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29 de Junho de 2012 at 13:31 Deixe um comentário

DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO PÚBLICA DA CIÊNCIA

Texto de autoria coletiva – Turma de Metodologia da Popularização do Conhecimento Científico, 2017.

Mestrado e Doutorado em Biociências e Fisiopatologia (PBF/ UEM) e Biologia Comparada  (PGB/UEM).

Alunos de mestrado e doutorado.

Cientistas são profissionais de diferentes áreas que em sua maioria se dedicam ao estudo aprofundado sobre um tema que resulte na solução de problemas. No Brasil, desempenham múltiplas funções pois não existe uma profissão de “cientista” e por isso normalmente dividem seu tempo entre diferentes atividades da vida acadêmica. Ou seja, além de pesquisador atuam como professor, orientador, gestor entre outros. Desta forma, seu tempo precisa ser distribuído entre muitas tarefas, o que pode explicar a falta de dedicação a atividades da comunicação pública da ciência.

No meio universitário é bastante valorizada a escrita e publicação de artigos científicos, aqueles normalmente escritos em outros idiomas, publicado em importantes revistas científicas internacionais e lidos por especialistas da área. Estas publicações são reconhecidas para a progressão da carreira, concursos e podem até aumentar a possibilidade de ganhos de   financiamentos ou bolsas. Entretanto, ações de comunicação da ciência para o público em geral não são encorajadas com os mesmos estímulos, fazendo com que poucos pesquisadores se dediquem a esta função.

Pouco se investe na capacitação de pesquisadores para a atuação como “divulgadores da ciência” possivelmente por múltiplos fatores que envolvem a falta de conhecimento e prática dos próprios orientadores e professores que direcionam o período de formação a práticas laboratoriais e resolução de problemas complexos. Assim, formamos excelentes mestres e doutores preparados para a pesquisa básica e aplicada porém não aptos a exercerem a importante função de comunicadores da ciência, traduzindo o conhecimento produzido para que todos compreendam.

Assim como no Brasil não há a profissão de cientista também não existe a de divulgador da ciência e mesmo os profissionais habilitados para comunicação como jornalistas nem sempre possuem formação e prática na área de jornalismo científico.  A relação entre os pesquisadores e jornalistas nem sempre é simples. De um lado quem gera as informações inovadoras tem receio da simplificação exagerada, distorção ou abordagem sensacionalista de seus resultados, por outro, o jornalista sem conhecimento da área e muitas vezes com pouco tempo tem dificuldade em transformar o conteúdo científico em algo atrativo.

Neste contexto temos universidades isoladas das comunidades, especialmente no que diz respeito ao conhecimento do que se faz em pesquisa, cenário que deve ser revertido com o empenho de todos os envolvidos se queremos que a ciência brasileira prospere. O conhecimento e o envolvimento da população em geral serão a garantia de apoio público, político e consequentemente financeiro para a continuidade do avanço científico mesmo em momentos de crise.

Conclui-se que isso só será possível se o conhecimento para a atuação como divulgadores da ciência seja inserido na formação de todos os cientistas, de maneiras diversificadas e atrativas, para que incorporem em suas práticas profissionais a comunicação pública da ciência por toda sua carreira.

18 de Setembro de 2017 at 10:34 Deixe um comentário

A Viagem pela Ciência em Centros e Museus

Glaucia Sayuri Arita

Biomédica

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Biociências e Fisiopatologia (PBF)

Os museus e centros de ciência são locais propícios para a divulgação científica, ou seja, servem como uma ponte entre a universidade e a comunidade. Além disso, oferecem laboratórios vivos interativos,estimulando a participação ativa das pessoas, contribuindo assim,para o interesse pelo conhecimento científico e para a formação de mentes criativas e críticas.

A divulgação por meio de museus e centros de ciência é realizada por diversas atividades como exposições, mostras temporárias e permanentes, oficinas, debates, palestras, seminários, minicursos, peças teatrais, sessões de filmes, jogos interativos. Isso tudo com o acompanhamento de monitores capacitados e treinados. Esses locais aindafornecem material para feiras de ciência nas escolas e possuem um acervo de fotos, vídeos, livros, desenhos técnicos, imagens digitais entre outros, que podem ser disponibilizados às pessoas. Também, podem oferecer cursos de formação continuada a professores, principalmente os de ensino fundamental e médio para que sejam estimulados a levarem seus alunos aos museus e centros de ciência.

No Brasil, há centenas de centros e museus de ciência, como por exemplo o Espaço Ciência em Recife, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) no Rio de Janeiro, o Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI) em Maringá, o Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS. Além disso, existe um projeto chamado de ERA VIRTUAL onde é possível visitar os museus, exposições temporárias e patrimônios culturais virtualmente, acessando o website: http://www.eravirtual.org. É possível navegar pelo universo dos museus sem precisar sair de casa, apenas com a ajuda da internet, ampliando assim, a divulgação e o conhecimento científico.

Deste modo, os museus e centros de ciência promovem o conhecimento científico de forma interativa, criativa e desafiadora para não somente estimular as pessoas, mas também fazê-las pensar criticamente e assim aprender ciência.

Leve sua família nos museus ou centros de ciência da sua cidade. E venha navegar nesse novo mundo de possibilidades e curiosidades.

Para saber mais:

Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência: UFRJ. FCC. Casa da Ciência; Fiocruz. Museu da Vida. Centros e museus de ciência do Brasil 2015. Rio de Janeiro, 2015.

Crestana, S.; Castro, M.G.; Pereira, G.R.de M. Centros e Museus de Ciência: visões e experiências: subsídios para um programa nacional de popularização da ciência. São Paulo: Saraiva: Estação Ciência, 1998.

http://www.eravirtual.org/

http://www.mudi.uem.br/

11 de Setembro de 2017 at 9:52 Deixe um comentário

A CIÊNCIA DO SEXO FRÁGIL

Beatriz Cardoso de Freitas – Biomédica, especialista em anatomia e histologia DCM/UEM.

Mestranda em biociêmcias e fisiopatologia PBF/UEM

Existe no imaginário popular uma percepção de que cientistas são homens velhos, de óculos e meio malucos. Geralmente, são pouco sociáveis e passam maior parte de suas vidas emsótãos, quando não estão em seus laboratórios explodindo reações.

Desde a infância, somos apresentados ao estereótipo cientista insano. Desde o Professor Grossenfibbe (Pica-Pau, 1940) ao Dexter (O laboratório de Dexter, 1996), pouco se mudou durante essas sete décadas. Quando se fala em ciência, logo pensamos em clássicos como, Galileu Galilei, Charles Darwin, Isaac Newton, Albert Einstein…Poucos são os nomes femininos que acrescentam a lista. E não são poucas as mulheres cientistas que contribuíram para o avanço humano e tecnológico. Conheça abaixo, um pouco das centenas de delas:

CIENTISTA ÁREA PESQUISA
Rosalind Franklin (1920-1958) Biofísica Descoberta da estrutura de dupla hélice da molécula de DNA através de imagens pelo método de cristalografia
DorothyCrowfoot Hodgkin (1910- 1994) Biofísica Importantes descobertas em relação as estruturas da penicilina e insulina, além de descobrir a estrutura da vitamina B12.

 

Marie Curie (1867 – 1934) Química e Física Dedicou suas pesquisas na área da radioatividade, a qual rendeu duas premiações ao Nobel
Vera Rubin (1928-atual) Astronomia Primeira cientista norte-americana a argumentar que as galáxias giram ao redor de um centro desconhecido e que se aglomeram em grupos.
Rita Levi-Montalcini (1909 – 2012) Neurociência Descoberta do fator de crescimento nervoso (NGF). A descoberta influenciou pesquisas relacionadas ao mal de Alzheimer rendendo-lhe o prêmio Nobel de Medicina em 1986.
Nise da Silveira (1905-1999) Psiquiatria A humanização do tratamento psiquiátrico no Brasil contrária às formas agressivas.Nise recebeu diversos prêmios e foi membro fundadora da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica.

 

 

As cientistas são profissionais das mais diversas áreas. São mães, filhas, mulheres comuns. Eleita Miss Eua 2017, aos 25 anos, Kára McCullough, tem licenciatura em química e trabalha na Comissão Reguladora Nuclear dos EUA. A jovem cientista é um exemplo que não existe estereótipo para a ciência. A versão óculos e jaleco sujo no sótão pode ser substituído por uma faixa e coroa nas principais passarelas do mundo. A miss pretende, através da mídia, divulgar ciência e incentivar os jovens o interesse pela pesquisa e tecnologia.

As mulheres já produzem metade (49%) (FOLHA DE S.PAULO, 2017) da ciência do Brasil. Não é mais a ciência do sexo frágil, mas há muito o que avançar. O que se produz tem que, de alguma maneira, chegar à comunidade. E uma das principais formas disso acontecer é o reconhecimentoanti-Dexter da carreira cientifica.

SAIBA MAIS EM: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/03/10-grandes-mulheres-da-ciencia.html

4 de Setembro de 2017 at 14:04 Deixe um comentário

FISIOLOGIA DA DOR: IMPORTÂNCIA E CARACTERIZAÇÃO

Autores: Cristiany Schultz1, Caio Henrique de Oliveira Carniatto2 

1Pós-Graduação em Biociências e Fisiopatologia, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, Paraná, schultzcristiany@gmail.com.

2Departamento de Medicina Veterinária, Centro Universitário Cesumar, Maringá, Paraná, carniatto@live

 

Considerada o quinto sinal vital, a dor é uma modalidade sensorial que gera sofrimento ao indivíduo, sendo uma das grandes preocupações da humanidade desde os primórdios. A dor pode ser considerada um sintoma ou manifestação de uma doença ou afecção orgânica, subjetiva e pessoal, geralmente associada a experiências sensoriais e emocionais desagradáveis é um fenômeno universal e uma das causas de maior procura pelo Sistema Único de Saúde no Brasil.

Fisiologicamente a dor envolve componentes perceptivos, discriminativos e afetivos, relacionados a respostas neurovegetativas, motoras e comportamentais. Entretanto, a dor é um sintoma fundamental, pois alerta o indivíduo para a necessidade de assistência médica, decorrente de diversos quadros clínico-patológicos ou não; também se manifesta em situações fisiológicas normais, como no processo de ovulação e menstruação. Estudos indicam que a dor acomete pelo menos 30% dos indivíduos durante algum momento da vida; não existem dados estatísticos oficiais sobre a manifestação da dor no Brasil, mas sua ocorrência vem aumentando significadamente nos últimos anos, estimada entre 7 a 40% da população. A dor pode se manifestar mesmo na ausência de lesões teciduais vigentes, como em pacientes com neuropatia periférica ou central, e em certas afecções patológicas, em fases aguda ou crônica e impõe uma série de restrições aos pacientes afetados. Estas condições incluem perdas de percepção e expectativas futuras, problemas psicológicos que afetam a atenção, emoção, relacionamento interpessoal, depressão e fadiga. A dor também pode ser classificada como epícritica (rápida), ou protopática (lenta e mal localizada) e sua transmissão envolve o córtex somático, giro do cíngulo, tálamo e medula espinal.  Os nocireceptores são neurônios da dor e funcionam continuamente, respondendo a estímulos nocivos internos e externos, o estímulo recebido é encaminhado através de um neurônio primário, que, em sinapse com um interneurônio e com neurônios secundários e terciários, o encaminha para o sistema nervoso central.

O estímulo transferido via neurônio sensitivo pode ou não ser inibido por um neurônio inibitório e suprimida no lado dorsal da medula espinal antes que o estímulo seja  enviado para os tratos  ascendentes da medula espinal,onde os interneurônios no interior da medula inibem as vias ascendentes para a dor.

FISIOPATOLOGIA DA DOR      

A percepção da dor pode ser modulada em diversos níveis do sistema nervoso, sendo ampliada ou suprimida em situações de emergência quando a sobrevivência depende de ignorar a lesão, em situações posteriores, vias descendentes viajam através do tálamo inibindo os neurônios nociceptores na medula espinal.

Estudos devem ser conduzidos a fim de controlar e minimizar a dor, através de estudos biomédicos e ensaios in vivo e in vitro, considerado um desafio para médicos e biocientistas, pois além de envolver processos fisiopatológicos, a dor envolve questões psicológicas e psiquiátricas.

Para saber mais:

http://www.sbed.org.br/home.php

Referencias:

SILVERSTHORN, Dee Unglaub.Fisiologia Humana;uma abordagem integrada,Barueri,SP, 2ed.,Manole.

BARROS A. de F. Simone Regina, PEREIRA Leão de Souza, NETO Almeida Adauto.Nursing Students Qualification as to pain perception in two univesities. Rev.Dor.São Paulo, abr-jun;12(2):31-7.

29 de Agosto de 2017 at 10:47 Deixe um comentário

ESPAÇOS QUE PROMOVEM A SAÚDE POR MEIO DA ATIVIDADE FÍSICA EM MARINGÁ – PR: UMA OPÇÃO NA DOENÇA DE ALZHEIMER

Mateus Dias Antunes1

 

1 – Possui graduação em Fisioterapia pelo Centro Universitário de Maringá (2015). Especialista em Exercício Físico e Reabilitação do Idoso pela Faculdade Metropolitana de Maringá (2017) e Atualmente é Mestrando em Promoção da Saúde pelo Centro Universitário de Maringá (Bolsista CAPES). Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Promoção da Saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: Idoso, Promoção da Saúde, Atividade Física e Envelhecimento.

O crescimento da população idosa no mundo implica no aumento de problemas associados aos declínios no funcionamento dos órgãos e sistemas. Na saúde mental, aumentam o aparecimento das demências, e dentre os tipos, destaca-se a doença de Alzheimer, sendo mais prevalente, correspondendo a 70% dos casos no Brasil. A demência acomete ambos os sexos, sendo comum em pessoas com 60 anos ou mais. No Brasil, um fato preocupante é que as projeções indicam que a média de prevalência encontra-se mais alta que a mundial e os custos com os tratamentos também são elevados.

Em relação aos tratamentos, ainda não existe cura para a Doença de Alzheimer, porém os tratamentos farmacológicos e a reabilitação neurocognitiva são capazes de retardar e/ou estagnar temporariamente o avanço da doença. Estudos apontam que a prática regular de atividades físicas tem uma grande importância na Doença de Alzheimer. As atividades físicas estimulam o indivíduo, trazendo benefícios no sentido de: facilitar a redescoberta do esquema corporal; preservar as capacidades funcionais remanescentes durante o máximo de tempo possível; melhorar o aspecto moral e a confiança; restituir a autoestima e consequentemente, ajudar a manter certa qualidade de vida. Também já está sendo pesquisado, que a atividade física pode reduzir até 50% o risco de ter Doença de Alzheimer.

No município de Maringá existem diversos espaços e práticas que promovem a saúde dos idosos. Destacam-se as Academias da Terceira Idade, espaços gratuitos que tem na maioria dos bairros e locais turísticos da cidade, também existem lindos parques arborizados que permitem a prática de caminhada, as Universidades também constam com programas gratuitos para idosos, além disso, a Prefeitura conta com alguns programas realizados juntamente com as Unidades Básicas de Saúde de todos os bairros. Não fique parado, corra atrás para praticar atividade física e Promover a sua Saúde.

 

 

 

 

 

 

LEIA MAIS EM:

 

MATSUDO, Sandra Mahecha. Atividade física na promoção da saúde e qualidade de vida no envelhecimento. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 20, n. 1, p. 135-37, 2006.

 

MATSUDO, Sandra Mahecha. Envelhecimento, atividade física e saúde. Boletim do Instituto de Saúde, v. 1, n. 47, p. 76-79, 2009.

 

12 de Abril de 2017 at 15:02 1 comentário

Controvérsia acadêmica -Mesentério é um novo órgão?

Texto produzido pelo Prof. Dr. Eduardo Cotecchia Ribeiro, Professor Associado de Anatomia Descritiva e Topográfica – Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.[i]

Vamos rever alguns conceitos já bem estabelecidos antes de dar minha opinião, cujo objetivo é colaborar com a discussão em pauta.

Tecido – formado por um grupo de células semelhantes que desempenha uma função especializada. Tipos: 1-epitelial (revestimento e glândulas); 2-conjuntivo (protege, sustenta, une e isola, sendo o mais abundante). Forma osso, cartilagem, gordura e sangue, cuja particularidade deste último é ter a matriz líquida (plasma); 3-muscular e 4-nervoso.

Órgão – formado por um grupo de tecidos (dois ou mais) que desempenha uma função específica. Alguns estudiosos complementam ao considerar que um órgão deve ter uma forma definida, como o coração, estômago, rim, entre tantos outros. Creio que nesse sentido estariam excluídas as túnicas como a pele e o peritônio, por exemplo.

Túnica (membrana) – envoltórios constituídos por tecido epitelial e tecido conjuntivo, como a mucosa, a serosa e a pele (cútis). Esta é considerada o maior órgão do corpo em diversos livros de Anatomia.

Deixando a polêmica de lado e considerando o conceito clássico de órgão, então devemos entender e aceitar as túnicas do corpo como sendo órgãos constituídos por dois tipos de tecidos.

Assim, o órgão é o peritônio (a mais extensa túnica serosa)todo e não somente uma de suas diversas projeções (reflexões) decorrentes do desenvolvimento embriológico, a exemplo do mesentério destacado pelos autores irlandeses.

Ainda devemos acrescentar que o peritônio é uma membrana extensa, contínua (partes parietal e visceral) e única, não fragmentada, que se molda e acompanha o complexo desenvolvimento do tubo digestório primitivo. Este fato justifica a importância de seu conhecimento anatômico aplicado à clínica.

FIGURA representando parte do intestino delgado com suas camadas de revestimento, e, evidenciando pela seta vermelha a direita o mesentério. Figura extraída de: TORTORA, G.J.; NIEGSEN, M.J. Princípios de Anatomia Humana. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013, p. 874.

FIGURA representando parte do intestino delgado com suas camadas de revestimento, e, evidenciando pela seta vermelha a direita o mesentério. Figura extraída de: TORTORA, G.J.; NIEGSEN, M.J. Princípios de Anatomia Humana. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013, p. 874.

Portanto, pelo exposto, não compartilho com a visão dos referidos colegas irlandese[i].

E mais, se eles propõem considerar o mesentério isolado e classificá-lo como órgão, deveriam também incluir os demais mesos que têm as mesmas características morfológicas de estrutura e função (mesocolo transverso, mesocolosigmóide, mesoapêndice, mesovário e até os omentos). Por que não?

Seguindo na mesma linha de raciocínio, deveríamos também considerar a pleura e o pericárdio como órgãos, por serem as outras duas túnicas serosas do corpo. OBS. As serosas apresentam um substrato de tecido conjuntivo com uma camada de células epiteliais secretoras, o mesotélio.

Para concluir, faço as seguintes considerações em relação ao que tem sido destacado por alguns profissionais da área ao justificar a proposta: 1- mesentério e produção de proteína C reativa. O fígado produz, tendo relação com processos inflamatórios em geral e não em particular com o mesentério; 2- doença de Crohn, comprometendo a parede intestinal e resultando em comprometimento do peritônio que reveste o intestino, como ocorre com a parte terminal do íleo; 3- paniculite mesentérica, comprometendo a gordura armazenada no mesentério, principalmente na sua raiz e, ocasionalmente, no mesocolo; isquemia mesentérica por obstrução dos vasos que fazem seu trajeto entre as lâminas do mesentério, entre outras alterações.

FIGURA representando peritônio e órgãos abdominais. Figura extraída de: TORTORA, G.J.; NIEGSEN, M.J. Princípios de Anatomia Humana. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013, p. 876.

FIGURA representando peritônio e órgãos abdominais. Figura extraída de: TORTORA, G.J.; NIEGSEN, M.J. Princípios de Anatomia Humana. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013, p. 876.

Portanto, os exemplos de problemas mencionados não são exclusivos do mesentério ou, em sentido mais amplo, do peritônio. São alterações primárias em órgãos que apresentam revestimento peritoneal e que podem refletir na proliferação da gordura que está armazenada na serosa, nos vasos sanguíneos e linfáticos que transitam entre suas lâminas ou em processo de fibrose do próprio peritônio, seja a parte que for desta ampla membrana de revestimento das paredes da cavidade abdominopélvica e seus órgãos.


[1] As notas de fim, figuras e suas legendas foram acrescentadas pela profa. Dra. Débora de Mello Gonçales Sant´Ana, do MUDI, visando ilustrar o texto e ampliar sua compreensão pelo público em geral.

[1] O autor do texto se refere ao artigo:

COFFEY, J.C.; O´LEARY, D.P. The mesentery: structure, funcion, and role in disease. Lancet GastroenterolHepatol 2016: 1: 238-247.

 

 

 

 

 

 

6 de Fevereiro de 2017 at 15:36 1 comentário

Esta barulheira de novo não!!! Os animais e os fogos de artifício

Nathália Cristina Gonzalez Ribeiro

Bióloga

Doutoranda em Biologia Comparada – PGB-UEM

Os fogos de artifício embelezam o céu desde o século XIV. Fonte: www.techtudo.com.br

Os fogos de artifício embelezam o céu desde o século XIV.
Fonte: http://www.techtudo.com.br

Nas finais de campeonatos de futebol, festas de final de ano, e em outras comemorações especiais, a bicharada sempre se depara com o mesmo problema: o barulho dos fogos de artifício. Podemos não perceber, mas a forma de manifestarmos nossa alegria pode ter um volume muito alto para a audição sensível de muitos animais domésticos e silvestres.

            Há relatos de que a utilização de fogos de artifício em comemorações cívicas ou religiosas tenha se iniciado no século XIV na Itália, na cidade de Florença. A partir de então, este hábito se difundiu e o espetáculo pirotécnico resultante de reações químicas passou a encantar adultos e crianças do mundo todo. Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor de fogos, perdendo apenas para a China. Existem quatro categorias de fogos: A, B, C e D. Destas, apenas o tipo A não produz estampido; provavelmente por isso seja o menos utilizado.

Muitos animais são sensíveis ao barulho causado pelos fogos de artifício. Fonte: http://www.ogritodobicho.com/

Muitos animais são sensíveis ao barulho causado pelos fogos de artifício.
Fonte: http://www.ogritodobicho.com/

Apesar da beleza momentânea produzida no céu noturno, o barulho decorrente dos fogos de artifício pode trazer graves malefícios para cães, gatos, cavalos, porcos, aves, dentre outros. Os estímulos gerados pelo medo provocam uma cadeia de reações relacionadas ao estresse que podem até mesmo levar o animal a morte. A tendência é que tentem fugir ou lutar, querendo se esconder ou tornando-se agressivos. Nessas situações, ocorrem muitos casos em que o animal se esconde em locais de onde depois não consegue sair, corra desesperadamente e não consiga retornar, seja atropelado, se choque com algum objeto ou, no caso das aves, abandone o ninho.

            Isso deve nos fazer pensar sobre até que ponto realmente precisamos dos fogos de artifício em nossas festas, já que trazem muito mais prejuízos do que benefícios. Portanto, respeite a fauna!

 

 

Para saber mais:

http://www.saocamilo-sp.br/pdf/bioethikos/155567/A04.pdf

http://assinaturadigital.cienciahoje.org.br/revistas/revistas/288/files/assets/common/downloads/Edi288.pdf

 

30 de Dezembro de 2016 at 20:53 Deixe um comentário

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