Posts tagged ‘museu’

Insetos: nojentos ou alimento?

André Luis Schmidt da Silva

Biólogo. Pós-graduando em Anatomia e Histologia pela UEM

A classe dos insetos compreende a maior do reino animal, são aproximadamente 980.000 espécies conhecidas. Existem muito mais insetos no mundo, do que todos os outros seres vivos juntos!! Fato este que  despertou a curiosidade dos cientistas que nos últimos anos passaram a fazer varias pesquisas sobre estes pequenos animais.

01Com esses estudos descobriu-se que a grande maioria dos insetos são ricos em proteínas, logo são comestíveis. Dentre estes estão os grilos, gafanhotos, algumas mariposas e besouros. Um único grilo tem três vezes mais proteínas que um pedaço de bife, sendo que o bife é muitas vezes mais caro. Diante deste fato, a ONU (Organizações das Nações Unidas) mandou uma nota mundial incentivado especialmente os países mais pobres a consumir insetos como fonte de proteínas substituindo assim as carnes mais nobres. Uma pesquisa feita pelas nações unidas estima que cerca de dois bilhões de pessoas já complementa sua alimentação com os insetos, sendo grandes consumidores os países como Japão, China e Correia. Países ocidentais ainda possuem um grande bloqueio por achar que os insetos são animais nojentos e por isso não se sentem à vontade para comê-los.

Todavia é preciso ter cuidado!! Mesmo com todos os benefícios que os insetos podem trazer para os seres humanos, alguns são tóxicos e podem causar danos a saúde, por isso antes de comer um insetos verifique se ele é comestível. Por outro lado, não é preciso vomitar depois de engolir uma mosca, na verdade não fará mal, representará apenas a ingestão extra de proteínas!!

Anúncios

28 de Agosto de 2013 at 8:48 2 comentários

Você é pontual? E quando se trata do seu ritmo biológico?

Bruna Lorena Bacaro – Graduanda em Pedagogia – UEM

Débora M G Sant’Ana – Professora da UEM

Alguns pensam que dormir é perda de tempo, outros que é um período que “desligamos” muitas funções orgânicas para que descansem. Na verdade, o sono não é perda de tempo e de forma alguma um estado de “desligamento”. Nosso corpo e cérebro estão funcionando durante o sono, porém de formas diferentes.

Enquanto estamos acordados (estado de vigília) temos ritmos biológicos que preparam nosso corpo para as atividades físicas e intelectuais, já quando dormimos, os ritmos orgânicos e cerebrais são diferentes, desempenhando funções de crescimento e reparo de tecidos e outras como processamento da memória.

Mas por que temos sono? E por que o sono normalmente acontece no período da noite? Nossos olhos são capazes de captar a luminosidade do ambiente, por meio da retina. A luz incidente nos neurônios retinianos é transformada em impulso nervoso que trafega pelos nervos e tractos ópticos sinalizando regiões cerebrais de sua existência. Estas regiões são chamadas de relógios biológicos e incluem um pequeno núcleo chamado de supraquiasmático (NSQ) e uma glândula chamada de pineal.

A existência ou não da luz solar faz com que estas estruturas cerebrais coordenem muitos hormônios que resultam nas diferentes funções diurnas e noturnas, dentre elas, a indução do sono a noite e da vigília, ao amanhecer. Pelo menos era assim quando os seres humanos dependiam exclusivamente da luz solar para indicar a duração do dia e da noite.

Mas na atualidade, os aspectos sociais têm grande influência em nosso ciclo, por quê? Estamos em uma era em que a tecnologia é dominante, o desenvolvimento de atividades durante o período noturno envolve a maior parte da população. Estes fenômenos sociais “bagunçam” o nosso ritmo biológico, ou, como dizem os estudiosos da área, arrastam nossos ritmos normais. Por exemplo, as refeições são feitas quando há tempo, e não quando o relógio biológico determina a fome. A hora de dormir tem se estendido cada vez mais, já que a luz elétrica e os aparelhos eletrônicos (computadores, televisão e etc) reduzem o período em que somos expostos ao escuro bem como a duração do sono.

Porém, é preciso considerar que dentre os seres humanos a necessidade de sono é variável, pois existem os grandes dormidores, que necessitam de cerca de dez horas diárias de sono, os pequenos dormidores, que com cerca de cinco horas de sono diárias estão satisfeitos e bem dispostos e também existe o grupo intermediário, no qual se encontra a maior parte da sociedade que precisa de sete a oito horas de sono. Todavia, para o ser humano, consideradas suas peculiaridades da necessidade de sono, dormir pouco levará a sonolência diurna excessiva, um dos efeitos da privação do sono.

Muitos estudos comprovam que uma noite mal dormida prejudica a atenção e o aprendizado, mas por quê? Qual a relação entre o sono, atenção e a aprendizagem? Quando temos uma boa noite de sono, nosso cérebro processa o que vivenciamos e aprendemos durante o dia e envia para o córtex cerebral os fatos que serão incorporados na memória de média e longa duração. Com a sonolência diurna excessiva, a atenção fica comprometida, prejudicando a aprendizagem.

Mas além dos ritmos biológicos que podem ser arrastados pela vida moderna, muitos fatores podem ser responsáveis pela falta de qualidade do sono, estes recebem o nome de distúrbios do sono (DOS). Dentre os DOS mais comuns estão a insônia, problemas respiratórios, dentre outros. Nas crianças, muito comuns são os distúrbios obstrutivos do sono, que comprometem a respiração dos pequeninos, levando ao ronco, a apneia (interrupção completa da respiração por curto período de tempo), hipopneia (limitação da entrada do ar) dentre outros. Estudos comprovaram que crianças com DOS apresentam pior desempenho nos testes de aprendizagem e têm dificuldade para manter a atenção e consequentemente a formação de memória imediata.

Por tanto, o sono está vinculado a uma vida saudável sendo um dos nossos principais ritmos. Não podemos deixar de respeitar este ciclo biológico para que tenhamos saúde e também um dia de trabalho produtivo. São detalhes importantíssimos que muitas vezes não recebem a atenção que merecem e que podem levar a problemas de saúde como o desenvolvimento de obesidade,depressão e muitos outros distúrbios. Cuide do seu sono. Mantenha seu ritmo!

21 de Agosto de 2013 at 8:21 Deixe um comentário

Narguile: Fumacinha que só faz mal à saúde

Fabio José Bianchi e Larissa Renata de Oliveira Bianchi

O Narguilé, famoso “cachimbo de água” que, de tempos para cá, tornou-se moda nacional, é de origem oriental, possuindo diversos nomes e formatos, de acordo com a região. É tradicionalmente utilizado em muitos países do mundo, em especial no Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia. Outros nomes utilizados para se referir ao narguilé são: hookah (na Índia e outros países que falam inglês), shisha ou goza (nos países do Norte da África), narguilê, narguila, nakla, arguile, narguilé, entre outras denominações.

01

O fumo utilizado em narguilés é diferenciado dos demais, pois é feito com melaço (subproduto do açúcar) e frutas ou aromatizantes. As essências são variadas, podendo ser encontradas no aroma de frutas. O uso do narguilé envolve riscos à saúde, como acontece com todos os produtos derivados de tabaco. Há controvérsia, no entanto, se esses riscos são maiores ou menores que aqueles associados aos cigarros. Em média, ao fumar um cigarro em cinco minutos, inala-se entre 300 e 500 mililitros de fumaça. Já uma sessão de narguilé dura de vinte minutos a uma hora – o que representa 10 litros de fumaça.

A Organização Mundial de Saúde afirma que a fumaça do narguilé contém inúmeras toxinas que podem causar câncer do pulmão, doenças cardíacas e outras. A Academia Americana de Periodontologia (estuda a gengiva e as estruturas que dão suporte aos dentes) afirma que o uso do narguilé é comparável ao cigarro, em relação aos riscos de doenças da gengiva.

Estudos demonstram que o usuário do narguilé, comparado ao fumante típico de cigarros é exposto a mais a toxinas como nicotina e monóxido de carbono. Poucas ainda são as pesquisas que apontam cientificamente os efeitos do narguilé para o ser humano.

19 de Agosto de 2013 at 8:06 Deixe um comentário

Será que tem parasita nessas fezes?

Marcelo Alberto Elias
Biólogo – Professor / Mestrando em Biologia Comparada – UEM

01Quem nunca teve uma crise de diarréia na vida que acabou te colocando frente a frente com aquele “frasquinho”? O exame parasitológico de fezes, (nome dado ao exame em que se coleta fezes no “frasquinho”) tem como objetivo investigar a presença de parasitos. Mas por que isso?

O último levantamento estatístico publicado pelo Ministério da Saúde referente ao período do ano 2000 ao ano 2011,o parasito chamado Giardia sp, compõe a lista dos vinte e dois vilões ou responsáveis por surtos alimentares diarréicos no Brasil.

O parasito foi visto pela primeira vez ao acaso no ano de 1681 pelo holandês Leeuwenhoek, que era fabricante de microscópios .A partir de então os cientistas da época começaram a identificar, descrever e até mesmo a entrar em contradições em relação a ele. O problema foi compreender que se tratava de uma zoonose. Neste caso, o reservatório pode ser animal ou humano e a doença também pode alcançar os dois grupos.

Então em 1915 os exemplares de origem humana recebem o nome de Giardia lamblia e a doença causada por ele giardiose ou giardíase.

02

*Figura 2: (A)representando a forma trofozoíta e (B) cisto de Giárdia lamblia. Fonte: Google/image/giárdia.

 

Quanto à morfologia, o parasito pode ser encontrado de duas formas, na forma de trofozoíto com ventosa e flagelos ou cisto. Havendo a infecção humana através da ingestão por cistos maduros, junto com alimentos ou com a água, dá-se inicio ao seu desencistamento, no meio ácido do estômago, e termina no duodeno. Assim, no duodeno se encontram parasitos na forma de trafozoítos que se reproduzem assexuadamente por divisão binária e em poucos dias temos um “tapete de parasitos” fixados na parede do duodeno.Seguindo sua vida diariamente alguns trofozoítos se desprendem da parede do duodeno e seguem o caminho do bolo alimentar chegando a outras partes do sistema digestório, principalmente jejuno e ceco, iniciando assim o processo de encistamento e esses cistos sairão juntamente com as fezes.

O esquema abaixo representa o ciclo de vida deste parasito em situações de infecção em seres humanos. (ciclo de vida da Giárdia lambia)

03

As manifestações clínicas da doença podem variar de pessoa para pessoa, estudos mais recentes apontam ainda que diferentes cepas ou assemblagens do parasita também podem causar sintomas distintos. No entanto, em geral, as manifestações são todas voltadas ao sistema digestório tais como: má absorção intestinal, emagrecimento, irritação e principalmente diarréia. A doença pode ainda evoluir de uma fase aguda para a fase crônicas em sintomas algum.

Embora, ainda segundo a mesma estatística do ministério da saúde citado inicialmente apontem que a região SUL representa apenas 9,75% dos casos registrados de surtos diarréicos, o Paraná fica em primeiro lugar entre os estados da região.

Então atenção! Como a giardíase é uma zoonose onde sua transmissão é via fecal oral, tanto você quanto seu “bichinho” de estimação deve manter a boa higiene em dia. Sobre esse assunto você pode aproveitar e conferir ou reler as dicas dos artigos publicados em nosso Blog.

5 de Agosto de 2013 at 8:57 Deixe um comentário

Artrite é coisa de gente velha?

Professora Dra Carmem Patrícia Barbosa Lopes

Professora de Anatomia Humana do Departamento de Ciências Morfológicas da UEM e da UniCesumar

img1Quem nunca chegou à conclusão de que numa conversa com nossos avós podemos ser apresentados a doenças que nem mesmo sabíamos que existiam? Pois é…talvez isso ocorra porque algumas delas se tornam mais frequentes com o passar da idade. Este é o caso da artrite reumatoide que é mais comum após os 60 anos de idade. Que tal aprendermos um pouco mais sobre esta doença podermos ajudar nossos avós com mais segurança?

Então… a artrite reumatoide é uma doença que afeta aproximadamente 1% da população mundial, 4,5% de indivíduos acima de 55 anos de idade e geralmente associa-se a um alto grau de incapacidade física. Ela afeta cerca de três vezes mais mulheres do que homens porque tem relação com os hormônios femininos, tem natureza autoimune (ou seja, os tecidos são atacados pelo sistema imunológico do corpo) e sua causa ainda não é bem conhecida embora fatores genéticos e ambientais estejam envolvidos (como estresse físico ou emocional, fumo e sobrecarga articular). É considerada uma doença inflamatória crônica sistêmica podendo afetar diversas partes do corpo embora atinja principalmente as articulações (como olhos, pulmão, fígado, rins, etc). Ela não tem cura e o tratamento visa apenas controlar suas manifestações.

Os principais sintomas são dor, inchaço e rigidez das articulações (é difícil fazer os movimentos, principalmente de manhã, porque as articulações parecem “duras”). Com a progressão da doença, e se ela não for bem tratada, pode ficar difícil realizar atividades cotidianas por mais simples que pareçam como pentear o cabelo, abotoar a camisa ou amarrar o sapato.

Não existe um exame específico para detectar a artrite reumatoide, mas o Ministério de Saúde do Brasil estabelece que é necessário apresentar quatro dos sete itens que compõem os critérios diagnósticos durante, pelo menos, seis semanas. São eles:Rigidez matinalartrite em três ou mais áreasacometimento das articulações das mãos ou punhos, acometimento simétrico das articulaçõesnódulos reumatoides embaixo da pele, fator reumatoide no sangue e alterações radiológicas.

img2Como a doença apresenta períodos de crises e remissões (onde a intensidade dos sintomas diminui) e pode se manifestar em intensidade leve, moderada e grave, o tratamento varia de acordo com características individuais, com a intensidade da inflamação e com a resposta a tratamentos feitos anteriormente. O tratamento pode ser não medicamentoso (com repouso, atividade física supervisionada, dieta adequada), medicamentoso (com analgésicos, anti-inflamatórios e drogas que modificam o curso da doença) ou cirúrgico (para reparo de uma destruição óssea ou articular ou para colocação de próteses articulares). Recentemente, os agentes imunobiológicos passaram a ser uma opção de tratamento porque atuam nas proteínas envolvidas no processo inflamatório ou nas células do sistema imunológico.

A atividade física é bem aceita. Todavia, deve ser realizada fora dos períodos de crise, sem impactos e de maneira supervisionada para não piorar a lesão articular. Vale lembrar que o reumatologista é o especialista indicado para avaliar e tratar cada caso e os profissionais de fisioterapia e terapia ocupacional podem ajudar o paciente a continuar a exercer as atividades diárias.

Sabendo destas pequenas dicas, poderemos orientar melhor nossas avós e lembrem-se: Nosso conhecimento pode, além de ampliar nossa visão de mundo, contribuir para o bem daqueles a quem amamos e não tem acesso ao mesmo conhecimento que nós.

29 de Julho de 2013 at 8:34 Deixe um comentário

Como nos prevenir dos vermes e micróbios?

leptos

Patrícia Sandri

Farmacêutica. Mestre e Doutoranda em Biociências Aplicadas a Farmácia – UEM

Um outro dia conheci a Senhora Bernadete, na biblioteca da Universidade. Puxei conversa pedindo-lhe que abrisse a janela enquanto eu fazia minha pesquisa sobre os vermes no computador, a Senhora Bernadete contou-me que na sua época de faculdade era muito difícil fazer pesquisas, pois suas pesquisas tinham que ser feitas todas em livros na biblioteca, pois não tinha acesso à internet. Nesses últimos tempos o mundo mudou muito. Agora temos televisão, telefone celular, metrô, caixa eletrônico nos bancos, vacinas, roçadeira e gasolina e, também, o dengue, calazar, a leptospirose…Precisamos entender isso para acompanhar as mudanças boas do mundo e vivermos com melhor qualidade de vida. Na natureza tudo é interligado, cada parte é ligada à outra (terra, água, ar, plantas, bichos e homens), o ideal é viver em equilíbrio, isto é, com saúde. Pois bem, quando o homem altera a natureza sem cuidado pode provocar desequilíbrio e ai nós é que “pagamos o pato”, pois ficamos doentes.

Como as doenças nos contaminam? As doenças provocadas por vermes e micróbios podem nos contaminar por três modos diferentes  a) pela boca: os causadores da doença estão na água e nos alimentos contaminados por fezes, por mãos sujas, por moscas, por poeira. As doenças mais comuns que entram pela boca são a Giardíase, amebíase, Leptospirose, toxoplasmose, ascaridíase, cisticercose, hepatite e gastrenterite. b) pela pele: larvas de vermes e alguns micróbios entram sozinhos, através de algum arranhão ou através de algum inseto. Exemplos: esquistossomose, ancilostomose, leishmaniose, dengue, febre amarela, malária, doença de chagas, tétano. c) contato direto: os causadores de uma doença passam diretamente de uma pessoa doente para outra pessoa sadia. Exemplos: Tuberculose, gripe, e doenças venéreas que passam pelo contato sexual (AIDS, tricomoníase, gonorréia, sífilis).

De onde vêm as doenças? Cada doença tem uma origem, um foco, ou reservatório. O mais comum é o próprio homem ser o vetor e o disseminador das suas doenças. Algumas doenças tem animais como vetor, por isso são chamadas de zoonoses. Deve ficar bem claro que cada cidadão é o responsável pela sua saúde e da sua comunidade, pois muitas coisas cabem a ele fazer dentro e ao redor de sua própria casa e outras cabem a ele, auxiliado pelos vizinhos, tomar as providencias para solucionar o problema juntamente com o centro comunitário ou o posto de saúde. Como evitar as doenças? É preciso usar as coisas boas que o conhecimento e o progresso trouxeram para nós. Portanto a primeira atitude é controlar o “foco do vetor”, as medidas básicas para se quebrar a corrente e assim evitar a contaminação são:

  1. Só defecar em privadas ou fossas, cujas descargas não alcancem diretamente cisternas, córregos ou rios;
  2. lavando_tomateSempre lavar as mãos antes de preparar ou comer qualquer alimento;
  3. Beber somente água filtrada;
  4. Proteger os alimentos e utensílios de cozinha de moscas e da poeira;
  5. Separar o lixo, ajuntando os itens recicláveis, para manter sua casa e o quintal sempre limpos;
  6. Participar ativamente das campanhas de vacinação das crianças e de animais;
  7. Evitar promiscuidade, não beber em copos ou xícaras usados, não comer com talheres de outra pessoa, só ter relações com parceiros desconhecidos usando camisinha;
  8. Encaminhar para tratamento qualquer animal ou pessoa doente;

Enfim, precisamos ser um membro ativo e cooperativo da comunidade, participando de reuniões, debates, jogos, eleições..e etc, desta forma cooperamos e evitamos muitas doenças. Todas as pragas estão espalhadas pelo mundo, mas as pessoas, vilas, cidades ou países que sabem disso e se preocupam com a saúde própria e da comunidade, precisam trabalhar para isolar ou acabar com essas pragas. O conhecimento disso e a participação das pessoas são fundamentais para melhorar a qualidade de vida, se cada um fizer um pouco todos se beneficiam!

24 de Julho de 2013 at 9:25 1 comentário

Será que o excesso de higiene faz bem?

Letícia Sarturi Pereira Severi

Mestre em Imunologia (USP) e Doutoranda em Biociências Aplicadas à Farmácia (PBF-UEM)

01Você se considera uma pessoa higiênica? Na verdade, com o aumento do desenvolvimento urbano, todos nós nos tornamos mais higiênicos. E desde então, pensamos que o excesso de higiene é o que nos salvará dos tão temíveis microrganismos. Mas será que esses microrganismos só nos fazem mal? Ou será que apesar de alguns tipos poderem causar doença, eles também podem melhorar nossa saúde?

            Para responder estas questões precisamos entender que possuímos um sistema de defesa pronto para atuar contra infecções ou contra qualquer “agente estranho” que entre no organismo. Esse é o Sistema Imune, formado por células e algumas substâncias importantes para defender o corpo contra os agentes infecciosos. Porém, esse maravilhoso sistema de defesa não nasce totalmente pronto para combater todas as infecções, precisa ser desenvolvido e testado para que as respostas dele não sejam inadequadas e descontroladas.

02Muitos pesquisadores defendem a ideia de que quando o sistema imune responde a microrganismos desde o início da vida, as respostas são importantes para desenvolver um equilíbrio da resposta imune. Ou seja, se o sistema imune responde à microbiota (grupo de microrganismos que colonizam normalmente várias partes do corpo e antigamente chamados de flora normal), ou a pequenas infecções logo no início da vida, as respostas imunes serão mais adequadas e menos desbalanceadas. Esse equilíbrio é o que garante menos reações alérgicas e doenças auto-imunes (doenças causadas pelas reações do nosso sistema de defesa contra nossas próprias células). O excesso de higiene pode afastar o sistema imune do contato com os microrganismos, prejudicando seu equilíbrio no controle das respostas futuras.

Essa hipótese defendida por muitos pesquisadores se chama “Hipótese da Higiene”. Ela passou a ser defendida quando foi observado o quanto houve aumento nessas doenças auto-imunes e alérgicas nos últimos anos, junto com o aumento da industrialização e também do saneamento básico e, consequentemente da higiene.

Alguns pesquisadores também defendem que em famílias com maior número de filhos as crianças ficam menos suscetíveis às doenças alérgicas e auto-imunes. Isto porque, os filhos mais velhos transmitem às infecções adquiridas aos filhos mais novos, favorecendo o contato dos mais novos com os microrganismos. Além disso, as pesquisas também apontam que levar uma “vida de fazenda” na infância contribui para menor incidência de doenças alérgicas. Isso devido principalmente ao contato maior com animais e ao consumo de leite não-pasteurizado.

Portanto, segundo essa hipótese, a melhor maneira de prevenção dessas doenças auto-imunes e alérgicas é deixar a criança, desde pequena, ter contato com o mundo externo favorecendo o contato com microrganismos. Ou seja, criança livre de EXCESSO de higiene é criança feliz e será um adulto saudável!

17 de Julho de 2013 at 8:36 2 comentários

Artigos Mais Antigos


Site do MUDI

Arquivo