29 de Junho de 2012 at 13:31 Deixe um comentário

MICROBIOTA INTESTINAL E A SUA RELAÇÃO COM O AUTISMO

Guilherme de Lima Simplício

Acadêmico de Odontologia-UEM

Janyara Cristina Amaral

Acadêmica de Odontologia-UEM

O ser humano possui trilhões de microrganismos em seu trato gastrointestinal(TGI), sendo as bactérias a sua maioria. Essa microbiota é muito importante para prevenção contra microrganismos patogênicos, produção de vitaminas, regulação da resposta inflamatória, entre outros. Alterações na microbiota intestinal podem causar algumas patologias relacionadas ao sistema digestório ou transtornos de neurodesenvolvimento. Já se sabe que a microbiota gastrointestinal pode alterar a expressão de genes e a transmissão sináptica no sistema nervoso nos primeiros estágios de desenvolvimento, deixando marcas duradouras no comportamento.

FONTE: https://www.revistaautismo.com.br/o-que-e-autismo/

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no ano de 2019, foi estimado que, em todo o mundo, existia 70 milhões de autistas, sendo destes, 2 milhões somente no Brasil. Também conhecido como TEA, o Transtorno de Espectro do Autismo é um transtorno complexo de neurodesenvolvimento, que tem como principais características: dificuldade de interação social e de linguagem, comportamento repetitivo e restritivo e hipersensibilidade a estímulos externos, como barulhos. Segundo o Ministério da Saúde, há diversos fatores que tornam uma criança mais propensa a ter o TEA, com destaque para fatores genéticos e ambientais. Hábitos alimentares do indivíduo e distúrbios no trato gastrointestinal (TGI), interferem na etiologia, sintomatologia e prognóstico desta doença. A microbiota intestinal tem se mostrado capaz de influenciar diretamente em algumas funções, como na barreira intestinal, barreira hemato-encefálica, expressão de neurotransmissores e seus receptores, e modulação da atividade cerebral e do comportamento. Desde o nascimento, a pessoa portadora de TEA apresenta uma microbiota intestinal diferente, quando comparado a indivíduos que não apresentam a doença, assim, mudanças no TGI tem interferência direta na melhora ou piora do quadro clínico da pessoa portadora de TEA.

De acordo com o artigo da Unesp: “Microbiota intestinal e autismo”, os primeiros estudos realizados com crianças autistas (grupo teste) e crianças não-autistas (grupo controle), no qual foi avaliada amostras fecais dos dois grupos, apontou que crianças autistas apresentam  uma maior quantidade de clostridíos (bacilos Gram-positivos) do que crianças sem autismo (do mesmo sexo e da mesma idade).  Enquanto que, no grupo controle, a maior quantidade de bactérias pertenciam ao gênero Bifidobacterium, que exercem variadas funções de proteção ao intestino. Tais alterações do TGI geram neurotoxinas, que irão ocasionar mudanças comportamentais no indivíduo.

  Crianças que fazem tratamento com o antibiótico Vancomicina apresentam uma melhora cognitiva, comportamental e gastrointestinal. Quando é feita a interrupção do tratamento, as crianças têm uma recaída nos seus quadros clínicos, possivelmente pela presença de bactérias formadoras de esporos resistentes a antibióticos, que voltam a colonizar o intestino quando o efeito do antibiótico passa. A elevada quantidade de Clostridium em fezes de crianças autistas comprova a relação destas bactérias com a doença, já que elas são bastante virulentas e são capazes de formar esporos resistentes à antibióticos.

Ainda que evidentes os sintomas alimentares e alterações do TGI em indivíduos portadores de TEA, falta conhecimento sobre a exata relação e mecanismo que causam essas alterações,e que podem, ou não, modular o aparecimento dos sintomas da doença. Portanto, faz-se necessário mais pesquisas aprofundadas no assunto, para alcançar melhorias nos sintomas do trato gastrointestinal, proporcionando, assim, uma consequente melhora na qualidade de vida ao portador de TEA.

Referências:

http://www.blog.saude.gov.br/index.php/53830-conheca-as-caracteristicas-e-aprenda-mais-sobre-o-autismo Acesso dia 29 de março de 2020.

http://www.rc.unesp.br/ib/ceis/mundoleveduras/2013/MicrobiotaIntestinaleAutismo.pdf Acesso dia 01 de abril de 2020.

https://revistaeducacao.com.br/2019/08/09/neurodesenvolvimento-autista/ Acesso dia 01 de abril de 2020.

http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=3345 Acesso dia 29 de março de 2020.

21 de Maio de 2020 at 16:43 Deixe um comentário

A beleza da alma.

José Barbosa.

78 anos. Aposentado

Como posso ver a beleza de uma alma se a alma é invisível? Qual raio X poderia detectar a grandeza de algo que ninguém nunca viu? Mas no raio X do meu coração vejo com grande beleza, como a mais bela flor, brilhando como o sol em dia claro!
Vejo tanto amor que carrega em seu ventre um coraçãozinho pulsando durante 9 meses e ao dar a luz sente dores horríveis, mas chora de alegria ao segurar no seu colo seu bebê e acariciar seus cabelinhos ainda molhados. 
Eu a vejo chorar quando ele chora e chora de alegria quado o ouve balbuciar seu primeiro som, como se estivesse chamando mamãe. 
Sinto grande tristeza quando olho as prateleiras de um supermercado e não tem uns trocados para lhe dar um chocolate. Quando seus pezinhos estão congelados pelo frio e não tem um tênis para calçar. 
Quando adolescente comete um deslize, ela o abraça e chora copiosamente. Levanta os olhos suplicantes, se ajoelha e o coloca nos braços do senhor Jesus.

Eu vejo ali a mais bela alma que Deus criou.

Eu vejo ali uma mulher.

Eu vejo ali uma mãe.

14 de Maio de 2020 at 10:54 Deixe um comentário

CORONAVÍRUS COVID-19: DÚVIDAS FREQUENTES

Rauana Santandes

Bióloga. Mestranda do programa de pós-graduação em Educação para a Ciência e a Matemática – Universidade Estadual de Maringá

 Beatriz Cervigni Feltrin.

 Bióloga. Mestranda do programa de pós-graduação em Educação para a Ciência e a Matemática – Universidade Estadual de Maringá

Diante da bomba de informações lançadas diariamente nas redes sociais sobre o Coronavírus, muitas delas desencontradas com a realidadee até mesmo algumas fakenews, este material foi produzido com o intuito de consolidar alguns conhecimentos já adquiridos, como também apresentar e atualizar a população em geral para novos conteúdos sobre o tema. São oito tópicos já elucidados pela ciência, os quais podem ser compartilhados com o intuito de atingir a divulgação científica de qualidade.

1 – O QUE É E COMO SURGIU?

Coronavirus é uma grande família viral. Os primeiros vírus da família foram descritos por volta dos anos de 1960. O COVID-19, assim nomeado tecnicamente, faz parte dessa extensa família e é uma NOVA infecção humana que teve início em dezembro de 2019 em Wuhan, grande cidade localizada no centro da China. No Brasil o primeiro caso foi confirmado no dia 26 de Fevereiro, em paulista, de 61 anos recém-chegado da Itália, seus exames alegaram a presença dovírus SARS-CoV-2 – patógeno causador da COVID-19.

Figura 1: Desenho esquemático do vírus SARS-Cov-2. Reprodução: RauanaSantandes  

Há algumas suposições sobre a origem do vírus na China, devido à alimentação peculiar (animais vivos/selvagens) que ocorre em algumas partes do país, porémnão há nada comprovado, e tudo isso não passam de boatos.

2 –PANDEMIA

Como a epidemia de um local (Wuhan) se disseminou para todos os continentes repentinamente e contagiando um número elevado de pessoas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia da doença.  Esse título de pandemia não se referea taxa de mortalidade (ainda é baixa quando comparada a outras pandemias mundiais) e sim pela alta taxa de transmissão viral.

3 – SINTOMAS

4 – TRANSMISSÃO E INCUBAÇÃO DO VÍRUS SARS-CoV-2

A transmissão ocorre principalmente quando o indivíduo tem contato comlocais não higienizados e lá se encontra o vírus SARS-CoV-2. Em seguida o mesmo leva as mãos em contato com os olhos, boca ou nariz. Segue abaixo os tipos de transmissões possíveis.

Coronavírus não possui uma média de tempo de sobrevivência e segundo a OMS, ele pode ficar ativo nas superfícies por horas ou dias, tudo depende das condições do ambiente, do clima e da umidade local.

O período de incubação do vírus é de 2-7dias podendo estender em até 14 dias, por isso os períodos de isolamento são superiores há 14 dias. Durante esse período pode ocorrer à transmissão do vírus (com os sintomas ou não), consequentemente o SARS-CoV-2 infectará outros indivíduos.

            Ainda não foi sintetizada vacina contra o SARS-Cov-2, e oConselho de Medicina Veterinária em Mato Grosso alerta que não há evidências de que animais adquiram ou transmitem a COVID-19, sendo esclarecido que as vacinas contra coronavírus aplicadas em animais é para outra cepa de vírus (canina e bovina) encontrados nessa grande família viral, e a mesma não é eficaz no combate do SARS-CoV-2, sendo perigosa e letal sua aplicação em humanos.

5 – PREVENÇÃO

Mudanças de hábitos sãonecessários!

Higienizar as mãos, objetos e superfícies com álcool 70.Ao tossir/espirrar cubra a boca/ nariz com o cotovelo ou lenço descartável.Evitar tocar olhos, boca e nariz após entrar em contato com superfícies não higienizadas.
Manter os ambientes bem ventilados.Não fazer o uso da vacina animal. (vacina anti-coronavírus canina/bovina)Não compartilhar objetos de uso pessoal.
Lavar as mãos com sabão.Evitar aglomerações.Hidratar-se e alimentar-se bem.

6 – EM CASO DE SUSPEITA, COMO AGIR?

1º) Deve-se comunicar os profissionais da área da saúde, para os mesmos preparar um local adequado para seu atendimento, e evitar riscos à outras pessoas e evitando um possível contágio local.

2º) Exame confirmado: isolamento total, sem convívio social até o prazo estipulado pela equipe médica. Lembrando-se de seguir todas as recomendações da OMS e assim contribuir para sessar a transmissão do vírus.

Vale lembrar que reduzindo a exposição do patógeno (SARS-CoV-2), o índice de transmissão para a doença diminui, o mesmo ocorre com demais doenças infecciosas.

7 – GRUPOS DE RISCO E VULNERABILIDADE

Os idosos são os mais afetados pelo vírus, porém pode-se incluir também no grupo de risco crianças e gestantes pelo sistema imunológico baixo, e aqueles que possuem alguma predisposição ou doença crônica (asma, gripe, diabetes, pressão alta, pneumonia, fumante).

8 – DADOS ATUAIS E APLICATIVO DO SUS

Dados nacionais e mundiais são atualizados diariamente no site: http://plataforma.saude.gov.br/novocoronavirus/#COVID-19-world.

O Ministério da Saúde lançou o aplicativo “Coronavírus-SUS” com o propósito de conscientizar a população sobre a Doença Coronavírus e nele é possível realizar um auto diagnóstico de infecção. A população deve atentar-se também aos sites e meios de comunicação de sua cidade e região, para acompanhar as medidas tomadas e os casos atualizados de sua região.Cuidando de si mesmo você estará cuidando dos outros!

REFERÊNCIAS

Sites:

https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/02/27/quanto-tempo-o-novo-coronavirus-vive-em-uma-superficie-ou-no-ar.ghtml. Acesso em: 20 de março de 2020.

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2020/03/19/interna_mundo,835377/pessoas-com-covid-19-transmitem-o-virus-antes-de-terem-sintomas-diz-e.shtml. Acesso em: 20 de março de 2020.

https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2020/03/19/vacina-para-caes-nao-previne-covid-19-e-nao-deve-ser-usada-em-humanos-diz-crmv-mt-apos-video.ghtml. Acesso em: 20 de março de 2020.

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/03/12/qual-o-grupo-de-risco-do-coronavirus.htm. Acesso em: 21 de março de 2020.

3 de Abril de 2020 at 15:48 Deixe um comentário

SAÚDE AMBIENTAL E DOENÇAS EMERGENTES: CARACTERÍSTICAS, GRUPOS DE RISCOS E PREVENÇÃO AO CORONAVÍRUS COVID-19.

Rauana Santandes.

Bióloga. Mestranda do programa de pós-graduação em Educação para a Ciência e a Matemática – Universidade Estadual de Maringá

 Beatriz Cervigni Feltrin.

 Bióloga. Mestranda do programa de pós-graduação em Educação para a Ciência e a Matemática – Universidade Estadual de Maringá

Nas últimas décadas pudemos observar ao redor do mundo por meio da mídia e outros noticiários o surgimento de diversos problemas ambientais. Sabe-se que tais problemáticas podem gerar um desequilíbrio no ecossistema, isto é, no meio em que vivemos e nos relacionamos. Radicchini e Lemos (2009) relatam em seus estudos que essa desarmonia ecossistêmica pode afetar a saúde humana, ao passo que temos um intenso processo de urbanização e industrialização, os quais podem influenciar as condições de vida e o cotidiano das populações. A saúde ambiental então se caracteriza por essa relação constante entre o desenvolvimento do meio ambiente e a saúde da própria espécie humana (RADICCHINI; LEMOS, 2009).

Um dos motivos pelo qual as pessoas em geral se mobilizam é quando ocorre o surgimento de alguma doença que acaba alterando o nosso ecossistema. Essas doenças, muitas vezes infecciosas, podem ser emergentes e/ ou reemergentes, que são aquelas cuja incidência em humanos vem aumentando ao longo das décadas ou ameaça aumentar em um futuro bem próximo (LUNA, 2002). Um grande exemplo de doença emergente e bem próxima atualmente da nossa humanidade é o novo coronavírus, conhecido também como Covid-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2.

A doença foi detectada pela primeira vez na cidade de Wuhan, na China, em dezembro de 2019 e com apenas dois meses e meio tornou-se uma pandemia devido à falta de informação sobre a mesma, o que proporcionou as condições perfeitas para que a doença se propagasse pelo planeta. Segundo o site da Organização Mundial da Saúde (OMS), até o dia 19 de março de 2020, existiam 168 países com casos da doença, apresentando um total de 209.839 casos confirmados e 8.778 mortes. Os países que apresentavam mais casos confirmados com a doença eram a China (81.174 casos) e a Itália (35.713 casos). O Brasil até o dado momento apresentava428 casos confirmados.

De acordo com a OMS, sinais comuns de infecção incluem sintomas respiratórios, febre, tosse, falta de ar e dificuldades respiratórias. Em casos mais graves, a infecção pode causar pneumonia, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e até morte. O Ministério da Saúde declarou no Protocolo de Tratamento do Novo Coronavírus que esses sinais de sintomas comuns podem ser agravados em grupos de risco(hipertensos, asmáticos, diabéticos, entre outros), idosos e crianças. Ainda não há vacina ou medicamentos específicos disponíveis e, atualmente, o tratamento é de suporte e inespecífico (BAÊTA et al., 2020).

O Ministério da Saúde instruído pela OMS ainda recomenda:

•Higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool.

• Evitar tocar olhos, nariz e boca sem higienização adequada das mãos.

• Evitar contato próximo com pessoas doentes.

• Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, com cotovelo flexionado ou utilizando-se de um lenço descartável.

• Ficar em casa e evitar contato com pessoas quando estiver doente.

• Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

Fonte: https://www.engemed.med.br/2020/03/05/coronavirus-saiba-o-que-e-como-tratar-se-prevenir-e-ultimas-noticias/

Com base nos levantamentos de dados e discussões podemos concluir que nosso mundo globalizado com populações elevadas de pessoas ou nosso ecossistema como um todo está em constante transformações e que epidemias fazem parte deste real contexto. Logo, acatar as medidas profiláticas solicitadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde é extremamente fundamental para o combate ao novo corona vírus, pois promover a saúde ambiental de qualidade não é um dever individual e sim comunitário.Afinal, vivemos em sociedade e devemos garantir a qualidade de vida das futuras gerações.

REFERÊNCIAS

BAÊTA, Karla Freire et al. Protocolo de Tratamento do Novo Coronavírus (2019-nCoV). 2020.

LUNA, Expedito JA. A emergência das doenças emergentes e as doenças infecciosas emergentes e reemergentes no Brasil. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 5, p. 229-243, 2002.

RADICCHI, Antônio Leite Alves; LEMOS, Alysson Feliciano. Saúde ambiental. https://ares. unasus. gov. br/acervo/handle/ARES/1826, 2009.

Site Organização Mundial da Saúde (OMS): https://experience.arcgis.com/experience/685d0ace521648f8a5beeeee1b9125cd. Acessado em 19/03/2020. Site Organização Mundial da Saúde (OMS): https://www.who.int/health-topics/coronavirus. Acessado em 19/03/2020

27 de Março de 2020 at 16:18 Deixe um comentário

NEUROPLASTICIDADE E APRENDIZAGEM ESCOLAR DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA

Fernanda A. V. Passarelli

Psicopedagoga. Pós-graduanda em Neurociências pela UEL

A Constituição Federal de 1988 enfatizou a democratização do ensino público como direito de todos e assegurou atendimento educacional especializado a todos estudantes com deficiência  preferencialmente no ensino regular. A partir dessa data houve várias discussões sobre os direitos à educação da criança com deficiência e as adequações das escolas tanto no âmbito estrutural como na formação acadêmica da equipe pedagógica.

A Lei 12796 de abril de 2013 altera a Lei de 9394/96 dando ênfase aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, garantindo atendimento educacional especializado preferencialmente na rede regular de ensino onde também é acrescido a formação do professor para atender as demandas deste público. (BRASIL, 2013)

Constata-se o aumento do número de matrículas de estudantes com deficiência no ensino regularde acordo com Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2017 foram mais de 800 mil estudantes com deficiência matriculados no ensino básico (educação infantil, ensino fundamental I e II, ensino médio e educação de jovens e adultos).

O Brasil,no campo da educação e educação inclusiva,avançou em legislação legitimando  o acesso aos estudantes com Necessidades Educacionais Especiaisàs salas de recurso multifuncional, a adaptação curricular, a professor de apoio (em alguns casos), porém ainda há estudantes concluindo o ensino básico com baixo rendimento acadêmico.

Trabalhar com alunos público-alvo da Educação Especial ainda é um grande desafio para a equipe escolar. Para Nozi e Vitalino (2017), os professores sentem-se inseguros, despreparados e apontam para a necessidade de formação/capacitação. Estes profissionais desempenham papel essencial na formação dos estudantes, sendo os verdadeiros agentes de mudança.

http://www.sipnl.com.br/a-importancia-da-neuroplasticidade-para-nosso-cerebro-e-maneiras-para-aumenta-la/

Na área da educação, os estudos em neurociências ganham cada vez mais espaço,revelando as grandes potencialidades do cérebro humano. Estes estudos também corroboram sobre as possibilidades de aprendizagem em todos os sujeitos.

De acordo com Filho, Bridi e Rotta (2018), a capacidade de aprendizagem de cada indivíduo é deliberada por questões genéticas e ambientais, ou seja, mesmo que as características genéticas não sejam favoráveis, um ambiente com estímulos adequados, aliados ao esforço intelectual do indivíduo, refletem na plasticidade do cérebro e nas capacidades cognitivas do sujeito.

A definição de plasticidade cerebral ou neuroplasticidade está fundamentada na capacidade que o cérebro tem de se modificar ao longo do desenvolvimento humano a partir de aprendizagem de novos conceitos e na recuperação do cérebro após alguma lesão (BITENCOURT; ROTTA, 2018).

Toda criança já nasce com conjunto de neurônios que ao longo de suas experiências formam circuitos que amadurecem e fazem conexões com novos circuitos, ampliando a aprendizagem (COSENZA;GUERRA, 2011).

https://www.jrmcoaching.com.br/blog/aprendizagem-neuroplasticidade/

Um meio importante que favorece o amadurecimento do conjunto de circuitos é o ambiente, pois os estímulos beneficiam a formação de novas conexões, oportunizando a aprendizagem ou o surgimento de novas condutas. A neuroplasticidade acontece durante toda vida, “…e que está claramente relacionada com o grau de desenvolvimento de cada pessoa, sendo tão maior quanto mais jovem for o indivíduo” (BITENCOURT; ROTTA, 2018, p. 167).Para estes autores, o que caracteriza a plasticidade é a capacidade que o sistema nervoso tem de fazer e desfazer conexões entre os neurônios, desencadeada pelas interações contínuas entre o externo e o interno do sujeito.

De acordo com Cosenza e Guerra (2011):

O treino e a aprendizagem podem levar à criação de novas sinapses e a facilitação do fluxo da informação dentro de um circuito nervoso. A aprendizagem pode levar não só ao aumento da complexidade das ligações em um circuito neural, mas também à associação de circuitos até então independentes. É o que acontece quando aprendemos novos conceitos a partir de conhecimentos já existentes. (p. 36)

Refletindo sobre a neuroplasticidade no contexto escolar em estudantes com deficiência, entende-se que existe a real possibilidade do professor ensinar e o estudante aprender, porém os recursos e metodologias devem ser diferenciados. De acordo com Guerra (2011), diferentes estratégias pedagógicas, preferencialmente multissensoriais e que sejam de acordo com a realidade dos estudantes, devem ser inseridas no contexto escolar, favorecendo a aprendizagem significativa.

REFERÊNCIAS

BITENCOURT, D. C; ROTTA, N. T. Pediasuit e a plasticidade cerebral nas disfunções neuromotoras. IN: ROTTA, N. T.; FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. DE S. Plasticidade cerebral e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2018 p. 167 -181.

BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases. Lei nº 12796, de 4 de abril de 2013.

BRASIL. MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO. Aumento da matrícula de estudantes com Deficiência no ensino regular.2015. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf&gt;. Acesso em: 12 dez. 2018.

BRASIL. Ministério da Educação. Nacional. Educação Especial (Alunos de Escolas Especiais, Classes Especiais e Incluídos): Instituto Anisio Teixeira. 2017. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/inep-mec-divulga-censo-escolar-2017/21206&gt;. Acesso em: 12 dez. 2018.

COSENZA, R. M.; GUERRA, L. B.  Um universo em mutações. In: COSENZA, R.M.; GUERRA, L.B. Neurociências e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011 p. 27-40.

FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. DE S.; ROTTA, N. T. Intervenções terapêuticas que promovem o desenvolvimento sináptico. IN: ROTTA, N. T.; FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. DE S. Plasticidade cerebral e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2018 p. 167 -181.

GUERRA, L. B.. O diálogo entre neurociências e educação: da euforia aos desafios e possibilidades. Revista interlocução. V.4, n.4,  p.3-12, 2011.

MANZINI, E. J.; SANT’ANA, M. M. Relato de experiência adaptações curriculares no Ensino Fundamental II: A inclusão do adolescente com Deficiência Intelectual . Práticas e perspectivas da terapia ocupacional na inclusão escolar. Rev. Ter. Ocup., 23(1), 7-15.

Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rto/article/view/46905.

Acesso em: 10 dez. 2018.

NOZI, G., VITALINO, C. R. Saberes de professores propícios à inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais: condições para sua construção. Ver. Ed. Esp., Santa Maria, V. 30, n. 59, p. 589-602, Sep-dez., 2017.

15 de Março de 2019 at 8:56 Deixe um comentário

TDAH E IMPLICAÇÕES NO AMBIENTE ESCOLAR: PAPEL DA ESCOLA E DOS PROFESSORES

Renato Mikio Moriya

Médico. Pediatra. Professor do Curso de Medicina da UEL. Pós-Graduando em Neurociências, UEL.

Dentre os assuntos mais discutidos na Educação, destaca-se a diversidade do comportamento de estudantes, bem como suas dificuldades de aprendizagem. Nesse contexto,  o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade  (TDAH), vem aumentando seu espaço nos ambientes escolares. .

TDAH está associado a uma grande variedade de prejuízos nas diferentes faixas etárias, incluindo crianças e adolescentes, em que a prevalência do transtorno pode atingir índices de 5,29% em diferentes países do mundo.  TDAH pode incluir comprometimento acadêmico – reprovações, abandono, suspensões, expulsões. Podem, ainda, apresentar dificuldades sociais, entre elas uma menor frequência de comportamentos pró-sociais, como compartilhamento da atenção e alternância de turnos, o que pode gerar hostilidade na relação com os pares. Há evidências de que as crianças e adolescentes com TDAH podem ter menos amigos íntimos, apresentando maior rejeição pelos pares, além de poderem se envolver em mais comportamentos de risco, terem menos relações estáveis e maiores índices de divórcio na vida adulta.

O presente relatório constitui um trabalho acadêmico e originou da necessidade de gerar subsídios para os profissionais da Educação trabalharem com crianças e jovens com distúrbios de atenção/hiperatividade, buscando indicar caminhos para o enfrentamento da patologia em vista de uma efetiva aprendizagem.

A hiperatividade é um problema de saúde mental que tem três características básicas: distração, agitação e impulsividade. Esse transtorno pode levar a dificuldades emocionais, de relacionamento familiar e desempenho escolar, as quais prejudicam seu desempenho e aprendizagem da forma significativa.

Para o profissional de saúde, é necessária a persistência do comportamento de pelo menos seis meses; início precoce (antes dos 7 anos); os sintomas têm que ter repercussão na vida pessoal, social ou acadêmica; têm que estar presente em, pelo menos, dois ambientes; frequência e gravidade maiores em relação a outras crianças da mesma idade; idade de 5 anos para diagnóstico.

Diante da complexidade do tema, é importante apontar parâmetros para a identificação do distúrbio, visto que há uma grande dificuldade em distinguir hiperatividade de outros problemas que geram agitação emocional do indivíduo, auxiliando no entendimento de que a capacidade de concentração depende, em boa parte, da integridade do sistema nervoso central (SNC). Esta varia, também, na dependência do grau de maturidade do cérebro e da personalidade. Constata-se que a criança e o pré-adolescente são menos capazes de se concentrar em uma determinada atividade por um período longo de tempo do que o são os adultos.

TDAH deriva de um funcionamento alterado no SNC, quando  as substâncias químicas produzidas pelo cérebro, os neurotransmissores, apresentam alterações  responsáveis pelas funções da atenção, impulsividade e atividade física e mental no comportamento humano. As crianças são agitadas, movendo-se sem parar na sala de aula, em casa ou qualquer outro lugar. Ainda existem os fatores biológicos, que não são genéticos, com destaque para o uso de álcool, drogas e determinados medicamentos, durante a gestação, por parte da mãe; nascimentos prematuros, hemorragia intracranianas e falta de oxigênio durante o parto. E, ainda, os fatores ambientais que interferem no desenvolvimento psicológico e emocional, bem como conflitos familiares, transtorno mental nos pais, baixa condição socioeconômica, criminalidade por parte dos pais, entre outros.

Existem crianças que são prejudicadas pela falta de conhecimento de educadores e/ou pais que acabam diagnosticando-as como hiperativas. Muitas crianças que pais e professores normalmente rotulam de “hiperativas” são apenas mais ativas que seus pais e professores foram ou desejariam que fossem. Aí o perigo da medicalização. A hiperatividade somente se manifesta quando existem comprometimentos na manutenção da atenção para diferentes atividades. A criança, por exemplo, que não presta atenção à aula, mas presta muita atenção em outros contextos, não revela distúrbio de atenção, típico da hiperatividade.

A avaliação clínica é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico de TDAH, isto é,  diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, visto que não existem marcadores: exames laboratoriais ou de imagem que consigam definir a doença. A investigação envolve detalhado estudo clínico por meio de avaliação com os pais, com a criança e com a escola. Escalas de avaliação padronizadas para pais e professores podem ser utilizadas. A avaliação com os pais deve abranger uma história detalhada de todo o desenvolvimento da criança ou do adolescente.

O diagnóstico final deve ser elaborado por um profissional de saúde que tenha conhecimento para descartar outras doenças ou transtornos, além de afastar as  comorbidades:  ocorrência, em conjunto, de dois ou mais problemas de saúde mental. Por exemplo, cerca de 50% das crianças e adolescentes com TDAH apresentam problemas de comportamento como agressividade, mentiras, roubo, comportamento de oposição ou de desafio às regras e aos pedidos dos adultos. Além disso, o profissional deverá validar as informações dos demais colegas que acompanham o caso – psicólogo, terapeuta, educadores, psicopedagogos.

Apesar da necessidade do diagnóstico ser formulado por um profissional da saúde habilitado, isso não exime o professor de buscar conhecimento a respeito do assunto. O professor, na maioria das vezes, é o primeiro a identificar se o aluno tem os sintomas do TDAH. Essa identificação não pode ser superficial e baseada, apenas em atitudes e atos agitados. É preciso conhecer quais as definições, os sintomas e os meios de enfrentamento do distúrbio.

Dessa forma, entende-se a necessidade de debater esse tema na Educação, por se fazer tão presente na vida de muitos estudantes. É importante identificar os sintomas para ajudá-los a ter uma maior compreensão e aprendizado. Somente uma proposta didático-pedagógica que leve em conta as diferenças que estudantes com TDAH detêm ajudará na inclusão e na antecipação de problemas sociais, emocionais e psicológicos que, com certeza, afetam o processo ensino-aprendizagem.

Muitas vezes, os educadores se deparam com estudantes que possuem hiperatividade e não sabem lidar com eles em sala de aula, fazendo um pré-julgamento e confundindo o TDAH com mau comportamento, o que acaba prejudicando, de forma significativa, o processo de ensino-aprendizagem dos alunos. Por não serem identificados com esse transtorno e, por consequência, não terem identificadas suas dificuldades, esses estudantes não  conseguem se concentrar, questionar, refletir sobre um problema apresentado em sala de aula, o que os deixa “atrasados” em seus conteúdos em relação a seus colegas. Nessa situação, aumentam os índices de repetência, baixo rendimento escolar, evasão e dificuldades emocionais e sociais. Este é considerado um fator preocupante, pois é no ambiente escolar que a maioria dos jovens tem contato com a leitura e a escrita, o que exige atenção e concentração.

Uma vez diagnosticado, o aluno deve ser considerado uma criança com necessidades educacionais especiais, pois para que tenha garantidas as mesmas oportunidades de aprender como os demais colegas, serão necessárias algumas adaptações visando diminuir a ocorrência dos comportamentos indesejáveis que possam prejudicar seu progresso pedagógico.  O estudante com TDAH, assim como todos os outros, possuem seu próprio tempo de aprendizagem; porém, em sua maioria, os estudantes com TDAH precisam de um tempo maior para internalizar o que foi  ensinado. Nesse sentido, torna-se indispensável a intervenção do professor para que esse estudante não venha a se sentir inferior em relação aos outros integrantes da turma, bem como a turma não o caracterize como uma pessoa lenta e exótica.

Conhecer o estudante não beneficia, apenas, o jovem com TDAH, mas também o professor e os demais colegas, pois proporciona maior dedicação e disponibilidade do professor, o que reflete em atividades mais elaboradas e concretas. Todos são beneficiados, e o estudante com TDAH consegue adquirir um aprendizado significativo e estabelecer relações com seus colegas.

O professor tem papel fundamental  no desenvolvimento das habilidades e controle do comportamento da criança com TDAH. Desse modo, ele deve ser instruído, tanto na formação inicial como na continuada, como também deve ser auxiliado em sua prática pedagógica e deve ter conhecimento sobre o transtorno e as estratégias adequadas em sala de aula para que esses alunos sejam efetivamente inclusos na escola.

Quando a escola e a família trabalham juntas em função da superação dos distúrbios causados pelo TDAH, o tratamento será eficaz, e os resultados serão satisfatórios nas relações familiares, no convívio  escolar e nas contribuições sociais.

Dicas aos professores

– Criar agenda escola-casa (comunicação entre pais e professores)

– faça o aluno se sentar na frente na sala de aula, longe de janelas e próximo ao professor

– agende disciplinas mais difíceis no início das aulas (enquanto os alunos estão mais descansados e atentos)

– estipule pequenas pausas regulares a cada 40 minutos de aula

– ordens devem ser dadas de maneira objetiva e breve para facilitar o entendimento do aluno

– ensine técnicas de organização e estudo

– permita tempo extra para que esse aluno possa responder com atenção às perguntas

– estimule e reforce positivamente atitudes assertivas através de elogios

– questione o aluno sobre dúvidas em sala de aula

– convide o aluno a apagar o quadro-negro, para reduzir a inquietação.

Manual dos transtornos escolares. Teixeira G. 2014

 

Bibliografia

Maia MIR, Confortin H. TDAH e aprendizagem: um desafio para a educação. Perspectiva. Erechim. V.39,n.148. dezembro/2015

 

Mattos P. Neuropsicologia do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. In Neuropsicologia hoje / Org: Santos FH, Andrade VM, Bueno OFA. – 2.ed.  Porto Alegre: Artmed, 2015.

 

Reis GV. Alunos Diagnosticados com TDAH: reflexões sobre a prática pedagógica utilizada no processo educacional. Parnaíba, 2011.

 

Teixeira  G. Manual dos transtornos escolares. Entendendo os problemas de crianças e adolescentes na escola. 5.ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2014.

26 de Fevereiro de 2019 at 7:58 Deixe um comentário

A compreensão da neurobiologia do Transtorno do Espectro Autista e a aplicação das neurociências na educação

MYENNE TSUTSUMI

Psicóloga. Professora do Departamento de Psicologia UEL. Pós-graduanda em Neurociência – UEL

Talvez o principal desafio na Educação seja a inclusão daquilo que é diferente. O ensino parece ter sido pensado para abranger a todos, mas nem sempre obtém sucesso. A velocidade de aprendizagem vai ser o resultado de muitas variáveis, as quais nem sempre o professor terá acesso. No entanto, ao conhecer algumas especificidades, o professor poderá compreender melhor seus alunos e ajudá-los da maneira que puder a alcançar o sucesso.

Os transtornos do neurodesenvolvimento são vários e talvez o menos compreendido de todos seja o Transtorno do Espectro Autista, o qual recebe o nome de espectro por conta da diversidade de sintomas que os indivíduos podem assumir (APA, 2014; BORBA e BARROS, 2018). Irá ocorrer na população pessoas extremamente aptas as funções da vida diária, com habilidades excepcionais, como o caso de Temple Grandin (GRANDIN e PANEK, 2013), ou com severas dificuldades para aprender ou mesmo de autocuidados. O Transtorno do Espectro Autista é marcado por dificuldades de linguagem e de socialização com sintomas persistentes e pervasivos (AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION, 2012). Tais comportamentos podem prejudicar a inclusão dessas crianças no ensino regular e o professor em sala de aula pode auxiliar essas crianças de forma a adaptar o ensino.

Para tanto, esse professor pode lançar mão de conhecimentos neurocientíficos afim de compreender quais estratégias de ensino podem ser mais ou menos eficazes. É o caso da sugestão que Zwart e colaboradores (2018) fazem ao estudar sobre os tipos de aprendizagem e como elas ocorrem no cérebro autista. Eles sugerem que, apesar de algumas crianças autista apresentarem falas extremamente literais, apresentarem dificuldades de compreensão de linguagem figurada e mostrarem preferências por dicas concretas no tempo-espaço, o ensino poderia ser não somente focado na aprendizagem explícita, mas também no ensino de estratégias de aprendizagem implícita, como por exemplo, retiradas graduais de dicas ambientais.

O conhecimento neurocientífico a respeito de como o cérebro autista aprende, como a linguagem é afetada pela atipicidade do desenvolvimento e como os sintomas de comportamentos pervasivos podem afetar na aprendizagem dão ao professor ferramentas não só para a inclusão, mas também para o investimento na aprendizagem das crianças dentro do espectro. A interface cérebro-ambiente e a capacidade plástica do cérebro humano principalmente nos primeiro três nãos de vida, não são facilmente compreendidas por aqueles que, no seu dia a dia, lidam com tantas outras dificuldades. O investimento na capacitação dos professores – e aqui inclusa a educação em neurociências- poderá permitir que erros sejam evitados, como por exemplo, permitir que a criança com dificuldade de socialização permaneça sozinha, “por que ele tem um desejo de ficar sozinha”; ou por exemplo, que aquelas que não conseguem desenvolver a fala, nunca terão habilidades linguísticas. O diagnóstico das crianças deveria ser um gatilho para a imersão dela em um mundo melhor adaptado as suas necessidades e o quanto antes, e não ser um atestado de incapacidade. Ao conhecer sobre como funciona o cérbero autista, o professor terá pistas de quais possíveis dificuldades essas crianças apresentam e como contornar, algo que pode ir desde um processamento auditivo atípico (ver BERMAN e colab., 2016)até a maturação do córtex pré-frontal tardia (ver KAWAKUBO e colab., 2009).

Além disso, não somente compreender sobre o cérebro autista, o professor também pode auxiliar os pais sobre os tratamentos disponíveis com maior eficácia além de ser co-terapeuta dentro de sala de aula. Atualmente, o principal tratamento para os comportamentos inadequados característicos do autismo é a terapia analítico-comportamental (BORBA e BARROS, 2018; ROANE e colab., 2016) e há esforços científicos para a compreensão das mudanças neurais relacionadas a implementação das intervenções baseadas nessa ciência do comportamento (ver STAVROPOULOS, 2017).Essa abordagem lança mão de intervenções ambientais para a promoção de mudanças comportamentais. É nesse momento que o professor pode ser ativos no auxílio a esses alunos. Poderá aplicar procedimentos durante suas aulas, promover inclusão da criança autista com as demais crianças e incentivar o desenvolvimento da linguagem.

 

REFERÊNCIAS

 

AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Manual de publicação da APA. Porto Alegre: Artmed, 2012.

APA, Associação Americana de Psiquiatria. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais V. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

 

BERMAN, Jeffrey I. e colab. Multimodal Diffusion-MRI and MEG Assessment of Auditory and Language System Development in Autism Spectrum Disorder. Frontiers in Neuroanatomy, v. 10, n. March, 2016. Disponível em: <http://journal.frontiersin.org/Article/10.3389/fnana.2016.00030/abstract&gt;.

 

BORBA, M. M. C e BARROS, R. S. Ele é Autista: Como Posso Ajudar Na Intervenção? Um guia para profissionais e pais com crianças sob intervenção analítico-comportamental ao autismo. São Paulo: Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC), 2018. Disponível em: <http://abpmc.org.br/arquivos/publicacoes/1521132529400bef4bf.pdf&gt;.

 

GRANDIN, Temple e PANEK, Richard. O cérebro autista: Pensando através do espectro. Rio de Janeiro: Record Ltda, 2013.

 

KAWAKUBO, Yuki e colab. Impaired prefrontal hemodynamic maturationin autism and unaffected siblings. PLoS ONE, v. 4, n. 9, p. 6–13, 2009.

 

ROANE, Henry S. e FISHER, Wayne W. e CARR, James E. Applied Behavior Analysis as Treatment for Autism Spectrum Disorder. Journal of Pediatrics, conseguir todas as referências desse artigo. Fazer sumário com todas as terapias alternativas dentro da aba que eles analisam. Usar esse artigo como modelo que artigo sintético., v. 175, p. 27–32, 2016. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1016/j.jpeds.2016.04.023&gt;.

 

STAVROPOULOS, Katherine Kuhl Meltzoff. Using neuroscience as an outcome measure for behavioral interventions in Autism spectrum disorders (ASD): A review. Research in Autism Spectrum Disorders, v. 35, p. 62–73, 2017. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1016/j.rasd.2017.01.001&gt;.

 

ZWART, Fenny S. e colab. Implicit learning seems to come naturally for children with autism, but not for children with specific language impairment: Evidence from behavioral and ERP data. Autism Research, Lido, v. 11, n. 7, p. 1050–1061, 2018.

13 de Fevereiro de 2019 at 8:40 Deixe um comentário

Neurociência e Educação – Como a meditação auxilia e baixa a ansiedade

Monica Menequelli

Pós-graduanda em Neurociência – UEL

Desde minha infância ouço a minha mãe me dizer assim: “Estuda menina porque se não, você vai ficar igual a mim”. Entendi aquela frase como uma motivação para tentar sair daquela vida miserável em que muitas vezes passávamos até necessidades alimentares. O estudo para mim então, virou uma porta de entrada para uma vida melhor. E minha mãe tinha outra técnica de motivação escolar, eu poderia deixar a louça e a casa suja desde que eu estudasse, para uma criança e adolescente essa troca foi uma grande motivação.

Desde então todas as vezes que eu ia fazer provas na escola era um grande estresse e ansiedade, tinha um medo imenso de fracassar, afinal de contas o resultado das provas era a porta de entrada para o meu futuro. Até que no 3º ano do ensino fundamental me deparei com uma professora, no qual o nome não esqueço, Sonia, chamávamos carinhosamente de “Soninha”, sua voz era doce, mas sua didática era firme. Todas as vezes que tinha prova chegava à escola em um nível de estresse altíssimo, tremia, suava e claro a Soninha percebia isso nos alunos, eu não era a única, e então ela sempre tinha uma atitude e, dedicava um tempinho para um relaxamento, lembro-me que ela colocava uma música suave e com sua voz doce orientava o que tínhamos que fazer; fechar os olhos, respirar fundo por algumas vezes, sentir determinada parte do corpo e assim por diante, isso relaxava muito, então quando ela percebia que estávamos melhores, ela aplicava a prova.

 

As técnicas de relaxamento vêm sendo estuda desde 1946 com praticantes de ioga na Índia. As primeiras descobertas segundo Greenberg (1999), que os praticantes podiam controlar os batimentos cardíacos, em outro estudo descobriu-se que eles podiam tornar a respiração mais lenta, diminuir assim cerca de 70% da capacidade de condução elétrica, emitir ondas cerebrais predominantemente alfa.

Foi comprovado também a diminuição da resposta cutânea galvânica (capacidade da pele em conduzir uma corrente elétrica), quanto mais baixo menor o nível de estresse. Segundo Greenberg (1999), isso difere entre meditadores e não-meditadores, e os meditadores tem uma melhor capacidade em lidar com o estresse e tem o sistema nervoso autônomo mais estável.

Robert Keith Wallace foi um dos primeiros pesquisadores que estou o efeito da meditação, em um dos estudos ele demonstrou que a meditação resultava em um menor consumo de oxigênio, diminuição de dos batimentos cardíacos e emissões de ondas alfas, a meditação também demonstrou o aumento a resistência cutânea, diminui o lactato sanguíneo e a produção de dióxido de carbono e aumentava o fluxo sanguíneo periférico para braços e pernas. Segundo Greenberg (1999), existem muitas evidências de benefícios fisiológicos.

Nos efeitos psicológicos existem muitas evidências na diminuição do estresse e da ansiedade. Greenberg (1999), diz que a meditação está ligado a um lócus do controle interno, maior auto-realização, sentimentos mais positivos, melhor qualidade do sono, alivio nas dores de cabeça. Existem estudos até de Shapiro e Giber que a meditação diminui o abuso de drogas e medos.

Goleman e Davidson (2017) narra os efeitos laboratoriais, desenvolvido por Richie em 2002, 2010 e 2016 por escaneamentos de mapeamentos cerebrais. Esses três escaneamentos foram percebidos declínios relacionados à idade na densidade de massa cinzenta. O fato é que todos nós à medida que envelhecemos demonstramos um decréscimo na densidade da massa cinzenta.

Goleman e Davidson (2017) esses estudos mais recentes de ressonância magnética vem demonstrando a mudança da idade cronológica no cérebro, ou seja, o cérebro que envelhece mais rápido é mais propenso a ter problemas relacionados à idade, como por exemplo, a demência. Já o cérebro praticante de meditação que Richie estudou observou que a idade cronológica recai 99% no percentil comparado com a idade cronológica normal.

Conclusão

Aquela garotinha de 8 anos preocupada em fracassar nas provas, encontrou uma querida professora que soube baixar seu estresse e ansidade, o que foi determinante em sua vida. Já hoje com 33 anos acabou optando para o estudo com o propósito de conseguir mudar de vida. Além da meditação trazer beneficios em baixar o estresse e a ansiedade, ele auxilia a saúde mental.

 

REFERÊNCIAS

 

GREENBERG, J. S. Adiministração do estresse: 6º Ed. São Paulo: Manole, .1999.

GOLEMAN, D. & DAVIDSON, R. J. A ciência da meditação: Como transformar o cérebro, a mente e o corpo: São Paulo. 2017.

6 de Fevereiro de 2019 at 9:23 Deixe um comentário

A CRONOBIOLOGIA COMO UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO: UM ELO ENTRE CIÊNCIAS HUMANAS E BIOLÓGICAS.

STÉFANI BELLO MUNHOZ

Aluna da Especialização em Neurociências – UEL

Imagem retirada da internet.

A cronobiologia, do grego estudo do tempo de vida, é a ciência que estuda o ritmo biológico dos seres vivos, dentro das variáveis fisiológicas e comportamentais. Essa ciência propicia o estudo de diversas variabilidades biológicas ao longo das 24 horas de um dia. É esse estudo que proporciona a ligação da interferência de fatores externos como a luz, a temperatura e a pressão, com atividades biológicas internas como a função endócrina, a biologia molecular e a atividade do sistema imune. (ALVIM e COLTRO, 2015)

Diversas estruturas do Sistema Nervoso Central participam de desse controle de captação do ambiente externo para regulação do funcionamento interno, entre elas a retina com os fotorreceptores, o núcleo supraquiasmático localizado no hipotálamo e a glândula pineal. Dessa maneira, há uma produção natural de hormônios dentro dos processos fisiológicos do corpo humano, como a produção da melatonina e cortisol – hormônios importantíssimos para o funcionamento do corpo, sendo respectivamente responsáveis pelo ciclo de sono de um indivíduo e pela sensação de prazer e equilíbrio do sistema imune. (SQUARCINI e ESTEVES, 2013)

Apesar da complexidade do estudo da cronobiologia, ela possui uma aplicação simples que pode ser compreendida por qualquer um. É comum ouvirmos o termo relógio biológico sendo usado no senso comum, para determinar reações corporais ou fisiológicas, aspectos comportamentais e até mesmo para descrever rotinas de sono. E por mais que essa expressão possa ser utilizada em consenso por leigos, ela possui sim a sua fundamentação de forma cientifica, pois essa ciência está inteiramente ligada com o ciclo circadiano – que designa cerca de 24 horas do dia, influenciado principalmente pela variação de luz, para que aconteça o ciclo biológico de cada indivíduo. (ALVIM e COLTRO, 2015)

Mas onde está a clara ligação entre a cronobiologia ser uma ciência facilitadora no processo de educação?Qual é o fato que pode unir uma ciência biológica a uma ciência humana, como a neurociência e a pedagogia, por exemplo?

Acronobiologia, é a ciência biológica que estuda a forma dos seres vivos se expressarem de forma comportamental e fisiológica de maneira periódica. Já a educação é uma ciência humana que garante ao homem a assimilação de ideias, conceitos, símbolos, valores e habilidades. Isso faz com que a educação seja algo fundamental, para que o homem possa interagir com a linguagem, com a cultura e com a sociedade. Elas se ligam, quando passamos a compreender que o estado biológico de um indivíduo pode alterar a sua assimilação de conteúdo. (SQUARCINI e ESTEVES, 2013)

Imagem retirada da internet.

Levando isso em consideração, nota-se que na maioria das vezes o público geral está totalmente desinformado sobre as novas atualizações da ciência que podem facilitar o aprendizado e melhorar a qualidade de vida de uma pessoa. Isso pode ser mostrado com o exemplo de alunos das redes básicas de ensino, que em sua maioria são levados pela comodidade e conveniência familiar e são matriculados em períodos de estudos não favoráveis com o seu relógio biológico para a realização de tal atividade. (ANTICO e ROYER, 2010)

Esse fato elucida a explicação de problemas muito comentado entre professores como a falta de atenção, sonolência, distúrbios psicológicos e muitos outras características de um aluno que não apresenta um rendimento adequando dentro da sala de aula. Uma pequena solução para esse e outros inúmeros fatores, poderia ser a conscientização da cronobiologia para a população geral em um linguajar simples, onde todos fossem capazes de compreender sua importância no rendimento de um aluno ou de um ser humano em suas atividades durante o dia-a-dia. Esse pequeno fato, já propiciaria a melhora no rendimento educacional e na qualidade de vida de muitas pessoas. (ANTICO e ROYER, 2010)

Mesmo a cronobiologia sendo uma descoberta considerada recente nas pesquisas, a fácil aplicação do seu conhecimento, pode trazer melhoras incontáveis relacionadas principalmente a qualidade de vida da grande maioria da população. Sabe-se que ofato de compreensão da neurociência é algo bastante complexo para leigos por se tratar de uma ciência biológica profunda, porém, é fácil concluir que de nada adianta para um estudioso realizar inúmeras descobertas se não conseguir aplicá-las para gerar, que seja, um mínimo impacto na população geral.

 

REFERÊNCIAS

 

SQUARCINI, Camila Fabiana Rossi; ESTEVES, Andrea Maculano. CRONOBIOLOGIA E INCLUSÃO EDUCACIONAL DE PESSOAS CEGAS: DO BIOLÓGICO AO SOCIAL. Disponível em: <http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/26555/1/S1413-65382013000400004.pdf>.

 

ANTICO, Marli Aparecida Godoy; ROYER, Marcia Regina.EFEITO DA ALIMENTAÇÃO E CRONOBIOLOGIA NO PROCESSO DA APRENDIZAGEM. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2010/2010_fafipa_cien_artigo_marli_aparecida_godoy.pdf>.

ALVIM, Marcia Cristina de Souza; COLTRO, Raquel Evelin Gonçalves. B-SOCIETY. UM OLHAR DA CRONOBIOLOGIA EM PROL DE UM DIREITO FUNDAMENTAL. UMA PROPOSTA EDUCACIONAL.Disponivel em: <http://indexlaw.org/index.php/rdb/article/view/2821/2670>.

 

Fontes das imagens:
Imagem 1: https://www.news-medical.net/health/Circadian-rhythm-length-variations-early-birds-and-night-owls-(Spanish).aspx
Imagem 2: http://www.rodrigooller.com/autocontrole/aprenda-a-melhorar-a-qualidade-do-seu-sono/
Imagem 3: https://twitter.com/bbcbrasil/status/957454928481603584

28 de Janeiro de 2019 at 7:13 Deixe um comentário

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR SOBRE A CONSULTA DE ENFERMAGEM GERONTOGERIÁTRICA?

Isabela Vanessa Tavares Cordeiro Silva

Nayana Flor Ulbinski

Graduandas do Departamento de Enfermagem da

Universidade Estadual de Maringá – UEM.

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial e estima-se que no ano de 2025 existirá cerca de 1,2 bilhões de pessoas com a faixa etária acima de 60 anos de idade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o aumento da população idosa, faz-se necessário que programas de atenção ao idoso sejam criados pelos governantes e que os profissionais de saúde estejam sempre atentos às demandas do processo saúde, doença e reabilitação social destes idosos.

Para avaliar a saúde das pessoas e indicar tratamentos e cuidados, os profissionais de saúde realizam consultas, como o (a) enfermeiro (a).

A consulta de enfermagem é uma grande ferramenta para investigar como anda a saúde das pessoas. Quando realizada com idosos ela se chama consulta de enfermagem gerontogeriátrica e busca avaliar o envelhecimento normal e também aquele que é acompanhado de doenças e desgastes.

A consulta de enfermagem foi instituída pela Lei nº 7.498/1986 que regulamenta o Exercício da Enfermagem e é uma atividade privativa do enfermeiro que  realiza – por meio de uma conversa, da avaliação física, psíquica e social – o levantamento do estado de saúde, faz diagnóstico de situações que requerem cuidados especiais e prescreve cuidados.

 

Para desempenhar uma consulta gerontogeriatrica com qualidade e precisão, o enfermeiro utiliza alguns instrumentos que são recomendados internacionalmente e também no Brasil para avaliar sua condição geral de saúde (Física, Mental, Social). São eles:

MINI EXAME DO ESTADO MENTAL (MEEM): Trata-se de um teste breve de rastreio cognitivo para a identificação de demência, o seu escore é de 30 pontos indicando o maior desempenho cognitivo. A pontuação pode ser influenciada pela escolaridade do individuo.

ESCALA DE LAWTON E BRODY DE ATIVIDADES INSTRUMENTAIS DE VIDA DIÁRIA (AIVD): É uma escala que identifica se o idoso é capaz de realizar atividades do cotidiano como, por exemplo, limpar a casa. Desta forma este instrumento avalia o grau de dependência/ independência com escore final podendo-se ser os seguintes: independentes, capazes com auxilio e dependentes.

ESCALA DE DEPRESSÃO GERIÁTRICA (GDS): Esta escala é utilizada para o rastreamento de sintomas depressivos nos idosos, as perguntas que são realizadas na escala devem ter as respostas as respostas referentes a partir dos últimos 30 dias. O resultados podem ser menor de 5 pontos (idoso não apresenta sinais depressivos), se for 5 pontos( depressão) e maior que 11( depressão grave).

PROTOCOLO DE IDENTIFICAÇÃO DO IDOSO VULNERÁVEL VULNERABLE ELDERS SURVEY (VES-13): O VES-13 foi desenvolvido com o objetivo de identificar os idosos vulneráveis residentes da comunidade os critérios estabelecidos são: idade, auto-percepção da saúde, limitação física, incapacidades. Os idosos podem ser classificados como idoso robusto, risco de fragilização médio risco e frágil alto risco.

ÍNDICE DE KATZ: O índice de Katz avalia a capacidade funcional dos idosos pelo seu desempenho e dependência na atividade de vida diária, como: banhar-se vestir-se, ir ao banheiro, transferência, continência e alimentação. O escore final podendo-se ser os seguintes: independência, dependência moderada e muito dependente.

Depois de levantar essas informações, o enfermeiro faz o diagnóstico para definir quais situações específicas precisam de intervenção. Em seguida, é  organizado o plano de cuidados, que inclui intervenções para resolução dos problemas levantados.  Os diagnósticos e intervenções que a enfermagem estabelece são baseados em termos próprios, como a Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva (CIPESC)

Pode-se dizer seguramente que a consulta de enfermagem  gerontogeriátrica contribui para a saúde física, autonomia, integração social e independência do idoso e se faz imprescindível à necessidade de assistência de saúde voltada a população idosa em sua total dimensão auxiliando na prevenção de fragilidades e incapacidades, promoção, recuperação, reabilitação e/ou manutenção da saúde.

PARA SABER MAIS:

SAAD, Paulo M. Envelhecimento populacional: demandas e possibilidades na área de saúde. Séries Demográficas, v. 3, p. 153-166, 2016.

UNA-SUS. Universidade Federal do Maranhão. Cuidados de Enfermagem em Gerontologia. Ivone Renor da Silva Conceição (Org.). São Luís: UNA-SUS, 2014.

ROCHA, Maria José Gomes et al. Instrumento de coleta de dados para consulta de enfermagem em gerontogeriatria. 2016.

ALBUQUERQUE, Lêda Maria; CUBAS, Marcia Regina. Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva. São Paulo: Prefeitura da Cidade de São Paulo, s/a.

13 de Novembro de 2018 at 10:07 1 comentário

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