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Qual seria o nosso papel na luta contra as DST/Aids?

Professora doutora Sônia Trannin de Mello – Departamento de Ciências Morfológicas da Universidade Estadual de Maringá/Museu Dinâmico Interdisciplinar. Trechos  deste texto foram publicados no Jornal da UEM, Ano XVI, nº 117, p.8 em 30/10/2014.

Todo dia primeiro de dezembro comemora-se o dia mundial de combate a AIDS. Verifica-se que, após 30 anos de epidemia no Brasil, a vigilância em DST/Aids vem se aperfeiçoando e possibilitando melhor monitoramento dos casos. Some-se a isso o fato de que a doença, após introdução da terapia antirretroviral, tornou-se crônica, diminuindo consideravelmente a probabilidade de adoecimento/morte, permitindo maior controle e diminuição da transmissão do vírus, além de melhorias na qualidade de vida da população.

Nos últimos 10 anos, houve no Brasil uma elevação de cerca de 2% na detecção de casos de Aids. Todavia, observam-se variações nas notificações entre regiões. No período de 2003 a 2012, a maior taxa de detecção foi verificada na região Sul (30,9/100.000 habitantes) e a menor, na região Nordeste (14,8/100.000 habitantes), o que nos leva a pensar que, provavelmente, na região Sul a vigilância tem se mostrado mais efetiva. Entre os anos de 2010 a 2012, a taxa de detecção de Aids por sexo foi de 1,7 casos em homens para cada caso em mulheres. Desde o início da epidemia o menor pico foi no ano de 2005 (1,4), desde então vem sofrendo variações graduais ao longo do tempo.

Entre os anos de 2003 a 2012 observou-se uma tendência de queda da taxa de detecção em indivíduos com 30 a 49 anos, uma leve estabilização entre aqueles com 40 e 49 anos e tendência de aumento na população de jovens entre 15 a 24 anos e entre adultos com 50 anos e mais. Vale destacar que os casos de Aids em homens jovens vem aumentando com maior velocidade do que em mulheres, chegando em 2012 a uma razão de 1,9 casos de homens para cada caso de mulheres.

Nos grupos de maior vulnerabilidade (mulheres profissionais do sexo com seus respectivos clientes, usuários de drogas e homens que fazem sexo com homens – homossexuais e bissexuais) a situação ainda é preocupante. Com relação aos casos de Aids no sexo feminino, foram notificados no ano de 2012, 8.622 casos. Desses, 91,2% possuíam a informação da categoria de exposição, sendo 96,6% heterossexuais.

Vale ressaltar que um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo[1], em 2012, com 145 lésbicas entre 18 e 61 anos de idade verificou que apenas 2% delas se previnem durante o sexo para evitar DST/Aids. Ainda segundo essa pesquisa, essas mulheres relataram desconhecer informações que poderiam contrair as mesmas doenças que mulheres heterossexuais. Cabem aqui algumas perguntas para reflexão: Por que campanhas, pesquisas e estudos se concentram no universo homossexual masculino, sendo muito difícil encontrar informações relacionadas às lésbicas? Que motivos levam essas mulheres a não se preocuparem com a prevenção de DST quando se relacionam sexualmente com outras mulheres? O preconceito? A ainda envergonhada divulgação dos poucos grupos de estudos sobre o assunto? Falta de interesse dessas mulheres?

Quanto à escolaridade, 76,8% dos indivíduos notificados, no ano de 2012, apresentaram informação a respeito do grau de instrução. Desses, 23,2%  possuíam de 5ª à 8ª série incompleta, 21,3% nível médio completo. O mesmo perfil é observado quando se faz a estratificação por sexo. Com base nesses dados podemos verificar que já caminhamos e conquistamos alguns degraus em tecnologia para a detecção precoce, para o tratamento e controle das DST/Aids, contudo, precisamos ainda galgar muitos outros degraus e entre eles, chamo a atenção para a urgência de atuação mais efetiva em prevenção.

Os investimentos públicos em tecnologias, terapias antirretrovirais, os custos com internamentos, os prejuízos com o afastamento do trabalho, o ônus pago pelo sofrimento humano advindo de doenças estigmatizadas socialmente como é o caso das DST/Aids são ainda muito altos e podem e devem ser minimizados. Saber que existem avanços nessa área e que poderemos, caso adoeçamos, receber tratamento adequado e ter um mínimo de qualidade de vida, certamente nos tranquiliza, contudo, temos que compreender que devemos oferecer uma contrapartida.

Qual seria então o nosso papel na luta contra as DST/Aids? Quais seriam os nossos direitos e os nossos deveres? Quando falamos em deveres, devemos pensar num primeiro momento, em prevenção. Com relação aos direitos podemos dizer que, de modo geral, devemos ter acesso a todos os tratamentos disponíveis de forma justa e igualitária, além de cobrar e fiscalizar as políticas públicas. Entretanto, ambos, direitos e deveres, devem necessariamente, ser aprendidos e apreendidos, pois não nascemos conhecedores da importância de sermos cidadãos.

Além disso, precisamos incorporar o fato de que o binômio ensino/aprendizado deve ser uma constante em nossas vidas e, em especial para quem é professor, uma tarefa infindável, porque o mundo é dinâmico e as crianças crescem e se tornam jovens, que se tornam adultas e envelhecem. Dessa forma, devem ser constantemente instruídas, de acordo com a faixa etária em que se encontram, em relação a sua sexualidade, aos seus direitos e deveres e aos cuidados e o respeito que devem ter com o próprio corpo.

Devemos priorizar um educação pautada no fato de que o sexo faz parte da nossa vida e da nossa saúde, devendo ser discutido de forma clara, objetiva e sem preconceitos, tendo como base o conhecimento do próprio corpo, o autocuidado, e a prática do exercício de cidadania.

Por acreditar na educação como um dos caminhos para melhoria do País, os integrantes do Museu Dinâmico Interdisciplinar da UEM (MUDI), vem desenvolvendo projetos que buscam contribuir com nosso objetivo maior que é o de servir à comunidade, sobretudo, por meio da popularização da Ciência aliada ao ensino formal e informal.

Recebemos anualmente cerca de 16 mil pessoas em visitas agendadas e vistas espontâneas e contamos com inúmeros projetos que oferecem informações e atualizações científicas sobre os temas “corpo humano”, “planejamento familiar e prevenção de DST/Aids”, e “educação para a cidadania”. O maior contingente dos nossos visitantes são alunos do Ensino Fundamental e Médio acompanhados de seus professores, contudo, recebemos também universitários, pessoas da terceira idade e público em geral.

Durante as visitas a esses ambientes os visitantes tem oportunidade de visualizar peças anatômicas, manusear preservativos masculinos e femininos, bem como outros métodos de prevenção. Privilegiamos uma linguagem acessível, oferecendo espaço para perguntas e questionamentos. O tema cidadania permeia todas as discussões.

Para trabalhar esses temas de forma mais aprofundada elaboramos cursos de extensão que objetivam capacitar e atualizar conhecimentos. São ministrados por professores que atuam no MUDI e por monitores capacitados e supervisionados por seus orientadores. Tem como público alvo os monitores que atuam no MUDI, alunos e professores do ensino fundamental e médio, professores e universitários, pessoas da terceira idade, bem como indivíduos leigos da comunidade que estejam interessados. Sempre que possível buscamos parcerias com outros órgão e instituições com intuito de ampliar nossas ações.

Os resultados tem se mostrado positivos. Recebermos inúmeras solicitações para ações extra muros e itinerantes, contudo, nem sempre conseguimos atender toda a demanda em virtude, sobretudo, de dificuldades técnicas, cabendo aqui chamar a atenção sobre a necessidade urgente de maior apoio e investimento para os projetos de extensão dentro das universidades, haja visto o importante papel que desempenham junto a comunidade.


[1] http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2012/10/apenas-2-das-lesbicas-se-protegem-durante-o-sexo-diz-pesquisa-em-sp.html

Dados retirados e disponíveis no Boletim Epidemiológico – Aids e DST. Ano II – Nº 1, dezembro de 2013. Ministério da Saúde – Secretaria de Vigilância em Saúde – Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Disponível em: http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/publicacao/2013/55559/_p_boletim_2013_internet_pdf_p__51315.pdf

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1 de Dezembro de 2014 at 1:04 Deixe um comentário

Vacina contra o Vírus HPV: novidade no combate ao câncer de colo de útero

Natalia Malaguti – Mestranda do Programa de pós-graduação em Biociências Aplicadas a Farmácia

Raquel Pantarotto Souza – Doutoranda do Programa de pós-graduação em Biociências Aplicadas a Farmácia.

O câncer de colo de útero se tornou, nos dias atuais, um importante problema de saúde pública. Sabe-se que essa doença é o segundo tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama. A causa do câncer do colo uterino está diretamente associada à infecção persistente pelo Papilomavírus humano (HPV), sendo encontrado em 99,7% dos casos da doença. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV. Eles são classificados em HPV de baixo risco de desenvolver câncer  e de alto risco de desenvolver câncer, no entanto Somente os de alto risco estão relacionados a tumores malignos.

Na tentativa de reduzir o número de mortes por este câncer surgiu a necessidade de desenvolver uma forma de prevenção ao HPV: As vacinas contra este vírus! Estas são preventivas, tendo como objetivo evitar a infecção pelos tipos de HPV nelas contidos.

Atualmente existem duas vacinas contra o HPV aprovadas e registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e que estão comercialmente disponíveis. A vacina quadrivalente, da empresa Merck Sharp & Dohme (nome comercial Gardasil) confere proteção contra HPV dos tipos 6, 11, 16 e 18, sendo que os HPV 6 e 11 são de baixo risco e, mundialmente, são os mais prevalentes nas verrugas genitais observadas na infecção tanto em homens quanto em mulheres, e os HPV 16 e 18 são de alto risco, e responsáveis pela grande parte das lesões genitais pré-cancerosas do colo do útero e câncer do colo do útero em mulheres. Já a vacina bivalente, da empresa GlaxoSmithKline (nome comercial Cervarix), confere proteção contra HPV 16 e 18. E estas vacinas tem um preço aproximado de 250,00 reais por dose.

De acordo com o registro na ANVISA, a vacina quadrivalente é indicada para mulheres e homens entre 9 e 26 anos de idade e a bivalente para mulheres entre 10 e 25 anos de idade. As vacinas são compostas por 3 doses:

  • 1.ª dose
  • 2.ª dose – 2 meses após a 1.ª dose;
  • 3.ª dose – 6 meses após a 1.ª dose.

Mas fiquem atentos, pois nenhuma delas  é terapêutica, ou seja, não há eficácia na cura de infecções ou lesões já existentes. Ambas possuem maior indicação para meninas que ainda não iniciaram a vida sexual, uma vez que apresentam maior eficácia na proteção de indivíduos não expostos aos tipos virais presentes nas vacinas. Não há, até o momento, evidência científica de benefício significativo em vacinar mulheres previamente expostas ao HPV. Isso quer dizer que algumas mulheres podem se beneficiar e outras não. Nesses casos a decisão sobre a vacinação deve ser individualizada, levando em conta as expectativas e a relação custo-benefício pessoal. Não existe risco à saúde caso uma pessoa que já tenha tido contato com o HPV for vacinada.

E a pergunta que você esta se fazendo é: A vacina está disponível na rede pública de saúde ou não? Não! Aqui no Brasil o projeto que disponibiliza a vacina na rede pública foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado. Agora, o projeto da senadora Vanessa Grazziotin, seguirá para a Comissão de Assuntos Sociais e, se aprovado, irá direto para a Câmara dos Deputados. Para entrar em vigor a proposta tem que ser aprovada no Congresso e depois ser sancionada pela presidenta Dilma.

Em resumo, a idéia é oferecer para a população um aliado no combate ao HPV, e consequentemente, contribuir para a diminuição dos casos de câncer do colo de útero.

20 de Maio de 2013 at 8:46 Deixe um comentário

Você faz o exame de Papanicolaou periodicamente?

Vanessa Galdino Araújo

Mestrado em Biociências Aplicadas á Farmácia

O Papilomavírus Humano ou HPV é um vírus que infecta células da pele e da mucosa (tecido que reveste a parte interna das cavidades do corpo), causando vários tipos de lesões como a verruga comum e a verruga genital. A infecção por  alguns  tipos de HPV, que são considerados de alto risco para o desenvolvimento do câncer, levam à transformações de células epiteliais, (células responsáveis por revestir a superfície externa do corpo), e representam o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo uterino.

O HPV é transmitido principalmente através do contato sexual, mas, gestantes infectadas podem transmitir o vírus para o feto durante a gestação ou no parto.

O exame mais utilizado para diagnóstico do HPV é o Papanicolaou, um exame preventivo que detecta as alterações que o vírus pode causar nas células; através da avaliação destas alterações, o médico irá identificar infecção ou suspeita de células cancerígenas.

O principal objetivo deste exame é detectar o câncer de colo do útero, permitindo a detecção de lesões pré-malignas e malignas; mas além deste benefício ele fornece informações importantes, como alterações inflamatórias, infecciosas e a presença de alguns agentes microbianos: Gardnerellavaginalis, Candida sp., Trichomonasvaginalis, Leptotrixvaginalis, Actinomyces sp.

O câncer de colo de útero é uma neoplasia freqüente de alto índice de mortalidade. É o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres, com aproximadamente 500 mil casos novos por ano. Todavia, quando detectado precocemente pode ser curado. Por isso é tão importante o exame Papanicolaou, porque poderá detectar alterações precocemente e reduzir o risco de morte.

Diante dessas informações percebe-se a relevância de realizar consultas regularmente ao seu ginecologista para fazer todos os exames de prevenção, o exame de Papanicolaou pode ser feito gratuitamente em qualquer Unidade Básica de Saúde do Sistema Único de Saúde, procure por um Serviço de Saúde da Mulher pelo menos uma vez ao ano.

3 de Maio de 2013 at 8:56 Deixe um comentário

Você sabia que o HPV é o responsável pelo câncer de colo do útero?

Raquel Pantarotto Souza

Natália Malaguti

HPV é a sigla para Papilomavirus Humano, e vem do inglês Human Papillomavius. Este vírus pode infectar a pele e mucosas de seres humanos, e apesar de atingir ambos os sexos, é nas mulheres que ele causa maior transtorno.

Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV, dos quais, aproximadamente 40 infectam o sistema genital de homens e mulheres.  Estes são divididos em HPV de alto e baixo risco, de acordo com seu potencial em causar o câncer de colo do útero. Somente os de alto risco estão relacionados a tumores malignos, ou seja, cancerígenos.

Dos HPVs de alto risco, 2 tipos  são os responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero (são chamados laboratorialmente de HPV 16 e 18). Dos de baixo risco, dois (principalmente os HPVs 6 e 11), provocam 90% das verrugas genitais, que são altamente contagiosas e de difícil tratamento, porém não estão relacionadas ao câncer.

É preciso ficar atento, porque a infecção pelo HPV é adquirida por meio de contato sexual. Se uma pessoa toca (com as mãos, boca ou genitais) os órgãos genitais de outra pessoa infectada, ela poderá adquirir o vírus. A contaminação por objetos, embora possível, é raríssima. Ou seja, usar toalhas de outras pessoas, sentar no vaso sanitário, ou usar roupas intimas de uma pessoa contaminada com HPV pode levar a contaminação, mas como dito anteriormente, é raríssimo! A melhor prevenção é o uso de camisinha nas relações sexuais.

As manifestações mais comuns na região genital são as verrugas ou Condiloma acuminado, popularmente conhecidas como “crista de galo”. Mas podem ocorrer lesões que não apresentam nenhum sintoma, podendo progredir para o câncer de colo do útero caso não sejam tratadas precocemente.

O diagnóstico se dá através do exame citológico (exame preventivo de Papanicolau). Este identifica alterações celulares causadas pelo vírus. Quando estas alterações são detectadas, o médico utiliza outros métodos para a confirmação do diagnóstico, como a colposcopia (um exame ginecológico que utiliza um microscópio, o colposcópio, que aumenta em até 40x o colo do útero) e a biopsia. Por isso, é importante da visita anual ao ginecologista. Diversos tipos de tratamento podem ser oferecidos (tópico, com laser, cirúrgico). Só o médico, após a avaliação de cada caso, pode recomendar a conduta mais adequada.

A melhor maneira de evitar essa infecção é através da prevenção!!!

24 de Abril de 2013 at 8:42 Deixe um comentário

Bases morfofisiológicas do aparelho reprodutor: Ponto de partida para compreensão de métodos contraceptivos e DST

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Na última semana, as monitoras do Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI) da UEM, Suellen Moura Rocha e Priscila Abiko foram ao Colégio Estadual João XXIII para realizar uma palestra sobre Métodos Contraceptivos, DSTs. Trazendo a informação e esclarecimento para os jovens do ensino médio

3 de Julho de 2012 at 18:11 Deixe um comentário


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