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29 de Junho de 2012 at 13:31 Deixe um comentário

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS DISPONÍVEIS GRATUITAMENTE

Isabela Vanessa Tavares Cordeiro Silva

Graduanda do Departamento de enfermagem da

Universidade Estadual de Maringá – UEM.

Existem métodos contraceptivos de barreira e hormonais disponíveis gratuitamente em serviços de saúde pública. Estes métodos podem ser adquiridos em instituições vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), como as Unidades Básicas de Saúde (UBS). A seguir, estará descrito os métodos de barreiras disponíveis pelo SUS.

MÉTODOS DE BARREIRA

São métodos eficazes de barreira física para impedir a progressão do espermatozoide ao óvulo, consequentemente, não ocorrendo à fecundação. Desta forma, evita-se uma gestação não planejada e uma possível infeção sexualmente transmissíveis (IST). As IST podem ser causadas por mais de 30 agentes etiológicos, dentre eles: vírus, fungos, bactérias e protozoários.

Camisinha masculina e feminina é um tipo barreira. Feita de látex ou de poliuretano, que impede que o espermatozoide chegue ao útero. É considerado, o método de barreira mais seguro, pois apresenta uma taxa de 90-95 % de eficácia na prevenção de IST e gravidez não desejada.

 

MÉTODOS HORMONAS

São métodos não permanentes, só tem efeito enquanto é usado.É um dos mais utilizados pela população feminina brasileira. Composto pela associação de estrogênio e progestagênio; ou de progestagênio isolado. Tem por função não permitir a gravidez, bloqueando a ovulação,e espessando o muco cervical para dificultar a passagem dos espermatozoides.

Pílulas hormonais, são comprimidos que pode conter os dois hormônios  femininos: progestagênio e estrógeno. A forma de administração é por via oral, um comprimido ao dia. A eficácia é de 99,7% em seu uso ideal e de 92,0% em seu uso típico.

Anticoncepcional injetável, são administrados via intramuscular. A diferença entre o injetável e a pílula é que de preferência deve ser administrada por profissionais capacitados da área da saúde, essa administração ocorre de forma mensal ou trimestralmente.  Sua eficácia é de 99,9% uso ideal 97,0% em uso típico.

Dispositivo intrauterino (DIU) hormonal é um dispositivo plástico em forma de T que libera um tipo de hormônio progestagênio. O Diu, é inserido pelo médico dentro do útero da usuária , ele funciona basicamente suprimindo  o crescimento da membrana  que recobre a parede da cavidade uterina.  Existem casos específicos em que a mulher necessita deste dispositivo, o médico é o profissional capacitado nestes casos.  Sua eficácia é de 99,8%.

Pílula de emergência, conhecida popularmente pela pílula do dia seguinte.  É um anticontraceptivo que pode evitar a gravidez após a relação sexual.  Seu uso é indicado em situações especiais ou de exceções, evitando a gravidez indesejada. A associação que contém etinil-estradiol e levonorgestrel é a recomenda pela Organização mundial da Saúde. São divididas em doses iguais, deve ser ingeridas a cada 12 horas, ou ingeridas em dose única. Recomenda-se o uso imediato após o contato sexual desprotegido, o tempo estipulado máximo para o uso é de até 72 horas após o ato.

 

Todavia, é necessário tomar cuidados. Pois as relações sexuais sem proteção aumentam a incidência de Infecções Sexualmente Transmissíveis no Brasil .  Caso haja relação sexual sem proteção, procure uma UBS ou o Centro de Testagem e Aconselhamento em DST/AIDS (CTA). Estas unidades realizam os testes rápidos, e quaisquer resultados obtidos serão mantidos em sigilo. Cuide de si e do seu parceiro, o SUS oferece ferramentas  de prevenção coletiva e individual, previna-se de forma gratuita.

Para saber mais:

BRITO, Milena Bastos et al. Contracepção hormonal e sistema cardiovascular. ArqBrasCardiol, v. 96, n. 4, p. 81-9, 2011.

https://www.abcdasaude.com.br/ginecologia-e-obstetricia/anticoncepcao-metodos-hormonais, acessado em 14/10/2017.

https://nacoesunidas.org/cerca-de-79-das-brasileiras-usaram-metodos-contraceptivos-em-2015-informa-onu/

20 de Novembro de 2017 at 8:59 Deixe um comentário

BICHOS DE ONTEM, BICHOS DE HOJE. A DIVERSIDADE ATRAVÉS DOS TEMPOS

Ivan de Carvalho Santos Lima

Biólogo e divulgador científico

Um amigo que se mudou para a França me pediu que cuidasse de seu bichinho de estimação, um iguana verde, lagarto muito comum no continente americano. O nome que escolheram para o bichinho? DINO. Em nenhum momento se tornou um monstro enorme e agressivo. Pelo contrário, minha relação com ele é de carinho, e o nome se deve exclusivamente ao fato de que, como muitas pessoas dizem espontaneamente, ele se parece com um dinossauro em miniatura…!

Quando Charles Darwin brindou o mundo com explicações plausíveis sobre os mecanismos pelos quais as espécies de seres vivos se modificam através dos tempos, evitou usar a palavra mais associada a ele: evolução. O naturalista inglês preferia usar termos mais brandos, como “descendência com modificação”, pois acreditava, com razão, que uma ave de milhões de anos atrás não é melhor que uma ave de hoje. É apenas uma ave diferente, adaptada a um ambiente diferente.

Outra interpretação recorrente dos processos evolutivos que não pode ser vista com rigor é que ocorrem substituições de seres primitivos que se tornam extintos por outros bem diferentes que assumem suas posições na estrutura dos ecossistemas do planeta. É óbvio que novas espécies substituem espécies extintas, mas não sãotão diferentes quanto gostamos de imaginar. Ainda mais porque os organismos atuais têm sua origem genética em organismos que perpetuam suas características mais eficientes na sua descendência, assim como serão no futuro as espécies produzidas pelas populações atuais.

A semelhança de répteis atuais com muitos répteis do passado se repete em muitos outros grupos de seres vivos, e isso não significa que todos os grupos primitivos tenham deixado descendentes que preservaram algumas de suas características. Os trilobitas foram artrópodes primitivos que dominaram o ambiente do período Cambriano até o Siluriano, e se diversificaram durante quase 300 milhões de anos, mas não deixaram descendentes diretos.

Seu grupo, no entanto, descende de ancestrais que deram origem ao mais numeroso filo animal da atualidade.

Em outros casos, as diferenças são mínimas. Ostras fósseis da região da Patagônia Argentina são bem parecidas às ostras atuais, com a diferença visível no tamanho, pois são dezenas de vezes maiores, com conchas bem mais robustas. Um outro tipo de molusco bem comum hoje, bivalves do gênero Donax, muito comum em praias do mundo inteiro e lembram uma borboletinha quando suas conchas estão abertas, tiveram um ancestral comum com outro gênero bem maior e igualmente abundante no passado, as trigônias (Gênero Trigonia). E a semelhança entre elas é evidente, apesar da concha das trigônias serem muito mais ornamentadas.

Entre as plantas ocorre também essas semelhanças. A visão de um samambaiaçu petrificado em corte (Tieteasingularis) é tão semelhante a um xaxim atual que seu pertencimento ao grupo das pteridófitas pode ser identificado por qualquer pessoa que já tenha cortado um xaxim para fazer um vaso.

Apesar da grande semelhança na distribuição de vasos condutores e na forma das frondes (folhas) entre samambaias atuais e as extintas, o tamanho de muitas espécies ancestrais permitia a formação de extensas florestas no período Carbonífero. Era uma época em que ainda não haviam árvores floríferas e frutíferas. Não haviam gramíneas, e os campos dos períodos posteriores que serviriam de pasto a muitos dinossauros eram cobertos de samambaias.

Entre as semelhanças mais evidentes entre seres extintos e atuais estão os moluscos cefalópodes chamados de nautilóides. Tanto os extintos amonites, que podiam chegar ao tamanho de um pneu de trator, quanto os atuais Nautiluspompilius, são parentes dos polvos com tentáculos dotados de ventosas e com uma concha cheias de cavidades que se preenchem de gases para flutuabilidade.

Os amonites tinham conchas em espiral, mas existiam outros com conchas retas e cônicas, os Ortocerátopos. Alguns chegavam ao comprimento de um caminhão.

A semelhança entre os nautilóides é tão grande que paleontólogos tiram conclusões da biologia dos amonites a partir da observação dos hábitos dos Nautilus. Talvez seja por esse motivo que as pessoas fiquem impressionadas ao observar de perto o iguana Dino, e vejo, com certeza, no seu olhar, o brilho primitivo de um dinossauro.

 

Caso você queira conhecer vários dos seres citados nesse artigo, visite a exposição “Passado e Presente da Biodiversidade”, no MUDI, Museu Dinâmico Interdisciplinar da UEM (Universidade Estadual de Maringá).

13 de Novembro de 2017 at 9:01 Deixe um comentário

Onicomicoses: um problema que têm solução!

Lenisa Vieira Vilegas

Pós graduanda do Programa de Biociências e Fisiopatologia/PBF – UEM

Questionamentos e trocas de experiências sempre tem, agora, solução do problema que tanto os incomoda já é outra questão; para uns quase que impossível, reinando um conformismo de conviver com uma unha doente para o resto da vida. Saiba você que este problema têm solução sim!

Na maioria desses casos o que está acontecendo na “unha doente” e gerando os aspectos tão indesejados como: descolamento, espessamento, irregularidades na forma, leuconíqueas (manchas esbranquiçadas na superfície da unha), friáveis, paroníquea (inflamação ao redor da unha), dor e alteração de cor é devido a infecção das unhas por fungos, chamada de Onicomicose, como demonstrados alguns casos nas figuras abaixo:

Figura 1https://whislerscience.wikispaces.com/2008-2-Accessory+Organ+Disorders

A onicomicose pode ser causada por dois tipos de fungos, fungos filamentosos e fungos leveduriformes.Sabendo disto, vamos aprofundar um pouco mais nosso conhecimento. Se podemos nos infectar com diferentes tipos de fungos e que cada tipo de fungo têm diferentes opções de tratamentos. Assim fazer um diagnóstico preciso com exames específicos é fundamental para termos sucesso no tratamento, até a cura.

Existem dois exames para diagnosticar e descobrimos qual é exatamente o fungo causadorda onicomicose: o exame micológico direto (EMD) e a cultura, onde o biomédico ou bioquímico fará as análises das características morfológicas, microscópicas e macroscópicas, respectivamente, dos fungos que estiverem presentes no material coletado do paciente, que é basicamente um raspado para coletar as escamas junto com o fungo da unha afetada. Não se assuste! A coleta é absolutamente indolor, porém deve ser feita por pessoas especializadas e seguindo todas as recomendações do médico e do laboratório de escolha.

Quanto ao tratamento, vai depender do diagnóstico, uma vez que, como já aprendemos, dependendo da espécie do fungo temos diferentes indicações de medicamentos. Após fazer o exame de diagnóstico é fundamental retornar ao médico com o resultado dos exames, para que, com a experiência e estudos na literatura, ele possa nos auxiliar a escolher a melhor dose e forma de administração (tópica ou via oral) para curar a onicomicose.

O grande problema da onicomicose é que, devido ao local da infecção, o tratamento pode ser em alguns casos relativamente longo, ao longo de semanas, meses a anos. Um segundo ponto negativo é que dos poucos medicamentos disponíveis nas farmácias atualmente, muitos destes podem ter contraindicações e efeitos colaterais, como: dores abdominais, náuseas, alterações no fígado, interações medicamentosas, entre outros problemas que podem gerar incômodo ao paciente. Essa soma de pontos críticos pode levar a muitos pacientes a desistirem do tratamento e buscar métodos caseiros, que podem ser muito perigosos e tóxicos à saúde, e ainda que visualmente aparente uma melhora no quadro clínico, não solucionará o problema efetivamente. Após um tempo a micose voltará a aparecer, podendo ter sintomas mais agressivos, a ponto de se perder a unha temporariamente.

Agora que aprendemos um pouco mais sobre o assunto, podemos ser mais criteriosos com nossas unhas e dar um bom conselho aos colegas ao nos depararmos com casos semelhantes: procurar um médico o quanto antes é sempre a melhor opção. Afinal quanto antes for realizado o diagnóstico melhor, pois podemos ter mais opções para tratar efetivamente, em um menor tempo, consequentemente menos dinheiro gasto com tratamentos caseiros incertos e perigosos à sua saúde.

Saiba mais em:

https://www.mdsaude.com/2012/11/micose-de-unha-onicomicose.html

http://www.sbd.org.br/cuidado/onicomicose/

https://www.abcdasaude.com.br/dermatologia/onicomicoses

31 de Outubro de 2017 at 14:56 Deixe um comentário

Como ocorre a divulgação da ciência por meio de exposições e feiras?

Camila Girotto da Silva

Bióloga

Mestranda pelo programa de pós graduação em Biociências e Fisiopatologia (PBF)

As exposições e feiras são meios de comunicação dirigidos a um grande público e tem a finalidade de transmitir ideias, informações e emoções relativas às evidências materiais do homem e dos seus meios circundantes, com o auxílio de métodos visuais e multidimensionais. Elas podem envolver diversas disciplinas específicas que em conjunto, dominam competências de investigação de escrita, interpretação e estética.

O que difere as exposições das feiras de ciências é que as feiras são exposições públicas de trabalhos científicos e culturais realizados por alunos e geralmente ocorrem premiações dos melhores trabalhos. Os alunos efetuam demonstrações, oferecem explicações orais, contestam perguntas sobre os métodos utilizados, com o intuito de expor projetos elaborados com fundamentos científicos de estudos realizados durante o ano letivo, fazendo com que haja a popularização do conhecimento científico e a descoberta de novos talentos a partir da elaboração e desenvolvimento dos projetos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Dentre os principais objetivos destas manifestações, pode-se mencionar: a promoção da instituição que organiza a exposição, o aumento dos conhecimentos dos visitantes e fornecimento de objetos e a informação necessários para que ocorram novas aprendizagens, ativar a curiosidade e imaginação no sentido de estimular o desejo de aprender, fortalecer a confiança dos visitantes em relação ao museu, estimular estudantes nas atividades de iniciação científica e tecnológica desenvolvidos na região e promover a integração entre as instituições de ensino da região e o meio industrial e empresarial.

Para a organização de uma exposição, é necessário seguir quatro fases:

  • Conceitual- recolhimento de ideias para o tema da exposição;
  • Desenvolvimento- planejamento e o inicio da produção;
  • Funcional- início da fase operacional, e a de instalação, dando início a exposição;
  • Avaliação- consiste em perguntas sobre a exposição que são respondidas pelos visitantes, para que possam ser realizadas melhorias para as futuras exposições.

Existem três trabalhos principais que são realizados em feiras, os trabalhos de:

  • Montagem- É relacionado às engenharias, produção de novos dispositivos voltados a soluções práticas de problemas cotidianos;
  • Informativos- são didáticos, visam ilustrar, aplicar e mostrar os princípios científicos de funcionamento de certos objetos, dispositivos, mecanismos e processos;
  • Investigatórios- Associados a projetos de pesquisa que buscam descrever pesquisas realizadas em torno de problemas e situações do mundo científico, tecnológico ou do cotidiano, visando maior compreensão e a indicação de possíveis soluções.

Para a realização da divulgação da ciência por meio de exposições e feiras é necessário ter um bom planejamento e treinamento dos expositores, para que tenham uma maior segurança em relação a sua apresentação, fornecendo uma linguagem acessível ao publico. Além de dedicação e esforço por parte dos estudantes que desenvolvem seus projetos de pesquisa para as feiras de ciências.

Para saber mais:

Santos, A. Feiras de ciência: Um incentivo para desenvolvimento da cultura científica. Rev. Ciênc. Ext. v.8, n.2, p.155-166, 2012.

Vieira, H. I.A. Exposições. Porto, Julho de 2009

Wiggers, C. Santos, S. Exposições científicas: uma oportunidade de pesquisar e compartilhar conhecimentos.

 

 

24 de Outubro de 2017 at 9:34 Deixe um comentário

Uma questão de vida ou morte

Isabele Pierin Carneiro. Bióloga Licenciada – UEM

Lyvia Eloiza de Freitas Meirelles. Biomédica – UEM. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em

Biociências e Fisiopatologia – UEM

Lucas Henrique Xavier. Biólogo – UENP. Mestre em Biologia das Interações Orgânicas e Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia Comparada – UEM

Drama romântico dirigido por Thea Sharrock, o filme Me before you  (Como eu era antes de você) conta a história de Louisa Clark, uma jovem que trabalha como garçonete em uma cafeteria, para ajudar nas despesas de casa. Ao ser despedida, vai em busca de um novo emprego, porém não possui muitas qualificações e então consegue um novo trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Seu nome é Will Traynor, um jovem inteligente e rico, mas depois de ter sido atropelado por uma moto, desconta toda a sua amargura em quem estiver ao seu redor. No entanto, Will sabe como parar com seu sofrimento. A família de Will acredita que Louisa pode ajudá-lo a retomar seu ânimo de viver e desistir da ideia de solicitar eutanásia na Suíça, por ser uma mulher positiva e extrovertida.

O termo eutanásia foi proposto por Francis Bacon, em 1623, em sua obra “Historia vitae et mortis”, como “tratamento adequado para doenças incuráveis”. Este termo caracteriza-se pela escolha do indivíduo em morrer de uma forma considerada digna e sem sofrimento. Desta forma, a eutanásia seria justificada como uma forma de evitar um sofrimento acarretado por uma doença terminal ou processo irreversível que cause um padecimento insuportável sem perspectivas de melhora no indivíduo.

Apenas seis países no mundo consideram essa prática legal, sendo a Suíça o mais conhecido e que aceita receber pessoas do mundo todo para a prática da eutanásia. No Brasil, a eutanásia é considerada homicídio, prática ilegal, segundo o previsto pela legislação nacional, no art. 121 do Código Penal.

Argumentos contra e a favor a eutanásia nos remetem a inúmeras questões em torno do significado da vida. Uns dizem que é uma forma do enfermo interromper um sofrimento, já que a própria medicina não oferece alternativas para o alívio do mesmo. As pessoas que se opõem à eutanásia, principalmente por questões religiosas, alegam que não se pode adiantar a morte de uma pessoa, visto que vai contra a vontade de uma divindade, por exemplo. Mas o que é vida para você? Vale a pena continuar vivendo com sofrimento, sem meios de melhora nem alívio, até que a morte natural chegue? Para Will, a condição que ele estava vivendo não significava mais vida. Cabe a quem julgar isso? Viver ou morrer, eis a questão.

 

Ficou curioso sobre o assunto? Saiba mais em: http://revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica/article/viewFile/292/431

 

 

16 de Outubro de 2017 at 14:25 Deixe um comentário

O ELO RAZÃO E EMOÇÃO

Waylla Albuquerque de Jesus

 

Biomédica

Especialista em Docência no Ensino Superior 

Mestranda PBF- UEM, Micologia Médica

A ciência dedica-se a emoção em suas muitas dimensões e satisfaz-se definitivamente com essa crescente curiosidade com o tema. Freud fez da emoção sua peça principal de estudo. Temos também Charles Sherington que se aprofundou no estudo neurológico dos circuitos cerebrais, entre elas as conexões envolvidas na emoção.

Já no século XX a ciência da mente se agrupou em temas e especialidades que chamamos de Neurociência. Depois da publicação do livro o Erro de Descartes do autor Antônio R. Damásio, em 1994 os neurocientistas começaram a estudar as emoções em ratos, e publicar em seus livros, alguns laboratórios dos EUA e Europa voltaram seus olhos para pesquisas relacionadas a emoção, sendo um dos pontos principais a abordagem no livro, da relação entre razão e emoção.

Descartes trata emoção e razão ao contrário, onde que o raciocínio deve ser feito de uma forma pura dissociada das emoções, na verdade são as emoções que permitem o equilíbrio das nossas decisões.

Os mecanismos da razão eram separados da mente, e as emoções tomam decisões por nós ou que não somos seres racionais. Mas os aspectos da emoção e sentimento são indispensáveis para racionalidade. E a emoção busca entender a maquinaria neurológica subjacente a razão e a tomada de decisão.

A história que aborda a razão e emoção é a de Phineas P Gage,  25 anos de idade, um capataz da construção civil, que sofreu um terrível acidente de trabalho enquanto trabalhava na estrada de Ferro Rutland & Burlington na Inglaterra.  Gage manuseava a pólvora na barra de ferro, e no momento eis que surge uma faísca na rocha e a carga explosiva arrebenta-lhe o rosto, o ferro que pesava 6 quilos entra pela face esquerda dele, trespassa a base do crânio. O incrível foi a sobrevivência de Gage, que ganhou a capa de jornais de Vermont.

Figura 1. Phienas Gage, com a barra de ferro, que tornou seu comportamento explosivo. https://www.tes.com/lessons/CudugoeTIsg4-A/phineas-gage

A partir daquele momento Gage foi mostrando que casos de lesões neurológicas o cérebro é o alicerce da linguagem, da percepção, das funções motoras, em certo sentido faz com que o cérebro humano seja mais dedicado ao raciocínio.

No caso de Gage, houve uma lesão neurológica afetando propriedades humanas únicas.  Sendo então o fator de sua estrutura da personalidade normal antes do acidente, e o surgimento então de sua personalidade perversa.  Passando a ter escolhas erradas, e as quais fazia não eram neutras.  Phineas Gage, mostrou as diferenças em seu caráter degenerado e a integridade de elementos como atenção, linguagem, memória e inteligência.

Compreender a alteração de comportamento de Gage significaria acreditar que a conduta social normal requeria uma região cerebral correspondente particular. O caso de Gage foi, de fato, utilizado por aqueles que não acreditavam que as funções mentais pudessem estar associadas a áreas cerebrais específicas. Os dados médicos foram superficialmente analisados e defendeu-se que, se uma ferida como a de Gage podia não produzir paralisia ou limitações na fala, então era óbvio que nem o controle motor nem a linguagem podiam estar localizados nas relativamente pequenas regiões cerebrais que os neurologistas tinham identificado como o centro motor e o centro da linguagem.

Não restam dúvidas de que a alteração da personalidade de Gage foi provocada por uma lesão cerebral a um local específico. A explicação só se tornaria evidente duas décadas depois do acidente e só veio a tornar-se vagamente aceitável neste século. Tudo o que sabíamos acerca da lesão cerebral de Gage era que ela provavelmente se localizava no lobo frontal (parte da frente do cérebro, testa).

A partir desta observação o autor sugere o déficit no comportamento emocional como causa da dificuldade em tomar decisões racionais. Segundo ele, a razão, por si só, não sabe quando começar ou parar de avaliar custos e benefícios para uma tomada de decisão. Podemos deduzir que Gage, não sentia vergonha dado ao uso que fazia de linguagem obscena e da exposição pública de sua própria desgraça, dada a falta de emoções e sentimentos.

Uma explicação para o caso de Gage. A escolha da tomada de decisão quanto a um problema pessoal típico colocado no ambiente social, que é complexo e o resultado final e incerto. O conhecimento geral inclui fatos, objetos, pessoas, situações do mundo externo. Sendo assim os processos da emoção e dos sentimentos fazem parte integrante da maquinaria neural para regulação biológica sendo constituído por controles homeostáticos, impulsos e instintos.

E um dado importante seria o design do cérebro que não e único, mais cheio de regiões cerebrais relativamente separadas, mesmo com a alusão que tudo se encontra em um único teatro anatômico.  Damásio enfatiza a mente, como a construção de imagens para cada diferente modalidade que tem a probabilidade de ocorrer, mas em lugar algum iremos encontrar uma única área a qual esses produtos separados seriam projetados com exatidão e registro.

Referencias:

  1. 1 O Erro de Descartes: Emoção, Razão e o Cérebro Humano, de António R. Damásio (São Paulo: Companhia das Letras, 1996, SBN 85-7164-530-2, 336 páginas
  2. Carlos Tomaz é professor do Instituto de Biologia, Departamento de Ciências Fisiológicas e Centro de Primatologia da Universidade de Brasília, Laboratório de Neurobiologia. Endereço para correspondência: Laboratório de Neurobiologia, UNB, C. Postal 04631, 70910-900, Brasília, DF. E-mail: ctomaz@unb.br. Lilian G. Giugliano é estudante do Curso de Biologia da Universidade de Brasília e bolsista do programa PETBiologia/CAPES/UnB.
  3. Mais informações você encontra em. http://www.appp.com.br/blog/a-relacao-emocao-razao-o-que-voce-pensa-sobre-essa-questao/3576/

 

12 de Outubro de 2017 at 9:19 1 comentário

Candida krusei: Que fungo é esse?

 

 


Daniella Renata Faria (Biomédica)

Mestranda em biociências e fisiopatologia PBF/UEM

Candida é um gênero de leveduras (um tipo de fungo) que abrange um grande número de espécies. A maioria é essencialmente inofensiva e habita na microbiota normal do nosso corpo, principalmente boca, vagina, intestino e pele. Entretanto, o fungo denominado Candida são microrganismos oportunistas e se aproveitam do enfraquecimento do sistema imunológico/imunossupressão para invadir o tecido e causar infecção. Indivíduos com câncer, diabéticos, subnutridos, que passaram por procedimentos cirúrgicos (ex. transplantes), portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV) ou que realizaram tratamento com medicamentos (ex. antibióticos, anticoncepcionais, quimioterápicos e corticoides) são exemplos de imunossupressão.

Candida krusei é um exemplo das espécies de Candida que costumam causar infecção nesses pacientes com sistema imunológico enfraquecido. Essa espécie pode levar a uma doença sistêmica, que afeta uma série de órgãos, tecidos ou que afeta o corpo humano como um todo. Apesar de pouco conhecida, essa espécie merece destaque, pois, as taxas de mortalidade dos pacientes que desenvolvem infecção sistêmica por Candida krusei ficam em torno de 70%*.

Poucos medicamentos estão disponíveis para o tratamento das infecções causadas por Candida. Entre esses medicamentos, o fluconazol é comumente utilizado, entretanto, Candida krusei é naturalmente resistente a esse e outros medicamentos, o que torna o tratamento dessa espécie difícil. Nos últimos anos, houve um aumento no número de fungos resistentes aos medicamentos. Boa parte desse cenário se deve ao uso indiscriminado dos antifúngicos. Diferentemente das bactérias, as células fúngicas são muito semelhantes às células humanas e dessa forma, o desenvolvimento de novos medicamentos que sejam específicos apenas contra as células fúngicas torna-se difícil.

Apesar de não ser uma espécie tão comum, a alta taxa de mortalidade e a resistência aos medicamentos fazem da Candida krusei uma das espécies mais importante do gênero Candida.

Glossário
Microbiota normal Chama-se microbiota normal o conjunto dos microrganismos que se encontram dentro ou sobre o nosso corpo sem produzir doenças. Esses microrganismos auxiliam na digestão; Contribuem para o estimulo do sistema imunológico; Dificultam a colonização por microrganismos patogênicos etc.
Imunossupressão Chama-se de imunossupressão o ato de reduzir a atividade ou eficiência do sistema imunológico. Pode ser causada por uma doença imune ou ser intencional em um tratamento de uma doença ou usada para evitar rejeição de um transplante. Pacientes imunossuprimidos possuem o sistema imunológico enfraquecido e por isso são mais susceptiveis a infecções.
Quimioterápicos Quimioterápicos são substâncias químicas que afetam o funcionamento celular e são comumente utilizados na quimioterapia para o tratamento de doenças como o câncer.
Corticoides Corticoides são um grupo de hormônios esteroides produzidos pelas glândulas suprarrenais. Quando, por alguma razão, não são naturalmente providos pelo nosso corpo nas quantidades necessárias, devem ser supridos artificialmente.

Fonte: *Doi AM, Pignatari AC, Edmond MB, Marra AR, Camargo LF, Siqueira RA et al. Epidemiology and Microbiologic Characterization of Nosocomial Candidemia from a Brazilian National Surveillance Program. PLoS One. 2016 25;11(1):e0146909.

3 de Outubro de 2017 at 9:15 Deixe um comentário

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