29 de Junho de 2012 at 13:31 Deixe um comentário

ESPAÇOS QUE PROMOVEM A SAÚDE POR MEIO DA ATIVIDADE FÍSICA EM MARINGÁ – PR: UMA OPÇÃO NA DOENÇA DE ALZHEIMER

Mateus Dias Antunes1

 

1 – Possui graduação em Fisioterapia pelo Centro Universitário de Maringá (2015). Especialista em Exercício Físico e Reabilitação do Idoso pela Faculdade Metropolitana de Maringá (2017) e Atualmente é Mestrando em Promoção da Saúde pelo Centro Universitário de Maringá (Bolsista CAPES). Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Promoção da Saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: Idoso, Promoção da Saúde, Atividade Física e Envelhecimento.

O crescimento da população idosa no mundo implica no aumento de problemas associados aos declínios no funcionamento dos órgãos e sistemas. Na saúde mental, aumentam o aparecimento das demências, e dentre os tipos, destaca-se a doença de Alzheimer, sendo mais prevalente, correspondendo a 70% dos casos no Brasil. A demência acomete ambos os sexos, sendo comum em pessoas com 60 anos ou mais. No Brasil, um fato preocupante é que as projeções indicam que a média de prevalência encontra-se mais alta que a mundial e os custos com os tratamentos também são elevados.

Em relação aos tratamentos, ainda não existe cura para a Doença de Alzheimer, porém os tratamentos farmacológicos e a reabilitação neurocognitiva são capazes de retardar e/ou estagnar temporariamente o avanço da doença. Estudos apontam que a prática regular de atividades físicas tem uma grande importância na Doença de Alzheimer. As atividades físicas estimulam o indivíduo, trazendo benefícios no sentido de: facilitar a redescoberta do esquema corporal; preservar as capacidades funcionais remanescentes durante o máximo de tempo possível; melhorar o aspecto moral e a confiança; restituir a autoestima e consequentemente, ajudar a manter certa qualidade de vida. Também já está sendo pesquisado, que a atividade física pode reduzir até 50% o risco de ter Doença de Alzheimer.

No município de Maringá existem diversos espaços e práticas que promovem a saúde dos idosos. Destacam-se as Academias da Terceira Idade, espaços gratuitos que tem na maioria dos bairros e locais turísticos da cidade, também existem lindos parques arborizados que permitem a prática de caminhada, as Universidades também constam com programas gratuitos para idosos, além disso, a Prefeitura conta com alguns programas realizados juntamente com as Unidades Básicas de Saúde de todos os bairros. Não fique parado, corra atrás para praticar atividade física e Promover a sua Saúde.

 

 

 

 

 

 

LEIA MAIS EM:

 

MATSUDO, Sandra Mahecha. Atividade física na promoção da saúde e qualidade de vida no envelhecimento. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 20, n. 1, p. 135-37, 2006.

 

MATSUDO, Sandra Mahecha. Envelhecimento, atividade física e saúde. Boletim do Instituto de Saúde, v. 1, n. 47, p. 76-79, 2009.

 

12 de Abril de 2017 at 15:02 Deixe um comentário

Controvérsia acadêmica -Mesentério é um novo órgão?

Texto produzido pelo Prof. Dr. Eduardo Cotecchia Ribeiro, Professor Associado de Anatomia Descritiva e Topográfica – Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.[i]

Vamos rever alguns conceitos já bem estabelecidos antes de dar minha opinião, cujo objetivo é colaborar com a discussão em pauta.

Tecido – formado por um grupo de células semelhantes que desempenha uma função especializada. Tipos: 1-epitelial (revestimento e glândulas); 2-conjuntivo (protege, sustenta, une e isola, sendo o mais abundante). Forma osso, cartilagem, gordura e sangue, cuja particularidade deste último é ter a matriz líquida (plasma); 3-muscular e 4-nervoso.

Órgão – formado por um grupo de tecidos (dois ou mais) que desempenha uma função específica. Alguns estudiosos complementam ao considerar que um órgão deve ter uma forma definida, como o coração, estômago, rim, entre tantos outros. Creio que nesse sentido estariam excluídas as túnicas como a pele e o peritônio, por exemplo.

Túnica (membrana) – envoltórios constituídos por tecido epitelial e tecido conjuntivo, como a mucosa, a serosa e a pele (cútis). Esta é considerada o maior órgão do corpo em diversos livros de Anatomia.

Deixando a polêmica de lado e considerando o conceito clássico de órgão, então devemos entender e aceitar as túnicas do corpo como sendo órgãos constituídos por dois tipos de tecidos.

Assim, o órgão é o peritônio (a mais extensa túnica serosa)todo e não somente uma de suas diversas projeções (reflexões) decorrentes do desenvolvimento embriológico, a exemplo do mesentério destacado pelos autores irlandeses.

Ainda devemos acrescentar que o peritônio é uma membrana extensa, contínua (partes parietal e visceral) e única, não fragmentada, que se molda e acompanha o complexo desenvolvimento do tubo digestório primitivo. Este fato justifica a importância de seu conhecimento anatômico aplicado à clínica.

FIGURA representando parte do intestino delgado com suas camadas de revestimento, e, evidenciando pela seta vermelha a direita o mesentério. Figura extraída de: TORTORA, G.J.; NIEGSEN, M.J. Princípios de Anatomia Humana. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013, p. 874.

FIGURA representando parte do intestino delgado com suas camadas de revestimento, e, evidenciando pela seta vermelha a direita o mesentério. Figura extraída de: TORTORA, G.J.; NIEGSEN, M.J. Princípios de Anatomia Humana. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013, p. 874.

Portanto, pelo exposto, não compartilho com a visão dos referidos colegas irlandese[i].

E mais, se eles propõem considerar o mesentério isolado e classificá-lo como órgão, deveriam também incluir os demais mesos que têm as mesmas características morfológicas de estrutura e função (mesocolo transverso, mesocolosigmóide, mesoapêndice, mesovário e até os omentos). Por que não?

Seguindo na mesma linha de raciocínio, deveríamos também considerar a pleura e o pericárdio como órgãos, por serem as outras duas túnicas serosas do corpo. OBS. As serosas apresentam um substrato de tecido conjuntivo com uma camada de células epiteliais secretoras, o mesotélio.

Para concluir, faço as seguintes considerações em relação ao que tem sido destacado por alguns profissionais da área ao justificar a proposta: 1- mesentério e produção de proteína C reativa. O fígado produz, tendo relação com processos inflamatórios em geral e não em particular com o mesentério; 2- doença de Crohn, comprometendo a parede intestinal e resultando em comprometimento do peritônio que reveste o intestino, como ocorre com a parte terminal do íleo; 3- paniculite mesentérica, comprometendo a gordura armazenada no mesentério, principalmente na sua raiz e, ocasionalmente, no mesocolo; isquemia mesentérica por obstrução dos vasos que fazem seu trajeto entre as lâminas do mesentério, entre outras alterações.

FIGURA representando peritônio e órgãos abdominais. Figura extraída de: TORTORA, G.J.; NIEGSEN, M.J. Princípios de Anatomia Humana. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013, p. 876.

FIGURA representando peritônio e órgãos abdominais. Figura extraída de: TORTORA, G.J.; NIEGSEN, M.J. Princípios de Anatomia Humana. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013, p. 876.

Portanto, os exemplos de problemas mencionados não são exclusivos do mesentério ou, em sentido mais amplo, do peritônio. São alterações primárias em órgãos que apresentam revestimento peritoneal e que podem refletir na proliferação da gordura que está armazenada na serosa, nos vasos sanguíneos e linfáticos que transitam entre suas lâminas ou em processo de fibrose do próprio peritônio, seja a parte que for desta ampla membrana de revestimento das paredes da cavidade abdominopélvica e seus órgãos.


[1] As notas de fim, figuras e suas legendas foram acrescentadas pela profa. Dra. Débora de Mello Gonçales Sant´Ana, do MUDI, visando ilustrar o texto e ampliar sua compreensão pelo público em geral.

[1] O autor do texto se refere ao artigo:

COFFEY, J.C.; O´LEARY, D.P. The mesentery: structure, funcion, and role in disease. Lancet GastroenterolHepatol 2016: 1: 238-247.

 

 

 

 

 

 

6 de Fevereiro de 2017 at 15:36 1 comentário

Esta barulheira de novo não!!! Os animais e os fogos de artifício

Nathália Cristina Gonzalez Ribeiro

Bióloga

Doutoranda em Biologia Comparada – PGB-UEM

Os fogos de artifício embelezam o céu desde o século XIV. Fonte: www.techtudo.com.br

Os fogos de artifício embelezam o céu desde o século XIV.
Fonte: http://www.techtudo.com.br

Nas finais de campeonatos de futebol, festas de final de ano, e em outras comemorações especiais, a bicharada sempre se depara com o mesmo problema: o barulho dos fogos de artifício. Podemos não perceber, mas a forma de manifestarmos nossa alegria pode ter um volume muito alto para a audição sensível de muitos animais domésticos e silvestres.

            Há relatos de que a utilização de fogos de artifício em comemorações cívicas ou religiosas tenha se iniciado no século XIV na Itália, na cidade de Florença. A partir de então, este hábito se difundiu e o espetáculo pirotécnico resultante de reações químicas passou a encantar adultos e crianças do mundo todo. Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor de fogos, perdendo apenas para a China. Existem quatro categorias de fogos: A, B, C e D. Destas, apenas o tipo A não produz estampido; provavelmente por isso seja o menos utilizado.

Muitos animais são sensíveis ao barulho causado pelos fogos de artifício. Fonte: http://www.ogritodobicho.com/

Muitos animais são sensíveis ao barulho causado pelos fogos de artifício.
Fonte: http://www.ogritodobicho.com/

Apesar da beleza momentânea produzida no céu noturno, o barulho decorrente dos fogos de artifício pode trazer graves malefícios para cães, gatos, cavalos, porcos, aves, dentre outros. Os estímulos gerados pelo medo provocam uma cadeia de reações relacionadas ao estresse que podem até mesmo levar o animal a morte. A tendência é que tentem fugir ou lutar, querendo se esconder ou tornando-se agressivos. Nessas situações, ocorrem muitos casos em que o animal se esconde em locais de onde depois não consegue sair, corra desesperadamente e não consiga retornar, seja atropelado, se choque com algum objeto ou, no caso das aves, abandone o ninho.

            Isso deve nos fazer pensar sobre até que ponto realmente precisamos dos fogos de artifício em nossas festas, já que trazem muito mais prejuízos do que benefícios. Portanto, respeite a fauna!

 

 

Para saber mais:

http://www.saocamilo-sp.br/pdf/bioethikos/155567/A04.pdf

http://assinaturadigital.cienciahoje.org.br/revistas/revistas/288/files/assets/common/downloads/Edi288.pdf

 

30 de Dezembro de 2016 at 20:53 Deixe um comentário

Atividade física e qualidade de vida

Fabio Acencio¹
Katiane Aparecida Soaigher¹
Rute Grossi Milani²
¹Mestrando em Promoção da saúde – UNICESUMAR¹
²Docente do programa de mestrado – UNICESUMAR²

Com o desenvolvimento tecnológico, a humanidade sofreu importantes transformações e adaptações, o corpo foi se acostumando com as evoluções que levaram a menor gasto energético, fazendo com que a população ficasse cada vez mais sedentária (MENDES, CUNHA 2013). O estilo de vida sedentário pode ocasionar problemas de saúde como: comprometimento funcional de vários órgãos, regressão funcional, diminuição da flexibilidade articular, diabetes, infarto do miocárdio, hipertensão arterial, obesidade, aumento do colesterol, hipotrofia de fibras musculares e até mesmo morte súbita (explicar os termos em amarelo). No entanto, apesar de a maioria das doenças relacionadas ao sedentarismo se manifestarem na vida adulta, elas começam a se desenvolver ainda na infância ou adolescência.

A preocupação com a qualidade de vida e os cuidados com a saúde vem sendo alvo de estudos de pesquisadores no mundo todo. Toda essa preocupação se justifica, pois, para manter um corpo saudável, devem-se adotar diferentes maneiras de agir e de pensar a saúde. Não se pode esperar que o organismo humano tenha um ótimo funcionamento por muito tempo se o mesmo não for utilizado corretamente, pois o corpo humano é planejado para movimentos e atividades, de modo que a atividade física de intensidade leve e moderada faz parte do estilo de vida padrão.

A obesidade é um problema de saúde que está diretamente relacionado ao estilo de vida das pessoas e diversos fatores influenciam para o desenvolvimento da mesma, como: os relacionados ao trabalho, à qualidade de sono, às formas de entretenimento e às relações culturais e sociais. A maior preocupação com relação à obesidade é a morbidade, porém há outras preocupações que se pode apontar, como a questão psicológica e motivacional. Um indivíduo obeso tem enorme dificuldade de autoaceitação, normalmente é mais suscetível ao isolamento social e sofre com a depressão (GOIS; BAGNARA, 2011).

A mudança de um comportamento sedentário para um estilo de vida ativo evita o risco de doenças crônicas degenerativas promovendo melhoras para a saúde. A prática de exercícios está diretamente ligada à melhora do humor e ao aumento do bem-estar, diminuindo os sintomas de ansiedade e depressão. Alguns dos benefícios obtidos pela prática frequente da atividade física são: emagrecimento, melhora da circulação sanguínea, aumento do metabolismo, fortalecimento do sistema imunológico, menor risco de doenças cardíacas, aumento da resistência óssea, melhora do equilíbrio e da coordenação dos movimentos, aumento da disposição e do bom humor, diminuição do estresse, ansiedade e depressão, melhora da autoestima, juntamente à da autoimagem corporal, melhoria da capacidade de aprendizagem e da qualidade do sono. As atividades físicas aeróbias, além de auxiliarem na redução de gordura corporal e manutenção da massa magra estão associadas com a melhora do perfil lipídico e a diminuição de doenças associadas à obesidade como: hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e menor risco de morte.

A inclusão da atividade física como prática diária é fundamental para que a pessoa possa ter um estilo de vida saudável. Embora a maioria das doenças relacionadas ao sedentarismo se manifestem na fase adulta, é evidente que se desenvolvam ou iniciem na infância ou adolescência, portanto,é necessário que seja enfatizada a importância da atividade física desde a infância, pois a maioria dos adultos sedentários foram crianças e/ou adolescentes sedentários.Para isso, não basta obrigar as crianças a praticarem exercícios físicos, mas sim mostrá-los de forma prazerosa, fazendo com que a criança se interesse pelos mesmos, sem deixar de lembrá-las da importância de realizá-los rotineiramente.Além dos esportes que divertem muitas crianças, há os jogos e brincadeiras recreativas que as fazem participar de forma prazerosa. Porém, sempre há aquelas que não querem sair da frente de aparelhos eletrônicos por nenhum motivo, para essas há alguns jogos de videogame com sensores, que se forem utilizados da melhor forma, trazem prazer e ajudam a diminuir o sedentarismo, pois exigem movimentação corporal.

Os adultos que já são sedentários também podem utilizar de meios tecnológicos para os ajudarem na prática de exercício, mesmo sendo certo que a melhor forma de praticar um exercício físico é com o acompanhamento de um profissional da área. A internet disponibiliza conteúdos que explicam e mostram atividades que podem ser realizadas em diversos lugares (em casa ou no trabalho), o que facilita a vida para aqueles adultos que mantêm uma rotina carregada de afazeres e necessitam de tempo. Com a prática de exercícios físicos vem a melhora das funções corporais e, junto a isso, uma vida mais prazerosa e com menores riscos de doenças. Uma forma muito utilizada por pessoas que querem combater o sedentarismo é mudar alguns hábitos simples no dia-a-dia, como ir de bicicleta a lugares não muito distantes, utilizar escadas em vez de elevadores, descer do ônibus um ponto antes do que se era de costume para que possam terminar o trajeto caminhando. Basta usar a criatividade e a vontade que as opções não terão fim.

Nesse processo, pode-se contar com o apoio do profissional de Educação Física o qual contribui para elevar a prática de atividade física da sociedade, na tentativa de evitar o aumento de casos de doenças crônicas, mostrando a importância de se exercitar e os benefícios que a vida ativa proporciona. E, para obter melhores resultados, o trabalho deve ser iniciado na infância para que a pessoa se acostume desde o início a obter hábitos saudáveis, transformando a prática de exercícios físicos em parte da rotina diária e em algo que, além de promover a saúde, proporcione o prazer em se movimentar.

http://www.saude.goiania.go.gov.br/html/noticia/13/04/Dia-Mundial.shtml

http://www.saude.goiania.go.gov.br/html/noticia/13/04/Dia-Mundial.shtml                                            

 

 

 

 

 

 

PARA SABER MAIS ACESSE:

http://dms.ufpel.edu.br/ares/handle/123456789/289

http://www.ceap.br/artigos/ART20092011233110.pdf

Referências

GOIS, Ismailei Marinara; BAGNARA, Ivan Carlos. Obesidade: consequências e tratamento. Revista Digital Buenos Aires,Buenos Aires, n. 156, p.2-5, 2016.

MENDES, Carlos Maximiano Leite; CUNHA, Rubens Cesar Lucena da.As novas tecnologias e suas influências na prática de atividade física e no sedentarismo. Revista Interfaces: Saúde, Humanas e Tecnologia, Botucatu, v. 1, n. 3, p.12-17, 2013.

 

 

29 de Agosto de 2016 at 8:42 1 comentário

Leishmaniose Visceral: uma doença letal

Autora: Karine Delgado Souza

Biomédica – Mestranda do programa de Biociências e Fisiopatologia

Com mortalidade global em 59.000 óbitos por ano, as leishmanioses constituem um grupo de doenças que permanecem como problema de saúde pública em pelo menos 88 países. A leishmaniose visceral (LV) tornou-se uma das doenças mais importantes da atualidade dada a sua incidência e alta letalidade, principalmente em indivíduos não tratados e crianças desnutridas, além de ser considerada emergente em indivíduos portadores da infecção pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV). Sabendo da grande importância dessa doença, um grupo de pesquisadores liderados pelo patologista Dr. Daniel Gomes de Alvarenga, da Universidade do Vale do Rio Doce, liderou um estudo em Campo Grande no Mato Grosso do Sul (MS), sobre os fatores associados a sua letalidade. Para o estudo, foram utilizados prontuários dos pacientes com diagnóstico clínico, epidemiológico e laboratorial de leishmaniose visceral, registrados entre 2002 a 2005 no  Serviço de Infectologia do Núcleo de Hospital Universitário (NHU) da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).

Clinicamente, a LV apresenta-se como uma doença generalizada, crônica, caracterizada por febre irregular e de longa duração, hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e do baço), linfadenopatia (dilatação dos linfonodos), anemia, emagrecimento, inchaço e estado de debilidade progressivo, levando à caquexia e, até mesmo, ao óbito. A evolução das formas clínicas é diversa, podendo o indivíduo apresentar desde cura espontânea, formas assintomáticas (não apresenta sintomas), até manifestações graves, podendo alcançar letalidade entre 10% em casos tratados de forma errada e 98% em casos não tratados. Para o tratamento, utiliza-se no Brasil o Glucantime® como medicamento de 1ª escolha, e a anfotericina B como droga de segunda escolha, de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde.  Todavia, apesar do tratamento, os últimos anos, a letalidade da LV vem aumentando gradativamente, passando de 3,6% em 1994 para 8,4% em 2004.

             Existem desvantagens ao uso do Glucantime® como a resistência ao medicamento, administração intramuscular, e efeitos colaterais transitórios e algumas vezes letais em pacientes portadores de pancreatite, pneumonia e de doenças renais, hepáticas e cardíacas. Entretanto, o baixo custo é um fator importante para que esta droga seja a primeira escolha em regiões endêmicas mundiais, inclusive no Brasil. No estudo, oito pacientes fizeram o uso de Glucantime® (mesmo sabendo das contraindicações) e tiveram uma letalidade de 85%. Também foi mostrado que o prognóstico da doença se torna ruim quando ela é associada à presença de outras doenças (cardiopatias, hepáticas e renais), e piora ainda mais quando o Glucantime® é administrado.

Foi concluído que a alta letalidade nos casos de leishmaniose visceral no Brasil, principalmente na região de Campo Grande (MS), demonstra a falta de estudos e conhecimento acerca dos medicamentos utilizados no tratamento. Os pesquisadores também sugerem que o prognóstico da doença torna-se ruim quando a mesma é associada à presença de outras enfermidades, e torna-se pior ainda quando o Glucantime® é administrado nestes pacientes. Com a releitura do uso e indicações das drogas, a partir de 2004 pelo Ministério da Saúde, em que pacientes com co-morbidade estão contraindicados para fazer uso de Glucantime® espera-se um decréscimo da letalidade ao longo dos anos.

Para saber mais acesse:

ALVARENGA, D. G. et al. Leishmaniose visceral: estudo retrospectivo de fatores associados à letalidade. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 43(2):194-197, abri, 2010.

https://museudinamicointerdisciplinar.wordpress.com/2015/07/21/leishmaniose-visceral-voce-conhece-essa-doenca/

http://www.facene.com.br/wp-content/uploads/2010/11/Leishmaniose-visceral-humana_com-corre-%E2%94%9C%C2%BA%E2%94%9C%C3%81es-dos-autores_25.10.12-PRONTO.pdf

11 de Agosto de 2016 at 8:38 Deixe um comentário

QUEDAS NA TERCEIRA IDADE: UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA

Adriane Behring Bianchi1

Glaukus Regiani Bueno1

Mateus Dias Antunes1

Tiago Franklin Rodrigues Lucena2

  1. Fisioterapeutas e Mestrandos em Promoção da Saúde do Centro Universitário de Maringá – (UNICESUMAR).
  2. Docente do Mestrado em Promoção da Saúde do Centro Universitário de Maringá – (UNICESUMAR).

As quedas na terceira idade atingem muitos indivíduos e por isso são consideradas um relevante problema de saúde pública. Elas podem ter graves consequências, como tornar o idoso dependente (perda da autonomia) nas atividades de vida diária ou até causar uma fatalidade. Dessa forma, investir na prevenção das quedas é muito importante.

            O processo de envelhecimento acarreta diminuição de força muscular, elasticidade e alterações no sistema sensorial, levando a prejuízos no equilíbrio e propensão a fraturas. Estudos mostraram que as quedas atingem cerca de 32% dos idosos, e destes, 19% tiveram fratura como conseqüência.  Entre as principais causas de quedas encontra-se a diminuição do equilíbrio.

            A atividade física é uma das estratégias mais eficazes para diminuir o risco de quedas. Além da adequação do espaço da casa evitando a inserção de elementos que funcionam como fatores de risco: pisos e tapetes escorregadios, etc. Exercícios vestibulares, de equilíbrio, fortalecimento muscular e estimulação proprioceptiva são importantes para a prevenção. O fisioterapeuta é um profissional qualificado para prescrever um protocolo de exercícios físicos direcionado ao idoso, que visa não somente a prevenção de quedas, mas também melhora da saúde integral e qualidade de vida.

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS:

 

BRITO, T.A.; FERNANDES, M.H.; COQUEIRO, R.S.; JESUS, C.S. Quedas e capacidade funcional em idosos longevos residentes em comunidade. Texto Contexto Enferm, v.22, n.1, p.43-51, 2013.

 

CASTRO, M.F.; SANCHEZ, E.G.M.; FELIPPE, L.A.; CHRISTOFOLETTI, G. O papel da fisioterapia no controle postural do idodo. Revista Movimenta, v.5, n.2, p.172-179, 2012.

 

CRUZ, D.T.; RIBEIRO, L.C.; VIEIRA, M.T.; TEIXEIRA, M.T.B.; BASTOS, R.R.; LEITE, I.C.G. Prevalência de quedas e fatores associados em idosos. Rev Saúde Pública, v.46, n.1, p.138-46, 2012.

 

PEREIRA, E.M. O processo de envelhecer na dimensão cultural. In: PEREIRA, E.M.; BONINI, J.S. Envelhecimento e suas implicações para a área da saúde. Guarapuava: Unicentro, 2014.

 

PERRACINI, M.R. Manejo de quedas em idosos. In: RAMOS, L.R; CENDOROGLO, M.S. Guia de geriatria e gerontologia. 2 ed. Barueri, SP: Manole, 2011.

28 de Julho de 2016 at 12:51 Deixe um comentário

COMO EVITAR A CONSTIPAÇÃO INTESTINAL EM IDOSOS

Mateus Dias Antunes¹

Adriane Behring Bianchi¹

Glaukus Regiani Bueno¹

Sonia Maria Marques Gomes Bertolini²

  1. Mestrandos em Promoção da Saúde do Centro Universitário de Maringá – (UNICESUMAR).
  2. Docente do Mestrado em Promoção da Saúde do Centro Universitário de Maringá – (UNICESUMAR).

O crescimento da população idosa já é considerado um fenômeno mundial. Um dos problemas encontrados no dia a dia dos idosos é a constipação intestinal. Considera-se constipação um atraso na eliminação fecal ou retenção anormal no intestino.

Existem diversos fatores que contribuem para o aparecimento da constipação intestinal, entre eles, o uso de medicamentos, a dieta, alterações endócrinas e psicossociais. A falta de conhecimento sobre este ocorrido pode levar ao aparecimento de lesões e incontinência urinária.

As mudanças de comportamento e estilo de vida são fundamentais para prevenção e melhora da constipação intestinal. Uma alimentação rica em fibras (grãos integrais, farelo de trigo, soja, centeio e verduras), beber água regularmente e realizar atividades físicas regularmente ajudama melhorar o funcionamento gastrointestinal e evitar a constipação intestinal.

ALGUMAS DICAS

  • Coma frutas, se possível com a casca.
  • Beba muita água.
  • Tente evitar crises de ansiedade e situações de estresse.
  • Sempre que estiver com vontade vá ao banheiro.

REFERÊNCIAS

  1. YUKI, Mika et al. EffectsofDaikenchutoon Abdominal BloatingAccompaniedbyChronicConstipation: A Prospective, Single-Center Randomized Open Trial . CurrentTherapeuticResearch, v.77, p.58-62, 2015.

  1. SAGAE, UnivaldoEtsuoet al. Effectivenessofbiofeedbacktherapy in patientswithchronicconstipation. JournalofColoproctology. V, 32, n.1, p.65-71, 2012.
  2. CEÑA, Domingo Palacioset al. Time trends in leisure time physicalactivityandphysical fitness in theelderly: Five-year follow-up ofthe Spanish National Health Survey (2006–2011). BMC Public Health, v. 80, n.4, p.391-398, 2015.
  3. http://medicinanatural.blogspot.com.br/2014/07/prisao-de-ventre.html Acesso em 08/07/2016 as 12:11.

25 de Julho de 2016 at 9:11 Deixe um comentário

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