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LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO

Camila Pezine

Farmacêutica

O tecido nervoso, por ser muito delicado, exige mecanismos que atuem como proteção contra danos mecânicos e agentes agressores. Para isso, existe um elaborado sistema de proteção que consiste em quatro estruturas: crânio (parte óssea), meninges (membranas conjuntivas), líquido cerebroespinal (líquor) e a barreira hematoencefálica.

O líquido cefalorraquidiano ou líquor é um fluido biológico que está intimamente relacionado com o sistema nervoso central e seus envoltórios (as meninges) e é encontrado nos ventrículos cerebrais e no espaço subaracnóide. O líquor é um ultrafiltrado do sangue produzido por estruturas denominadas de plexos corióides localizados nos ventrículos encefálicos.

Os ventrículos encefálicos são quatro cavidades que existem no interior do encéfalo, sendo elas denominadas de ventrículos laterais (tendo um em cada hemisfério cerebral I e II), III ventrículo (localizado em uma região mais interna e central do encéfalo denominada de diencéfalo) e IV ventrículo (cavidade localizada entre uma estrutura chamada tronco encefálico e cerebelo).

A circulação do líquor tem sentido único, inicia-se nos ventrículos laterais que contribuem com maior contingente liquórico, produzido a partir do plexo corióde existente nessa cavidade, passa para o III ventrículo através de orifícios denominados forames interventriculares, posteriormente vai para o IV ventrículo através de um canal chamado aqueduto cerebral. Na sequência, sai para o espaço subaracnóide, por onde circula até alcançar as granulações aracnóides, que se projetam para o interior da dura-máter, reabsorvendo (devolvendo) o líquor para o sangue para um leito venoso (semelhante a uma veia) denominado seio sagital.

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Em condições normais, o líquor é constituído por pequenas concentrações de proteína, glicose, lactato, enzimas, potássio, magnésio e concentrações relativamente elevados de cloreto de sódio. Possui aspecto límpido e incolor.

A principal função do líquor é a proteção mecânica, servindo como um amortecedor para o encéfalo e a medula espinal contra choques e pressão. O líquor também tem a capacidade de defesa do sistema nervoso contra agentes infecciosos, além de remover resíduos e promover nutrição.

O liquido cefalorraquidiano vem sendo utilizado como arma diagnóstica desde o final do século XIX, contribuindo significativamente para o diagnóstico de patologias neurológicas. Além do diagnóstico, a análise do líquor permite o estadiamento, ou seja, em qual fase se encontram os processos infecciosos, inflamatórios ou neoplásicos que venham acometer direta ou indiretamente o sistema nervoso central. Outra função muito importante atribuída ao líquor se dá por meio da punção (coleta) liquórica que favorece o acesso para a administração intra-tecal (no espaço subaracnóideo) de quimioterápicos, tanto para tratamento de tumores primários ou metastáticos do sistema nervoso central, e como para profilaxia do envolvimento neurológico de tumores sistêmicos.

O estudo do líquor é especialmente valioso para o diagnóstico dos diversos tipos de meningites e não há preparo específico para a realização do exame do líquido cefalorraquidiano, o paciente pode alimentar-se normalmente e não deve estar fazendo terapia com anticoagulantes.

A coleta é feita em ambiente hospitalar por meio de uma punção, que pode ser sub-occipital (logo abaixo do crânio) ou lombar (entre a terceira, a quarta e a quinta vértebra lombar). É imprescindível que a coleta seja realizada em ambiente hospitalar e estéril por profissionais capacitados para tal função. Após a coleta, o paciente deve permanecer em repouso por 12 horas com hidratação forçada para restabelecer o equilíbrio químico e físico do liquor.

Dessa forma, o exame de LCR tem grande importância no auxílio ao diagnóstico das principais enfermidades neurológicas, e para sua coleta é de suma importância o conhecimento anatômico para que estruturas do sistema nervoso central não sejam lesadas.

13 de Outubro de 2014 at 22:29 Deixe um comentário

HIDROCEFALIA

João Paulo Silveira e Cunha

Biólogo

O nosso sistema nervoso central, formado pelo encéfalo e a medula espinal, é protegido por um compartimento rígido constituído pelo crânio, pelas vértebras e por membranas resistentes denominadas meninges. Quadros de edema encefálico generalizado podem ocorrer devido a um aumento do volume do líquido cefalorraquidiano (LCR) que pode aumentar a pressão intracraniana.

O LCR é produzido por uma estrutura denominada de plexo coróide encontrada no interior de cavidades presentes no encéfalo, denominados ventrículos (ventrículos laterais, III e IV ventrículos). Após ser produzido no interior dos ventrículos o LCR sai pelos forames laterais e passa a banhar externamente o encéfalo e medula espinal, circulando por um espaço chamado subaracnóideo, sendo reabsorvido pelas granulações aracnoides -estruturas presentes na extremidade superior do encéfalo- na aracnóide mater (que é uma meninge), retornando ao sangue venoso.

A hidrocefalia se refere ao acúmulo de LCR no interior do sistema ventricular. O aumento do volume do LCR no interior dos ventrículos causa aumento de suas dimensões, que pode elevar a pressão intracraniana.

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Quando a hidrocefalia surge na infância, antes do fechamento das suturas cranianas, ou seja, fusão dos ossos do crânio, ocorre um aumento da cabeça manifestado pelo aumento do perímetro cefálico (aumento da cabeça). A hidrocefalia que surge após este período é associada à expansão dos ventrículos e ao aumento da pressão intracraniana, sem alteração do perímetro encefálico, porque os ossos no adulto já estão quase fundidos e não permitem o aumento da cabeça.

Existem situações em que a hidrocefalia tem somente uma parte do sistema ventricular aumentada devido ao excesso de LCR como pode acontecer no caso de um tumor no terceiro ventrículo, caracterizando a hidrocefalia não comunicante. Na hidrocefalia comunicante, ocorre aumento do tamanho de todo o sistema ventricular e dependendo do grau e da rapidez deste aumento, e da natureza da lesão subjacente, as consequências variam de défict neurológico sutil, até a morte.

29 de Setembro de 2014 at 20:13 Deixe um comentário


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