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29 de Junho de 2012 at 13:31 Deixe um comentário

Agrotóxicos: uma ameaça à saúde do agricultor

Renata Sano Lini- Farmacêutica, Acadêmica de Pós-Graduação (Mestrado), Programa de Biociências e Fisiopatologia.

Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR

Muito se discute na mídia sobre o mal que o agrotóxico pode causar à população que consome o alimento produzido com sua utilização. Mas, poucos se lembram do trabalhador que está em contato direto com estas substâncias, muitas vezes, diariamente. Você já parou para pensar que os agrotóxicos podem afetar a saúde do agricultor?

Estes trabalhadores manipulam essas substâncias praticamente todos os dias. É claro que a exposição varia de uma cultura para outra, mas quase todas dependem de aplicação frequente de diferentes agrotóxicos para que a produção seja boa e rentável. E para esta população, são poucas regras que existem para a garantia segurança no trabalho.

Viticultor Contemplando o fruto de seu trabalho. Marialva, 2017.
Fonte: Arquivos pessoais

Viticultor aplicando agrotóxicos em sua plantação. Marialva, 2017.
Fonte: Arquivos pessoais.

 

 

 

 

 

 

 

Um meio de cuidar da saúde do agricultor é a “monitorização biológica”, que consiste em dosar em seu sangue ou urina, substâncias específicas (biomarcadores), que, geralmente, aumentam quando a pessoa é exposta aos agrotóxicos.

Agora você deve estar pensando, se é tão simples por que isto não é feito? O fato é que não é tão simples assim. Existem muitas fórmulas de agrotóxicos e teríamos que encontrar um modo de localizar cada uma delas no corpo do trabalhador. Este é o desafio que impulsiona muitos projetos desenvolvidos em vários estados do Brasil por muitos cientistas envolvidos na busca de novos biomarcadores.

Para entender melhor, vamos pensar na viticultura (cultura de uva). A uva é uma fruta originalmente de clima frio e não cresce naturalmente em ambientes com clima tropical. Portanto, para produzi-la em certas regiões do país, como em Marialva, no Paraná, se faz necessário o uso de fungicidas. Estes agrotóxicos tornam-se necessários já que o clima desta região é quente e úmido, sendo este um fator que favorece a proliferação de fungos.

Esta classe de agrotóxicos, os fungicidas, utilizada por um longo período sem a proteção adequada, pode levar ao desenvolvimento de alergias respiratórias, doenças de pele, de Parkinson, diversos tipos de cânceres e até má formação fetal.

O projeto “Impactos da cultura da uva na saúde do trabalhador e na qualidade da água em propriedades de Marialva-Pr”, desenvolvido pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), tem como um de seus objetivos utilizar como biomarcador alguns metais pesados que são encontrados em formulações de fungicidas. É um projeto de pesquisa que também pretende atuar na conscientização dos produtores para o uso de forma segura dos agrotóxicos em geral, e analisar a qualidade da água consumida por esta população, já que os praguicidas podem contaminá-la fazendo com que se torne outra fonte de contaminação. Nos últimos anos este projeto demonstrou que parte da população rural da região de Marialva se expõe a inseticidas e fungicidas cronicamente, e esta exposição pode estar relacionada a alguns sintomas relatados pelos participantes durante as entrevistas realizadas pelo projeto.

Para saber mais sobre intoxicação crônica por agrotóxicos acesse: http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/CEST/Protocolo_AvaliacaoIntoxicacaoAgrotoxicos.pdf

O consumo de alimentos produzidos com agrotóxicos também é um assunto de grande importância, e é por isso que existe um programa nacional dedicado a este assunto. Se quiser saber mais é só acessar o site: http://portal.anvisa.gov.br/programa-de-analise-de-registro-de-agrotoxicos-para.

 

5 de Outubro de 2018 at 10:25 Deixe um comentário

Superbactérias desafiam os médicos

Cintia Werner Motter

Farmacêutica-Bioquímica, Mestranda do Programa de Biociências e Fisiopatologia da Universidade Estadual de Maringá

O Laboratório de Microbiologia Médica, da Universidade Estadual de Maringátem desenvolvido projetos na área de resistência bacterianatanto no hospital quanto na comunidade. Um desses trabalhos realizados foi a investigação de bactérias multirresistentes também conhecidas como “superbactérias”, num período de três anos, no Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). A detecção precoce destes microrganismos é importante para direcionar o uso de medicamentos, de forma a garantir o tratamento adequado ao paciente e colaborar com o controle de infecções.

Nas últimas décadas, a proliferação das “superbactérias”tem ganhado destaque. Esses microrganismosapresentam resistência a múltiplos antibióticos. A rápida evolução desses microrganismos acaba levando à falta de opções terapêuticas para o tratamento das infecções causadas por esses agentes.

 

O uso indiscriminado de antibióticos está entre os principais fatores que favorecem o aumento destes microrganismos, uma vez que esses medicamentos matam as bactériasmais sensíveis e as mais resistentes conseguem sobreviver e se multiplicar. Assim, os antimicrobianos não criam “superbactérias”, eles selecionam as mais resistentes. Quando o paciente toma um antibiótico de amplo espectro (que atinge diferentes tipos de microrganismos), apenas as bactérias mais adaptadas sobrevivem gerando um grande número de descendentes, transmitindo essa informação para gerações futuras.

A questão é que, com o tempo, não haverá “quem segure” estas bactérias. Se você for infectado por alguma delas, a chance dos antibióticos conseguirem tratá-las será muito baixa. Este quadro é ainda mais preocupante com a escassez de novos antibióticos pois àqueles utilizados atualmente não terão mais efeito e simples infecções poderão tornar-se fatais,como no caso das pneumonias.

Por isso, a vigilância debactérias multirresistentes, realizadapelo Laboratório de Microbiologia Médica da UEM, em parceria com o laboratório de Análises Clínicas do Hospital Universitário éde grande importância. Dados publicados recentemente mostraram que após a implantação do programa de vigilância multidisciplinar no hospital, houve uma redução significativa na propagação destes microrganismos no HUM. Então, para evitar o aumento destas bactérias, a prevenção é o caminho mais simples, com um programa implementado no estabelecimento envolvendo a higiene adequada das mãos por meio do uso de álcool em gel, a detecção de pacientes colonizados e com o uso racional de antibióticos, poderemos reduzir a multirresistência e a disseminação destas “superbactérias”.

Para saber mais:

Zarpellon MN, Viana GF, Mitsugui CS, Costa BB, Tamura NK, Aoki EE, et al. Epidemiologic surveillance of multidrug-resistant bacteria in a teaching hospital: A 3-year experience. Am J Infect Control. 2018;46(4):387-392.

https://www.afro.who.int/sites/default/files/2017-06/OMS_IER_PSP_2012.2_por.pdf

https://www.cdc.gov/hai/pdfs/cre/CRE-guidance-508.pdf

27 de Setembro de 2018 at 8:11 Deixe um comentário

Imunidade e Câncer

Evelyn Castillo Lima Vendramini

Farmacêutica, Mestranda em Imunogenética no Programa de Biociências e Fisiopatologia (PBF) da UEM

Linfócitos T e Célula Cancerígena. Foto tirada em microscópio ampliada 2300 vezes.
Crédito: STEVE GSCHMEISSNER/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Você sabe o que é imunidade? Talvez essa palavralembre de imunidade parlamentar ou foro privilegiado, mas, desta vez, estamos falando do corpo humano. Da política podemos nos lembrar do papel da imunidade: proteção; não de presidentes, ministros e senadores, mas de todo nosso organismo, contra infecções diversas e até mesmo o câncer. E, assim como na política, os mecanismos de defesa também podem prejudicar o organismo. Vamos ver como isso funciona para os tumores?

Primeiro vamos entender o papel de proteção da imunidade. Alguns pesquisadores realizaram estudos em animais que tinham alguma deficiência no sistema imunológico. O que eles perceberam foi que se esses animais entrassem em contato com substâncias cancerígenas, desenvolviam tumores mais facilmente que os outros animais com o sistema imunológico intacto.

Outros pesquisadores estudaram tumores em seres humanos e, quando células do sistema imune, como por exemplo os linfócitos T e natural killers (NK) estavam próximas ao tumor, os pacientes tinham uma melhor perspectiva de enfrentamento da doença. Isso porque essas células têm a capacidade de procurar e eliminar diretamente as células tumorais, o que é chamado de vigilância imune.

Mas o “lado negro” da imunidade ainda não é tão bem conhecido. Alguns tipos de células como os macrófagos e substâncias inflamatórias que são produzidas para combater o tumor podem promover o crescimento e propagação dos tumores, facilitando o crescimento de novos vasos sanguíneos no tumor e até promovendo mais mutações através de substâncias químicas chamadas de radicais livres, especialmente, quando acontece uma inflamação no corpo por muito tempo.

Os mecanismos exatos ainda não são completamente compreendidos e nem o equilíbrio que ocorre entre vigilância e indução dos tumores pelo sistema imune. O que sabemos é que isso não acontece em todos os tipos de câncer.

Pensando nisso, na Universidade Estadual de Maringá está sendo desenvolvido um trabalho que procura entender o papel das substâncias produzidas pelo sistema imunológico em um tipo de câncer que afeta as células do sangue (neoplasias mieloproliferativas crônicas). Essa e outras pesquisas poderão contribuir na descoberta de novas formas de diagnóstico e tratamento dessas doenças, para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

 

Ficou interessado em saber mais? Você pode acessar os sites:

http://www.ciencianews.com.br/index.php/publicacoes/artigos-cientificos/imunologia-do-cancer/

http://www.periodicos.ufpb.br/index.php/rbcs/article/viewFile/9934/5694

12 de Setembro de 2018 at 9:03 Deixe um comentário

COMO PODE SER REALIZADA A AVALIAÇÃO POSTURAL

Lilian Catarim Fabiano1

Carmem Patrícia Barbosa2

1Fisioterapeuta, Especialista em Fisioterapia do Trabalho e Ergonomia, aluna da Especialização em Anatomia e Histologia Humana da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e mestranda em Biociências e Fisiopatologia (UEM). 

 

2Fisioterapeuta e Professora Doutora do Departamento de Ciências Morfológicas (Área de Anatomia Humana) da Universidade Estadual de Maringá (UEM

Figura 1. Avaliação postural utilizando simetrógrafo
(https://www.google.com.br/avaliacaopostural com acesso em 26/03/2018)

Na semana passada falamos sobre a anatomia da coluna vertebral, suas principais doenças e os cuidados diários que devemos ter para preveni-las. Concordamos que, em se tratando dos males da coluna, o ditado popular “é melhor prevenir do que remediar” é extremamente verdadeiro. Por isso, você já parou para pensar seriamente como anda a saúde da sua coluna? Já fez alguma avaliação postural? Sabe qual a importância de se fazer uma avaliação específica? Pois hoje vamos conversar com mais profundidade sobre este assunto e entender sua importância.

Aavaliação posturalé um importante método diagnóstico que serve para identificar desvios posturais em vista anterior, posterior e lateral direita/esquerda (Figura 1). Ela permite que uma inspeção global da postura seja feita para que assimetrias corporais e desvios de postura sejam identificados de forma observacional, ou seja, prestando atenção nos detalhes anatômicos do corpo da pessoa avaliada. Todavia, para facilitar a identificação de alterações, é preciso que oindivíduo esteja vestindo roupas justas (como as usadas para fazer exercícios)ou mesmo trajes de banho.

Aavaliação posturalé feita por meio de um aparelho chamadosimetrógrafo(Figura 1).Embora o nome seja meio complicado, ele é um aparelho extremamente simples, de formato retangular,comcerca 2 metros de altura por 90 centímetros de largura, com linhas horizontais e verticaisque formam vários quadrados. A pessoa avaliada deve se posicionar em pé, a frente ou atrás do aparelho, de forma que uma das linhas verticais fique alinhadaà uma linha imaginária que passa no centro do corpo do avaliado. Assim, é possível observaralterações anatômicas em estruturas ósseas, articularese musculares, permitindo verificar com clareza se os lados direito e esquerdo do corpo são simétricos. São avaliados pontos específicoscomo a altura dos ombros, da cintura, do quadril, o formato dos joelhos, a posição dos tornozelos e dos pés. Além disso, é possível identificar aquelas alterações da coluna que foram explicadas no texto da semana passada, como as escolioses, as hipercifoses e as hiperlordoses.

Outro aparelho importante na avaliação postural é o plantígrafo.Embora também seja muito simples de manusear, necessita da interpretação de um profissional habilitado que avalie a forma como a pessoa descarrega o peso do corpo ao pisar. Ele permite que seja feita uma impressão do pé (como se fosse um carimbo) para que o profissional avalie se a impressão é normal, se o pé é cavo ou “chato” (Figura 2). Além disso, com este aparelho é possível saber se a pessoa descarrega o peso do corpo de maneira uniforme ou em pontos específicos (como na região calcanear ou em apenas um dedo). Sua importância está no fato de que as alterações da pisada podem causar desequilíbrio corporal, problemas no tornozelo, no joelho, no quadril e até mesmo na coluna.

Figura 2. Avaliação da pisada plantar utilizando o plantígrafo
(imagens obtida em http://randradefisio.com.br/avaliacao-computadorizada-fotogrametria/palmilhas-ortopedicas-e-posturais/plantigrafo/acesso em 24/03/2018)

A avaliação com destes aparelhos ea coleta de informações importantes como a história de doenças pregressas, traumatismos,hábitos diários e a frequência de realização de exercícios físicos (anamnese), permite a detecção precoce de alterações na coluna vertebral. Assim, complicações são evitadas por meio de orientações, cuidados elementares e tratamento direcionado a fim de se evitar, por exemplo, problemas maiores como hérnias de disco, artrose na coluna e correções cirúrgicas.

 

REFERÊNCIAS

 

KENDALL FP, MCCREARY EK, PROVANCE PG. Músculos: provas e funções. 5a ed. São Paulo: Manole, 2007.

 

RESENDE FS, HAAS AN, PRADO RP, BARROS PS. Análise das impressões plantares em praticantes de ballet clássico. R. bras. Ci. eMov 2017.

 

 

12 de Setembro de 2018 at 8:46 Deixe um comentário

COLUNA VERTEBRAL: É CONHECENDO QUE SE PREVINE SEUS MALES

Lilian Catarim Fabiano1

Carmem Patrícia Barbosa2

1Fisioterapeuta, Especialista em Fisioterapia do Trabalho e Ergonomia, aluna da Especialização em Anatomia e Histologia Humana da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e mestranda em Biociências e Fisiopatologia (UEM).

2Fisioterapeuta eProfessora Doutora do Departamento de Ciências Morfológicas (Área de Anatomia Humana) da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Você já parou para pensar como a sua coluna vertebralé formada? Você saberia dizer se ela está saudável ou se apresenta alguma disfunção? E ainda, você sabe o que é hiperlordose, hipercifose, escoliose, osteofitose ou hérnia de disco? Bem… se você não soube responder estas perguntas, está na hora de entender um pouco mais sobre o pilar que sustenta seu corpo.

Infelizmente, as doenças da coluna vertebral vem se tornando um verdadeiro problema de saúde pública. Para se ter uma noção, apenas em 2016foram registrados 116.371 casos no Brasil, dos quais grande parte poderia ser evitada. A melhor forma de se prevenir os males da coluna vertebral é conhecendo-a e dela cuidando de maneira preventiva.

Esta importante região do corpo é composta por 33 vértebras sobrepostas e intercaladas por discos intervertebrais de cartilagem que funcionam como uma espécie de amortecedor. Unindo estas vértebras, estão os ligamentos e os músculos, os quais lhe dão suporte e mantém suas curvaturas fisiológicas. Isso mesmo, curvaturas! Isto porque, embora a coluna deva ser retilínea ao ser observada de frente e de trás, quando ela é vista lateralmente existem curvaturas que a habilitam a suportar o peso do corpo e a manter o equilíbrio. São elas: as lordoses cervical e lombar e as cifoses torácica e sacrococcígea.

No entanto, estas curvaturas podem sofrer alteraçõesde acordo com a idade, sobrepeso, doenças degenerativas e com a maneira como as atividades do dia-a-diasão realizadas. Assim, podem surgir, por exemplo, escoliose(umdesvio lateralda coluna em forma de “C” ou de “S”),hiperlordose(aumento da lordose),hipercifose(aumento da cifose; popularmente conhecida como “corcunda”)ehérnia de disco (quando o disco intervertebral sai do seu lugar).

Desta forma, realizar as atividades diárias de maneira adequada e fazer alongamentos e fortalecimentosmusculares orientados, é o melhor que você pode fazer por sua coluna. Assim, observe atentamente as imagens abaixo e tente colocar em prática no seu dia-a-dia.

 

Ao realizar atividades em local baixo ou pegar algo do chão, flexione os joelhos. Desta forma, sua coluna permanecerá reta.
Ao ficar em pé por longo período de tempo (como ao passar roupas), procure alternar a perna de apoio e mantenha sempre a coluna reta.
Tanto em atividades sentadas como em pé, evite inclinar tronco para a frente, pois esta postura pode ocasionar hipercifose.
Quando realizar atividades que precise erguer os bração acima da cabeça, procure ficar sobre algo seguro e que te deixe mais alto.

Para melhor esclarecimento sobre o assunto, assista nosso vídeo informativono site do MUDI e visite a exposição “COLUNA VERTEBRAL:O PILAR QUE SUSTENTA O CORPO”. Além de poder observar uma coluna normal, você poderá visualizar colunas com diversas doenças, preparadas especialmente para o evento. Também é possível fazer uma avaliação da sua coluna, de formagratuita, por profissionais especializados epor meio de aparelhos específicos como o simetrógrafo e o plantígrafo. Agende sua visita.

Além disso, no texto da próxima semana estaremos explicando o que pode ser diagnosticado por meio do simetrógrafo e do plantígrafo, e as formas mais atuais de tratamento para os problemas de coluna. FIQUE ATENTO!!!

 

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Carmem Patrícia. Anatomia Humana Aplicada à Educação Física. Maringá-PR; UniCesumar, 2017.

KENDALL, F. P.; McCREARY, K. E.; PROVENCE, P. G. Músculos Provas e Funções. 5. ed. São Paulo: Manole, 2007.

MOORE, Keith L; DALLEY, A. F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed.  Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

VARGAS SANABRIA, M. Anatomía y exploración física de lacolumna cervical y torácica. Medicina Legal de Costa Rica, Heredia, v. 29, n. 2, Sep. 2012.

 

17 de Abril de 2018 at 10:30 Deixe um comentário

TÉCNICA HIPOPRESSIVA OU TÉCNICA DA “BARRIGA NEGATIVA” NO TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA

Carolina Miqueleto Santoro1

Carmem Patricia Barbosa2

1Acadêmica do curso de Educação Física da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá-PR, Brasil. 

2Professora Doutora do Departamento de Ciências Morfológicas (DCM), Área de Anatomia Humana da UEM, Maringá-PR, Brasil.

Na semana passada apresentamos um texto sobre incontinência urinária e suas formas de prevenção. Uma das técnicas citadas no texto e atualmente bastante utilizada no combate à incontinência, é a técnica hipopressiva ou também chamada técnica da “barriga negativa”. Você já ouviu falar desta técnica?

Elafoi criada na Europa por Marcel Caufriez e recentemente chegou ao Brasil já sendo aplicada por profissionais da área da saúde, pois incluiexercícios que associam práticas respiratórias e posturais. Inicialmente ela tinha o objetivo de cuidar da saúde de mulheres no período pós-parto. Todavia, depois de muitos estudos na área e da colaboração de profissionais como Piti Pinsach e Tamra Rial, os exercícios hipopressivos foram indicados para o tratamento de outras doenças do assoalho pélvico, assim como para fins estéticos. Inclusive, segundo pesquisas clínicas, eles podem diminuir até 12 centímetros da região abdominal. Olha que maravilha!!!

Mas afinal, o que a técnica hipopressiva tem de tão diferente? O fato dos exercícios serem hipopressivos, ou seja, diminuírem a pressão dentro do abdome, faz algo diferente dos exercícios aos quais estamos acostumados. Isso porque cria um vácuo na região abdominal (o ar é retirado desta cavidade) e os músculos mais profundos da região abdominal e do assoalho pélvico são ativados. O músculo transverso do abdome, por exemplo, é um dos músculos que sofre tal ativação. Além disso, durante a respiração utilizada nesta técnica, o músculo diafragma sobe em direção à cavidade torácica tracionando os órgãos abdominais para cima e fazendo com que eles se reposicionem acima do lugar onde normalmente ficam (normalmente, por influência da gravidade, estes órgãos se posicionam mais para baixo).

Você deve estar pensando o que isso muda em seu corpo? Na verdade, a ação dereposicionar os órgãos é importante porque diminui os riscos de prolapso dos órgãos, ou seja, eles não “caem”. Além disso, a ativação dos músculos do assoalho pélvico faz com que o controle da uretra (canal por onde passa a urina para ser eliminada para fora do corpo)seja mais eficiente, diminuindo assim a incidência de incontinência urinária.

Adicionalmente, muitos pesquisadores comprovaram em estudos aplicados que constipação intestinal, diástase abdominal, problemas sexuais, hérnias e até desvios posturais podem ser tratados com a técnica hipopressiva. E como se ja não fosse o bastante, alguns autores afirmam que até a circulação sanguínea melhora com sua prática.

Ficou interessado? Quer praticar?Primeiro, você deve procurar um profissional habilitado para te conduzir da melhor maneira. Os livros sobre o método afirmam que praticando apenas 30 minutos uma vez por semana, acrescidos de 5 minutos ao dia, os resultados são certos! Inclusive, os autores afirmam que em 12 semanas já é possível observar melhora nos parâmetros estéticos e na própria saúde.

É muito importante entender que os EXERCÍCIOS HIPOPRESSIVOS NÃO FARÃO VOCÊ PERDER GORDURA!O que ocorre é o afunilamento da cintura, uma vez que os órgãos são reposicionados e os músculos mais profundos tornam-se tonificados e hipertrofiados.

Finalizamos com algumas dicas importantes para quem quer fazer estes exercícios: Procure um profissional qualificado, aprenda corretamente a nova técnica e lembre-se de quenão se deve fazer esforço físico após as refeições. Ademais, antes de se exercitar, certifique-se de que sua bexiga urinária está vazia. Estas medidas preventivas simples podem minimizar o aparecimento da incontinência urinária.

REFERÊNCIAS

RIAL T, PINSACH P. Técnicas hipopressivas. 9ª ed. Vigo, Espanha: EdicionesCardeñoso; 2015

CAUFRIEZ M. El método hipopressivo del dr. Marcel Caufriez. MC editions. 2016: 11-45.

3 de Abril de 2018 at 8:35 Deixe um comentário

CONHECENDO A INCONTINÊNCIA URINÁRIA: O QUE É, QUAIS SEUS SINTOMAS E COMO TRATAR

Carolina Miqueleto Santoro1

Carmem Patrícia Barbosa2

1Acadêmica do curso de Educação Física da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá-PR, Brasil.

2Fisioterapeuta e Professora Doutora do Departamento de Ciências Morfológicas (Área de Concentração: Anatomia Humana) da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Você já parou pra pensar sobre incontinência urinária? Você sabe o que ela realmente é e como é possível preveni-la? Será que ela tem tratamento? Pois bem…acho que está na hora de falarmos mais abertamente sobre este assunto, não acha?!

A incontinência urinária é caracterizada como qualquer perda involuntária de urina. Esta doença tem sido apontada como a epidemia do século XXI, pois sua incidência é altíssima e gera graves consequências psicofisiológicas para seus portadores. Estudos demonstram que ela afeta principalmente mulheres, de forma que cerca de 50% da população feminina poderá ser afetada por esta disfunção em algum momento da vida.

Existem vários tipos de incontinência urinária como, por exemplo, a de esforço, a de urgência e a mista. Na incontinência urinária de esforço, a perda de urina ocorre durante a realização de algum esforço físico que aumente a pressão intra-abdominal, como tossir, espirrar, pular, correr ou rir intensamente. Por outro lado, enquanto na incontinência de urgência a perda de urina ocorre sempre que a pessoa tem uma vontade muito forte e inadiável de urinar, na mista a perda de urina pode acontecer por uma combinação dos fatores citados anteriormente.

Algumas situações podem causar este transtorno como, por exemplo, múltiplos partos vaginais (normais), algumas cirurgias pélvicas, traumas na região pélvica, assim como o envelhecimento, a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo e a menopausa. Dados da Associação Brasileira de Fisioterapia Pélvica (2013) apontam um aumento de 25% na incidência de incontinência urinária após a menopausa.Apesar disso, apenas uma em cada quatro mulheres com esta doença buscam ajuda de um profissional especializado e, para piorar, guardam segredo por constrangimento e vergonha da situação.

O diagnóstico é feito por exames clínicos e testes especiais realizados por profissionais habilitados. O tratamento varia conforme o tipo de incontinência, mas de maneira geral, a fisioterapia uroginecológica tem sido um método não invasivo que fortalece os músculos do assoalho pélvico e reduz a incontinência urinária. Outras técnicas que podem ser usadas são a reeducação pélvica perineal,os exercícios de Kegel,o biofeedback, o uso de cones vaginais, a eletroestimulação, a terapia manual para reeducação e propriocepção, a massagem perineal e as técnicas hipopressivas.

Vale a pena dizer que por meio das inúmeras formas de tratamento é possível não só prevenir e tratar a incontinência urinária, mas também outras disfunções relacionadas ao assoalho pélvico. Além disso, é de extrema importância cuidar da saúde pélvica e buscar informações sobre as doenças que podem afetá-la, sem nenhum tipo de vergonha ou constrangimento, mesmo que os sintomas pareçam simples ou insignificantes.Inclusive, no dia 14 de março é comemorado o Dia Internacional da Incontinência Urinária do qual a Sociedade Brasileira de Urologia participa ativamente. Portanto, a atitude mais adequada a ser tomada é informar seu médico sobre qualquer sintoma para que este profissional o oriente quanto aos passos seguintes.

 

PORTANTO, NÃO SE CONSTRANJA. INFORME-SE E PASSE INFORMAÇÕES IMPORTANTES ÀS PESSOAS A QUEM VOCÊ QUER BEM!!!

REFERÊNCIAS

Associação Brasileira de Fisioterapia Pélvica [homepage na Internet]. Incontinência Urinária. Disponível em: http://www.abfp.org.br/incontinencia-urinaria.

BOTELHO F, SILVA C, CRUZ F. Incontinência urinária feminina. Acta Urológica. 2007; 24(1): 79-82.

NORTON P, BRUBAKER L. Urinary incontinence in women. Lancet. 2006 07 de janeiro; 367(9504): 57-67.

26 de Março de 2018 at 11:33 Deixe um comentário

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