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Você conhece a Candida?

 Débora de Mello Gonçales Sant´Ana

Turma da disciplina de Metodologia da Popularização da Ciência Aplicada a Farmácia de 2012.

A Candida? A Candinha? Filha da vizinha? Não, na verdade esta é outra, a Candida albicans e outras candidas, um grupo de fungos muito pequenos que não pode ser visto sem a ajuda de microscópios. Este fungo é redondinho então por isso recebe o nome de levedura. No passado, a cândida era conhecida como monília. Para ela sobreviver precisa estar no corpo de uma pessoa como você….. pois precisa de calor e umidade para sobreviver. Este fungo microscópico vive no trato gastrointestinal e genital feminino (especialmente na vagina) da maioria as pessoas. Como vivem normalmente nestes locais fazem parte do que era chamado antigamente de flora normal, hoje conhecida como microbiota, ou seja, nem sempre causam doenças. Mas, nas mulheres a “cândida” pode levar a infecções,tornando-se causadora de doenças. Isso ocorre porque as mulheres passam por variações hormonais, estresse, baixa imunidade,uso de anticoncepcionais, gravidez, etc. Nestes casos ocorrem mudanças no meio interno da vagina que possibilitam sua sobrevivência e aumento (e como aumentam !!! duplicando a população a cada período de 12-24 horas). Aí pronto! Tem-se uma candidíase, isso mesmo, o final íase indica uma inflamação causada por este organismo.

E agora?? Como saber se eu estou infectada?? Durante a infecção a mulher tem corrimento vaginal, eliminando uma secreção branca, que lembra leite coalhado e que coça MUITO….não tem cheiro e nem sempre é eliminada em grande quantidade. Isso é relativamente comum ao longo da vida da mulher e não indica nada de muito problemático, mas, precisa de tratamento, então, o ginecologista precisa ser procurado.Quando o médico retira um pouco da secreção vaginal, no microscópio será possível identificar qual ou quais microrganismos estão presentes e tratar tendo a certeza do causador da infecção. Normalmente, você vai usar pomadas vaginais de medicamentos antifúngicos. Um cuidado importante neste caso será não usar roupas apertadas, principalmente as íntimas que deverão ser bem lavadas e secadas ao sol.

Quando a mulher usa antibióticos para tratar infecções em outras regiões do corpo poderá matar outros microrganismos da microbiota normal da vagina, sobrando a cândida. Quando isso acontece a cândida tem tudo o que precisa para se multiplicar a vontade e dias depois, lá está…. a candidíase. Mas na maioria dos casos a solução é simples e com cerca de uma semana de uso da pomada vaginal a infecção será controlada e o equilíbrio ecológico restaurado. O que posso fazer para não ter? ainda não se sabe ao certo porque algumas pessoas repetem esta infecção e outras não. Mas, na maioria das mulheres o uso de roupas íntimas soltas e não sintéticas bem como uma vida equilibrada e longe do estresse podem ajudar a evitar esta infecção.

17 de Setembro de 2012 at 17:54 1 comentário

Fungo presente na boca pode causar infecções em pacientes renais crônicos

Janine Silva Ribeiro – Farmacêutica. Mestre e doutoranda em Biociências Aplicadas à Farmácia – UEM 

O nome “Candida”, para a maioria das pessoas não é estranho, ainda mais, quando se fala em “candidíase”, no entanto, a primeira relação que se faz é com a candidíase vaginal, um processo infeccioso que acomete mulheres, principalmente antes do período menstrual. Mas, vale à pena destacar que, Candida spp é um fungo que habita normalmente diversos locais do corpo humano, assim como pele e mucosas: respiratória, digestiva (da boca ao ânus) e genital. Pode ser encontrada na saliva, fezes e urina. Normalmente não causa doença, entretanto, esses mesmos micro-organismos podem causar infecções muito graves e até levar o doente à morte, especialmente entre os indivíduos imunodeprimidos. Esse processo está relacionado com a interação entre a Candida e o portador. Os indivíduos saudáveis (imunocompetentes) não desenvolvem estas doenças, pois possuem um sistema de defesa eficiente, no entanto, quando sua imunidade está comprometida, o micro-organismo que até então não fazia nenhum mal, aproveita da debilidade e inicia a doença. A infecção fúngica pode ser desde uma simples micose de pele até uma infecção generalizada que causa a morte do indivíduo.

Pacientes, com doença renal crônica, submetidos à hemodiálise são exemplos de quebra no equilíbrio entre o paciente e a Candida spp. A imunodepressão destes pacientes faz com que se tornem predispostos a infecções, principalmente aquelas de origem fúngica. Além disso, a debilidade desses indivíduos pode ser agravada quando são submetidos ao transplante renal.

Recentemente foi realizado um estudo em um Hospital Geral do Noroeste do Paraná, com pacientes renais crônicos em hemodiálise pela bioquímica mestre e doutoranda em Biociências Aplicadas a Farmácia Janine Silva Ribeiro e sua orientadora Terezinha Inez Estivalet Svidzinski, coordenadora do laboratório de micologia médica da UEM.  Ao avaliar a presença do fungo Candida spp na cavidade bucal destes pacientes, observou-se que 39% dos pacientes possuíam esse fungo, um valor considerado alto quando comparado com a presença deste micro-organismo na população jovem e saudável que é em média de 15,2%. Também foi observado que a idade mais acometida foi após os 45 anos.

Esses indivíduos que apresentam o fungo na boca, mesmo que não tenham infecções tem maior risco de desenvolver uma infecção, portanto, devem ser acompanhados periodicamente a fim de prevenir uma doença grave. Devem ainda ser orientados quanto à importância de manter uma boa qualidade de vida, bem como o tratamento específico para sua doença com acompanhamento médico constante.

11 de Julho de 2012 at 17:43 1 comentário


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