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A CIÊNCIA NOS DESENHOS ANIMADOS

Ms. Edilson Almeida de Oliveira

Farmacêutico

Doutorando em Biociências e Fisiopatologia – UEM

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Apesar de sua aparente inocência e serem tidos como desprovidos de objetivos ou interesses, os desenhos animados contribuem para o processo da popularização do conhecimento científico e, levando-se em consideração a maneira como a ciência e o cientista são representados neles, podemos dividi-los em dois grandes grupos: os que possuem a intenção de serem educativos (ex.: Sid, O Cientista) e os que não têm essa ambição (ex.: O Laboratório de Dexter). Em sua maioria, reforçam a imagem que a maioria das pessoas tem sobre a identidade de um cientista, caracterizando-o classicamente como uma pessoa maluca, dotada de super poderes, sempre vestindo jaleco branco, possuidor de um cabelo peculiar e, em alguns casos, usando óculos. São apresentados como pessoas “dedicadas” à ciência as que: trabalham sozinhas em suas experiências, destacam-se por sua inteligência, sentem-se diferentes do resto da sociedade e, geralmente, recusam-se a fazer tarefas do cotidiano ou as depreciam. Nos desenhos, a maioria esmagadora dos cientistas são homens, representando a figura do poder e masculinidade, temos aqui uma questão de gênero explícita, colocando esta atividade como destinada a uma seleta minoria masculina e superdotada e, quando a mulher é retratada como cientista, ocupa um papel menor em todos os sentidos. Os cientistas, nos desenhos animados, são representados como detentores do conhecimento e tecnologia necessária para resolver qualquer problema, fortalecendo a imagem de cientista e ciência que circula na sociedade, mostrada como algo para poucas mentes brilhantes.

Sid, O Cientista

Sid, O Cientista

 

O Laboratório de Dexter

O Laboratório de Dexter

Cientistas são, na visão que nos é apresentada pela maioria dos desenhos animados, pessoas detentores do conhecimento, da resolução dos problemas, da verdade e, até mesmo, da salvação do mundo. Seus personagens demonstram que a ciência não é de alcance de todos, configurando uma visão individualista da ciência, como obras de gênios isolados que constroem suas engenhocas fabulosas e apontando para a valorização de certas áreas do saber (ex.: física e química) em detrimento de outras (ex.: filosofia, artes, história, geografia). A ciência nos desenhos animados se desenvolve a partir de problemas e está associada à atividade experimental. Outro ponto importante, é a representação da tecnologia como algo imprescindível ao progresso científico e intimamente ligada à ciência, isto, porém, sem a necessária abordagem de potenciais riscos que podem causar.

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A opinião que as pessoas possuem sobre os fatos científicos depende, em muito, da ação de intermediários como o a televisão, revistas e jornais que “traduzem” a linguagem científica para uma linguagem mais simples, como a que usamos em nosso cotidiano. Porém, este processo de “tradução” pode conter distorções do real sentido da notícia ou fato científico, o que muitas vezes é realizado de forma intencional visando manipular o pensamento da população, podendo ainda conter risco potencial à sociedade. Na consolidação desta visão de ciência, temos os desenhos animados, onde não há espaço para reflexão crítica e os cientistas, com seus interesses particulares, passam por cima de tudo e de todos para conseguirem o que querem. Não há nestes desenhos, um ensino de comportamentos pró-sociais (ex.: respeito ao próximo e a si mesmo) e contato com o que é aceitável nas relações humanas. Os desenhos transmitem às crianças, que não é um adulto que impõe o dever de agir diferente e sim o herói do desenho e a ciência é retratada como inquestionavelmente boa. Infelizmente, os desenhos justificam ações antiéticas como usar o irmão caçula como cobaia, falsificar a idade ou construir um tênis especial que o ajudará a vencer uma corrida que o cientista pratica.

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Contudo, desenhos que possuem a intencionalidade de serem educativos, podem ser uma forma de estimular as crianças a se interessar por temas variados, inclusive a ciência, de forma provocativa, interessante e criativa, podendo ajudar a apontar caminhos para a compreensão de como se desenvolveu e tem se desenvolvido o pensamento científico na sociedade.

Para saber mais, consulte:

MUELLER, S. P. M. DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação – v.3 n.2 abr/02.

NUNES, C. Ciência e TV: a união possível e desejável. Cienc. Cult. [online]. 2006, vol.58, n.4, pp. 10-11. ISSN 2317-6660.

http://conexaociencia.wordpress.com/2011/11/20/curso-mostra-como-desenhos-animados-podem-prevenir-a-violencia-infantil/

https://paralelas.wordpress.com/2014/02/13/a-ciencia-nos-desenhos-animados/

http://fisicacomsabor.blogspot.com.br/2012/08/a-fisica-nos-desenhos-animados.html

http://www.museudavida.fiocruz.br/media/ciencia_e_crianca.pdf

http://www.caranguejo.com/homepage/index.php#almanaque

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=156260

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=114724

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=153758

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=182384

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=110083co_obra=182384

 

24 de Maio de 2014 at 19:13 Deixe um comentário

Curso “Trabalho, Cultura, Ciência e Cidadania e suas implicações para o desenvolvimento humano e profissional”

As aulas do curso acontecerão nos dias 6 e 8 de agosto das 8h00 – 17h00 no auditório do NUPÉLIA. As inscrições podem ser feitas na Secretaria do MUDI com o Gilberto – Informações pelo fone 3011-4930

ITENS MINISTRADOS

  • Compreendendo a formação da mente humana – Marcílio Hubner de Miranda Neto – (02 horas)
  • Eficiência, depressão, felicidade, desatenção, erros, acertos, estagnação, estresse etc. Imposição ou escolha? – aula show com o prof.  Marcílio Hubner de Miranda Neto e Grupo Abaecatu ( Enéias Ramos de Oliveira, José Ribeiro da Costa, Marilaine Corrêa Tenório Calvi e Márcia Clotilde Facci Capelette) – (03 horas)
  • Ciência, Arte e Trabalho: é possível utilizá-los para malhar o cérebro e aprimorar o funcionamento da mente e do corpo – Marcílio Hubner de Miranda Neto – (03 horas)
  • Espetáculo Educativo: Musicas e poesias para repensar a vida – Grupo Abaecatú – (01 hora)
  • A mente humana e os processos de construção da cidadania – aula show com o prof. Marcílio Hubner de Miranda Neto e o Grupo Abaecatú – (03 horas)
  • Organização das atividades de trabalho respeitando a harmonia entre o corpo e o meio ambiente – princípios Cronobiológicos –  aula show com o prof. Marcílio Hubner de Miranda Neto e o Grupo Abaecatú – (04 horas)

30 de Julho de 2012 at 8:52 Deixe um comentário

Cinema no MUDI: Resenha sobre “Uma Mente Brilhante”

Após uma temporada de exibição de filmes envolvendo a ciência, os participantes do projeto de cinema foram convidados a produzirem uma resenha sobre alguma das películas selecionadas. Nesse contexto, a mestranda de Biociências Aplicadas a Farmácia da UEM, Tuane Krupek, expõe sua visão sobre o filme “Uma Mente Brilhante”.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Ron Howard

Elenco: Russell Crowe, Jennifer Connelly, Ed Harris, Paul Bettany, Scott Fernstrom, Josh Lucas, Ned Stuart

Produção: Brian Grazer

Roteiro: Akiva Goldsman

Fotografia: Roger Deakins

Trilha Sonora: James Horner

Duração: 134 min.

Ano: 2001

País: EUA

Gênero: Drama

Estúdio: Universal Pictures / DreamWorks SKG / Imagine Entertainment

Classificação: 12 anos

 

O filme é baseado na história real do matemático John Nash que consegue grande sucesso e uma carreira acadêmica respeitável, chegando a conquistar o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel em 1994. Porém, antes disso ele passa a ser atormentado por delírios e alucinações, é diagnosticado como esquizofrênico, então passa por diversas internações e precisa usar toda a sua racionalidade para distinguir o real do imaginário e voltar a ter uma vida normal.

A esquizofrenia abordada no filme foi assim denominada pelo psiquiatra suíço Eugem Bleuler em 1911. Seus sintomas são delírios, alucinações, distúrbios do pensamento, condutas estereotipadas e agressivas, pouco contato social, respostas emocionais pouco intensas, ansiedade e depressão, podendo chegar ao suicídio.  Apesar de o distúrbio ser bastante estudado suas causas ainda não estão esclarecidas, acredita-se que possa ser decorrente de desequilíbrios de substâncias neuroquímicas no cérebro, como a dopamina, serotonina e noradrenalina, que podem estar presentes mesmo antes do nascimento. Ou ainda o resultado infecções virais maternas e pressão sanguínea elevada durante a gestação que levam a distúrbios no desenvolvimento neural.

Está esclarecido que não é causada por um trauma infantil ou por um mau comportamento por parte dos pais, porém tem grande influência os fatores genéticos. A probabilidade de filhos esquizofrênicos é maior se um dos pais for esquizofrênico e muito maior se ambos forem. Na população geral a esquizofrenia aparece em uma de cada cem pessoas (1%), porém o fator de risco sobe para 3% se tiver um avô com a esquizofrenia, já se um dos pais ou um irmão sofre de esquizofrenia o risco é de 10-20%, e se acomete ambos os pais o risco é de 40-50%.

Porém a esquizofrenia pode ser tratada, até pouco tempo se acreditava que era incurável e que com o tempo se tornava uma doença crônica, mas atualmente sabe-se que uma porcentagem das pessoas que sofrem deste transtorno podem se recuperar por completo e ter uma vida normal, trabalhar, se casar, ter filhos.

O tratamento medicamentoso elimina vozes, visões e o falar consigo mesmo, diminui a tensão e agitação, ajuda a pensar com clareza e a concentrar-se melhor, reduz os medos, a confusão e a insônia, ajuda a falar de forma coerente, ajuda a sentir-se mais feliz, expansivo e sadio, ajuda a se comportar de forma mais apropriada, elimina pensamentos hostis, estanhos ou agressivos e diminui muito as recidivas e a necessidade de internação hospitalar.

Realizado em conjunto com a intervenção psicossocial que tem ênfase no trabalho colaborativo entre familiares e profissionais, compartilhando, por exemplo, informações sobre a doença ou discutindo conjuntamente os objetivos e tarefas durante o tratamento, pois o apoio da família é de grande importância para a melhora do paciente.

Com o filme também se pode refletir sobre a visão que a sociedade tem do cientista, muitas vezes abordado no cinema como louco, que vive sozinho trancado em seu laboratório, aparência característica de cabelos despenteados, óculos, jaleco branco e gargalhada maligna, realizando experimentações visando o mal dos demais e buscando se igualar a Deus. Porém este não é o cientista real, os pesquisadores que no Brasil geralmente atuam em universidades são seres humanos como outros quaisquer que com dedicação e muito estudo procuram solucionar questionamentos importantes, buscar novas tratamentos para doenças, desenvolver novas tecnologias, enfim realizam pesquisas com objetivo de proporcionar melhora na vida das pessoas.

9 de Julho de 2012 at 14:22 Deixe um comentário


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