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Saiba mais sobre a homeopatia!

Franciele Karina da Veiga de Sales

Farmacêutica. Mestranda em Biociências e Fisiopatologia – UEM

Mas o que é homeopatia?

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Homeopatia é uma especialidade farmacêutica, médica, odontológica e veterinária que foi fundada no início do
século XIX pelo médico alemão Samuel Hahnemann (Figura1). Ela ganhou popularidade no final do século. Entretanto, com o advento da medicina moderna, a homeopatia foi vista como velha pelos praticantes da medicina convencional e a sua popularidade caiu. Essa tendência foi revertida recentemente e a homeopatia voltou a crescer em vários países.

A homeopatia baseia-se no princípio “Semelhante cura semelhante”. Isso significa que uma pessoa doente pode ser curada por um medicamento que é capaz de produzir sintomas parecidos em uma pessoa sadia. Em um tratamento homeopático, o clínico deve questionar cuidadosamente os sintomas, considerando a individualidade de cada paciente.

Para a homeopatia, as doenças são geradas pelo desequilíbrio do organismo. Portanto, o clínico homeopata não investiga somente sintomas isolados, mas considera o paciente como um todo, corpo e mente. Assim, a homeopatia trata o doente e não a doença.

O medicamento homeopático pode ser derivado de plantas, animais ou minerais. O farmacêutico homeopata produz os medicamentos homeopáticos através de uma técnica chamada dinamização (Figura 2). Essa técnica potencializa as propriedades medicinais da substância original. Os medicamentos homeopáticos estão disponíveis em diferentes formas farmacêuticas: tabletes, glóbulos, líquidos, pós, comprimidos, entre outras.

Figura 2 – Ilustração da Técnica de dinamização (diluições seguidas de sucussão, ou outra forma de agitação ritmada).

Figura 2 – Ilustração da Técnica de dinamização (diluições seguidas de sucussão, ou outra forma de agitação ritmada).

Segundo a Agência Nacional de Saúde – ANVISA, medicamentos homeopáticos são medicamentos dinamizados preparados com base nos fundamentos da homeopatia, cujos métodos de preparação e controle estejam descritos na Farmacopeia Homeopática Brasileira, edição em vigor, outras farmacopeias homeopáticas, ou compêndios oficiais reconhecidos pela ANVISA, com comprovada ação terapêutica descrita nas matérias médicas homeopáticas ou nos compêndios homeopáticos oficiais reconhecidos pela ANVISA, estudos clínicos, ou revistas científicas.

A homeopatia é frequentemente indicada para problemas do trato gastrointestinal, ginecológicos, dermatológicos, respiratórios, doenças alérgicas, entre outras. Além disso, pode buscar a cura para problemas emocionais como a depressão. Contudo, em alguns casos pacientes que sofrem de distúrbios graves como diabetes ou câncer não devem substituir a terapia convencional, porém existem estudos que demonstram benefícios com associação de medicamentos homeopáticos.

O Ministério da Saúde, em maio de 2006, publicou a portaria nº 971 que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde. Entre todas as terapias complementares, a homeopatia é a mais popular.

Saiba mais em:

http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/homeopaticos/index.htm

http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2006/GM/GM-971.htm

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15 de Junho de 2014 at 20:34 Deixe um comentário

Gertrude Belle Elion: os grandes feitos de uma cientista

Por: Leticia Sarturi Pereira Severi

Doutoranda em Biociências e Fisiopatologia – PBF – UEM

“Não tenha medo de trabalho difícil. Nada vale a pena se vem fácil. Não deixe que os outros o desanimem ou digam-lhe que você não pode fazê-lo. Na minha época, disseram-me que as mulheres não entram na Química. Eu não vi nenhuma razão para que eu não pudesse entrar.” Gertrude B. Elion

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  Quando se lê esta citação de Gertrude Elion, já se imagina o quanto foi difícil, em determinada época, a inserção da mulher na Ciência. Hoje, há um grande número de mulheres inseridas nas atividades científicas, mas no início do século XX, a Ciência ainda era uma atividade masculina. Mesmo assim, a farmacologista Gertrude Belle Elion traçou uma incrível carreira na área de pesquisa de medicamentos, mostrando que as barreiras machistas de uma época não foram suficientes para barrar seu papel na Ciência.

  Gertrude Belle Elion nasceu em Nova Iorque, no dia 23 de Janeiro de 1918. Foi uma criança com muita vontade de aprender e quando teve que decidir a área de estudo, aos 15 anos, lembrou-se do avô que morrera de câncer e, por isso, ingressou em 1933, no curso de Química no Hunter College, uma universidade pública norte-americana com a meta de buscar a cura para esta doença.

  Após o término de seu curso de Química, os empregos em sua área eram escassos e ainda as poucas vagas para laboratórios, não estavam disponíveis para mulheres. Gertrude Elion lecionou Bioquímica para enfermeiros no New York Hospital School of Nursing, por um trimestre. Mas só iniciou sua carreira em pesquisa após, quando surgiu uma oportunidade de assistente de laboratório disponibilizada por um Químico. Embora, não fosse ganhar nenhum salário por um período, ela decidiu que valeria a pena. E valeu a pena, pois essa experiência reafirmou sua vontade de ser uma cientista e então ela ingressou na New York University, em 1939, no curso de pós-graduação em Química. Ela era a única mulher em sua classe. Terminou seu mestrado em 1941, mas inicialmente, não conseguiu um emprego na área de Ciência, e dessa forma, entrou em outra área, trabalhando em Controle de Qualidade em indústria alimentícia.

Gertrude Ellion trabalhando na década de 1960

Gertrude Elion trabalhando na década de 1960

  Após algum tempo, finalmente, ingressou em um laboratório de pesquisa como assistente do Dr. George Hitchings na companhia farmacêutica Burroughs Wellcome e, apesar do trabalho, iniciou seu doutorado no Brooklyn Polytechnic Institute, em regime parcial para manter seu emprego. No entanto, durante o término de seu doutorado a dedicação exclusiva foi necessária, e ela decidiu largar seu doutorado para permanecer em seu trabalho. Anos depois, Gertrude Elion recebeu três doutorados honorários das universidades George Washington University, Brown University e University of Michigan.

  Com o passar do tempo, o seu trabalho ia ficando cada vez mais fascinante e Gertrude Elion e George Hitchings desenvolviam pesquisas cada vez mais promissoras. Além dos medicamentos desenvolvidos, suas pesquisas foram a base para descobertas de tratamentos para leucemia, herpes, AIDS, malária e rejeição de transplantes. Estas pesquisas renderam a Gertrude Elion, em 1988, o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.

  Além da dedicação à Ciência, Gertrude cultivava uma admiração por artes, viagens e fotografia. Conheceu várias partes do mundo, adorava assistir a concertos musicais, teatros e balés.

Gertrude Elion e Dr. George Hitchings.

Gertrude Elion e Dr. George Hitchings.

  Com o tempo, Gertrude se tornou chefe do Departamento de Terapia Experimental na Burroughs Wellcome, de 1967 a 1983. Durante sua carreira, foi membro de diversos Comitês e Sociedades Científicas e após a sua aposentadoria, atuou como docente de pesquisa em Medicina e Farmacologia na Duke University. Apesar do afastamento oficial da Burroughs Wellcome, ela permaneceu como Cientista e Consultora Emérita participando de discussões e seminários relacionados à Ciência.

  Gertrude Belle Elion faleceu em 21 de fevereiro de 1999 na Carolina do Norte. Ela traçou essa carreira brilhante na Ciência, deixando a mensagem de que grandes feitos não são realizados somente por grandes homens, mas também por grandes mulheres.

25 de Março de 2014 at 20:09 Deixe um comentário

Nise da Silveira e a luta pela humanização no tratamento psiquiátrico

Por: Elen Paula Leatle

Mestranda do Programa de Pós-graduação em Biociências e Fisiopatologia

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        Nise da Silveira foi uma renomada médica brasileira que dedicou sua vida à psiquiatria e manifestou-se radicalmente contra as formas agressivas de tratamento da época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia. Desenvolvendo métodos de terapia alternativos e inovadores.

            Nascida em 15 de fevereiro de 1905 em Maceió (AL) filha do professor de matemática Faustino Margalhães e da pianista Maria Lídia da Silveira. Estudiosa, aos 16 anos Nice foi admitida na Faculdade de Medicina da Bahia, sendo a única mulher de uma turma de 157 alunos. Nise se formou em 1926 com a tese “Ensaio Sobre a Criminalidade da Mulher no Brasil”, retornando a sua terra natal.

            Com a morte prematura de seu pai, Nise já casada com o sanitarista Mario Magalhães decidiu vir para o Rio de Janeiro (1927), onde estabeleceu raízes profissionais e intelectuais.

            Em 1932 realizou estágios na famosa Clínica Neurológica de Antonio Austregésilo onde começou a se interessar pelos estudos sobre o comportamento humano e o tratamento de patologias psicológicas, como a esquizofrenia. Em 1933 entrou para o serviço publico, através de concurso, vindo a trabalhar no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental.

            Na agitação política dos anos de 1930, Nice e seu marido frequentavam ativamente os círculos Marxistas, onde foi denunciada por uma enfermeira ao governo de Getulio Vargas, devido manter livros sobre o Marxismo em sua estante. Sendo pressa por 15 meses no presídio Frei Caneca, no período de 1934 a 1936, na prisão conviveu com o escritor Graciliano Ramos, que narrou essa amizade em seu livro “Memórias do Cárcere”.

            Livre da prisão, Nise e seu Marido vagaram semiclandestinamente até que em 17 de abril de 1944 foi reintegrada ao serviço publico no Hospital Pedro II antigo Centro de Psiquiatria Nacional. Porém Nise se sentia inapta para exercer sua profissão, pois era contra o choque elétrico, cardiozólico e insulínico, as camisas de força, o isolamento, a psicocirurgia e outros métodos da época que considerava brutais.

            No mesmo ano que entrou no Hospital Pedro II, Nice colaborou com o psiquiatra Fabio Sodré na Introdução da Terapia Ocupacional no hospital, onde posteriormente o diretor deste hospital, Paulo Elejalle, entusiasmado com a forma de reabilitação psiquiátrica, pediu a ela para criar a Seção de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação (STOR) do Centro Psiquiátrico Pedro II

            Para Nise a Terapia Ocupacional, era uma psicoterapia não verbal, utilizada na reabilitação de psicóticos. Ela observou que o alcance desta terapia era além das formas convencionais de psicoterapia (verbais), constatando que a comunicação com os esquizofrênicos graves só poderia ser feita inicialmente em nível não verbal.

            Nise revolucionou o tratamento clínico dos pacientes ao criar ateliês de pintura e modelagem. As obras de seus pacientes comprovaram as teorias de Jung sobre o inconsciente coletivo.  No Rio de Janeiro, em 1952, fundou o Museu do Inconsciente para abrigar este acervo e, em 1956, a Casa das Palmeiras, um centro de reabilitação para pacientes egressos de hospitais psiquiátricos.

            Em 1961, foi chamada a Brasília pelo presidente Jânio Quadros para apresentação de um plano de desenvolvimento da terapêutica ocupacional nos hospitais psiquiátricos federais. Faleceu em 1999, aos 93 anos.

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19 de Março de 2014 at 19:50 Deixe um comentário


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