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Gertrude Belle Elion: os grandes feitos de uma cientista

Por: Leticia Sarturi Pereira Severi

Doutoranda em Biociências e Fisiopatologia – PBF – UEM

“Não tenha medo de trabalho difícil. Nada vale a pena se vem fácil. Não deixe que os outros o desanimem ou digam-lhe que você não pode fazê-lo. Na minha época, disseram-me que as mulheres não entram na Química. Eu não vi nenhuma razão para que eu não pudesse entrar.” Gertrude B. Elion

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  Quando se lê esta citação de Gertrude Elion, já se imagina o quanto foi difícil, em determinada época, a inserção da mulher na Ciência. Hoje, há um grande número de mulheres inseridas nas atividades científicas, mas no início do século XX, a Ciência ainda era uma atividade masculina. Mesmo assim, a farmacologista Gertrude Belle Elion traçou uma incrível carreira na área de pesquisa de medicamentos, mostrando que as barreiras machistas de uma época não foram suficientes para barrar seu papel na Ciência.

  Gertrude Belle Elion nasceu em Nova Iorque, no dia 23 de Janeiro de 1918. Foi uma criança com muita vontade de aprender e quando teve que decidir a área de estudo, aos 15 anos, lembrou-se do avô que morrera de câncer e, por isso, ingressou em 1933, no curso de Química no Hunter College, uma universidade pública norte-americana com a meta de buscar a cura para esta doença.

  Após o término de seu curso de Química, os empregos em sua área eram escassos e ainda as poucas vagas para laboratórios, não estavam disponíveis para mulheres. Gertrude Elion lecionou Bioquímica para enfermeiros no New York Hospital School of Nursing, por um trimestre. Mas só iniciou sua carreira em pesquisa após, quando surgiu uma oportunidade de assistente de laboratório disponibilizada por um Químico. Embora, não fosse ganhar nenhum salário por um período, ela decidiu que valeria a pena. E valeu a pena, pois essa experiência reafirmou sua vontade de ser uma cientista e então ela ingressou na New York University, em 1939, no curso de pós-graduação em Química. Ela era a única mulher em sua classe. Terminou seu mestrado em 1941, mas inicialmente, não conseguiu um emprego na área de Ciência, e dessa forma, entrou em outra área, trabalhando em Controle de Qualidade em indústria alimentícia.

Gertrude Ellion trabalhando na década de 1960

Gertrude Elion trabalhando na década de 1960

  Após algum tempo, finalmente, ingressou em um laboratório de pesquisa como assistente do Dr. George Hitchings na companhia farmacêutica Burroughs Wellcome e, apesar do trabalho, iniciou seu doutorado no Brooklyn Polytechnic Institute, em regime parcial para manter seu emprego. No entanto, durante o término de seu doutorado a dedicação exclusiva foi necessária, e ela decidiu largar seu doutorado para permanecer em seu trabalho. Anos depois, Gertrude Elion recebeu três doutorados honorários das universidades George Washington University, Brown University e University of Michigan.

  Com o passar do tempo, o seu trabalho ia ficando cada vez mais fascinante e Gertrude Elion e George Hitchings desenvolviam pesquisas cada vez mais promissoras. Além dos medicamentos desenvolvidos, suas pesquisas foram a base para descobertas de tratamentos para leucemia, herpes, AIDS, malária e rejeição de transplantes. Estas pesquisas renderam a Gertrude Elion, em 1988, o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.

  Além da dedicação à Ciência, Gertrude cultivava uma admiração por artes, viagens e fotografia. Conheceu várias partes do mundo, adorava assistir a concertos musicais, teatros e balés.

Gertrude Elion e Dr. George Hitchings.

Gertrude Elion e Dr. George Hitchings.

  Com o tempo, Gertrude se tornou chefe do Departamento de Terapia Experimental na Burroughs Wellcome, de 1967 a 1983. Durante sua carreira, foi membro de diversos Comitês e Sociedades Científicas e após a sua aposentadoria, atuou como docente de pesquisa em Medicina e Farmacologia na Duke University. Apesar do afastamento oficial da Burroughs Wellcome, ela permaneceu como Cientista e Consultora Emérita participando de discussões e seminários relacionados à Ciência.

  Gertrude Belle Elion faleceu em 21 de fevereiro de 1999 na Carolina do Norte. Ela traçou essa carreira brilhante na Ciência, deixando a mensagem de que grandes feitos não são realizados somente por grandes homens, mas também por grandes mulheres.

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25 de Março de 2014 at 20:09 Deixe um comentário

Cinema no MUDI: Resenha sobre “Uma Mente Brilhante”

Após uma temporada de exibição de filmes envolvendo a ciência, os participantes do projeto de cinema foram convidados a produzirem uma resenha sobre alguma das películas selecionadas. Nesse contexto, a mestranda de Biociências Aplicadas a Farmácia da UEM, Tuane Krupek, expõe sua visão sobre o filme “Uma Mente Brilhante”.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Ron Howard

Elenco: Russell Crowe, Jennifer Connelly, Ed Harris, Paul Bettany, Scott Fernstrom, Josh Lucas, Ned Stuart

Produção: Brian Grazer

Roteiro: Akiva Goldsman

Fotografia: Roger Deakins

Trilha Sonora: James Horner

Duração: 134 min.

Ano: 2001

País: EUA

Gênero: Drama

Estúdio: Universal Pictures / DreamWorks SKG / Imagine Entertainment

Classificação: 12 anos

 

O filme é baseado na história real do matemático John Nash que consegue grande sucesso e uma carreira acadêmica respeitável, chegando a conquistar o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel em 1994. Porém, antes disso ele passa a ser atormentado por delírios e alucinações, é diagnosticado como esquizofrênico, então passa por diversas internações e precisa usar toda a sua racionalidade para distinguir o real do imaginário e voltar a ter uma vida normal.

A esquizofrenia abordada no filme foi assim denominada pelo psiquiatra suíço Eugem Bleuler em 1911. Seus sintomas são delírios, alucinações, distúrbios do pensamento, condutas estereotipadas e agressivas, pouco contato social, respostas emocionais pouco intensas, ansiedade e depressão, podendo chegar ao suicídio.  Apesar de o distúrbio ser bastante estudado suas causas ainda não estão esclarecidas, acredita-se que possa ser decorrente de desequilíbrios de substâncias neuroquímicas no cérebro, como a dopamina, serotonina e noradrenalina, que podem estar presentes mesmo antes do nascimento. Ou ainda o resultado infecções virais maternas e pressão sanguínea elevada durante a gestação que levam a distúrbios no desenvolvimento neural.

Está esclarecido que não é causada por um trauma infantil ou por um mau comportamento por parte dos pais, porém tem grande influência os fatores genéticos. A probabilidade de filhos esquizofrênicos é maior se um dos pais for esquizofrênico e muito maior se ambos forem. Na população geral a esquizofrenia aparece em uma de cada cem pessoas (1%), porém o fator de risco sobe para 3% se tiver um avô com a esquizofrenia, já se um dos pais ou um irmão sofre de esquizofrenia o risco é de 10-20%, e se acomete ambos os pais o risco é de 40-50%.

Porém a esquizofrenia pode ser tratada, até pouco tempo se acreditava que era incurável e que com o tempo se tornava uma doença crônica, mas atualmente sabe-se que uma porcentagem das pessoas que sofrem deste transtorno podem se recuperar por completo e ter uma vida normal, trabalhar, se casar, ter filhos.

O tratamento medicamentoso elimina vozes, visões e o falar consigo mesmo, diminui a tensão e agitação, ajuda a pensar com clareza e a concentrar-se melhor, reduz os medos, a confusão e a insônia, ajuda a falar de forma coerente, ajuda a sentir-se mais feliz, expansivo e sadio, ajuda a se comportar de forma mais apropriada, elimina pensamentos hostis, estanhos ou agressivos e diminui muito as recidivas e a necessidade de internação hospitalar.

Realizado em conjunto com a intervenção psicossocial que tem ênfase no trabalho colaborativo entre familiares e profissionais, compartilhando, por exemplo, informações sobre a doença ou discutindo conjuntamente os objetivos e tarefas durante o tratamento, pois o apoio da família é de grande importância para a melhora do paciente.

Com o filme também se pode refletir sobre a visão que a sociedade tem do cientista, muitas vezes abordado no cinema como louco, que vive sozinho trancado em seu laboratório, aparência característica de cabelos despenteados, óculos, jaleco branco e gargalhada maligna, realizando experimentações visando o mal dos demais e buscando se igualar a Deus. Porém este não é o cientista real, os pesquisadores que no Brasil geralmente atuam em universidades são seres humanos como outros quaisquer que com dedicação e muito estudo procuram solucionar questionamentos importantes, buscar novas tratamentos para doenças, desenvolver novas tecnologias, enfim realizam pesquisas com objetivo de proporcionar melhora na vida das pessoas.

9 de Julho de 2012 at 14:22 Deixe um comentário


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