: http://www.rodrigooller.com/autocontrole/aprenda-a-melhorar-a-qualidade-do-seu-sono/
Imagem 3: https://twitter.com/bbcbrasil/status/957454928481603584

28 de Janeiro de 2019 at 7:13 Deixe um comentário

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR SOBRE A CONSULTA DE ENFERMAGEM GERONTOGERIÁTRICA?

Isabela Vanessa Tavares Cordeiro Silva

Nayana Flor Ulbinski

Graduandas do Departamento de Enfermagem da

Universidade Estadual de Maringá – UEM.

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial e estima-se que no ano de 2025 existirá cerca de 1,2 bilhões de pessoas com a faixa etária acima de 60 anos de idade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o aumento da população idosa, faz-se necessário que programas de atenção ao idoso sejam criados pelos governantes e que os profissionais de saúde estejam sempre atentos às demandas do processo saúde, doença e reabilitação social destes idosos.

Para avaliar a saúde das pessoas e indicar tratamentos e cuidados, os profissionais de saúde realizam consultas, como o (a) enfermeiro (a).

A consulta de enfermagem é uma grande ferramenta para investigar como anda a saúde das pessoas. Quando realizada com idosos ela se chama consulta de enfermagem gerontogeriátrica e busca avaliar o envelhecimento normal e também aquele que é acompanhado de doenças e desgastes.

A consulta de enfermagem foi instituída pela Lei nº 7.498/1986 que regulamenta o Exercício da Enfermagem e é uma atividade privativa do enfermeiro que  realiza – por meio de uma conversa, da avaliação física, psíquica e social – o levantamento do estado de saúde, faz diagnóstico de situações que requerem cuidados especiais e prescreve cuidados.

 

Para desempenhar uma consulta gerontogeriatrica com qualidade e precisão, o enfermeiro utiliza alguns instrumentos que são recomendados internacionalmente e também no Brasil para avaliar sua condição geral de saúde (Física, Mental, Social). São eles:

MINI EXAME DO ESTADO MENTAL (MEEM): Trata-se de um teste breve de rastreio cognitivo para a identificação de demência, o seu escore é de 30 pontos indicando o maior desempenho cognitivo. A pontuação pode ser influenciada pela escolaridade do individuo.

ESCALA DE LAWTON E BRODY DE ATIVIDADES INSTRUMENTAIS DE VIDA DIÁRIA (AIVD): É uma escala que identifica se o idoso é capaz de realizar atividades do cotidiano como, por exemplo, limpar a casa. Desta forma este instrumento avalia o grau de dependência/ independência com escore final podendo-se ser os seguintes: independentes, capazes com auxilio e dependentes.

ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA (GDS): Esta escala é utilizada para o rastreamento de sintomas depressivos nos idosos, as perguntas que são realizadas na escala devem ter as respostas as respostas referentes a partir dos últimos 30 dias. O resultados podem ser menor de 5 pontos (idoso não apresenta sinais depressivos), se for 5 pontos( depressão) e maior que 11( depressão grave).

PROTOCOLO DE IDENTIFICAÇÃO DO IDOSO VULNERÁVEL VULNERABLE ELDERS SURVEY (VES-13): O VES-13 foi desenvolvido com o objetivo de identificar os idosos vulneráveis residentes da comunidade os critérios estabelecidos são: idade, auto-percepção da saúde, limitação física, incapacidades. Os idosos podem ser classificados como idoso robusto, risco de fragilização médio risco e frágil alto risco.

ÍNDICE DE KATZ: O índice de Katz avalia a capacidade funcional dos idosos pelo seu desempenho e dependência na atividade de vida diária, como: banhar-se vestir-se, ir ao banheiro, transferência, continência e alimentação. O escore final podendo-se ser os seguintes: independência, dependência moderada e muito dependente.

Depois de levantar essas informações, o enfermeiro faz o diagnóstico para definir quais situações específicas precisam de intervenção. Em seguida, é  organizado o plano de cuidados, que inclui intervenções para resolução dos problemas levantados.  Os diagnósticos e intervenções que a enfermagem estabelece são baseados em termos próprios, como a Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva (CIPESC)

Pode-se dizer seguramente que a consulta de enfermagem  gerontogeriátrica contribui para a saúde física, autonomia, integração social e independência do idoso e se faz imprescindível à necessidade de assistência de saúde voltada a população idosa em sua total dimensão auxiliando na prevenção de fragilidades e incapacidades, promoção, recuperação, reabilitação e/ou manutenção da saúde.

PARA SABER MAIS:

SAAD, Paulo M. Envelhecimento populacional: demandas e possibilidades na área de saúde. Séries Demográficas, v. 3, p. 153-166, 2016.

UNA-SUS. Universidade Federal do Maranhão. Cuidados de Enfermagem em Gerontologia. Ivone Renor da Silva Conceição (Org.). São Luís: UNA-SUS, 2014.

ROCHA, Maria José Gomes et al. Instrumento de coleta de dados para consulta de enfermagem em gerontogeriatria. 2016.

ALBUQUERQUE, Lêda Maria; CUBAS, Marcia Regina. Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva. São Paulo: Prefeitura da Cidade de São Paulo, s/a.

13 de Novembro de 2018 at 10:07 1 comentário

Agrotóxicos: uma ameaça à saúde do agricultor

Renata Sano Lini- Farmacêutica, Acadêmica de Pós-Graduação (Mestrado), Programa de Biociências e Fisiopatologia.

Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR

Muito se discute na mídia sobre o mal que o agrotóxico pode causar à população que consome o alimento produzido com sua utilização. Mas, poucos se lembram do trabalhador que está em contato direto com estas substâncias, muitas vezes, diariamente. Você já parou para pensar que os agrotóxicos podem afetar a saúde do agricultor?

Estes trabalhadores manipulam essas substâncias praticamente todos os dias. É claro que a exposição varia de uma cultura para outra, mas quase todas dependem de aplicação frequente de diferentes agrotóxicos para que a produção seja boa e rentável. E para esta população, são poucas regras que existem para a garantia segurança no trabalho.

Viticultor Contemplando o fruto de seu trabalho. Marialva, 2017.
Fonte: Arquivos pessoais

Viticultor aplicando agrotóxicos em sua plantação. Marialva, 2017.
Fonte: Arquivos pessoais.

 

 

 

 

 

 

 

Um meio de cuidar da saúde do agricultor é a “monitorização biológica”, que consiste em dosar em seu sangue ou urina, substâncias específicas (biomarcadores), que, geralmente, aumentam quando a pessoa é exposta aos agrotóxicos.

Agora você deve estar pensando, se é tão simples por que isto não é feito? O fato é que não é tão simples assim. Existem muitas fórmulas de agrotóxicos e teríamos que encontrar um modo de localizar cada uma delas no corpo do trabalhador. Este é o desafio que impulsiona muitos projetos desenvolvidos em vários estados do Brasil por muitos cientistas envolvidos na busca de novos biomarcadores.

Para entender melhor, vamos pensar na viticultura (cultura de uva). A uva é uma fruta originalmente de clima frio e não cresce naturalmente em ambientes com clima tropical. Portanto, para produzi-la em certas regiões do país, como em Marialva, no Paraná, se faz necessário o uso de fungicidas. Estes agrotóxicos tornam-se necessários já que o clima desta região é quente e úmido, sendo este um fator que favorece a proliferação de fungos.

Esta classe de agrotóxicos, os fungicidas, utilizada por um longo período sem a proteção adequada, pode levar ao desenvolvimento de alergias respiratórias, doenças de pele, de Parkinson, diversos tipos de cânceres e até má formação fetal.

O projeto “Impactos da cultura da uva na saúde do trabalhador e na qualidade da água em propriedades de Marialva-Pr”, desenvolvido pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), tem como um de seus objetivos utilizar como biomarcador alguns metais pesados que são encontrados em formulações de fungicidas. É um projeto de pesquisa que também pretende atuar na conscientização dos produtores para o uso de forma segura dos agrotóxicos em geral, e analisar a qualidade da água consumida por esta população, já que os praguicidas podem contaminá-la fazendo com que se torne outra fonte de contaminação. Nos últimos anos este projeto demonstrou que parte da população rural da região de Marialva se expõe a inseticidas e fungicidas cronicamente, e esta exposição pode estar relacionada a alguns sintomas relatados pelos participantes durante as entrevistas realizadas pelo projeto.

Para saber mais sobre intoxicação crônica por agrotóxicos acesse: http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/CEST/Protocolo_AvaliacaoIntoxicacaoAgrotoxicos.pdf

O consumo de alimentos produzidos com agrotóxicos também é um assunto de grande importância, e é por isso que existe um programa nacional dedicado a este assunto. Se quiser saber mais é só acessar o site: http://portal.anvisa.gov.br/programa-de-analise-de-registro-de-agrotoxicos-para.

 

5 de Outubro de 2018 at 10:25 Deixe um comentário

Superbactérias desafiam os médicos

Cintia Werner Motter

Farmacêutica-Bioquímica, Mestranda do Programa de Biociências e Fisiopatologia da Universidade Estadual de Maringá

O Laboratório de Microbiologia Médica, da Universidade Estadual de Maringátem desenvolvido projetos na área de resistência bacterianatanto no hospital quanto na comunidade. Um desses trabalhos realizados foi a investigação de bactérias multirresistentes também conhecidas como “superbactérias”, num período de três anos, no Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). A detecção precoce destes microrganismos é importante para direcionar o uso de medicamentos, de forma a garantir o tratamento adequado ao paciente e colaborar com o controle de infecções.

Nas últimas décadas, a proliferação das “superbactérias”tem ganhado destaque. Esses microrganismosapresentam resistência a múltiplos antibióticos. A rápida evolução desses microrganismos acaba levando à falta de opções terapêuticas para o tratamento das infecções causadas por esses agentes.

 

O uso indiscriminado de antibióticos está entre os principais fatores que favorecem o aumento destes microrganismos, uma vez que esses medicamentos matam as bactériasmais sensíveis e as mais resistentes conseguem sobreviver e se multiplicar. Assim, os antimicrobianos não criam “superbactérias”, eles selecionam as mais resistentes. Quando o paciente toma um antibiótico de amplo espectro (que atinge diferentes tipos de microrganismos), apenas as bactérias mais adaptadas sobrevivem gerando um grande número de descendentes, transmitindo essa informação para gerações futuras.

A questão é que, com o tempo, não haverá “quem segure” estas bactérias. Se você for infectado por alguma delas, a chance dos antibióticos conseguirem tratá-las será muito baixa. Este quadro é ainda mais preocupante com a escassez de novos antibióticos pois àqueles utilizados atualmente não terão mais efeito e simples infecções poderão tornar-se fatais,como no caso das pneumonias.

Por isso, a vigilância debactérias multirresistentes, realizadapelo Laboratório de Microbiologia Médica da UEM, em parceria com o laboratório de Análises Clínicas do Hospital Universitário éde grande importância. Dados publicados recentemente mostraram que após a implantação do programa de vigilância multidisciplinar no hospital, houve uma redução significativa na propagação destes microrganismos no HUM. Então, para evitar o aumento destas bactérias, a prevenção é o caminho mais simples, com um programa implementado no estabelecimento envolvendo a higiene adequada das mãos por meio do uso de álcool em gel, a detecção de pacientes colonizados e com o uso racional de antibióticos, poderemos reduzir a multirresistência e a disseminação destas “superbactérias”.

Para saber mais:

Zarpellon MN, Viana GF, Mitsugui CS, Costa BB, Tamura NK, Aoki EE, et al. Epidemiologic surveillance of multidrug-resistant bacteria in a teaching hospital: A 3-year experience. Am J Infect Control. 2018;46(4):387-392.

https://www.afro.who.int/sites/default/files/2017-06/OMS_IER_PSP_2012.2_por.pdf

Click to access CRE-guidance-508.pdf

27 de Setembro de 2018 at 8:11 Deixe um comentário

Imunidade e Câncer

Evelyn Castillo Lima Vendramini

Farmacêutica, Mestranda em Imunogenética no Programa de Biociências e Fisiopatologia (PBF) da UEM

Linfócitos T e Célula Cancerígena. Foto tirada em microscópio ampliada 2300 vezes.
Crédito: STEVE GSCHMEISSNER/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Você sabe o que é imunidade? Talvez essa palavralembre de imunidade parlamentar ou foro privilegiado, mas, desta vez, estamos falando do corpo humano. Da política podemos nos lembrar do papel da imunidade: proteção; não de presidentes, ministros e senadores, mas de todo nosso organismo, contra infecções diversas e até mesmo o câncer. E, assim como na política, os mecanismos de defesa também podem prejudicar o organismo. Vamos ver como isso funciona para os tumores?

Primeiro vamos entender o papel de proteção da imunidade. Alguns pesquisadores realizaram estudos em animais que tinham alguma deficiência no sistema imunológico. O que eles perceberam foi que se esses animais entrassem em contato com substâncias cancerígenas, desenvolviam tumores mais facilmente que os outros animais com o sistema imunológico intacto.

Outros pesquisadores estudaram tumores em seres humanos e, quando células do sistema imune, como por exemplo os linfócitos T e natural killers (NK) estavam próximas ao tumor, os pacientes tinham uma melhor perspectiva de enfrentamento da doença. Isso porque essas células têm a capacidade de procurar e eliminar diretamente as células tumorais, o que é chamado de vigilância imune.

Mas o “lado negro” da imunidade ainda não é tão bem conhecido. Alguns tipos de células como os macrófagos e substâncias inflamatórias que são produzidas para combater o tumor podem promover o crescimento e propagação dos tumores, facilitando o crescimento de novos vasos sanguíneos no tumor e até promovendo mais mutações através de substâncias químicas chamadas de radicais livres, especialmente, quando acontece uma inflamação no corpo por muito tempo.

Os mecanismos exatos ainda não são completamente compreendidos e nem o equilíbrio que ocorre entre vigilância e indução dos tumores pelo sistema imune. O que sabemos é que isso não acontece em todos os tipos de câncer.

Pensando nisso, na Universidade Estadual de Maringá está sendo desenvolvido um trabalho que procura entender o papel das substâncias produzidas pelo sistema imunológico em um tipo de câncer que afeta as células do sangue (neoplasias mieloproliferativas crônicas). Essa e outras pesquisas poderão contribuir na descoberta de novas formas de diagnóstico e tratamento dessas doenças, para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

 

Ficou interessado em saber mais? Você pode acessar os sites:

http://www.ciencianews.com.br/index.php/publicacoes/artigos-cientificos/imunologia-do-cancer/

http://www.periodicos.ufpb.br/index.php/rbcs/article/viewFile/9934/5694

12 de Setembro de 2018 at 9:03 Deixe um comentário

COMO PODE SER REALIZADA A AVALIAÇÃO POSTURAL

Lilian Catarim Fabiano1

Carmem Patrícia Barbosa2

1Fisioterapeuta, Especialista em Fisioterapia do Trabalho e Ergonomia, aluna da Especialização em Anatomia e Histologia Humana da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e mestranda em Biociências e Fisiopatologia (UEM). 

 

2Fisioterapeuta e Professora Doutora do Departamento de Ciências Morfológicas (Área de Anatomia Humana) da Universidade Estadual de Maringá (UEM

Figura 1. Avaliação postural utilizando simetrógrafo
(https://www.google.com.br/avaliacaopostural com acesso em 26/03/2018)

Na semana passada falamos sobre a anatomia da coluna vertebral, suas principais doenças e os cuidados diários que devemos ter para preveni-las. Concordamos que, em se tratando dos males da coluna, o ditado popular “é melhor prevenir do que remediar” é extremamente verdadeiro. Por isso, você já parou para pensar seriamente como anda a saúde da sua coluna? Já fez alguma avaliação postural? Sabe qual a importância de se fazer uma avaliação específica? Pois hoje vamos conversar com mais profundidade sobre este assunto e entender sua importância.

Aavaliação posturalé um importante método diagnóstico que serve para identificar desvios posturais em vista anterior, posterior e lateral direita/esquerda (Figura 1). Ela permite que uma inspeção global da postura seja feita para que assimetrias corporais e desvios de postura sejam identificados de forma observacional, ou seja, prestando atenção nos detalhes anatômicos do corpo da pessoa avaliada. Todavia, para facilitar a identificação de alterações, é preciso que oindivíduo esteja vestindo roupas justas (como as usadas para fazer exercícios)ou mesmo trajes de banho.

Aavaliação posturalé feita por meio de um aparelho chamadosimetrógrafo(Figura 1).Embora o nome seja meio complicado, ele é um aparelho extremamente simples, de formato retangular,comcerca 2 metros de altura por 90 centímetros de largura, com linhas horizontais e verticaisque formam vários quadrados. A pessoa avaliada deve se posicionar em pé, a frente ou atrás do aparelho, de forma que uma das linhas verticais fique alinhadaà uma linha imaginária que passa no centro do corpo do avaliado. Assim, é possível observaralterações anatômicas em estruturas ósseas, articularese musculares, permitindo verificar com clareza se os lados direito e esquerdo do corpo são simétricos. São avaliados pontos específicoscomo a altura dos ombros, da cintura, do quadril, o formato dos joelhos, a posição dos tornozelos e dos pés. Além disso, é possível identificar aquelas alterações da coluna que foram explicadas no texto da semana passada, como as escolioses, as hipercifoses e as hiperlordoses.

Outro aparelho importante na avaliação postural é o plantígrafo.Embora também seja muito simples de manusear, necessita da interpretação de um profissional habilitado que avalie a forma como a pessoa descarrega o peso do corpo ao pisar. Ele permite que seja feita uma impressão do pé (como se fosse um carimbo) para que o profissional avalie se a impressão é normal, se o pé é cavo ou “chato” (Figura 2). Além disso, com este aparelho é possível saber se a pessoa descarrega o peso do corpo de maneira uniforme ou em pontos específicos (como na região calcanear ou em apenas um dedo). Sua importância está no fato de que as alterações da pisada podem causar desequilíbrio corporal, problemas no tornozelo, no joelho, no quadril e até mesmo na coluna.

Figura 2. Avaliação da pisada plantar utilizando o plantígrafo
(imagens obtida em http://randradefisio.com.br/avaliacao-computadorizada-fotogrametria/palmilhas-ortopedicas-e-posturais/plantigrafo/acesso em 24/03/2018)

A avaliação com destes aparelhos ea coleta de informações importantes como a história de doenças pregressas, traumatismos,hábitos diários e a frequência de realização de exercícios físicos (anamnese), permite a detecção precoce de alterações na coluna vertebral. Assim, complicações são evitadas por meio de orientações, cuidados elementares e tratamento direcionado a fim de se evitar, por exemplo, problemas maiores como hérnias de disco, artrose na coluna e correções cirúrgicas.

 

REFERÊNCIAS

 

KENDALL FP, MCCREARY EK, PROVANCE PG. Músculos: provas e funções. 5a ed. São Paulo: Manole, 2007.

 

RESENDE FS, HAAS AN, PRADO RP, BARROS PS. Análise das impressões plantares em praticantes de ballet clássico. R. bras. Ci. eMov 2017.

 

 

12 de Setembro de 2018 at 8:46 Deixe um comentário

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