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Simples ou Complexo? Muito prazer, Arco Reflexo! Como entender uma lesão medular

Cristiani Alves dos Santos

Educadora Física

 

 

Quando citamos uma lesão medular, muitas pessoas certamente refletem sobre: “Ele não vai mais andar, ele não vai mais ter filhos…’’

Questões desse tipo ainda norteiam sobre em que ponto, qual o grau da lesão, o tipo da lesão podem impedir uma pessoa de realizar movimentos como o andar, falar, correr, etc.

Para entendermos o processo desse problema, muitas vezes provocados por lesões traumáticas, como acidentes no transito, esportes que envolvem mergulho, ou até mesmo patologias e/ ou infecções, precisamos entender a medula espinal. A medula espinal é considerada como uma continuação do encéfalo localizada no interior da coluna vertebral. Dela, ramificam-se prolongamentos de nervos que se comunicam com todas as nossas estruturas corporais responsáveis pela sensibilidade e movimentos.

É ela que leva os impulsos nervosos? Sim, é a medula espinal que através do seu complexo sistema, leva os impulsos eletroquímicos dos nossos diversos órgãos para o nosso cérebro.

Então é dela que surgem nossos nervos espinais? Sim, a medula espinal emite esses nervos para que assim inervem todas as estruturas no nosso corpo. Quando há uma lesão medular, fatalmente, uma ou mais estruturas perderão sua capacidade funcional, ou seja, podem acometer a paraplegia ou tetraplegia, por exemplo.

Para entendemos esses quadros mais claramente precisamos saber como funcionam o Arco reflexo simples e complexo.

Uma grande parte das manifestações do nosso corpo é resultante dos famosos arcos reflexos. Esse arco reflexo refere-se ao nosso sistema nervoso atuando isoladamente sobre uma estrutura corporal ocasionando uma resposta independente da nossa vontade, como por exemplo, visto no “teste do martelo”, ou melhor, o teste de Reflexo Patelar. Esse teste, tão solicitado por médicos, neurocientistas ou profissionais da área da saúde, visa testar o reflexo do indivíduo ou paciente que necessita de um exame neurológico, por exemplo.

Mas como é feito esse teste? Basta que o examinador peça para o examinado, sente-se em um local com uma altura de modo que este fique com as pernas elevadas e relaxadas, localize o tendão patelar, esse logo abaixo da patela, golpeie levemente sobre o tendão para perceber que essa perna se elevará rapidamente.

Mas como funciona o Arco Reflexo? Quando falamos sobre Arco Reflexo citamos o Arco Reflexo Simples e o Complexo. Mas para entendermos como funcionam, não podemos esquecer as diferentes vias existentes e tão importantes para o desempenho desse mecanismo.

Como são chamadas e organizadas essas vias? Estas vias funcionam como caminhos por onde informações sensitivas (tato, pressão, calor etc) e motores (contração muscular) que realizarão as respostas necessárias para as funções exigidas pelo nosso corpo..

No caso do Arco Reflexo Simples, essas sensações e respostas irão se manifestar e utilizar apenas a nossa medula espinal, percorrendo as vias sensitivas até a medula e emitindo resposta por meio de vias motoras até um músculo ou órgão do corpo, realizando assim um movimento inconsciente e independente dos centros nervosos do encéfalo. No Arco Reflexo simples estão implicados três elementos, o primeiro é o receptor do estímulo, presente em neurônios sensitivos localizados na estrutura atingida, o segundo conta com a participação do Neurônio Sensitivo que forma a via sensitiva (Aferente) conduzindo esse estimulo até a medula espinal, onde se comunicará com outro neurônio, denominado de Neurônio de Associação, por meio de uma sinapse, dessa forma processando a informação, para então emitir uma resposta com o auxilio do terceiro elemento, o Neurônio Motor, que é constituinte da via motora (Eferente) que conduzirá a informação na forma de impulso nervoso até o músculo, executando o movimento exigido na resposta ao estimulo inicial.

Vejamos o exemplo abaixo:

Fonte: http://clientes.netvisao.pt/nv144957/arco.jpg

Já no Arco Reflexo Complexo, a principal diferença é o envolvimento com o encéfalo, este por sua vez tem participação ativa nas reações (dor, temperatura) exigidas pelas estruturas, ou seja, manifestações conscientes.

Mas nesse caso também contaremos com as vias Aferentes (Sensitivas) e Eferentes (Motoras)? Sim, e nesse caso incluiremos mais duas vias, as vias Ascendentes e Descendentes, que serão responsáveis por direcionar esses impulsos eletroquímicos para área exigida. Em resumo, a Via Ascendente como o próprio nome já diz, “leva” esses impulsos nervosos (Senstivos) para uma área sensitiva do córtex cerebral, lá serão codificadas e percebidas conscientemente as informações deste estímulo. Na sequência, também com participação de via de Associação, os neurônios de áreas motoras do encéfalo irão gerar uma resposta motora consciente e conduzirão essa informação através da Via Descendente chegando até os neurônios motores da medula espinal, reutilizando o mesmo percurso do Arco Reflexo Simples descrito anteriormente.

            Vejamos:

ESTÍMULO → VIA AFERENTE (SENSITIVA) → VIA ASCENDENTE→VIA DE ASSOCIAÇÃO→VIA DESCENDENTE→VIA EFERENTE (MOTORA).

Existe possibilidade de movimentos dos membros inferiores após uma lesão medular? Sim, neste caso, uma paralisação dos impulsos nervosos depende da localização e posição onde foi sofrida a lesão. Assim, se uma lesão medular afeta a região lombar e torácica, por exemplo, de maneira geral, há uma paralisação dos membros inferiores, mais precisamente das pernas, ou seja, a paraplegia. Se esta lesão medular acomete a região cervical, ou seja, na altura do pescoço, a paralisia seria mais completa, sendo assim, tetraplegia, que afeta principalmente membros superiores e inferiores.

Contudo, essa perda de movimentos é consciente. As Vias Ascendentes e Descendentes, que deveriam conduzir impulsos nervosos para o encéfalo serão interrompidas, devido a esta ruptura e secção de medula espinal, mas por outro lado, como as Vias Aferentes e Eferentes não foram perdidas, quando estimuladas através nos pontos necessários para o efeito do arco reflexo simples, há uma grande possibilidade de contração muscular, pois esse processo sensitivo e motor dependem basicamente de respostas inconscientes gerada na medula espinal.

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29 de Outubro de 2014 at 22:53 1 comentário

POR QUE ESQUECEMOS?

Larissa Renata de Oliveira Bianchi

Docente de Anatomia Humana da UEM

Você já deve ter se perguntado por que algumas coisas você tenta lembrar-se e não consegue. Algumas vezes vê uma pessoa, a reconhece, mas não se lembra de onde nem seu nome? Estuda para uma prova, entende o conteúdo, mas quando tenta resolver as questões não se lembra? Assiste a um filme, lembra de seu enredo mas esquece seu nome?

Calma! Vamos tentar entender o que está acontecendo.

1 Sem título

Provavelmente você não esta pirando nem ficando com amnésia.

O que acontece é que seu cérebro tem a capacidade de esquecer. Sua memória tem uma capacidade incrível, muito maior do que você imagina e jamais imaginou. E a chave para seu funcionamento não é tentar se lembrar de cada vez mais coisas, mas, aprender a esquecer.

Cientistas ingleses descobriram que quando você se lembra de algo, isso pode gerar uma consequência negativa – enfraquecer as outras memórias armazenadas no cérebro. “O enfraquecimento acontece porque se lembrar de uma coisa é como reaprendê-la”, explica o psicólogo James Stone, da Universidade de Sheffield.

As memórias são formadas por conexões temporárias, ou permanentes, entre os neurônios. Suponha que você pegue um papelzinho com um número de telefone. O seu cérebro usa um grupo de neurônios para processar essa informação. Para memorizá-la, fortalece as ligações entre eles – e aí, quando você quiser se lembrar do número, ativa esses mesmos neurônios.

 Só que nesse processo parte do cérebro age como se a tal informação (o número do telefone) fosse uma coisa inteiramente nova, que deve ser aprendida. E esse “pseudoaprendizado” acaba alterando, ainda que só um pouquinho, as conexões entre os neurônios. Isso interfere com outros grupos de neurônios, que guardavam outras memórias, e chegamos ao resultado: ao se lembrar de uma coisa, você esquece outras.

Esquecemos porque os mecanismos que formam e evocam a memórias são saturáveis. Não podemos fazê-lo funcionar constantemente de maneira simultânea para todas as memórias possíveis, as existentes e as que adquirimos a cada minuto. Isso obriga naturalmente a perder memórias preexistentes, por falta de uso, para dar lugar a outras novas.

Aprender a distinguir as informações que devemos deixar de lado e as que devemos guardar é uma arte difícil. Mas dela depende nossa SOBREVIVÊNCIA e nosso EQUILÍBRIO EMOCIONAL  e COGNITIVO.

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11 de Agosto de 2014 at 21:24 Deixe um comentário


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